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Está na hora de mais uma "Operação Stop", o programa sobre o mundo do automóvel da Rádio Observador, como sempre, com Alfredo Lavrador, que já está aqui conosco. Alfredo, bem-vindo.

Olá, André, obrigado. Muito prazer, mais uma vez.

É sempre um gosto. Hoje vamos falar do orçamento do Estado. Não se assustem, não estão a ouvir o programa errado, é mesmo a "Operação Stop". Mas Alfredo, vamos aqui falar sobre o orçamento do Estado, porque traz coisas que estão intimamente relacionadas com o mundo automóvel, para quem conduz, principalmente, e para quem tem um carro mais antigo. Já vamos a datas, mas o orçamento do Estado para 2024 prevê o incentivo ao abate de veículos em fim de vida. Estamos a falar de veículos mais antigos, mais poluentes. Até que ponto é que esta é uma medida que vai ser importante para o ambiente e também para a saúde dos portugueses?

Tens toda a razão. Para proteger o ambiente e a saúde dos portugueses, é muito mais importante afastar os carros velhos do que propriamente vender exclusivamente carros novos, uma vez que o ganho, se compararmos as emissões de um carro novo a estrear com um carro com cinco ou 10 anos, acaba por ser menos representativo do que pura e simplesmente retirar do mercado um carro com 15, 17 ou 20 anos. Sabes que o incentivo ao abate não é provavelmente uma coisa nova. Os últimos governos evitaram conceder este tipo de ajudas, mas é decididamente a forma mais sumarenta, digamos assim, mais representativa, mais evidente de se melhorar a qualidade do ar e reduzir o nível de emissões do parque circulante.

Alfredo, há pouco disseste ali veículos com 20, 17 anos. O Estado português apontou especificamente 2007 como ano limite para os automóveis e veículos comerciais que podem beneficiar deste incentivo. O que é que há de tão especial neste ano, 2007, em termos da indústria automóvel, para ter sido escolhido?

Basicamente, André, porque em 2009, isto no caso do mercado português, passou a ser obrigatório comercializar em Portugal veículos equipados com filtros de partículas. E o filtro de partícula basicamente absorve, aspira, guarda a fuligem emitida pelo motor e depois procede à sua incineração, reduzindo-a a uma poeira que faz bastante menos mal. E esses filtros de partículas, que passaram a estar disponíveis apenas depois de 2009, acabaram por melhorar consideravelmente a qualidade do ar e marcaram uma barreira enorme entre antes e depois desse período. Nota que são estas mesmas partículas de fumos negros, que é o termo oficial da coisa, que provocam cancros, uma vez que são altamente cancerígenas e causam inúmeros problemas respiratórios, de circulação e por aí fora. De maneira que 2009, efetivamente, e 2007 é obviamente anterior a 2009, marcou um ponto de rutura entre aquilo que se fazia antes, que eram veículos sem filtros de partículas, e aquilo que se faz depois, veículos equipados com este dispositivo.

Então, com tudo isso que disseste, achas que esta medida é uma medida para se saudar? Esta opção do governo é uma boa medida, na tua opinião?

Olha, claro que sim. No que respeita à qualidade do ar que se respira, como te disse, é muito mais importante retirar carros antigos de circulação do que vender exclusivamente carros novos, que tenham apenas uma magra vantagem em relação aos carros com cinco ou 10 anos, que normalmente é aquilo que muita gente troca. Mas tem presente que o parque circulante tem uma média de idades muito avançada, aproximada dos 20 anos, logo, são veículos muito poluentes. E depois, para cúmulo, há muitos veículos que são muito antigos. O filtro de partículas é uma coisa cara, aquele filtro de partículas que falei há pouco.

Sim.

E quando ele avaria, estamos a falar de uma coisa que custa 900 €, muitas vezes mais caro do que muitos dos veículos que ficam com esse sistema a não funcionar. E então o que acontece é que os donos acabam por mandar cortar do sistema de escape e passam a circular sem ele. Lamentavelmente, o sistema de vistorias anuais dos veículos antigos nem sempre detetam este tipo de funcionamento, este tipo de opção, e acabam por os carros andar aí a circular e a poluir tremendamente.

Alfredo, vamos àquilo que provavelmente os nossos ouvintes que estão a ouvir este episódio mais querem saber. Vamos a números e dissemos aqui que estávamos a falar do orçamento do Estado. Primeiro, quais é que são os carros, os veículos, que vão poder usufruir deste tipo de incentivos ao abate?

De acordo com o que se sabe, vão ser os veículos elétricos e os pouco poluentes, os veículos com emissões muito reduzidas. Isto indicia que são os 100% elétricos e, eventualmente, os híbridos plugin Seria desejável que o Estado concentrasse as suas opções nos veículos 100% elétricos, sendo que os veículos híbridos plug-in não são uma má opção e inclusivamente são mais versáteis para muitos dos condutores. De qualquer forma, são veículos que conseguem circular em modo elétrico nos centros das grandes cidades, o que é o objetivo, uma vez que são os centros das grandes cidades que são mais delicados em termos de emissões nocivas.

Então e agora a pergunta de 1 milhão de euros. Não é este o valor, mas a pergunta que todos querem saber: quanto é que afinal-

Era bom.

Era muito bom.

Era bom.

Quanto é que afinal, se eu quiser realmente levar o meu carro para abate, quanto é que um condutor vai receber para comprar depois um carro novo, se abater este veículo com 17 anos, como aqui dissemos, a partir de 2007 ou até 2007?

Exatamente, até 2007. Segundo o orçamento, o governo prevê 129 milhões de euros para esta iniciativa, sendo que o objetivo é retirar do mercado aproximadamente 45 mil veículos. Se tu fizesses umas contas rápidas, sabes que o Guterres era muito bom nisso. Dizia sempre que era bom a fazer contas. Utilizando esse princípio, dá cerca de 2.866 €, isto só para envergonhar o Guterres. 2.800 € grosso modo. A este valor, tradicionalmente, as marcas, ou seja, os fabricantes, acabam por apoiar com outro tanto. Ou seja, isso faz disparar de 2.800 e tal euros para 5.700 € o tipo de ajudas, o volume de ajudas para abater um carro antigo, para a compra de um carro novo, menos poluente e mais eficiente. E 5.700 € já é um valor não desprezável.

De maneira nenhuma.

Possivelmente pode fazer a diferença e eu também concordo contigo. Mas é um valor já relativamente importante e de saudar. De maneira que entre esta verba do Estado, se os construtores apoiarem, e eu acredito sim, e não acredito sim só porque me apetece, acredito sim, porque no passado também apoiaram este tipo de iniciativa, logo, se repetirem a estratégia, acaba por ser um valor interessante que provavelmente vai provocar alterações em termos ambientais e de emissões, etc.

O meu já não dá, mas para os nossos ouvintes que estejam a ouvir, carros até 2007, já sabem, é pensar nesta possibilidade.

André, já agora, se me permites, deixa-me chamar a atenção para outro pormenor. É claro que a tónica desta rúbrica, neste momento, é apenas sobre ambiente. Mas há um outro pormenor, é que os carros antigos são igualmente muito menos seguros do que os carros modernos. Por tudo, porque têm cintos de segurança menos eficientes, porque têm estruturas deformáveis também igualmente menos eficientes.

E as tecnologias novas, não é?

Completamente. Logo, há mais vantagens, para além das ambientais, em comprar um carro novo face a um antigo. E nota que eu, como tu, ou como todo o observador, não vendemos carros.

Não recebemos comissão.

Mas efetivamente, quem tiver a infelicidade de ter um acidente a 100 km/h contra um determinado veículo, vai ter muito mais probabilidades de sobreviver sem danos num carro recente do que num carro de 2007. Isso aí é garantido.

Claro. Ora, para quem nos estiver a ouvir então e tiver esses veículos até 2007, já sabe, dê uma oportunidade a esta novidade que vem no orçamento de Estado para 2024. O que vem na próxima semana é o novo episódio da "Operação Stop". Esperamos por ti novamente, Alfredo Lavrador. Um forte abraço.

Abraço.