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Ana Garcia Martins em dose dupla todas as semanas na Rádio Observador, às quartas na tarde em direto e sábado depois do meio-dia. Ana Garcia Martins, como tens andado? Onde tens andado?

Muito bem. Por lado nenhum, eu nunca vou a lado nenhum.

Pelo menos isto é uma tristeza, este país, este Portugal.

Sim, sempre convosco.

Diz uma coisa, querias falar do despedimento oficial do Frederico Pinheiro. Sabes mais que eu. Isto está já, deu dois meses à casa.

Notícias.

Como é que foi isto?

Não deu nada, mas são notícias fresquinhas. E eu penso que vale sempre a pena manter os nossos ouvintes atualizados sobre a novela Galamba, porque não queremos que percam nada de tão emocionante que isto é. E hoje, é verdade, foi o dia em que Frederico Pinheiro, adjunto de João Galamba no Ministério das Infraestruturas, foi finalmente demitido.

Desculpa, mas ele podia ter mantido o computador até hoje.

Sim.

É lógico.

E frequentar as instalações.

E atirar a bicicleta.

Não, atirar a bicicletas acho que não podia, de qualquer forma.

Acho que não.

Não consta das obrigações contratuais.

Porque muitos, eventualmente mais desatentos, estarão a perguntar: "Mas o homem não tinha sido já despedido vai para 15 dias?" Sim e não. Foi despedido, assim de boca.

Desculpa, não foi despedido, ele foi exonerado.

Exonerado, isso é diferente.

Foi exonerado por telefone?

É um termo mais chique.

Quem me dera

Ser exonerado. Gostava.

Quem me dera ser um dia exonerado.

Ser outra vez exonerado. Foi exonerado de boca, mas a coisa só hoje foi formalizada e agora sim, pode dizer que foi posto no olho da rua. Bom, com esta formalização veio também a justificação oficial para o despedimento, a saber: por ter adotado comportamentos incompatíveis com os deveres e responsabilidades inerentes ao exercício de funções de adjunto de um gabinete ministerial.

Pelo menos adotou alguma coisa.

Isto era a justificação dada, não é mesmo?

Eu já vi muitas exonerações publicadas em Diário da República. Muitas, olha. Paletes. Paletes de exonerações. E nunca vi nenhuma frase para dizer o motivo. Só há duas coisas: ou saem com grande louvor ou quando não diz que sai com grande louvor é porque foi mau. Mas só há essas duas hipóteses. Esta é uma terceira. Esta é uma terceira, que é nova.

E é tão grande que chegamos ao fim e já não nos lembramos porque é que ele foi despedido.

Nem do nome dele.

Sendo que a tradução é: por alegadamente ter andado à chapada com outros colegas do gabinete e ter tentado desviar um computador, que vamos lá, sendo propriedade do governo, ainda devia ter uma versão do Windows por aí de 1997. Bom, parte boa para Frederico Pinheiro, não vai precisar de estar oito horas na fila do centro de emprego para entregar papelada, porque já se safou. Noutro sítio, Frederico, o arremessador de bicicletas, está de volta à RTP, onde trabalhava antes de ser requisitado por Pedro Nuno Santos para integrar o seu gabinete.

É verdade.

Não é um paraquedas dourado, mas é uma almofadinha. É sempre uma almofadinha para quem trabalha para a RTP, entre não ou Lusa. E sabem para onde é que vai trabalhar? RDP África. Já tinha ouvido dizer. Isto já fez-lhe um bocadinho mudar o coro.

A RDP África é assim uma coisa lá atrás, depois no quinto piso.

Quem me dera ser exonerado.

Diz que não te podemos mandar para África, mas vais para a RDP África.

O que é que as redes disseram disto?

Olha, várias coisas. Temos gente a dizer: "Agora só temos de esperar pela publicação em Diário da República da exoneração de Galamba por comportamentos incompatíveis com a honestidade."

Uou!

Alguém também diz: "Depois ainda dizem que a taxa de desemprego é elevada em Portugal. Do governo para a RTP em menos de nada. Isto é que é eficiência." Foi rápido.

De bicicleta.

Pois, e alguém diz: "Atenção com as janelas e desviem as bicicletas na RTP." Maldosos.

Estão a ser injustos.

Bom, outro tema, também de hoje. Olha, isto hoje é só matéria-prima fresquinha. Ficámos a saber de uma notícia que a mim, enquanto antitabagista convicta e fundamentalista, muito me agrada: a proibição de fumar em esplanadas cobertas.

Esplanadas? Cobertas. Espera aí, o que é que é esplanadas cobertas?

Descobertas também. É proibido fumar em esplanadas sem nada por cima.

Eu acho que descobertas é só nas zonas

Mas não é, vai ser tudo.

Ai tudo? Ai meu Deus!

E já este ano, ouvi dizer.

É, mas lá mais para o...

Não pode estar a não sei quantos metros dos edifícios públicos.

É isso.

Pode haver ruas, por exemplo, no Terreiro do Paço, em que tu para fumares não tens sítio.

Mas isto é Nova Iorque?

Queres apanhar um canciano e fumar à moda.

Não é assim Nova Iorque. Em Nova Iorque podes fumar nas esplanadas que não são cobertas, como aliás em todos os países do mundo civilizados que eu conheço.

Sinto que temos uma lacuna justa entre nós.

Todo o mundo civilizado. A questão não é ser tabagista, a questão é o proibir por proibir.

É a liberdade.

É a liberdade.

Ela gosta muito do Caetano, é proibido proibir.

É isso.

Olha, eu gostava que fosse proibido fumar no mundo, mas pronto, é mais um passinho para uma sociedade livre de fumo. Amém. Bom, isto para já é só uma proposta de lei que será aprovada amanhã em Conselho de Ministros e depois segue para discussão na Assembleia da República, mas eu já dei esta batalha como ganha. E há mais, segundo notícia do JN, o governo também quer proibir a partir de 2025 a venda de tabaco direta ou indireta, ou seja, em máquinas, na maior parte dos estabelecimentos, incluindo bombas de gasolina, restaurantes, cafés, bares, discotecas, festivais, salas de espetáculos, etc.

Vou-me tornar dealer de cigarro.

Mesmo.

Só vão sobrar tabacarias, aeroportos e estações de comboios ou autocarros. Também vai ser proibido, acho eu.

A gente tem que ir a Santa Apolónia para comprar um maço de tabaco, mas que é isto? Isto não faz sentido.

Estás a ver as gasolineiras em

Acho que pode ser a entrada de um debate.

As gasolineiras, metade da faturação das gasolineiras deve ser tabaco. Estão abertas até tarde, é onde a malta vai buscar tabaco.

Começar a cheirar gasolina. Nunca mais há um homem que vai dizer:

"Fui comprar cigarros."

Não, agora é que está jeito.

Onde é que vai?

Onde é que foste?

Fui a Santarém. Era onde havia.

Esse era bom

Também vai ser proibido fumar à porta de restaurantes e cafés, no perímetro das instalações de estabelecimentos de saúde, escolas e universidades. Os maços de tabaco aquecido vão passar a trazer aquelas mensagens e imagens sinistras a alertar para os malefícios do tabaco. Isto porque há uma directiva europeia que tem de entrar em vigor até 23 de outubro. Porque vai obrigar a legislação nacional a equiparar o tabaco aquecido aos cigarros tradicionais. Acabou-se a brincadeira, agora são todos iguais perante a lei. Isto é mau para quem fuma, obviamente, mas também para os estabelecimentos que investiram muito a criar salas de fumo interiores e agora vão ter de desmantelar tudo até 2030.

Manifestação para devolvam o dinheiro, paguem indemnização.

Deves.

Mas há reações a isto.

Os fumadores estão muito nervosos com isto, porque por este andar, mais dia, menos dia, têm a PIDE do tabaco a cheirar-lhes o hálito para ver se andaram a fumar às escondidas, e foram para as redes manifestar-se. E temos comentários como: "Onde é que querem que vamos fumar então? Eu compreendo o desincentivo ao tabagismo, mas não podemos esquecer que os fumadores também são pessoas."

São pessoas com sentimentos.

A senhora já está com falta de nicotina.

Eu sou muito a favor disto. Alguém que diz: "Era lindo era proibir em colunas de zonas de praias, que praga!"

Olha, isso sim, isso incomoda.

E som nos telemóveis. Também nos transportes públicos é muito mau. Eu sei que vocês não andam de transportes públicos.

Evito.

Não, a nossa pipoca não.

Quando está a chover, venho de transportes públicos.

Ando muito a pé, venho sempre a pé.

Senão venho de mota.

Vamos passar a coisas mais interessantes.

Tem aqui uma coisa muito interessante. A coroação do Carlos III.

É verdade, foi por isso que eu não vim no sábado, lá estava eu. Mentira.

Foste para lá também.

Fui acenar ao povo. Já não há mesmo volta a dar. Temos de engolir o casal Carlos e Camila no trono de Inglaterra, porque eu serei sempre team Diana, portanto isto para mim foi uma facada no coração. Ora, eu que nem sou nada esotérica, nem shanti shanti, gosto de acreditar que esta coroação teve ali um dedinho, teve ali um momento com o alto patrocínio e vingança da própria Diana, que mandou isto lá dos céus ou dos infernos, só mesmo para chatear. Então, o que é que sucedeu? Numa cerimónia particularmente aborrecida, interminável, não houve muita emoção. O que é que se tornou viral a nível mundial, além do péssimo comportamento daquele pequeno príncipe que está sempre a fazer disparates? O momento em que Camila desfilava pela Abadia do Westminster, acompanhada por este cântico do coro. Vamos ouvir.

O quê?

O que é que vocês ouvem?

Não sei o quê, Camila.

Vagina, Camila.

O que vocês deveriam ter ouvido era uma frase em latim, que é "viva Regina Camila", ou seja, "viva a rainha Camila". Mas o que o mundo inteiro ouviu e reproduziu vezes sem conta nas redes sociais foi: "I like vagina Camila." Põe lá outra vez, ouçam agora, se não é sempre o que estão a ouvir.

É verdade, sim senhor.

Isto é como aquela linha da Champions, não é? Dos espaguetes.

Da lasanha.

Da lasanha, pois é.

E assim que isto entra nas nossas cabeças, já não conseguimos ouvir outra coisa que não isto.

É um bocadinho como o cavalinho na feira a correr.

Exatamente. Foram milhares e milhares de comentários e memes no Twitter e no TikTok a gozar com isto.

Mas gostas do Carlos III ou não?

Não.

A sério? Sabes que eu fiquei muito impressionado com a primeira mensagem dele. Ele tem aquela coisa shakespeariana, não é? É um bom orador. É melhor que a mãe, pelo menos.

Muito aborrecido.

Não sei por que fizeram o terceiro, os outros dois parece que não foram um grande sucesso.

Quais? Os Carlos?

Os outros Carlos.

E agora vamos avançar, porque temos pouco tempo para uma das coisas que a Ana Garcia Martins descobriu esta semana. E então há aqui um movimento, não sei se chega a ser uma hashtag.

É, é uma tendência.

Bare Minimum Monday.

É verdade, porque toda a gente sabe que as segundas-feiras são um grande martírio, a pessoa até dorme mal só de pensar que no dia seguinte vai bater com os costados no trabalho. Vem aquela ansiedade, aquela tristeza. E está a proliferar uma tendência no TikTok, que tem de seu nome precisamente Bare Minimum Mondays, que numa tradução muito livre significa fazer o mínimo possível às segundas-feiras.

Isso é discriminação dos outros dias.

Eu também acho, devia ser bare minimum every day.

Isto já havia uma coisa parecida, que eu já tinha falado, não sei se aqui se na edição de sábado, que era o quiet quitting, que era um movimento que defende que se faça só o básico no trabalho. Isto das segundas-feiras é mais ou menos o mesmo. Portanto, a ideia é que a malta aproveita a segunda-feira para relaxar.

Mas são guidelines, tipo quantas horas?

Sim, temos aqui um exemplo. Mas a ideia é que se aproveite a segunda-feira para fazer só o mínimo possível para não ser despedido.

Mas fazer o mínimo ainda é fazer alguma coisa.

É, pronto.

Custa muito.

E que as pessoas contemplem algum tempo para o autocuidado, tipo meditar e coisa. Há muitos tiktokers, sobretudo americanos, a explicarem como é que isto funciona. Há uma, por exemplo, que diz que quando chega ao trabalho à segunda dedica sempre as duas primeiras horas a não fazer rigorosamente nada e que às segundas, depois dessa pausa de duas horas, só faz três tarefas nesse dia. Decide o que é que vai fazer, só faz três coisas. E ela fala dos benefícios, de como está muito menos estressada, mais produtiva e mi-mi-mi. Especialistas laborais dizem que isto é capaz de não ser grande ideia, que pode demonstrar falta de compromisso e que pode ser uma ótima maneira de serem despedidos. Vai daí, recomendam que, em vez de não fazerem nada, os funcionários falem antes com os chefes e procurem redefinir prioridades e façam segundas-feiras equilibradas, em vez de segundas-feiras só olhar para o teto. Eu prefiro olhar para o teto.

Sim, eu também, todos nós. E vamos ficar a olhar para o teto agora, porque despedimo-nos da Ana Garcia Martins. Sábado, de resto, ela está de regresso depois do meio-dia, para mais uma edição de "O Que É Que Sucede?" Bom resto de semaninha.

Obrigada, fiquem bem.

Até para a semana.