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Este é um podcast da Rádio Observador. Pode ouvir a rádio também em 98.7, na Grande Lisboa, e 98.4, no Grande Porto. Tudo pronto para a Operação Stop, como é habitual neste dia da semana. Junta-se a nós o jornalista Alfredo Lavrador. Alfredo, bem-vindo mais uma vez. Boa tarde.
Olá, Ana, e olá, João.
Olá, viva, Alfredo.
Alfredo, queres falar aqui também da resposta da indústria automóvel a esta pandemia. Será que depois de tudo isto vamos ter um mercado inundado de automóveis mais baratos ou não?
Ana, isso era ótimo. Aliás, seria mesmo a melhor forma de levar até aos stands os clientes que estão indecisos, uma vez que apesar de os concessionários terem reaberto na passada segunda-feira, foram muito poucos os compradores que optaram por investir o seu tempo na escolha de um novo automóvel.
Então, mas Alfredo, isso é exclusivamente desinteresse em relação à compra ou estarão estes potenciais clientes com medo de perder, sei lá, o emprego, por exemplo, portanto, claro que não querem assumir aqui um compromisso a longo prazo. Qual das opções?
Ana, meteste o dedo na ferida. Para muitos portugueses que estão em lay-off ou que perderam o emprego, que segundo o Observador são cerca de um milhão e meio, comprar um carro novo deixou de ser um tema premente. Mas mesmo para os restantes, que ainda mantêm o emprego e o rendimento, a confiança baixou para níveis tão baixos que as marcas vão ter que tirar um coelho da cartola para os convencer que é um bom negócio, hoje, comprar um automóvel novo.
Alfredo, e como é que os construtores vão conseguir esse aparente milagre?
Olha, João, sabes que tradicionalmente, o atrair clientes pouco interessados em comprar, consegue-se com promoções, descontos e facilidades. Mas das marcas com quem falámos, todas afirmaram que não é a altura de fazer loucuras. Curiosamente, todas afirmaram também que alguns rivais, que dizem estar mais desesperados, vão passar a por preços canhões.
Então, e isso significa, Alfredo, descontos logo.
Significa que vai haver descontos.
Exatamente. Portanto, em princípio, todas as marcas vão optar por essa possibilidade, é isso?
Sinceramente, eu acredito que apesar do discurso oficial ser que não vai haver descontos à romba, eles vão acabar por aparecer mais cedo ou mais tarde. Isto porque para além dos clientes não parecerem muito inclinados para comprar, o mais grave para o mercado é que também o rent-a-car, que depende muito do turismo, vai adquirir muito menos veículos este ano. E só o rent-a-car representa cerca de 25% das vendas em Portugal.
Então aconselhas os nossos leitores a comprar já ou a esperar?
Aconselho-os a sondar o mercado, escolher dois ou três veículos que os possam satisfazer e negociar com cada uma das marcas. Não esperem um desconto tão grande que o carro saia literalmente à borla, mas é possível que na segunda metade de maio ou lá mais pro final, comecem a aparecer propostas mais interessantes. E por vezes, estas ofertas podem não ser necessariamente de preço, mas sim de serviços, garantias, upgrades em equipamento e tudo o que no final se pode traduzir em dinheiro.
Portanto, uma coisa é certa, os nossos leitores, os nossos ouvintes, vão ter também de esperar mais um bocadinho pela newsletter de mobilidade, mas ela está quase pronta, não é, Alfredo? Isso podes garantir.
Eles vão estar, como sempre, e por volta da meia-noite, lá estaremos.
É isso mesmo. Portanto, se nos está a ouvir e ainda não subscreve esta newsletter, é fácil. Basta ir ao site do Observador e à quarta-feira, sempre depois das notícias das 19h, estamos à conversa com o Alfredo Lavrador. Alfredo, obrigada. Até para a semana. Na próxima semana, num especial também no Instagram, mas disso falamos daqui a uns tempos, está bem?
Eu não vou perder.
É isso mesmo.
Muito obrigado a vocês.
Obrigada, até para a semana.