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Bem-vindos ao Sofá do Parlamento. A Assembleia da República vai em breve começar a discutir o orçamento de Estado debaixo de um aumento do custo de vida, sobretudo nos combustíveis, mas também no cabaz alimentar e, claro, nos preços crescentes da habitação. Hoje recebemos a deputada do PS e líder da Juventude Socialista, Sofia Pereira. Bem-vinda. Anunciou este fim de semana a recandidatura à JS. A Juventude Socialista, tal como o partido, precisa de estabilidade na liderança?
Cumprimentar o Josito, cumprimentar o Miguel, quem nos ouve. Boa tarde a todos. A Juventude Socialista, felizmente, é uma estrutura que em toda a sua história tem vindo a demonstrar a sua vontade e o ímpeto não só reformista, aliás, grandes reformas que o Partido Socialista também levou a cabo, no que diz respeito até direitos, liberdades e garantias, começaram na Juventude Socialista, e porque somos irreverentes e não temos medo de enfrentar um conjunto de desafios sociais que os tempos, e agora também nestes tempos, nos desafiam, mas a Juventude Socialista não precisa de estabilidade por ter uma ou mais candidaturas. A Juventude Socialista o que precisa é que seus militantes, e também aqueles que não são militantes, estejam disponíveis pra discutir o país e as políticas públicas conosco.
Há dois anos, as eleições tiveram dois candidatos, pela primeira vez em quase duas décadas. Este ano espera uma JS mais pacificada ou está a contar com concorrência?
Não sei. Eu serei candidata, como já tive a oportunidade de anunciar em órgão próprio da Juventude Socialista e também já publicamente. Sei que a Juventude Socialista, com uma, ou com duas, ou com três candidaturas, certamente fará o que também foi capaz de fazer há dois anos, de refletir aquilo a que nos propomos, com ideias diferentes. Nós, felizmente, não pensamos todos da mesma maneira. Temos uma base comum, um chão comum, mas não pensamos todos da mesma maneira. Mas que dentro das nossas diferenças, em apenas uma candidatura, ou em mais do que uma, que estejamos prontos pra discutir os desafios que vemos na nossa geração. As casas estão mais caras, não conseguimos sair da casa dos nossos pais, os rendimentos não fazem face ao custo de vida. A mobilidade ainda não é uma realidade pra todos os jovens do nosso país, norte a sul e ilhas, porque às vezes esquecemos que os jovens insulares têm mais dificuldade ainda do que os jovens do interior, que normalmente são os visados no que diz respeito a estas matérias de mobilidade. E, portanto, uma candidatura ou mais do que uma, que façamos aquilo que a JS tem demonstrado saber fazer, que é discutir o país.
Quando anunciou a recandidatura, disse à TSF que ainda não tinha falado com o secretário-geral. Conta com a confiança de José Luís Carneiro pra este desafio?
Há uma coisa muito interessante e da qual eu me orgulho muito na JS: é que a JS é uma estrutura autônoma do Partido Socialista. Temos estatutos próprios, temos autonomia do partido, apesar de acompanharmos e ser o Partido Socialista que nós acreditamos que pode reformar o país, mas a Juventude Socialista e os seus militantes precisam, e eu, neste caso, como candidata, eu preciso da confiança dos militantes da Juventude Socialista e daqueles que acreditam que eu possa continuar a fazer um bom trabalho, a dar voz à minha geração, aos militantes e aos não militantes que esperam que nós sejamos a sua voz, e ao secretário-geral do Partido Socialista e ao Partido Socialista no geral, espero que também confie na JS, mas a minha prioridade é que os militantes confiem em mim.
Tem confiado, o secretário-geral?
Tem confiado. Aliás, eu tive a oportunidade de ser secretária-geral com dois secretários-gerais do Partido Socialista, o Pedro Nuno Santos e José Luís Carneiro. Senti que sempre tive a confiança dos dois, discordando. Discordei algumas vezes de Pedro Nuno, discordo também em algumas dimensões de José Luís Carneiro, mas o nosso objetivo é comum e, portanto, não tenho razão de queixa até agora.
Ontem, na Rádio Universidade de Coimbra, houve uma invasão de membros do Chega, duas deputadas do Chega. Considera normal que uma associação acadêmica proíba a presença de pessoas ligadas a um partido no edifício?
Eu acho que a Associação Académica de Coimbra, como qualquer outra, tem autonomia e os seus órgãos, e a Assembleia Magna que o decidiu, tem autonomia pra poder decidir o que entenderem sobre quem entra ou não entra na sua associação. Aliás, é um espaço onde os estudantes se podem manifestar e manifestaram-se como entenderam e deliberaram o que entenderam. Aquilo que eu não acho normal é que duas deputadas à Assembleia da República se prestem à triste figura que fizeram ali. Porque, aliás, primeiro, tanto quanto sei, aquilo que fizeram até pode ser mesmo um crime, porque não podem invadir um espaço onde estão vários jovens no espaço também de comunicação social da Universidade de Coimbra pra poder, por livre e espontânea vontade, imiscuir-se naquilo que ali estava a acontecer. Aliás, tanto quanto também foi relatado, o Chega foi convidado pra estar no debate online. Decidiram não estar presentes.
Mas não é uma questão de limitação de liberdade política quando apenas um partido não pode aceder a um edifício?
Como lhe digo, eu acho que a Associação Académica de Coimbra, como qualquer outra, tem que ter a liberdade nos seus órgãos pra deliberar o que entender.
Mas deliberou que o Chega é antidemocrático? Isto não é um pouco antidemocrático também?
Eu acho que isso aqui é uma premissa que ao longo do tempo tenho ouvido e cada vez, se calhar, concordo mais. Às vezes, e não particularmente em relação a este caso da Universidade de Coimbra, da Associação Académica de Coimbra, precisamos ser intransigentes com os intransigentes. O Chega já tem demonstrado que não tem qualquer prurido em violar um conjunto de preceitos e de pressupostos que estão socialmente estabelecidos pro bom funcionamento da democracia e das instituições, aliás, sistematicamente a põem em causa e, portanto, sempre que violam a liberdade do outro, e tentaram já várias vezes imiscuir-se na liberdade individual de cada um, inclusive com as suas posições no Parlamento, não parece que sejam ou que estejam, neste momento, nas melhores condições pra vir falar de liberdade ou do que quer que seja quando são os primeiros a tentar vedar a dos outros.
Vamos à questão do orçamento e do custo de vida. Este governo alargou a abrangência do IRS Jovem, criou a garantia pública para o crédito à habitação. Como é que se convence um eleitor até aos 35 anos de que o PS é a melhor opção, quando tem sido este governo a criar novos mecanismos para tentar dar respostas a esta faixa etária?
Os mecanismos que este governo tem criado têm-se revelado, alguns deles, bastante prejudiciais a curto, médio e longo prazo e não dá resposta estruturalmente às crises da nossa geração, da minha geração. Em primeiro lugar, e aqui duas distinções, quem criou o IRS Jovem foi o Partido Socialista, é certo que foi alargado com este governo e fico muito satisfeita por ter sido alargado, mas a verdade é que o modelo que existe aos dias de hoje beneficia quem ganha mais e quem ganha menos acaba por não ter um apoio, como de resto o Partido Socialista nas conversas, quando foi para este alargamento e para alteração do funcionamento do IRS Jovem poderia ter feito. Francamente, em relação à habitação, é uma das maiores crises em que vivemos. Aliás, eu acho que para dar resposta à crise na habitação, nós enquanto sociedade precisamos ter, primeiro a consciência de que é preciso fazer um esforço coletivo muito grande, como já foi feito pelos portugueses na criação do Serviço Nacional de Saúde, a escola pública, e acho que é um desígnio que temos que ter nos próximos anos. Não parece que a resposta que o governo tem dado, nomeadamente aos mais jovens, seja uma resposta estrutural. Aquilo que várias entidades europeias nos têm vindo a dizer é que estamos a endividar uma geração onde a taxa de esforço é muitíssimo elevada e que não tem a capacidade de, a longo prazo, garantir que saem dessa situação livremente. A garantia pública abrange cerca de 5% dos jovens. 5% dos jovens puderam usufruir da garantia pública. Eu fico muito satisfeita que esses 5% tenham acesso à garantia pública. Aquilo que eu não posso ficar tão satisfeita, como jovem, como líder de uma organização jovem e como cidadã atenta, é que todos os outros fiquem à margem das políticas públicas deste governo, porque quando nós estamos a introduzir uma maior procura e não respondemos do lado da oferta, aquilo que estamos a fazer é aquecer um mercado que já está a escaldar e não me parece que isto vá ter bom resultado.
Mas é uma medida que devia acabar?
Isto não sou eu a dizer, mais uma vez, várias instituições europeias têm vindo a dizer que possivelmente deveria acabar e não apenas ser reformulada. Eu compreendo que um jovem que consiga ter acesso ao crédito a uma casa de 400, 500, 600 mil euros, possa parecer um alívio, uma ajuda neste curto prazo, muito apetecível, mas depois quando nós percebemos que as prestações são elevadíssimas e que a taxa de esforço de um jovem é cerca de... Sei que houve um canal que fez uma entrevista a um casal jovem que usufruiu da garantia pública e da isenção de IMT, em que a sua taxa de esforço estava quase nuns 50%. Nós estamos a endividar sem ter a capacidade de lhes dizer que os seus salários vão aumentar a médio prazo e que a sua vida não vai piorar e vai melhorar.
Mas entre o deve e o haver do endividamento e da possibilidade de ter acesso a uma habitação...
Acho que o país devia estar a discutir um plano nacional bem estruturado com financiamento do orçamento do Estado, verbas europeias, alocar outros recursos do Estado a esse mesmo plano de construção pública, para que nós tenhamos um parque público de habitação digno de seu nome. O parque público de habitação português são cerca de 2%, dos mais baixos da Europa. Nós temos uma crise aflitiva, principalmente nas grandes zonas urbanas, são as mais pressionadas. Se nós estamos, por um lado, a aquecer o mercado com colocar incentivos na procura e não aumentar a oferta, se calhar, aquilo que estamos a fazer, já nem é a longo prazo, é a médio prazo, é agravar ainda mais esse problema. Portanto, se prescindir de um para podermos pensar estruturalmente num plano que dê resposta a médio e longo prazo a esta geração, acho que era muito mais produtivo para todos.
O PS tem insistido em medidas para responder ao aumento do custo de vida diferentes das que o governo tem aplicado, defendem o IVA zero no cabaz alimentar, a descida do IVA dos combustíveis. É possível que PS e Chega aprovem estas medidas na fase de especialidade do Orçamento do Estado?
O Partido Socialista não se vai demitir, na fase de especialidade, de propor um conjunto de soluções que possam dar, ou pelo menos mitigar, as consequências do aumento do custo de vida. Este orçamento, aquilo que revela é que não é um orçamento que vá dar, em curto prazo, resposta a essas aflições que os portugueses vivem, nomeadamente no cabaz alimentar. Eu tive a oportunidade de entregar um cabaz alimentar ao senhor primeir-ministro para tentar perceber se ele estaria em condições de compreender a aflição das pessoas aos dias de hoje a ir às compras e também nos combustíveis. E o Partido Socialista não se demitirá de o fazer. Agora, os partidos políticos que queiram acompanhar as nossas iniciativas, acho que será responsável fazê-lo. A propósito do Chega, do custo do cabaz alimentar e dos combustíveis, eu recordo há poucas sessões atrás no Parlamento em que o Chega decidiu criar mais uma manobra ilusória para poder introduzir um projeto de lei que não poderia ser feito nesta altura, por causa da norma travão, mas que pudesse ter início em janeiro. Em janeiro, nós temos é que estar a avaliar de que forma é que está o país, de que forma é que está o mundo, de que forma é que nós podemos contribuir naquele momento para as pessoas e para as suas vidas. Neste momento, aquilo que o Partido Socialista fará, não se demitindo dessa função em especialidade, é garantir que as pessoas tenham uma resposta agora e que o governo se comprometa agora, porque hoje as pessoas também vão encher os seus depósitos e também vão às compras.
O presidente da República elogiou o Partido Socialista pelo compromisso e pela capacidade de estabelecer pontes na questão do orçamento. Francisco Assis disse ao Observador que o PS e o PSD têm a obrigação de promover um entendimento de fundo
Seria útil um acordo mais alargado entre a AD e o PS ou isso serviria apenas para dar mais força ao Chega?
O Partido Socialista é a oposição democrática neste momento no Parlamento. Nós temos muitas divergências da forma como vemos o mundo e o país. Aliás, isso tem ficado claro a cada proposta que o governo traz para cima da mesa, desde logo no trabalho, na habitação, nos direitos, liberdades e garantias e, portanto, com este PSD, com este primeiro-ministro, com este líder de bancada parlamentar do PSD, com o qual eu pessoalmente me compatibilizaria numa dimensão muito alargada, não vejo de que forma é que esse compromisso estrutural possa acontecer, a menos que o Partido Social-Democrata esteja disponível a tornar-se tão democrata quanto os seus democratas fundadores. Apenas aqui uma nota, eu ouço várias vezes esta intenção de perguntar ao Partido Socialista o que fará com propostas, aprovar propostas com o Chega ou não. E até com as sondagens e com as tracking polls que têm saído recentemente, onde vejo o Partido Socialista tem aparecido reiteradamente em primeiro lugar, o Chega em segundo e o partido do governo em terceiro, o que é que faria o PSD numa situação destas? O que mostra que a direita teria maioria, independentemente do Partido Socialista ser o partido mais votado. E, portanto, sempre que há posições estruturais para serem tomadas, nomeadamente na habitação, mais uma vez, no trabalho, direitos, liberdades e garantias, e a tentar promover um conjunto de narrativas e intenções do próprio Chega, estão mais próximos do que nunca. E eu gostava era de ver também o PSD, se calhar, se o não é não continua a ser assim, então...
Mas do ponto de vista mais lato, fazia sentido existir um acordo de fundo entre PS e PSD, independentemente dos protagonistas, numa lógica de avançar com as tais reformas que têm sido pedidas por muita gente?
As reformas estruturais do país podem e devem ter um consenso do Partido Socialista, nomeadamente agora, e para não falar da justiça e em algumas outras, mas a propósito da revisão constitucional, o Partido Socialista e o Partido Social-Democrata que fundaram este regime, é importante que juntos possam discuti-lo e de que forma é que pode ser alterado. E essas sim, são reformas que podem ter o aval dos dois maiores partidos e mais antigos da democracia. O que eu lhe dizia há pouco é que em reformas estruturais, neste caso falo, por exemplo, da habitação, em que o Partido Socialista e o Partido Social-Democrata poderiam, de alguma maneira, consensualizar um conjunto de propostas ou de planos que viessem a dar frutos para solucionar esta crise. Eu francamente não consigo ver de que forma, nomeadamente na habitação, porque a forma como nós vemos a crise da habitação é muito diferente da forma como o PSD vê. Aliás, estão sempre muito mais preocupados em reduzir os impostos aos senhorios do que propriamente a dar respostas a quem não consegue pagar um T0 ou um T1, e a quem tem que voltar pra casa dos seus pais, e a quem tem que viver como um estudante aos 30 anos, mesmo trabalhando. E, portanto, era bom que fosse possível fazê-lo. Acho que este PSD está menos preocupado com as pessoas do que o PS sempre esteve e não sei de que forma é que seria feito.
À esquerda e à direita, há duas figuras que têm ocupado muito o espaço mediático, são uma espécie de sombras das lideranças. Mário Centeno é uma espécie de Passos Coelho do PS?
Não, nem consigo compreender muito bem esta comparação. Pedro Passos Coelho já foi primeiro-ministro, tem um histórico bastante distinto do Mário Centeno e, portanto, não os consigo colocar-
No sentido de serem sombras ao líder.
Não. A propósito do doutor Mário Centeno, eu tenho ideia que nem militante do Partido Socialista é.
E não quer ser nem primeiro-ministro. Acredita nessa literalidade das palavras de Mário Centeno?
Não sei quais são os planos de médio e longo prazo do doutor Mário Centeno. Aquilo que eu sei é aquilo que vou ouvindo e que também vão todos ouvindo. Não sei se tem intenção ou não, aquilo que eu sei é que, de facto, foi um extraordinário ministro das Finanças, de quem prezo muito opinião, mas não me parece que isso seja uma situação que se coloque.
Seria uma mais-valia para o PS contar com Mário Centeno?
O Partido Socialista já teve a sorte de poder contar com o doutor Mário Centeno. Aliás, todos os portugueses tiveram essa sorte e, portanto, pessoas com a capacidade do doutor Mário Centeno, em qualquer que seja a dimensão, gostamos muito de contar com ele. Aliás, ele tem participado até ativamente em alguns momentos com o Partido Socialista. Mas a propósito do professor Passos Coelho, a ter uma entrevista que deu esta semana, revelou ter saudades da política ativa, deixando alguns recados ao seu atual líder. E também não me surpreendeu muito a proximidade ao líder do partido Chega. Eu atrevo-me a dizer que foi talvez um dos padrinhos do André Ventura.
Acha que Pedro Passos Coelho pode ajudar também aqui a esquerda a unir-se para polarizar votos numa eleição futura?
Eu não sei se será Pedro Passos Coelho a ajudar a esquerda a unir-se. Eu já há muito tempo, aliás, desde as últimas eleições legislativas, tenho a convicção de que a esquerda portuguesa, não só o Partido Socialista, a esquerda portuguesa precisa de fazer a tal reflexão que na altura, depois das eleições, falou-se muito em reflexão, mas não sei se foi feita na dimensão que deveria ter sido. E perceber por que perdemos a confiança do eleitorado. As pessoas que veem no final do mês, a sobrar mês, o seu salário, sem perceber se depois de cumprirem tudo aquilo que lhes disseram que deveriam fazer para ter sucesso, não veem. As suas vidas não melhoram. A esquerda, se calhar, perdeu as pessoas no momento em que deixou de lhes dar esperança. A esquerda precisa de voltar a dar esperança e não é no contraponto a alguém.
Perdeu as pessoas na rua também?
Talvez. Eu acredito que a esquerda tenha vido a perder as pessoas ao longo do tempo quando as respostas às suas vidas não foram dadas. E a esquerda não pode querer recuperar a confiança do eleitorado porque veio o diabo, mas porque as pessoas voltam a confiar no nosso projeto de país, com confiança e com coragem. Acho que é preciso coragem à esquerda portuguesa nos dias de hoje, também ao Partido Socialista.
José Luís Carneiro corre aqui o risco de estar encurralado entre o passado, representado por Pedro Nuno Santos, que voltou a ter algumas aparições públicas, e o futuro, que poderá ser ou não Mário Centeno?
O secretário-geral do Partido Socialista é José Luís Carneiro, está muito empenhado em fazer uma oposição séria e responsável a este governo, que é pouco sério e pouco responsável. Pedro Nuno Santos, que eu acompanhei também como líder da Juventude Socialista, por quem tenho muito carinho, aliás, também vem da mesma casa que eu, que é a Juventude Socialista, e tenho uma admiração intelectual muito grande pelo Mário Centeno, mas não me parece que essa discussão seja realista aos dias de hoje. Quer dizer, nós temos um secretário-geral eleito que está a fazer um bom trabalho de oposição à frente do Partido Socialista e, portanto, o presente é o que é, o futuro vamos descobrir todos em conjunto e o passado só podemos discuti-lo, mas não sei se acrescenta muito agora.
O PS é que fala nessa necessidade de fazer o balanço sobre o passado. Sílvia Pereira, nós estamos a chegar à nossa reta final, temos sempre uma última pergunta que chamamos de defesa da honra, vamos a ela. Ceda a palavra para que efeito.
Para defesa da honra.
Ainda ontem José Luís Carneiro acusou o governo de provocar instabilidade. Estes casos com este governo, aliados ao crescimento do PS nas sondagens, podem criar esta tentação de acelerar o calendário político e eleitoral.
Duas questões em relação a este tema. Primeira é que eu, mais do que como alguém que faz política ativa, mas como cidadã, estou muito cansada de todos estes temas dos casos e casinhos dos governos, seja do PS, do PSD, e deixou de se deixar à Justiça o que é da Justiça, apesar de eu achar, como é evidente, que os protagonistas políticos e partidários têm também a responsabilidade de exigir um conjunto de explicações, mas a forma como são abordadas todas estas dimensões desde já há muito tempo, e como o próprio Ministério Público tem encarado a sua função, tem vindo a degradar a confiança das pessoas nas instituições democráticas e, portanto, o Partido Socialista, aquilo que nunca fará, creio eu, é pôr em causa a estabilidade do país e dos portugueses no momento difícil que é aquilo que vivemos, independentemente dos casos e casinhos deste então governo, mas dar resposta à vida das pessoas. Não parece que estes casos e casinhos construam uma casa, não aumentam salários e, portanto, espero que não seja por aí.
Só para terminar, em 2029 deve ser José Luís Carneiro o candidato do PS a primeiro-ministro?
O secretário-geral do Partido Socialista é o candidato a primeiro-ministro historicamente do Partido Socialista, portanto, não vejo porque seria diferente.
Só porque até 2029 ainda há um outro congresso e, portanto, pode haver uma alteração.
O Partido Socialista fará certamente a sua discussão.
Sílvia Pereira, muito obrigado por ter se juntado a nós neste Sofá do Parlamento. Eu sou Miguel Viterbo Dias, comigo esteve a Judite França. O Sofá do Parlamento regressa na próxima semana.