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Filipa Roseta é filha de Pedro Roseta e de Helena Salema Roseta. Foi excelente aluna, no final do secundário, em 1991, obteve a média mais elevada da sua escola, American de Lisboa. Estudou arquitetura e em 2009 concluiu seu doutoramento sobre Avenidas Modernas no Royal College of Art, em Londres. Fundou um ateliê, ganhou prêmios, é professora, investigadora e autora em diversas publicações nacionais e internacionais. Foi vereadora da Câmara de Cascais e hoje é vereadora da Habitação e das Obras Municipais na Autarquia de Lisboa. Mas a arquiteta Filipa Roseta ama e serve à política onde teve e tem intervenção, tendo sido deputada entre 2017 e 2019 pelo PSD, onde a sua qualidade lhe guarda lugar cativo. Olá, Filipa, muito obrigada por ter vindo. Uma vida preenchida pela arquitetura, o ensino, a investigação, mas também com muita intervenção política. Uma coisa nunca afastou a outra, o que é interessante, ou sequer a impediu, pelo contrário. Eu posso concluir que isso veio de casa vendo o pai a fazer política, a mãe a intervir politicamente e a fazer política, mas ao mesmo tempo a trabalhar ativamente na arquitetura?
Olá e obrigada por me ter aqui. Tenho muito gosto em estar aqui. E sim, eu diria que tem que vir necessariamente de casa. Mas eu acho que também há aqui uma razão para as duas coisas se fundirem também, já na mãe, porque na verdade, tanto a política como a arquitetura são um bocadinho a capacidade de ver o futuro para chegar lá. Portanto, os arquitetos são treinados para ver o futuro e depois aprendem a chegar lá através dos projetos da construção, mas nós vamos para um sítio, imaginamos o que pode ser e depois chegamos lá.
E a política há um paralelo, é evidente.
Há um paralelo, ou seja, a arquitetura e a política têm essa proximidade. A política também tem que ver o futuro para depois conseguir chegar lá. E eu acho que essa é, não só por ter visto e por ter herdado esta casa da política e da arquitetura, mas também porque são atividades muito interessantes e muito próximas nesta ideia de ver o futuro e conseguir chegar lá.
Mas é uma ideia em si muito interpeladora e que apetece, caso se tenha a vocação ou talento, ou uma espécie de chamamento, até, digamos, se quiser, muito formidável quase, servir o futuro, não é?
É magnífico. É a transformação do que está à nossa volta. Portanto, é essa vontade de transformar o que está à nossa volta.
Em melhor.
Em melhor, obviamente, quer dizer, transformar para melhor. E é construtivo, mas é importante essa palavra, que é uma transformação construtiva. Um arquiteto ou um político tem que olhar para o que está à sua volta e ter esta vontade transformadora de melhorar o que está à sua volta. E isto é magnífico, na verdade, porque a arquitetura dá-nos uma maneira muito evidente essa possibilidade. Se eu olho para um terreno e transformo, é porque eu vejo que é possível. E a política, às vezes, não é tão evidente, mas as pessoas têm que perceber que é a mesma coisa. Ou seja, dá um quadro onde a sociedade pode dar o passo em frente e ter outro futuro e ter um futuro melhor.
Não pode estar mais bem explicado. Filipa, eu dou imensa importância ao legado, àquilo que pode ter vindo da família, à responsabilidade perante esse legado. Não é uma obrigação, mas é uma responsabilidade, acho eu, não sei se a Filipa concorda. Mas nesse sentido, gostava de lhe perguntar: de que é que se lembra do tempo da infância e da adolescência com mais duas irmãs, numa casa culta, vivíssima, onde tudo se debatia e muito se intervinha na cidadania, na política, na cultura e na arquitetura? O que é que se lembra mais impressivamente, se quiser?
As memórias que me vêm logo à cabeça, Natália Correia, que era uma das melhores amigas da minha mãe e estava sempre lá em casa, e as pessoas conhecem, portanto, imaginam o que era o ambiente lá em casa. Que era esse, as pessoas entravam e debatiam tudo e nós estávamos ali e ficávamos por ali a ouvir tudo. Debatia-se tudo com opiniões diferentes.
Cresceram ao pé dos pais.
Sempre no Botequim. As pessoas dizem mesmo: "Tu ias ao Botequim?" Íamos ao Botequim, sim, fazíamos quase todas as festas no Botequim.
Filipa, resuma só aí numa linha, porque há muita gente mais nova que não se lembra ou até talvez nem saiba quem foi a personalidade pujante e fulgurante da poetisa Natália Correia.
Era uma mulher magnífica, que para além de ser uma poetisa e uma política muito determinada, ela entrava numa sala e enchia a sala.
Enchia a sala.
E eu na quarta classe fiz uma redação que era as minhas heroínas e escolhi Natália Correia, Fernanda e Mestre, que elas devem ter ficado assustadíssimas. Mas só para vocês imaginarem o que era, porque ela realmente para uma criança que não percebia nada, era apenas uma mulher com muito poder, muito poderosa e se impunha numa discussão e acima de tudo dinamizava o debate, dinamizava, sobretudo, o debate sobre arte, sobre poesia, sobre tudo.
Sobre política, exatamente.
Sobre política, sim. Ela tem uma intervenção política fortíssima, muito feminista. Mas eu gostava de dizer que não é tanto uma responsabilidade, uma obrigação, é uma inclinação. Portanto, eu acho que é mesmo uma inclinação e a pessoa faz isto. A ideia, estava a dizer, se faz isto por obrigação ou sente uma responsabilidade, não.
Não, eu disse que uma obrigação, não.
Sim, se sente a responsabilidade, um legado. Eu acho que é mais a ideia da inclinação, há uma inclinação natural para isto. Há uma inclinação, que a pessoa ou vai, conta ela.
Foi o que se viu, cresceu-se assim.
É isso, ou vai a favor dela ou não. E no fundo, é como a pessoa é. Todos os seres humanos têm que seguir a sua inclinação. Uns cheguem para a pintura, outros cheguem para a música. Esta é a minha inclinação.
Filipa, as suas irmãs seguiram a inclinação?
Elas são muito ativistas em áreas diferentes, que é bastante interessante. Não estão em partidos e não querem, até à data não querem, mas são muito ativistas. A Catarina na parte do ambiente, é professora também e investiga as questões ambientais e é muito ativista do ambiente, das questões da ecologia, e a Madalena também dos direitos LGBT, é bastante ativista nesta área. Cada uma de nós, no fundo, também é informática e tem uma esta, mas cada uma de nós seguiu a inclinação para áreas diferentes, que é uma coisa curiosa. E eu estou aqui, em termos partidários, eu é que assumi esta missão.
Já lá vamos. Mas ainda sobre a cultura da casa, o ambiente e a família onde nasceu e cresceu. A Filipa cresceu na admiração dos seus pais, é óbvio, mas o que é que retém como mais significativo do seu pai, que é uma personalidade diferente, caracterologicamente, da sua mãe, o Pedro Roseta, seu pai, um notável intelectual, ex-dirigente partidário e deputado, e da sua mãe, mais expansiva, mais interveniente, mais ativa, se quiser. O que é que reteve de um e de outro?
É muito interessante, porque eu acho que sendo os feitios muito diferentes, são muito iguais. A maneira como exercem a política é muito diferente, mas os princípios são absolutamente-
E o entendimento que têm da política, não é?
É absolutamente idêntico, ou seja, aquilo que são os nossos valores é comum. Haja diferenças, e nós somos muito plurais. Na nossa família há muitas diferenças, mas há um entendimento comum, e portanto, de um e de outro. O pai sempre muito mais numa linha filosófica, de filosofia política, de história. O pai é uma biblioteca ambulante, sabe tudo da história do mundo. É uma coisa incrível.
É uma pessoa muito interessante.
Muito interessante. Qualquer coisa que se lhe pergunte, ele sabe muitíssimo. A mãe é viva, carismática, tem outro tipo de abordagem, impulsiva, corajosa. São abordagens diferentes, mas são muito unidos nos valores que defendem. Eu diria da social-democracia, mas podem discutir neste princípio de defender a liberdade e defender que ninguém deve ficar para trás. Estes dois princípios, ou seja, a liberdade da pessoa, a dignidade da pessoa, e o princípio de que ninguém pode ficar para trás, nenhuma sociedade é válida se estivermos a deixar pessoas para trás, estão unidos nesta luta, de maneiras diferentes e por caminhos diferentes.
É o essencial.
Eu diria que sim.
De estarmos vivos, traz a exigência dessa atenção e de olhar para o outro e tentar que o olhar para o outro se traduza em atos concretos, não é?
É, e são incapazes de olhar para o outro e ver um problema e não atuar.
E a Filipa, foi muito interessante, porque não escolheu só arquitetura ou só política, abraçou as duas. Como é que se pode distribuir por duas interpelações tão fortes? Como é que faz?
No princípio, eu não queria ter nada a ver com o caminho dos partidos. Estava muito na linha das minhas irmãs, porque há uma parte muito dura associada a isto tudo, que nós conhecemos muito bem. Ou seja, nós as três conhecemos muito bem. Eu quando comecei a minha carreira de arquiteta, de professora e de investigadora, estava sempre à margem da política. Seguia, lia, mas estava sempre à margem. Até aos 40 anos, eu diria, eu tenho agora 52, mas até aos 40 não queria me envolver mais do que o ativismo de estar em órgãos eleitos da universidade, mas não na vida partidária. Há realmente um momento onde eu decido tomar este passo.
Exato. E o que a fez decidir?
Eu diria aqui duas coisas. Primeiro, uma negativa e uma positiva. A parte negativa foi o Sócrates. Eu acho que várias pessoas, quando o Sócrates ganhou a segunda vez e já toda a gente sabia o que ele era, digo eu, há aqui uma grande revolta a pensar como é que é possível aquele homem ter sido eleito. E foi mesmo o primeiro momento, que é negativo, por assim dizer. Mas depois foi claramente, e isso tenho que dizer, a campanha de 2008, do Obama-McCain, que foi uma campanha absolutamente notável. Porque eu seguia sempre a política como quem segue como hobby. A campanha do Obama e McCain foi uma campanha notável, porque eles eram dois homens notáveis, brilhantes, e a pessoa de repente pensa: "Isto pode ser bom".
O McCain fazia tanta falta.
Tanta falta. E a pessoa pensava: "Eles são dois homens muito bons e podem ser bons e ter um debate e respeitarem-se". Respeitavam-se imenso um ao outro. A política pode ser assim. Aquele mundo da política pode ser assim. E foi mesmo essa campanha que eu segui quase apaixonadamente, até o fim, até o Obama ganhar, que ninguém acreditava que ele ia ganhar.
É verdade.
E pensei: "Isto pode ser bom, vamos lá tentar". E todo o discurso do Obama, do grassroots, era: "Participem". Eu claramente estava em Londres nessa altura, já acabava o doutoramento e estava a seguir aquilo com uma intensidade imensa. E foi nesse momento e por essa maravilha que a política pode ser. Dois grandes adversários com pensamentos políticos diferentes, a respeitarem-se um ao outro com imensa dignidade, mas com pensamentos políticos diferentes.
Que é talvez a coisa que mais faça falta neste mundo.
Faz tanta falta e é muito importante.
Aqui, na Europa, no mundo, nos Estados Unidos.
E pode ser assim. Eu acho que aqueles dois senhores mostraram que isso pode ser assim.
Nós já vivemos, testemunhámos que pode ser assim. E depois, por que a morada escolhida ou eleita foi o PSD?
Porque eu sou social-democrata, é fácil. Sou mesmo social-democrata. Eu acho que o Partido Social-Democrata é aquele. Mas eu diria que a social-democracia, eu tenho aqui algumas notas que me ligam mais ao espaço do centro-direita, por assim dizer. E tem a ver, acima de tudo, com esta liberdade. Eu tive a educação americana, muito ligada à liberdade da pessoa. Eu acho que o centro tem sempre este: temos que juntar a liberdade da pessoa com o olhar pelos outros. Mas à nossa esquerda, à minha esquerda, que às vezes o olhar pelos outros apagam a liberdade da pessoa.
É verdade.
E a liberdade da pessoa, o direito à diferença, que é uma coisa muito importante. Tudo isto são lugares onde o PSD abraça mais esta causa, eu diria. Esta junção das duas coisas é o partido que faz isto melhor. À direita, para mim, são partidos mais de liberdade e que deixam cair o olhar pelos outros, e à esquerda, o PS para a esquerda, são partidos onde a igualdade apaga a liberdade. E achei que era aqui o partido, porque eu sou mesmo social-democrata, mas à PSD, não é aquela social-democracia genérica que dá pra tudo. É um social-democrata à PSD, onde a liberdade é muito importante, o direito à diferença é muito importante, a liberdade de expressão é muito importante. Tudo isto eu acho que são valores que puxam um bocadinho mais pro centro-direita.
Quem assinou o seu cartão de militante?
Foi uma amiga minha, a Lina Lopes, por acaso. Foi uma amiga minha e é muito engraçado, e tenho muito gosto nisso, porque eu entrei no Partido Social-Democrata para defender os direitos das mulheres, num grupo de mulheres que se estava a criar, que era as Mulheres Social-Democratas. Agora já não tem assim muita vida, muita atividade, mas que foi um grupo muito interessante. Eram sete mulheres, que a Lina é que movimentava este grupo.
E trabalharam.
E trabalhámos e tentámos combater e tentámos lutar. O PSD agora tem quotas, portanto, deu passos sem frente, significativos. Houve uma altura, quando eu entrei, que ainda não existiam quotas no Partido Social-Democrata e agora existem. Ou seja, há passos que o partido tem dado.
Ia dizer que eu até gostava de Estava a dizer, eu até gostava e depois meteu-se outra coisa.
Ora, agora não sei onde é que estava.
Em relação ao PSD. E gostou da sua atividade como deputada?
Eu tenho uma inclinação mais executiva. Eu gosto muito mais do poder autárquico do que propriamente da deputada. Deputada aprendi, parlamentar. Gostei bastante, aprendi muitíssimo. O que eu gostei mais no Parlamento foi aquilo de termos pessoas de todo o país a representar as suas regiões. Isso é fortíssimo também, porque as alianças às vezes são por regiões e não por partidos, portanto esbate-se rapidamente os partidos. Estivemos a falar do hospital, do concelho, não sei o que mais. Juntam-se os deputados daquele concelho. Isso é uma coisa que eu aprendi muito, mas o Parlamento é muito menos isso. É legislativo, não é executivo, e o poder executivo pra mim é muito mais interessante, o autárquico. Em que a pessoa decide de manhã e está a fazer à tarde. Isso não acontece no Parlamento. Aquilo demora tudo imenso tempo a acontecer.
Sim. Entre a legislação e a aplicação e os resultados, meu Deus, é uma vida.
Tenho um exemplo muito prático que eu lembro no Parlamento. Esses dois anos, estive dois anos a lutar pra tirarem o amianto das escolas. Dois anos, que era o ministro na altura, o Matos Fernandes, que não tirava o amianto das escolas. A lutar. Na câmara, no primeiro ano, tirei o amianto das escolas de Lisboa, porque a pessoa faz logo. Fizemos as obras, eram 13 escolas, retirámos as coberturas em amianto, em fibrocimento, já está, num ano. Está a ver a rapidez? O Parlamento foi dois anos e não aconteceu nada, porque aquilo tinha que se interpelar e fazia requerimentos e não sei o que mais. E nada acontecia, porque o Parlamento é legislativo e não tem aquela coisa de fazer. Nas autarquias, é. Isto no primeiro ano consegui. É fazer. É pra tirar, então vamos. Três obras, onde é que estão as escolas, onde é que está o orçamento, siga. Portanto, é muito mais executivo. E para uma arquiteta, que eu sou, que gosta de fazer, é muito mais interessante ver as coisas acontecerem logo. Já pra não falar, pra dar casas às pessoas. Ou seja, estamos muito mais próximos das pessoas e acima de tudo consegue-se fazer muito mais. Aprendi muito e acho muitíssimo respeitável toda a atividade do Parlamento, mas eu acho que aquilo tem outro tempo. Quem é executivo e quem gosta de ver acontecer, está melhor num lugar executivo.
Mas não está excluída. Aliás, não é uma pessoa que fecha portas, parece-me, Filipa. Naturalmente que as escancar, mas há um bom senso nato, que com certeza que a leva a dizer que se um dia for convidada ou desafiada para outro cargo político que não seja parlamentar, responsabilidade, ou de uma pasta, ou de outra qualquer, não diz que não. Ou no fundo está completamente dedicada?
Eu vivo sempre o dia a dia, o presente, e acho que é assim que é a política. Cada dia é um dia, e é assim que se deve viver nos cargos políticos, porque eu digo sempre, até à minha equipe. Na minha carreira acadêmica, eu estou sempre a pensar no futuro e quais são os próximos passos. Aqui não, nos órgãos eleitos é cada dia um dia, e todos os dias nós estamos aqui como se fosse o primeiro e o último. É pra fazer o máximo possível. Pode acabar amanhã e nós temos que estar sempre a fazer o máximo possível e a dar o máximo possível. E acho que é a melhor postura pra estar sempre disponível pra sair no dia a seguir se tiver que ser, porque não são cargos de carreira. São missões. E portanto, é assim que tem que ser pensado.
Filipa, vou lhe pedir só que espere por mim um minuto e os nossos ouvintes também. Vamos fazer aqui uma pequena pausa. Voltamos já já a seguir. Eu ia lhe perguntar, antes de falarmos mais devagar daqui a uns momentos, sobre o concreto da sua atividade na Câmara de Lisboa, se lhe aconteceu muito ao longo da vida, e se lhe acontece ainda hoje, pedir um conselho, uma opinião, uma inspiração ao seu pai ou à sua mãe sobre justamente o seu trabalho autárquico, político.
O tempo todo. É mesmo o tempo todo. Eu peço o tempo todo, porque são pessoas com uma experiência incrível e com princípios que eu admiro e que estão ali, à distância de um telefone. E a querer o melhor pra mim, o melhor praquilo que eu posso fazer, o melhor pros resultados que eu posso ter. É uma sorte que eu tenho, mesmo, porque são consultores incríveis. O pai fala mais de filosofia política, de geopolítica, das questões do mundo. Quando fala o pai, é mais de questões.
Deve estar bem aflito. Seu pai deve ser bem preocupado.
Preocupadíssimo. Princípios, filosofia, geopolítica, é o pai. A mãe, obviamente, o trabalho da câmara, pela experiência que tem. Ou seja, das dúvidas, como é que se resolve. E a mãe também teve a pasta da habitação, como é que se resolve isto, como é que se resolve aquilo. Ou seja, é mesmo dúvidas operativas, dos desafios que tenho. Eu diria que é das pessoas que sabe mais de política de habitação deste país. É difícil encontrar alguém que tenha tido tanta experiência a tantos níveis, legislativo, autárquico, como presidente de câmara, como vereadora. Mas pergunto o tempo todo.
As três, as três irmãs.
Sim. Mas eu aqui pelo fato de estar a fazer aquilo que eles próprios também fizeram.
Você das três é a que conjuga-
Estes trabalhos, porque na verdade as minhas irmãs não estão a fazer. Seguiram outros caminhos. Este caminho dos pais, acho que tem sido uma grande-
É a maior inspiração. E o maior exemplo.
Sem dúvida, a maior inspiração, o maior exemplo.
E a maior influência.
E a maior influência, sem dúvida.
Três palavras: influência, inspiração, exemplo.
Sem qualquer dúvida, os dois.
O legado é esse.
O legado é esse. E até por aquilo que eles foram, eu diria que toda gente diz isso dos pais, eu admito. Mas depois, na verdade, a pessoa imaginar naquela altura em que eles se levantaram pela democracia, pela social-democracia, as pessoas eram agredidas na rua, andavam armadas.
Eu lembro-me do que é que foi singular pra sua mãe e pro seu pai os primeiros comícios do PPD.
O pai ainda andava em sítios onde as pessoas estavam armadas contra eles, mas o pai recusou-se a andar armado sempre, que a política não é, os políticos não podem carregar armas. E muito bem, tinha estes princípios muito bem enraizados, mas é preciso uma coragem. Imagine aquela altura, eles faziam tudo sem pensar no dia a seguir, sem pensar nas consequências possivelmente negativas que poderiam acontecer. Não pensavam se iam ganhar, se iam perder, pensavam o que era certo, e faziam o que era certo e o que era justo. Isto é um legado gigantesco.
É um legado gigantesco. Filipa, mas eu gosto tanto que esteja a recordar isso, dessa forma tão impressiva e tão veemente, porque a sua geração com certeza que sabe Mas a geração abaixo não sabe como foi difícil aquilo em que vivemos hoje. Claro que há muita gente descontente, tem havido imprevidências dos partidos em não acautelarem certas coisas. Nós todos sabemos, há neste momento uma desilusão que se reflete sobretudo à direita do PSD e do CDS. Mas o que interessa é, apesar de tudo, estamos aqui, dizemos o que pensamos, pensamos o que queremos, trabalhamos como queremos, etc. E muito mais. Estou a resumir, provavelmente pobremente. Mas é interessante, eu gosto muito que tenha deixado esse testemunho de que não foi fácil.
Não foi fácil. E as pessoas dão coragem imensa. Sair de casa sem saber se voltavam. Porque não sabiam. A mãe foi presa.
O ano de 75 era tremendo.
O ano de 75 era tremendo. A consciência, eu acho isto brutal. A minha geração não sabe, então a geração dos meus filhos ainda menos, não tem esta consciência. E isto pode voltar, esse é que é o grande risco. Estes valores, é um trabalho mantê-los, não é uma coisa que aconteça naturalmente.
Pois não. Foram semeados, colhidos, desenvolvidos.
Vivemos à sombra deles, mas eles não vão necessariamente ficar assim se nós não fizermos nada.
O Filip ainda dá aulas?
Agora não. Desde que entrei em 2017 para autarca, deputada e agora autarca, deixei de dar aulas com muita pena, porque eu gosto imenso de dar aulas. Continuo a acompanhar a tese de doutoramento. Isso acaba por manter a ligação à academia. Mas é a minha carreira, portanto, a qualquer momento vou voltar com muita alegria, porque eu gosto muito de dar aulas. Os alunos também têm esta coisa de ajudá-los a imaginar o futuro e a fazê-los acreditar que pode ser melhor. E isso é ótimo.
Que professora era. Dinâmica.
Eu gostava imenso. Olhar para a frente. Gosto imenso de dar aulas por todos os anos. Dou aulas desde 1998, já começa a ser mais de 20 anos. E todos os anos uma turma de alunos que querem ser melhores, querem imaginar mais, é muito positivo. Eu tento ver no aluno sempre aquilo que ele tem para dar. Sempre, os alunos são todos diferentes, e eu sou muito construtiva nesse aspecto como professora, ou seja, tento ver o que aquele aluno tem para dar e puxar por isso. Não são todos iguais, em arquitetura, não são todos virtuosos do desenho, não são todos virtuosos do espaço, se calhar é mais investigador, portanto, é procurar o que aquela pessoa tem para dar melhor e fazê-lo ir para aquele caminho que é a sua inclinação natural. Esta ideia de ajudar as pessoas a encontrar a sua inclinação é a missão do professor. E eu tenho mesmo gosto em dar aulas, gosto de ser professora e gosto muito de ser professora de arquitetura.
Tem a noção que tem um currículo formidável ou não?
Quer dizer, não sei. Eu gosto de trabalhar. Sempre gostei. Gosto de trabalhar.
Isso também é de família.
Pois, sim. Nem o pai, nem a mãe vão parar nunca. Então a mãe é impossível, vai trabalhar sempre. Porque trabalhar é um prazer. O prazer que nós temos é em fazer coisas, portanto, não fazer nada é que é uma angústia.
Claro. Filip, antes de Lisboa, onde é vereadora, eu tenho que parar em Cascais, onde também foi. E Cascais pode ter sido, claro que são duas situações totalmente diferentes em tudo, não é a mesma natureza das coisas, etc. Mas pode ter sido um ensaio geral, um treino?
Na altura, foi apenas um convite do presidente Carlos Carreiras, que eu aceitei com muito gosto e, de facto, ali a vantagem é que eu tive o urbanismo, em bati logo com a parte mais burocrática das câmaras. E foi interessante, foi uma aprendizagem nesse aspecto. Talvez tenha sido um princípio, um começo, para tentar perceber todo o filme, mas não foi nada pensado. É o que eu digo, eu penso mesmo nestas coisas dia a dia, não é nada assim.
Não, sim, foi pré-pensado.
Aconteceu, eu estava com vontade de perceber o que era estar do outro lado, e as coisas foram acontecendo naturalmente. Eu estou sempre com disposição de amanhã voltar para a minha carreira acadêmica, que gosto muito. Enquanto eu sentir que posso ser útil e senti que podia ser útil em Cascais, já tinha feito a igreja, a família da minha mãe é quase toda de Cascais. Os Chaleiras são todos de Cascais. Eu não tendo nascido lá, vivi lá a minha infância, praticamente toda. É um conselho que me diz muito. Há uma ligação, também sentimental. E conhecia bem o território, por isso achei que podia ser útil nesta parte do urbanismo e de pensar a cidade.
E agora falou da Igreja da Boa Nova e ganhou um prémio com a igreja e o seu entourage. A igreja é muito bonita e é muito interessante fazer uma igreja. Normalmente a gente está a ver casas, instalações públicas, hospitais, isto e aquilo e, de repente, bairros. Uma igreja é uma coisa especial. Tem uma natureza especial.
Foi uma sorte, ainda por cima uma sorte para jovens arquitetos, neste aspecto, que nós éramos, e no fundo era uma igreja no lugar do fim do mundo.
Foi o seu ateliê de arquitetura.
Fundámos, que ganhou vários prêmios com isto, mas a igreja era ainda por cima no lugar do fim do mundo. Imagine fazer uma Igreja da Boa Nova no lugar do fim do mundo. O próprio programa é poético.
É muito poético.
É levar a boa nova ao fim do mundo. E tínhamos um padre, que era o padre Armindo, que era uma personalidade muito forte e muito interessante, que nos ajudou também a chegar lá. E foi uma experiência única. E como jovens arquitetos, pensar logo no que é o espaço, como é que se desenha um espaço sagrado, foi uma ótima experiência.
Olhe, então, finalmente agora chegamos a Lisboa, e à ideia, ou seja, pode não haver a ideia de que o seu pelouro da habitação e obras municipais, quão duro é? Quão duro é? Eu sei que nada admove que a dureza não impressione, que o trabalho ainda menos. Mas não se pode falar de um pelouro assim e numa capital, sem incluirmos a dureza e a luta sem quartel que exigem os resultados. Eu gostava que exemplificasse isto que eu estou a dizer.
Da dureza. Eu gosto de trabalhar, para mim o problema nunca é o trabalho em si. Isso é muita gente, as obras são mais do que-
Não, eu estou a falar dos obstáculos da burocracia.
Eu diria que nas obras e na habitação são obstáculos diferentes. Nas obras é a parte da burocracia que nós temos que passar e cumprir regulamentos, e tem que ficar tudo muito direito, mas isso é mais cumprir, especialmente temos que passar pelas regras todas urbanísticas, isso é a parte de combater a burocracia, por assim dizer, ter a certeza que conseguimos fazer, que eu tenho um perfil muito executivo, é para fazer a obra, não é só para apresentar. É que não me interessa mesmo nada. É mesmo para fazer a obra, para ir para o terreno, para construir. Tenho aqui a sorte com o engenheiro Carlos Moedas, de ter desde as obras dos túneis, até às obras das casas. Aí o combate maior é a burocracia, o maior obstáculo.
A burocracia da câmara será algum dia reversível?
É possível melhorar. E a ideia é tentar retirar algumas exigências, aquelas que são possíveis retirar. Remover coisas que não são necessárias.
O engenheiro Carlos Moedas já lá está há quatro anos.
Eu acho que a vereadora Joana Almeida tem feito esse trabalho no urbanismo, de retirar algumas.
Quem?
A vereadora Joana Almeida, que é a de urbanismo, tem feito esse trabalho de conseguir tirar algumas regras para nós conseguirmos avançar com mais calma.
Singrar na floresta de regras.
A simplificação, a ideia é eliminar, é apagar. A burocracia resolve-se apagando regras, tem que se apagar regras, por e simples. Não é mudar nem por outras, é apagar.
Mas tem a noção que têm feito isso.
Temos, eu tenho noção que temos feito isso e os resultados são melhores em termos daquilo que sai, e sai é mais rápido. Vamos ver, mas eu tenho noção que isto tem acontecido, por um lado. Na habitação é mais duro. Na parte da habitação é muito mais duro. O que é que é duro aqui? Estou sempre com famílias que têm muitos problemas e por mais que eu resolva oito, aparecem 10 que não consigo resolver. Isso é que é duro, porque a pessoa vai para casa com os casos que não conseguiu resolver.
Por exemplo.
Imagine uma família de pessoas que está na rua ou que ocupou uma casa, que eu tenho casos desses. Família ocupou uma casa, não tem direito nem tem rendimentos para ocupar uma casa, mas é uma família que ganha 900 € por mês. Uma mãe com três filhos ganha 900 € por mês. Ou seja, aquela pessoa não tem direito, não devia ter feito e não pode fazer, e temos que dar outras soluções, mas ela não pode ocupar a casa. Mas o que é que é duro? É duro saber que aquela solução não pode ser. É uma mulher que ganha pouco, que tem muitos filhos, e como é que eu consigo ajudá-los a todos? Nós já demos 2.400 casas.
Deu 2.400 casas neste mandato.
Neste mandato. O que é um recorde, desde 2023 temos batido os recordes anuais sempre. E a ideia é fazermos sempre melhor. Mas temos 6 mil pessoas em lista de espera. Nós ajudamos casos muito dramáticos, mas há casos, principalmente aquela classe média que pode escorregar para a pobreza, que nós não estamos a chegar a todos e nós queremos chegar a todos. E fizemos já alguns programas para chegar lá.
Os piores problemas neste momento do país é a classe média. Não é a alta que sobe, não é a baixa que sobe, é a média que desce.
É isso que nós temos que impedir, mas conseguimos fazer uma coisa que eu acho que é positiva, que é: não conseguimos dar casas a todos, porque é impossível, temos 6 mil pessoas em lista de espera, mas conseguimos dar apoio à renda a todos. Desde 2022 que temos um apoio à renda, que todas as famílias que pediram, têm. Conseguimos uma solução habitacional, que é a câmara ajuda a pagar a renda. E a família, provando os rendimentos e provando o valor de renda, se tiver este grau de dificuldade, a câmara ajuda a pagar a renda. Para além de termos dado 2.400 casas, estamos a apoiar mais de 1.200 famílias nestes formatos. Ou seja, conseguimos alargar rapidamente o grau de pessoas que estamos a apoiar. Porque o que custa mais é mesmo nas soluções que não conseguimos resolver. E é por isso, porque são muitas, lá está, em 10. Isso é a única parte que eu considero francamente dura, no sentido duro, porque nós queremos ajudar as pessoas e queremos fazer que o outro esteja melhor.
Bate no coração.
E eu vou para casa com os problemas que não consigo resolver. Isso é um facto e pronto, é um problema, se calhar Vou pensar como é que eu vou resolver isto. Ou seja, como é que eu vou conseguir resolver isto? Porque a pessoa pensa: esta família precisa de ajuda. Eu não estou a falar de quem não precisa, de quem está a abusar, não é nada disso, que esses não têm dificuldade nenhuma. Quem abusa do sistema, abusa do sistema, não tenho dificuldade nenhuma em dizer que não. Quando a pessoa está com uma família que vê que tem problemas, não está ainda no grau de pobreza necessário para ser apoiado pela casa da câmara, mas vê que tem problemas, esses são os casos que eu fico, e é duro, porque é difícil de separar. É difícil de separar, vou dizer a verdade, é difícil a pessoa se abstrair disso. Tem que imaginar como é que se consegue uma rede para que ninguém caia. E o meu medo é este, que a pessoa caia da classe média para a pobreza. Não pode ser. Nós temos que ajudar essas famílias a ficarem e a aguentarem, e acho que o apoio à renda foi muito importante.
Filipa, como é que é o dia a dia de uma vereadora da capital de um país?
Quem gosta é ótimo.
Sim, mas, por exemplo, a ideia que eu tenho, errada, provavelmente, é que é sempre em reuniões. Sempre com muita gente. A que horas é que pensa?
Eu acordo muito cedo, também tenho essa vantagem. Também me deito muito cedo, eu acordo cedíssimo. Naturalmente, acordo sempre antes das 7h. Às 8h já estou a pensar e às 8h ninguém está. Eu só posso começar a telefonar às pessoas a partir das 9h. Tenho ali uma hora em que estou a pensar.
Que é sua.
Que é minha. Em que penso, vejo as notícias e tento ver o que está a passar, e que determino. É a hora do dia onde estou mais sossegada, entre as 8h e as 9h. E depois a partir daí começa o rebuliço das reuniões.
Vive em Lisboa?
Vivo em Lisboa. Começa a confusão e o rebuliço das reuniões, ir para aqui, para ali, mas eu gosto imenso de dias, os dias são muito diferentes. Das 9h às 8h acontecem imensas coisas. Não é nada um dia uniforme. E diferentes uns dos outros, que eu também gosto disso. Não gosto muito de ritmos sempre muito especiais.
Rotinas sempre iguais.
E vou muito aos bairros, à habitação. Vou muito aos bairros.
Ia-lhe perguntar, sei muito.
Muito. Eu tenho bairros onde vou regularmente, Boa Vista, Parque das Cross, estamos a fazer processos de realojamento. Alcântara, estive ontem no bairro Horizonte, que é ali no Beato. Pelo menos uma a duas vezes por semana estou nos bairros, provavelmente mais, com moradores, com associações de moradores. Isso é interessante, porque estamos ali com as pessoas a ver os problemas, tentar perceber qual é que é o problema, como é que é a solução.
Como é que posso intervir aqui.
Eu gosto muito, mas a pessoa tem que gostar. É uma vida muito rica, porque é muito diferente. A riqueza é de manhã ter um problema que se consegue resolver à hora de almoço, isso é uma maravilha.
Acontece?
Acontece, é verdade. Lá está, o que me custa mais não é o trabalho, é não conseguir resolver os problemas. Isso é a parte que eu fico, porque é difícil, é chato, e é muito humano, e é muito pessoal. Nós sabemos que há muitas coisas e é muito difícil. Estamos a falar da habitação das pessoas. Nós sabemos que aquilo é muito importante para aquela pessoa com quem nós estamos a falar.
A segurança não é consigo, mas em todo caso, estão conscientes que temos que apreciar um bocadinho, que é um problema.
Sim, é um problema.
Tem a noção disso?
Sim.
Não é concretamente, não tem que lidar com isso, nem com a responsabilidade disso. Mas já é uma coisa preocupante.
Certo, mas eu tenho os bairros de Alcântara.
Exatamente. Já com esses problemas.
E o que eu posso dizer, a grande questão e o grande problema, para mim, nos bairros, é o tráfico. O tráfico de droga é uma chatice. Quando entra nos bairros, nós temos que o combater furiosamente de várias maneiras. E as obras ajudam. Fazer obras num sítio que está ruim, ajuda a combater o tráfico de drogas. Ajuda a fazer obras, ajuda a apoiar associações que trabalham com crianças. Nós tentamos fazer isso tudo, e eu acho que, para mim, a fonte problemática mais grave e pior é o tráfico de droga nos bairros, principalmente.
E que cresceu. Como é que foi possível? Por incúria, por não policiamento, porque veio para cá gente ligada ao cartel da droga?
Eu estou no outro lado. Que eu vejo o problema e tenho que o resolver. E nós já fizemos bastantes intervenções na solução, na ideia de pelo menos destabilizar. Não podem ocupar casas para tráfico. Já despejamos casas onde isto se passava, já foi público. Nós somos completamente inflexíveis. Isto não me custa nada fazer, isto para mim não é duro.
Filipa, infelizmente, eu agora ficava aqui sabe Deus mais quanto tempo. Três gerações na família Roseta de arquitetas, a sua mãe, a Helena Roseta, a Filipa Roseta e a sua filha, que se chama?
Sofia.
Sofia Roseta.
Também é arquiteta.
Você agora está a fazer um sorriso tão doce, está se a comover com a ideia de três gerações a servirem à arquitetura e à cidadania, porque evidentemente, quem faz arquitetura da forma como descreveu, está a servir à cidadania.
E a arquitetura, naturalmente, tem que ser cidadania, porque estamos a intervir no espaço público, sempre. Quando se faz arquitetura, é sempre uma intervenção no espaço público. Obrigatoriamente, qualquer coisa tem presença no espaço público. A arquitetura é sempre uma transformação do mundo, por isso é sempre uma forma de cidade. A minha filha é uma maravilha. A minha filha também eu não obriguei nunca, nem pouco mais ou menos. Ela escolheu o que quis. Mas quando ela nos disse, de facto, tem sido uma experiência. Ela agora está a aprender, está no curso e tem sido uma maravilha acompanhar. Tenho um filho que é engenheiro, também é curioso, também é interessante, está a aprender engenharia. E também é muito interessante, porque eu gosto muito de falar com eles e de perceber agora qual é a perspectiva de futuro que eles têm. Mas isso eu acho que é raro, neste país é raro.
Filipa Roseta, só para acabar. Tenho 30 segundos para lhe perguntar, vai haver eleições autárquicas daqui a pouco tempo. Está animada? Otimista?
Eu estou otimista que o engenheiro Carlos Moedas vai ganhar, mas isto é a minha perceção. Para mim é sempre o dia a dia.
Não diz por dizer, é uma perceção que tem.
Acho que sim. Tenho mesmo essa perceção, acho que temos feito um bom trabalho e a verdade é a verdade e a verdade vai se impor.
Muito obrigada, Filipa Roseta. Gostei muito de ter falado consigo e tenho a certeza que sou muito acompanhada neste meu gostar. Obrigada por ter vindo.