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Bem-vindos a mais uma edição da "Operação Stop", como sempre, com o Alfredo Lavrador. Olá, Alfredo, bom dia.
Olá, Diogo. Viva.
A Tesla mostrou o seu primeiro robô humanóide que, entre outras funções, quer colocar a trabalhar aos milhares nas fábricas da marca, tudo para conseguir reduzir custos de produção. Será que é este o futuro? Hoje vamos falar desta anunciada substituição de trabalhadores das linhas de montagem nas fábricas de automóveis por estes robôs. Tu achas que é mesmo possível substituir aqueles trabalhadores todos por estes robôs?
Sabes que isto, Diogo, por estranho que pareça, para quem nunca visitou uma fábrica de automóveis ou outro produto qualquer, já há imensos robôs nas linhas de montagem. E todos eles realizam operações que até há bem pouco tempo eram feitas por seres humanos. Imagina tu, as primeiras fábricas que eu vi e visitei há 20 anos ou 30 anos, tudo o que era material volumoso e pesado, como por exemplo os bancos, o tablier, etc, eram colocados à mão dentro dos veículos, obrigando a posições pouco ergonómicas, que antigamente não se ligava, mas hoje em dia são importantes. E tudo isso foi substituído por robôs que fazem, mais ou menos automaticamente, esse trabalho. E há outras funções dentro das fábricas de automóveis em que os humanos foram substituídos por robôs, e felizmente. Por exemplo, posso-te lembrar as estações de pintura, uma vez que a tinta é tóxica e os seres humanos não têm que estar em contacto com aqueles sprays que pulverizam, que lançam no ar gotículas que fazem mal à saúde. As estações de soldadura, em que o risco de um acidente, e houve imensos ao longo dos anos, podem ferir ou matar um operário. Tudo isso foram funções que eram ocupadas por seres humanos, que felizmente hoje são operadas por robôs.
São máquinas que fazem. Na verdade, há sempre esta discussão do fim dos postos de trabalho, que a tecnologia vem reduzir, vem eliminar. Mas a verdade é que na maior parte dos casos são postos de trabalho que até é bom que não existam, porque são ou perigosos ou pouco ergonómicos, maus para a saúde das pessoas. Mas eu propunha que voltássemos um pouco atrás para tentarmos perceber o que a Tesla mostrou hoje de madrugada, e que tem potencial para causar tanta polémica, já para não falar da redução de custos.
Olha, a Tesla hoje de madrugada, a partir das 05h15, que basicamente são 21h15 na Califórnia, mostrou dois robôs. Um primeiro, menos sofisticado, se te lembras do primeiro filme do "Terminator", assim com uns fios, uns atuadores à vista, uns motores elétricos e umas coisas, tudo pendurado. Esse primeiro robô foi na realidade aquele que serviu para desenvolver o projeto. Foi o primeiro construído e onde tudo foi testado, desde a forma como o robô se movimenta, até o sistema dele se deslocar, dele ver o que está à sua volta e conseguir deslocar-se entre os objetos e máquinas, sem esbarrar nelas. Curiosamente, estes robôs têm um sistema de navegação autónoma similar aos carros, aos automóveis, que a Tesla também produz. E depois desse primeiro robô, que era mais rudimentar, pelo menos de aspeto, que eles denominaram Bubble C, surgiu finalmente o Optimus, que é um robô mais humanóide. Agora voltando ao "Terminator", já estamos a falar dos "Terminators" de 1990 e tal, aqueles robôs que apareciam aí. É mais sofisticado, já não tem tantos fios à vista, e mais próximo daquilo que será o modelo a produzir. Em relação à tua análise dos custos de produção, é óbvio que se por um lado os robôs incrementam a precisão no trabalho, ou seja, se tu desmontares um automóvel, aliás não é nem preciso desmontares, se tu fores com um pé de quiz medir as folgas de um automóvel produzido em 2022 e comparares com um automóvel produzido em 1990 ou 1970, 1980, portanto há uns anos atrás, vês que a construção é muito mais rigorosa. As folgas são as mesmas em todas as peças e a vantagem no rigor da construção por utilizar as máquinas em vez de seres humanos é enorme. Mas o que não aumenta, mas também reduz consideravelmente, é os custos de produção, porque na prática um robô consegue funcionar perfeitamente os três turnos, portanto as 24 horas por dia, o que significa que substitui três operários.
Sim.
E aí as vantagens em termos de não adoecer, não fazer greve, não se cansar, não se aleija, sobretudo, porque pode sempre mudar uma mão sem que o coitado do robô fique em handicap. Portanto, ele não se vai queixar se isso acontecer, coitado Isso são vantagens grandes.
E qual é a diferença entre os robôs Bumble C e o Optimus, que me parece ser bastante mais moderno?
Na prática, é a mesma história de se consigo fazer um desenho ou um arquiteto superexperiente. Se eu desenhasse uma padaria, o dele ficaria excelente. O Bumble C foi produzido com peças de armazém, peças que existem no mercado. Mandaram vir uns atuadores eletromecânicos, mais uns cabos e mais umas coisas, e montaram aquilo tudo. Isso gerou o tal robô com tubos, fios e atuadores, portanto, motores elétricos à vista. O Optimus já está a ser feito com material sob medida, ou seja, os atuadores já foram desenhados e concebidos para ficarem alojados dentro daquilo que é a perna, o braço ou o que quer que seja, para que o produto final tenha um aspeto mais de humanoide e não de uma máquina dos anos 80. Mas basicamente a função será a mesma. Deixemos só dizer que o Bumble C, durante a apresentação, andou pelo palco e fez algumas habilidades, e o Optimus ainda não anda. Eles garantiram que irá andar dentro de mais umas semanas, mas ainda não anda.
É preciso deixá-lo crescer.
Está a aprender ainda.
Mas há outros robôs humanoides, e não só, no mercado. O que afinal este tem de diferente?
Há bocadinho, quando antes estávamos no ar, falávamos sobre isso e tu disseste que tinhas visto numa feira aquele cão fantástico.
O cão da Boston Dynamics.
Da Boston Dynamics. Esse cão tinha várias finalidades, uma delas logo à partida foi ser utilizado em fins militares para, mais uma vez, proteger a vida dos soldados. Ele pode estar exposto a ambientes tóxicos, sobretudo em caso de ataques com mísseis nucleares, e o robô analisaria a qualidade do ar, etc. Se pisasse uma mina, também não seria grave, ou tão grave como se fosse um ser humano, e tinha essa capacidade. Isso levava a que um cão que não tem metade da sofisticação de um robô humanoide, porque os robôs humanoides têm uma coisa que é muito chata, que é primeiro os pés, uma vez que o robô tem que se autoequilibrar em cima dos pés, como nós fazemos, por exemplo. Nós fazemos isso normalmente a partir de um ano, para o robô é mais complicado e sobretudo tem as mãos e o movimento das mãos deste robô é altamente complexo, deste e de todos os outros. E ainda assim, curiosamente, este robô tem como objetivo ser comercializado por menos de US$ 20 mil, é o que a Tesla afirma, o que será menos de 20 mil €, porque hoje em dia as moedas estão tão próximas uma da outra quanto possível, em termos de valor. Esse cão que tu viste numa demonstração da Boston Dynamics, que hoje em dia foi comprada pela Hyundai, custava já na altura 75 mil €. Ou seja, estamos a falar de um quarto do valor à cabeça para um robô que é muito mais complexo. E essa é a vantagem, porque o Optimus vai ser produzido em grande série.
Sim. E para que ele vai servir? Já vimos esta questão das fábricas, mas haverá outras utilizações para este tipo de máquinas?
Sempre que estas máquinas surgem no mercado, o Elon Musk, o CEO da Tesla, sempre disse que vai ter uns milhares dos Optimus, digamos assim, o tal robô novo, a trabalhar nas linhas de montagem. Vão carregar material mais pesado, vão funcionar em situações mais poluentes, fazer manobras. Lembra-te que a Tesla também produz baterias e a produção de baterias lida com químicos complicados, grandes temperaturas, possibilidades de acidente. Logo, é melhor expor um robô a esse tipo de situações do que um ser humano. Mas pensa-se sempre numa utilização, sobretudo se os preços ficarem mais acessíveis, para, por exemplo, imagina tu, ajudar os agricultores, ajudar um idoso que tenha dificuldades de locomoção a ir às compras, por exemplo, carregar com os sacos etc. De maneira que o céu é o limite quando se fala neste tipo de utilizações. Também pode ser um bom jogador de xadrez. Estou perfeitamente consciente de que qualquer um destes bichos com um processador mínimo me daria um bigode no xadrez facilmente. Não até eu conseguir desligá-lo, claro.
Claro, essa é a vantagem.
Aí ganharia eu.
Exatamente.
Não tinha outra piada.
Obrigado, Alfredo Lavrador. Até para a semana.
Até para a semana.