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Está na hora da "Operação Stop" na Rádio Observador. Vamos falar do mundo automóvel, vamos falar da seção auto. Alfredo Lavrador, bem-vindo. Bom dia.
Olá, Miguel. Muito obrigado. Bom dia também para ti.
Daqui a pouco, no final deste programa, vamos falar dos prêmios Auto, mas hoje, para começar, vamos falar de carros de luxo, carros rapidíssimos, Ferraris, Lamborghinis. Vamos falar da estratégia para o futuro daqueles fabricantes que nos fazem sonhar, dos construtores dos superdesportivos, modelos com emblemas de marcas como a Ferrari, a Lamborghini, como já referi. O que podemos esperar dessas marcas, Alfredo, para os próximos anos?
Olha, Miguel, de imediato vamos continuar a poder esperar por modelos mais potentes, mais rápidos, uma vez que adicionam aos incríveis motores de combustão, aqueles que sempre forneceram à Ferrari nos últimos 90 anos. Agora, aliam a esses motores de combustão até três motores elétricos, dos modelos, para aumentar a capacidade de aceleração. A Ferrari, por exemplo, já apresentou dois modelos híbridos plug-in, nomeadamente o 296 GTB e o SF90 Stradale. O primeiro monta um motor V6 bi-turbo associado a um elétrico e juntos somam 830 cv e tem uma bateria que garante 25 km em modo elétrico. O SF90 Stradale é uma versão mais evoluída, uma vez que ao invés do V6 recorre a um V8 bi-turbo e ao invés de um motor elétrico, monta três, para que a potência total atinja 1001 cv. É um número bonito. Contudo, mantém a mesma capacidade de percorrer 25 km em modo elétrico.
Temos os 101 dálmatas e os 1001 cavalos, não é?
Estes são mais. São mais cavalos que dálmatas.
Falas de mais potência, mais rapidez no arranque, mais gozo ao volante. Isto quer dizer que os superdesportivos não vão alinhar pela responsabilidade ambiental dos veículos mais pequenos e mais baratos?
Não, pois. Aí é que está o truque. É que esta potência é uma potência que, em parte, e uma boa parte, é assegurada por motores elétricos. Os novos híbridos plug-in da Ferrari poderão gastar o mesmo que os antigos, se forem utilizados a fundo em pista. Ou seja, se tentarem fazer a melhor volta num circuito, vão obviamente continuar a gastar 50, 60, o que eles conseguirem queimar. Agora, a circular em cidade, como têm aquela vantagem de percorrer até 25 km em modo elétrico e regeneram energia durante as travagens e as desacelerações, ou seja, recarregando a bateria, acabam por gastar muito pouco, sobretudo face aos valores habituais. E até mesmo em autoestrada, vão continuar a ser mais comedidos no consumo e nas emissões, uma vez que os motores elétricos que montam vão dar uma ajuda.
Mas eu, se bem me lembro de tudo o que já falamos aqui na "Operação Stop", quando a potência e a rapidez sobem, o preço também tende a aumentar mais ou menos ao mesmo ritmo, não é? É isto que prevês, neste caso, para o futuro próximo?
É, Miguel, nisso aí não há milagres.
Pois.
Eu sei que isto é Itália, está lá o Papa, mas não esperes grandes milagres nesta história, porque quando tu somas motores elétricos e as respetivas baterias, ou os motores de combustão, caixas de velocidade, etc, acabas igualmente por adicionar os custos inerentes a ambas as tecnologias. Mas nem tudo é negativo, porque o incremento da potência que consegues com esta adição de mecânicas, permitem-te recuperar uma parte da desvantagem no preço. Por exemplo, o Ferrari 296 GTB que te falei há pouco, com motor três litros V6 bi-turbo, é o motor mais pequeno em muitos anos da marca italiana. E só este motor elétrico fornece 166 cv, oferece ao contador 830 cv, potência total. Isto são mais 100 cv do que o antigo F8 Tributo, que tinha motor V8. Apesar desta vantagem na potência, os tais 100 cv, este novo híbrido é apenas ligeiramente mais caro, uma vez que monta um motor mais pequeno e mais barato. Pelo que acaba por compensar este recurso à tecnologia, acaba por compensar por aqui.
Estavas a falar da Ferrari, mas o que podemos esperar também da rival e praticamente vizinha, a Lamborghini?
Olha, são mesmo vizinhos. Tanto que há aí 19 km entre a sede e fábrica de uma e de outra. Mas sempre foram grandes adversários. Aliás, a Lamborghini nasceu porque o seu fundador ficou tão purso, se me permites o termo, com o Enzo Ferrari. Ferruccio Lamborghini fazia tratores, basicamente. Teve a ousadia de sugerir ao Enzo Ferrari que introduzisse algumas alterações no Ferrari que lhe tinha vendido. Para melhorar aquilo, e o Enzo Ferrari, que já na altura achava que fazia os melhores carros do mundo e, em parte, fazia, levou aquilo muito a peito e basicamente mandou-o para baixo. E ele não gostou e então, apesar de continuar a fazer tratores, pensou: "Vou fazer um carro melhor que o teu". E desde então, Ferrari e Lamborghini disputam o mercado e tentam ultrapassar-se nos modelos, nas potências, nas estratégias. Por exemplo, a Ferrari foi a primeira a colocar no mercado os motores híbridos plug-in, mas a Lamborghini bateu esta sua rival de sempre ao colocar no mercado o primeiro SUV, bem como ao lançar os primeiros modelos eletrificados. Porque, por exemplo, se te lembrares, por acaso foi um caso que nós nunca falámos aqui, a Lamborghini lançou o Sian, que é um híbrido, que ainda por cima tinha uma tecnologia curiosa e rara neste meio, uma vez que em vez da bateria, montava um supercondensador, o que não só lhe permitia ganhar peso como lhe permitia igualmente fornecer mais energia, mais depressa, sem aquecer, sem aqueles problemas típicos das baterias.
Mas olhando aqui para estas categorias e para Ferrari e para Lamborghini, estamos a falar muito de veículos híbridos plug-in. Quando podemos esperar os primeiros Ferrari e Lamborghini, na verdade, 100% elétricos? Estamos a falar aqui de categoria de luxo.
Sim, Miguel, o problema dos Ferraris e Lamborghinis elétricos reside, sobretudo, no peso e no atual estágio de evolução das baterias. Mas em relação à tua questão, não há segredos. A Ferrari já anunciou que se comprometia a lançar o primeiro veículo 100% elétrico em 2025 e a Ferrari anunciou que o seu primeiro modelo, exclusivamente alimentado por bateria, surgiria três anos mais tarde, ou seja, em 2028. O que as marcas esperam é que até lá, as baterias continuem a evoluir no sentido de conseguirem armazenar mais energia para conseguir garantir a autonomia que eles pretendam, sem contudo pesarem excessivamente e limitarem o comportamento, a eficácia do comportamento ou o prazer na condução destes carros.
Muito bem. A Ferrari, a Lamborghini, que praticamente dominam a indústria automóvel neste segmento, pode continuar a ser assim com a chegada desses superdesportivos 100% elétricos?
Miguel, agora é que tu assustaste-me muito.
É que há rivais, não é?
Essa é a questão de 1 milhão de euros. E também aquela pergunta que ninguém sabe responder.
É uma questão para 1 milhão de euros, porque os carros também quase custam isso, não é?
Não, até custam mais alguns deles. Mas é aquela pergunta que ninguém sabe responder e deve deixar as administrações da Ferrari e da Lamborghini perfeitamente à beira de um ataque de nervos. No atual estágio de evolução, é pouco provável, ou seja, até aparecerem os modelos elétricos, ninguém conseguia fazer frente à Lamborghini e à Ferrari. Os motores eram demasiado sofisticados, demasiado caros e tinham que ser vendidos muito caros para que as marcas não perdessem dinheiro, porque os motores custam muito a desenvolver. Aqueles vedouros são uma obra de arte, de outra forma era impossível. Agora, o problema é que vêm aí os elétricos e já há construtores no mercado com este tipo de veículos. Estes concorrentes que existem no mercado têm quatro motores, 2 mil cavalos. Fala-se que a Ferrari também pretende lançar um motor com quatro motores em 2025, mas mesmo que eles consigam igualar os 2 mil cavalos do Rimac Nevera, que é o que já está no mercado, a verdade é que depois a Rimac faz uma versão com 2500 cavalos ou com 3 mil e voltam a ficar à frente, porque esta nova tecnologia elétrica é dominada pelas marcas mais recentes no mercado e não pelas marcas mais tradicionais. Logo, vai ser uma surpresa e que toda a gente aguarda com alguma ansiedade, mas vai também ser um desafio muito complicado.
Vamos ver o que é que dá este segmento. Para fechar, Alfredo, vamos aos nossos Prêmios Auto e vamos à categoria desta semana, sendo que ainda não estamos a chegar a esta categoria de carros de luxo, não é?
Estamos quase.
Estamos quase.
Já estamos no escalão entre 60 e 100 mil euros. Portanto, abaixo dos 300 mil, não tens nenhum Ferrari daqueles com duas portas e cena que se faça. Mas nesta categoria de 60 a 100 mil euros, que é a que está a votação esta semana, temos oito veículos e a divisão entre tipo de combustível está perfeita, porque há quatro com motores de combustão e há outros tantos com motores elétricos. E os carros são muito variados entre si. Por exemplo, há o Alpine A110 F, que é um pequeno cupê de dois lugares, tipo Ferrari, mas barato. É substancialmente mais barato, uma vez que custa cerca de 80 mil € em vez de 300 e tal mil e tem um motor pequenino, mas ainda assim com 300 cavalos, é muito leve, é divertido de guiar. Há também o Range Rover Sport, que é um SUV dos mais respeitados aí do mercado. E há também o Maserati Grecale e o Mercedes GLC. Curiosamente, o Maserati Grecale e o Range Rover Sport, ambos fornecem mecânicas com mais de 500 cavalos, de maneira que também não são uns SUVs tão pachorrentos quanto isso.
Não andam devagar.
Nada. As propostas elétricas envolvem o Mercedes EQB, o Mercedes EQE, a marca alemã a concorrer com dois modelos, porque chegaram os dois ao mercado em 2022. A Volkswagen participa com o ID. Buzz, o popular pólo forma, aqui em versão 100% elétrica, de maneira que a coisa compõe-se. Ainda falta, esqueci, peço muita desculpa, o Ford Mustang Mach-E GT, que é a versão também com cerca de 500 cavalos do SUV elétrico da Ford.
Muito bem, são os automóveis com curso na próxima semana. Estamos nos Prêmios Auto. Para a semana voltamos também a atualizar, a fazer o ponto de situação dos Prêmios Auto do Observador. Estamos de regresso com a "Operação Stop" na próxima semana. Até lá, Alfredo.
Até lá.