Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Montamos já.

Mas eu uma vez disse isso a um polícia. Ele estava mesmo a dizer: "Mas não sabe o código?" aos gritos comigo. E estavam lá, não me interessa saber quem é que estava, mas estava um amigo meu a dizer: "Ela é mãe, ela tem de ir para casa."

Um grupo cheio de rappers.

Estavam todos a beber. Eles saíram do carro e começaram a jogar beer pong e depois o polícia também estava aos berros, eles então a aceitar aos berros do polícia, ele não sabe rapar, isto é o que ele consegue. Ele está tipo: "A sério? Há um código na estrada" e eles: "O código é o quê? Quando nós estamos aqui."

Ninguém respeitava.

Vou tomar a liberdade de lançar a minha reivindicação.

Para fazeres o nosso jingle.

"Pequenas reivindicações de liberdade".

Pronto, acho que podem dizer em voz alta. E nunca mais poder voltar a falar novamente.

Agora está aqui.

Sempre que alguém voltar a falar. Pequenas reivindicações de liberdade. Bem-vindos ao Pequenas Reivindicações de Liberdade. Pessoas incríveis.

Olá, bem-vindos a mais um episódio de Pequenas Reivindicações de Liberdade.

Este que é um podcast observador, como já sabem, e hoje temos conosco Maria Correia ou Maria Seixas Correia, é a questão que se impõe. Na rádio era Correia, só?

Na rádio era Correia, só. Olá, meninas.

Olá.

Olá. Na rádio era Correia, só. E eu prefiro Correia, só.

Ok.

No entanto, no Instagram é Maria Seixas Correia e as pessoas ligam mais ao Instagram do que à rádio.

Porque não eras muito boa na rádio? O que isso quer dizer? Como é que é possível as pessoas ligarem? Quantos anos de rádio fizeste tu?

Cerca de nove e meio.

E mesmo assim não foi suficiente.

Não fui marcante.

Ficou o teu nome de Instagram, então.

Ficou.

Ok.

Ok.

Então, mas hoje iniciamos aqui a Maria Correia.

Sim, voltamos. A era Maria Correia.

A era Maria Correia. Pode ser como Maria Correia?

Perfeitamente.

Ok.

Eu até prefiro.

Então, mas por que tens no Instagram Seixas Correia? Também ninguém te obriga.

Eu tinha uma opção que era pôr Maria Correia um, Maria Correia underscore, mas eu preferi pôr o meu nome. Eu, de facto, sou Maria Seixas Correia, mas nunca pensei, porque quando eu criei o Instagram, o Instagram não era importante, então ninguém me chamava pelo nome do Instagram. Hoje em dia toda a gente chama Inês AP, um banda fofinha.

Mas depois tu tens MC MC.

Porque eu sou rapper.

Tu és mesmo divertida. Eu não sabia, há coisas então que eu não sei sobre ti.

Sim, mas eu sou underground, então nunca saiu nada.

Mas os teus amigos já ouviram. Então é só para ti.

Porque sou mesmo de autor.

Sim, é um núcleo mesmo.

Sim.

Um nicho.

É um nicho, sou eu.

Nem é mais ninguém.

Não.

E rapas de ti para ti?

Rap de mim para mim.

Não queres hoje deixar aqui um sample?

Não.

Não podemos fechar este episódio se envias-nos uma gravação tua a rapar e nós fechamos, em vez de ser com o jingle, é com o teu rap.

Pode ser.

Tu queres fazer um rap do nosso jingle?

Eu gostava de fazer um rap do vosso jingle. Era algo que eu já tinha contemplado, pensado nisso.

Nós calculamos, por isso é que estamos aqui a propor em direto.

Eu acho que só vim por causa disso.

Se tu puderes fazer um rap do nosso jingle que envias até amanhã, nós fechamos com o teu rap esta semana.

Ok, está bem. Eu faço. Mas com beat ou à capela?

É o que tu quiseres, mas eu não estou a brincar mesmo.

Está bem. Eu não estou a brincar. De repente séria. Eu não estou a brincar. Eu quero mesmo rapar.

Então pronto, tens aqui a tua oportunidade.

Não, mas têm de ser à escondidas.

Não, mas toda a gente vai ouvir.

Sim, mas o momento da gravação tem um método.

Claro, mas nós não temos de saber nada sobre o teu momento da gravação.

Ok.

Faz o que quiseres. Manda só e pronto.

Está bem, eu mando. Até amanhã.

Até amanhã. Caros e caras ouvintes, se este episódio fechar com o jingle habitual, vocês já sabem que a Maria não é uma mulher de compromisso.

Nem sou. Não, eu sou de compromisso. Não, eu vou mandar. Eu só queria mandar com um beat, que tenho que mandar produzir hoje. Percebes?

Percebo. Ok.

Eu vou hoje mandar produzir um beat.

Mas pode ser à capela.

Mas eu prefiro, vou falar isto a sério.

Não, ok. E as pessoas que cantam à capela não levam a supervisão que querem.

Ui, agora tramou.

Pronto. Maria.

Acho que não.

Sim. Maria, este episódio tem um cronômetro a contar e quando esse cronômetro apitar, este episódio acabou.

Ok.

E agora vamos dar-te as boas-vindas com a belíssima voz da avó Glória, que é a nossa grande anfitriã, que no podcast, na temporada dos rapazes giros, as pessoas que dizem no podcast anterior, como se tivéssemos mudado o podcast.

Dizem mesmo.

Na temporada dos rapazes giros, recebia...

Desculpem, mas é que há imensa gente que diz isso, é tão estúpido.

Completamente estúpido, mas dizemos sem querer.

No podcast anterior.

Só que temporada nós associamos mais a séries, então parece que a temporada...

Ok, porque ainda é novo cá em Portugal.

Ainda é novo. Mas também há quem diga na série anterior deste podcast. Mas série, pronto.

Pode ser um seriado.

Aceita-se mais. É série no sentido seriado, faz sentido. Sim.

Eu estou com medo de dizer no seriado.

No anterior seriado, a avó Glória recebia todos os rapazes giros em casa dela com um lanchinho. Agora não está aqui, mas continua a receber todas as nossas pessoas incríveis e por isso aqui vai para ti.

Maria, minha querida, enquanto não tem um podcast, mas isso é até quando? Ouço falar tantas vezes e hoje vai ser ainda mais especial. Aproveita e go, go, go.

É que foi tudo surpreendente. Obrigada, avó.

As pausas nos momentos certos.

Sim, tudo.

O pequeno sorriso. Adorei tudo.

Isto é melhor do que um lanchinho.

Pronto, Maria.

Obrigada.

Sim, é verdade, porque no seriado anterior eles tinham acesso a lanchinho, mas não tinham acesso à voz da avó Glória gravada.

Ok. Mas nem conheciam a avó?

Conheciam. Olha, até vou dar aqui uma ideia Se calhar este pequeno áudio pode servir de inspiração para aquilo que tu vais fazer.

À avó Glória?

O próprio sample para o teu beat.

Ok. Mas como é que eu tenho acesso?

Eu posso te enviar.

Para eu mandar ao producer.

Sim. Ou preferes que eu envie diretamente ao producer?

É melhor, para eu não ter nada a ver com isso.

Mas eu não tenho o contato do producer. Depois resolvemos isto.

Burocracias.

Sim. Maria, por que tu és incrível?

Ai.

Não estavas nada à espera, pois não?

Eu já tinha ouvido muitos episódios.

Mas nunca reparaste nesta pergunta.

Mas já não oiço há algum tempo e eu oiço muitos podcasts. É por isso que eu sou incrível. Não, eu acho que sou um camaleão. Eu acho que a minha personalidade não é mais importante do que good vibes.

Podes repetir só para eu acompanhar?

Vocês não estavam muito atentas, ou estavam?

Nós estamos a tentar mesmo escodificar aquilo que tu disseste. Tu disseste: "A minha personalidade não é menos importante do que good vibes."

Não, não é mais importante.

Exatamente o contrário.

Vamos dissecar esta informação. Eu sou camaleónica no sentido de eu ser diferente consoante as pessoas com quem eu estou. Não é por falta de coluna vertical ou de: "Ela não tem personalidade." É mesmo porque eu acho que é preciso saber ler a sala. E eu não vou mandar piadas irónicas com uma pessoa autista, que não percebe ironia, à partida. Não vou estar o tempo todo a falar sobre musicais com alguém que odeia musicais. Então eu tenho esse cuidado para evitar criar bad vibes.

E daí a tua personalidade...

Ser camaleónica.

Não, estavas a voltar à frase do ser mais importante do que good vibes.

É menos importante.

É menos importante. Era isso que a Titi tinha dito e tu corrigiste.

Eu disse o quê?

É por isto que fica difícil acompanhar. Pronto, é mais importante para ti as good vibes do que a tua personalidade.

Exato, e eu disse o oposto.

Disseste o oposto.

Peço imensa desculpa.

Penso eu. Tu pões de parte quem tu és em nome do bem-estar da sociedade.

Sim, não é bem quem eu sou, porque isso é impossível, mas não sou aquela pessoa que diz: "Eu sou assim, quem não gosta põe na borda do prato."

Tu disseste coluna vertical e acho que querias dizer vertebral.

Desculpem, eu hoje dormi mesmo mal e estou de TPM.

Há um adjetivo que se usa, adjetivo também não sei, mas que é não é bem como adjetivo. Mas é: "Ele é muito vertical."

Eu queria dizer verticalidade.

E disseste coluna vertical.

Eu queria mesmo dizer vertical, porque é vertical.

Sim. És uma mulher que tanto faz, que tanto vai ao mar como vai à terra.

Sim. E claro que eu tenho uma personalidade, mas acho que nos podemos adaptar à pessoa com quem estamos para toda a gente e para o convívio ser em comunhão.

E nunca dás por ti a arrepender-te da personalidade que tiveste num certo dia, num local.

Muito, mesmo.

Porque se és assim tão maleável...

Mas calma, é impossível ser completamente camaleónica. Sou um pouco camaleónica. Sou flexível.

Tentas.

Tento, sim. Há pessoas que não vão gostar de mim mesmo e está tudo bem. Agora diz-se muito: "E está tudo bem."

Eu estou sempre a dizer.

Está bem.

Eu digo uma tragédia e digo: "Olha, o meu computador partiu-se todo, mas está tudo bem."

Não, mas não é nesse sentido. É: "E tu não gostas de homens e está tudo certo."

Sim, não é uma crítica. Isto não é uma crítica, isto é aceite.

Nesse sentido. E está tudo bem.

Nós vamos dizer porque tu és incrível.

Ok, obrigada.

És incrível porque falas sem vergonha sobre qualquer tema e sem precisares de criar uma imagem sobre ti que não corresponda à realidade. És incrível porque a forma e o tom com que te expressas são muito específicos, teus, e já criaste uma imagem para que quem te acompanha perceba que é só tua. Porque tens um podcast chamado "Enquanto não tenho um podcast", em que além de podermos acompanhar os teus pensamentos, o público pode também contribuir para eles de uma forma muito presente. És incrível porque tens um sentido de humor leve, sem medo do ridículo e sempre com disponibilidade para experimentares coisas novas. E por fim, és incrível porque, parece-nos, és uma mãe muito dedicada e preocupada em criar um filho livre e partilhas o que vais aprendendo e questionando com quem te acompanha.

Isso foi tão bonito, obrigada. Eu no último fiquei mesmo sensibilizada. Quando falam em mim enquanto mãe, é o meu ponto fraco.

É a tua coisa preferida do mundo, é ser mãe?

Sim. Eu tive que pensar um pouco.

Tipo, se eu prefiro ser rapper ou mãe.

Rapper. Não, mas é a minha coisa favorita do mundo, sim. Agora que pensei um pouco sobre isso. Tive alguns segundos para pensar. Eu gosto muito de ser mãe e gosto de tudo o que implica ser mãe, portanto, é a minha coisa favorita do mundo. Nunca me tinham perguntado assim também tão diretamente.

Tu também és pioneira em ser mãe. Tu olhas para a Maria e não imaginas. Já deve ser mãe de certeza.

Achas que eu pareço ser mãe?

Não. Tu és pioneira numa nova forma de ser mãe.

Mas há pessoas que eu não imagino a ser mães também.

Pronto, não queres ser pioneira, podes ser só mais uma. Está tudo bem.

Eu já não gosto de ter essa atenção, prefiro ser só mais uma. Eu estava a pensar, a Filipa Gomes parece ser mãe?

Chefe?

Sim, é chefe. Ela não é bem chefe, mas cozinha.

Logo. Não, eu acho que ela parece mais mãe.

Ela já tem três, também.

Não, mas isto é bom. Ou seja, é isso, ser mãe em 2025 já não é isso, já não é essa imagem. Tu és a mãe de 2025.

Eu gosto de ser a mãe de 2025. Obrigada.

Tu és essa.

Sim, eu sou essa.

Nós vamos passar...

Só confirmo tudo o que vocês me estão a dizer.

Mas será que tu és daquelas pessoas Tu és daquelas pessoas que depois sai daqui e no teu cérebro dás a volta a tudo o que aconteceu e sais lixada? "Não, elas estavam-me a dizer que eu não pareço mãe."

"E isso é porque..."

E sais daqui e transformas tudo na tua cabeça. Tu podes sair daqui, dizer isto a um amigo teu e como a pessoa não ouviu, não está no contexto, e ela diz: "Mas elas estão a te dizer que tu não pareces mãe? Achas que és má mãe?"

Não, vou sair daqui, mas elas estão a falar má mãe.

E tu depois ficas com a ideia do que a tua amiga te disse e está tipo: "Elas se calhar não foram muito fixes comigo."

Eu se calhar vou fazer isso.

A coisa de ser maleável também pode ter disso.

Não, mas eu não sou maleável nisso. Há uma coisa que é, eu sou maleável, mas eu sou leal. Portanto, imagina esta situação. Vocês estão a dizer mal de alguém que eu gosto, eu não vou dizer mal convosco. E se eu disse alguma coisa de mal, eu vou dizer à pessoa.

Ok.

E às vezes até é constrangedor, porque cada coisa que tu dizes não vais dizer à pessoa: "Olha, eu disse isto de ti."

Sim.

Mas eu tenho essa lealdade para com os meus amigos e com as pessoas que gosto e não compactuo. Tu achas que vocês me estão a atacar.

Ela não vai compactuar connosco.

Não vou compactuar com as vossas cenas. Se me chamaram para isso.

Nós tínhamos planeado uma lista de pessoas para dizer mal, trouxemos só amigos da Maria para podermos dizer mal.

Nós temos aqui tudo escrito. Comigo não contam.

Usar a palavra compactuar é ao mesmo tempo, eu não compactuo com esse tipo de comportamento, dizer mal de amigos, mas dizes com os teus amigos, dizes mal de toda a gente que seja preciso.

Eu digo, mas eu não gosto nada, eu não gosto dessa sensação que fica em mim.

Tu deixas-te levar e depois quando acaba, ficas foda.

Lá está, isso é que eu vou para casa a pensar: "Não devia ter dito mal desta pessoa, até gosto dela."

Percebes? Se não gostares dela, temos pena.

Mas eu não consigo dizer que não gosto de alguém a 100%. Isso seria um problema.

Há sempre um lado bonito em toda a gente.

Talvez, ou cobardia minha. Eu nunca consigo dizer: "Eu odeio aquela pessoa." É sempre: "Eu não gosto muito dela, ela fez-me coisas más, mas ela tem muita graça" ou é: "Mas é bué gira."

Mas é super gata.

Sim, super gata. Eu não consigo só dizer: "Ela é estúpida" ou outros nomes, porque tenho que salvaguardar sempre com um "mas ela já foi fixe comigo" ou "eu também gosto dela, afinal".

Boa, Maria, tu és ótima pessoa.

Pois, eu acho que sim, sou mesmo boazinha.

Querida, agora isto é um golpe baixo para nós não conseguirmos dizer nada.

Mas podem dizer mal.

Porque ela não quer compactuar conosco.

Não vou compactuar com vocês.

Agora vamos passar para o nosso segmento de perguntas flash. Tens que responder o mais rapidamente e honestamente possível.

Ok.

Quem foi a pior pessoa no "Cala-te Boca"?

Mastic Soul.

Já que és casada com um rapper, quem é o pior rapper de sempre?

É mine.

Vais pôr o teu filho numa escola Montessori?

Não.

Tens inveja de quem?

Por acaso, vossa.

Vinagrete ou molho cor-de-rosa?

Vinagrete.

Preferias voltar a fazer o "Cala-te Boca" ou apresentar o Festival da Canção?

Apresentar o Festival da Canção.

Não tendo trabalho na rádio, ser influencer é a tua única saída?

Sim.

Teres uma das carreiras mais longas no CC é bom sinal ou a tua carreira nunca esteve tão parada?

A minha carreira nunca esteve tão parada.

Time goes by so slowly or so dark?

So slowly.

No fim do sexo, como é que percebes se a pessoa é fixe ou não?

Através do olhar.

É mais infantil uma criança de sete anos ou a mãe dessa criança que ainda a deixa mamar?

A mãe dessa criança que ainda a deixa mamar.

O que as tuas opções do momento acrescentam a quem tem um trabalho das 9:00 às 15:00?

Pouco ou nada.

Que patrocínio não aceitarias porque é humilhante?

Depende do dinheiro.

Ou seja, qualquer um pode não ser humilhante se pagarem bem.

Sim.

Preferes Paulo Coelho ou José Rodrigues dos Santos?

Paulo Coelho.

Achas que o pênis é um órgão bonito?

Horroroso.

Como é que se trata o vírus candida?

Com Canesten. Ginocanesten.

Ginocanesten. Quintas-feiras mágicas devem-se à lua cheia?

Eu não acredito nisso, em magia.

Mas no poder da lua cheia, não negas.

Sim, isso acredito.

Range Rover ou Mitsubishi? A pergunta mais cômica.

Mitsubishi. Range Rover, sem dúvida.

Boa, conseguiste.

Era só porque eu não conseguia dizer, ela vai antecipar.

O que tens inveja de nós, Maria? É a grande questão que se impõe.

Vocês são jovens, imagina que eu já estava nessa fase. Vocês são jovens.

Vocês têm uma pele ótima.

Uma pele ótima. Não precisam de procedimentos. Tenho inveja de vocês, porque vocês conseguem ser muito engraçadas juntas e porque têm um trabalho.

Isso é verdade. O nosso podcast é o nosso trabalho.

É o vosso ganha-pão.

Sem dúvida. Os nossos ouvintes já sabem disso perfeitamente. Nós não só temos um trabalho, como estamos enriquecidas.

Culturalmente.

Sim.

Sim.

E tu culturalmente também te podes enriquecer, Maria.

Eu ia dizer não gosto muito de cultura. Eu enriqueço-me culturalmente através de leitura, através de histórias, séries e artes plásticas.

Artes plásticas ver ou fazer?

Ver. E também tento fazer. Eu quero dedicar-me mais à escrita também. Eu escrevo livros também. Escrevi um, ele é bem um livro.

Nós queríamos te fazer uma pergunta sobre teres estado na rádio e a apresentar programas e a escrever, e acharmos nós, mas pode ser uma perceção, estares cada vez mais também nas redes sociais a fazer coisas, a aparecer, a ter ideias tuas. E queremos perceber se isso das redes sociais é uma nova forma de trabalho para ti, é um caminho, ou se é um meio para nas outras áreas também teres mais visibilidade e se calhar conseguires melhor ou voltar para a rádio, ou vender mais livros, ou o que quer que seja.

Eu acho que é as duas, honestamente, porque eu vejo agora o digital, eu acho que a televisão está a morrer mesmo A rádio está bem para os mais velhos, mas eu acho que a próxima geração tem de levar uma mudança. Eu não sei se esta história passei a sério, pode ser?

Sim.

Eu acho que a rádio precisa mesmo de uma mudança. Eu não me identifico com quase rádio nenhuma neste momento. Eu gosto do Observador, mas quase nenhuma rádio neste momento eu consigo identificar.

Mas aqui no Observador não se esqueçam todas as qualidades que a Maria tem, da experiência e tudo isso.

Não, eu gosto desta rádio. Por acaso, eu oiço esta, oiço a TSF agora, que não são muito dentro do personagem para o que eu costumava ouvir, mas é o que eu ando a ouvir mais agora.

Afinal, és uma mãe.

Ya, ouço marginal. Não, ainda não cheguei a marginal.

Mas TSF e Rádio Observador são rádios de mãe. Parabéns.

Afinal sou mãe.

Sim, mas então...

E eu quero começar a trabalhar mais o digital. Para trabalhar mais o digital, imaginem, fazer um programa no digital, que é o que eu quero fazer, um programa bem produzido, eu preciso de dinheiro. E para ter dinheiro, preciso de marcas. Depois isso dá tudo a volta.

E então tens de aparecer mais.

Tenho de aparecer mais. Se bem que há aqui uma dualidade que é: eu quando estava na rádio, eu fazia muito conteúdo, punha três posts por dia no Instagram. Depois houve uma fase que eu pensei: "Eu não preciso das redes sociais, eu odeio as redes sociais e tenho de valer pelo meu trabalho", essas coisas todas, essas ideias. E isso também tinha a ver muito com as pessoas que me rodeavam, que pensavam assim, e eu deixei-me influenciar. Depois eu pensei: "Mas eu gosto mesmo de falar nas redes sociais." É uma forma de eu comunicar o meu podcast, é uma forma de me promover e também de fazer conteúdo. Eu gosto mesmo de falar para a câmera. Eu estava complexada durante uma altura de: "Eu não vou falar pra câmera, agora não é cool." E agora pensei: "Fuck it." Posso dizer.

Em inglês pode.

Em inglês posso.

Eles não percebem.

São mais velhos. Ya, eles não percebem.

Eles só falavam francês na altura.

Ya, mas é verdade.

Eu sei.

Não sei dizer em francês, mas também não ia dizer.

Mas em espanhol sabes.

Coño.

Não.

Não é coño?

Não.

Joder.

Sim.

Mas joder não é bom?

Não, mas é mais leve.

É mais leve.

É, por isso é que podes dizer aqui.

Joder. Mas eu sabia que joder era bom. Joder, tio.

É, dá para tudo.

Já viveste em Espanha?

Como também podes dizer não.

Também podes dizer a palavra em português numa situação boa.

Exatamente. Nem acredito que isto me está a acontecer.

Ya. O meu filho agora diz "foga-se". Isso eu posso dizer.

Sim, foga-se não é nada, é um neologismo. Tu repreendes ou não?

Não.

Repreendo, eu fiz um gesto. Quem vai bater?

Tu fizeste um gesto de chicote, depois foi palmada.

Repreendes o teu filho ou não?

Há aquela coisa do ignora para ele não saber. Mas ele depois começa "foga-se", toda hora, eu fico a suar, porque as pessoas não sabem que.

Mas então é porque ele te ouviu a dizer.

Muito.

Pois.

Por isso é que eu sou má mãe.

E tu não fazes aquilo de-

Mas eu parei de dizer agora.

Aqui em casa podes, mas na rua não.

Sim, agora eu comecei a fazer. Porque ele hoje estava no otorrino e começou a dizer. Eu fiquei cheia de vergonha e disse: "Em casa não. No médico não, pode dizer em casa. No médico não."

Mas disse à frente do médico para ele saber que ele continua a dizer. Ok. Em casa sim, à frente do doutor não.

Em casa podes fazer com uma mãe, que está sempre a dizer às pessoas.

Sim, eu posso ser o teu exemplo, querido. Maria, qual é que é o teu tema?

É muito chato. Eu hoje fiquei mesmo pior. Eu fiquei muito irritada, porque eu sei que não se faz isto e peço imensa desculpa, e sei que não se faz mesmo, eu evito fazer, mas eu estava a mexer no telemóvel enquanto estava a conduzir.

Pronto, ok.

Eu repreendo-me também.

Com um chicote.

Com chicote, repreendo-me.

Não beba se conduzir e se conduzir não use o telemóvel.

Sim. No entanto, eu mexi no telemóvel a dizer à pessoa: "Estou a caminho", porque estava atrasada e eu não gosto de me atrasar por nada. Então, um polícia mandou-me parar com a sua moto. Parou a minha frente.

Ligou as sirenes?

Ligou. Quer dizer, não foi bem com barulho, foi luzes. E eu fiquei muito triste. Parei o carro, ele mandou-me encostar e eu disse assim: "Desculpe". E ele disse: "Devia pedir desculpa a si própria."

Porque ele era pai.

Não, porque ele era mauzão. Ele disse: "Devia pedir desculpa a si própria, não peça desculpa a mim." Depois começou a falar assim, eu não gosto de autoridade, eu não gosto que me falem assim. E eu: "Desculpe." Eu pedi desculpa. E ele disse: "Não, depois eu vi uma passada de moto e ignorou-me." Eu: "Mas eu não vi." Ele: "Pois, estava mais distraída." E eu: "Não."

Ele só queria o protagonismo dele, tipo: "Eu sou polícia e as pessoas olham sempre pra mim quando eu passo."

E eu tipo: "Eu não o vi a passar, desculpe."

Claro que não, estava no telemóvel. Se eu tivesse visto, eu tinha fingido que não estava ao telemóvel e continuava a seguir.

Óbvio. E eu disse: "Mas era de uma consulta do meu filho." Foi o que eu me lembrei. E era verdade.

Pecaste novamente.

Não sei, mas eu acho que é verdade, porque eu fui mesmo à consulta.

Sim, noutro horário, mas não faz mal.

E depois ele disse assim: "É por estas e outras, depois acha que os policiais são maus. Eu podia autuá-la e ficava sem carta." E eu disse: "Eu não acho que os policiais são maus, desculpe." E ele disse: "Então pra próxima tenha mais cuidado." E a minha pergunta é, o tema é: até que ponto é que os policiais podem ser maus? Falar assim, porque eles têm de me ter um bocado de respeito e eu percebo isso. Mas até que ponto é que eu já apanhei mais do que um polícia a falar assim comigo. Eu sou muitas vezes parada. E eles falam sempre aos gritos comigo.

A primeira coisa que eu tenho que dizer é: se és muitas vezes parada, se calhar tens de aprender e não continuar a repetir os mesmos erros, isto para o teu próprio bem. Aí estou com o polícia que te diz: "Peça desculpa a si própria e não a mim." Não continues a repetir os mesmos erros mais do que uma vez na estrada.

Tem toda a razão.

Até porque pões outras pessoas em risco.

Desculpem.

Pronto.

O carro é uma arma. Sim.

E o telemóvel também.

Mas o erro não foi o mesmo, eu da outra vez fiz outra coisa.

Não digas agora também. A sério, por favor, não te incrimines mais.

Está bem, mas não era a mesma coisa.

Vários problemas diferentes. Maria, isto é só preocupação.

É preocupação de mãe.

É amizade.

É mesmo pelo teu bem.

Isto aqui é amizade.

Obrigada. Sim.

Por favor, fica mais atenta e não continues a cometer os mesmos erros, porque a polícia depois só para numa operação stop ao acaso. Já não vais ser parada assim no meio do trânsito com luzes e sirenes.

Ok.

Que isso assusta, é de ficar a tremer. Ouvir sirenes de repente que são dirigidas a nós.

Mas eu logo preferia que multassem logo.

De estarem ali com um discurso muito triste, eu percebo.

Desculpem lá, não voltem a repetir isso.

Não.

Multar? Claro que eu não quero que me multem.

Eu sei, mas eu percebo o que ela está a dizer, porque pode ser mesmo intimidante.

Pode.

Eles podem ter uma atitude que intimida.

Exatamente.

Então, se estás com isso, multa-me já.

Isso eu uma vez disse isso a um polícia. Ele estava mesmo a dizer: "Mas não sabe o código" e não sei o quê, aos gritos comigo. E estavam lá, não me interessa quem é que estava, mas estavam uns amigos meus a dizer: "Ela é mãe, ela tem de ir para casa."

Um grupo de rappers.

Estavam todos a beber.

Eles saíram do carro e como estavam todos a beber, e depois o polícia também estava aos berros, eles vão todos aceitar os berros do polícia, tipo: "Ele não sabe rappar, isto é o que ele consegue." Ele está tipo: "A sério? Há um código na estrada" e eles: "O código é o quê? Quando nós estamos aqui."

E ninguém o respeitava.

E ninguém respeitava esse polícia. A sério.

E estavam todos a fumar .

E estavam todos a fumar ganza e drogas. E o polícia está tipo: "Isto é tudo completamente ilegal, eu só estou a fazer cumprir a lei." "Mas qual lei, se eu tenho aqui a minha droga, eu posso, é o que eu quero." Então, fuck the police, estão todos no coro.

Estás a perceber? Fuck the police.

Pois é.

Mas para vocês não acharem que eu sou rebelde.

Sim.

Que eu disse assim: "Mas eu prefiro que me multe do que continuar a dizer que eu não devia ter feito isto. Eu já percebi, desculpa, eu não devia ter feito isto." E ele: "Não, mas devia, multe-me."

E ele multou?

Não, continuou.

Será que o truque é esse? É dizer: "Implore-me, multe-me."

"Multa-me."

É assim: "Por favor, multe-me."

"Olhe nos meus olhos. Olhe, multe-me."

"Está a ver este cartão? Todo o dinheiro que eu tenho aqui é para si. Mas, por favor, eu quero cumprir a lei, sim."

Mas eu prefiro cumprir a lei do que ter um homem, que é mesmo assim, um homem a falar comigo como se eu fosse uma criança e eu ter de estar submissa, eu não consigo. Hoje consegui, por acaso, porque eu também não queria ficar sem carta, mas a outra era pagar uma multa. Eu prefiro pagar uma multa do que ele estar aos berros comigo, e era 5 h da manhã.

Porque o truque é sempre submissão. Nunca dá para estar a responder ao nível, porque eles aí começam mesmo a achar que o poder deles é completamente posto em causa.

Exato.

Portanto, tem de ser: "Peço imensa desculpa, tem toda a razão."

Mesmo que ele esteja aos gritos contigo.

Eu acho que onde podes pôr o nível é dizer: "Ok, então multe-me." Porque não podes dizer: "Pai, não, eu quero conversar aqui."

Concordo.

Não, é isso, não o podes tratar mal, porque senão é não sei o quê. Ainda tens o ânimo.

É abuso de autoridade. Não, isso é ele.

Isso é ele. Isso é o que eles fazem.

Eles fazem isso. É desrespeito à autoridade.

Sabem aquelas pessoas, desculpem, isto não tem nada a ver com a conversa.

Que dizem fãs e ídolos. Não é isso.

O quê? Eu nem percebi o que é que tu disseste.

Fãs e ídolos que dizem assim: "Tu és o meu fã."

E querem dizer é meu ídolo.

Sim, não é isso.

Era longe da nossa conversa, mas não era tão longe, tinha ainda a ver com polícias. Era aquelas pessoas que dizem assim: "Mas se for GNR, vocês podem dizer que ele tem de vos fazer uma continência, porque ele é obrigado." Sabem isso?

Nunca.

Bem, isso é linda. Olhe, para já, esta conversa pode acabar aqui. Eu estava à espera de parar e ver uma continência e não vi nada. Pega lá nas suas coisinhas. E depois uns são agentes, outros são guardas, também é um erro que eles ficam possessos.

Sabes o que eu vou dizer? Eu digo sempre senhor guarda.

Não é.

Senhora agente.

Guarda Nacional Republicana e os PSP é que uns são agentes, outros são guardas. "Boa noite, senhor agente" ou "boa noite, senhor guarda".

E tu sabes a diferença?

Sabes.

Mas tu própria?

Sim. Guarda Nacional Republicana são guardas.

Não, eu sei, mas quando eu vejo um polícia PSP, eu digo "senhora agente"?

Sim. É, exatamente. "Boa noite, senhor agente" e o outro é: "Boa noite, senhor guarda" e ele continência. E se não fizer continência, tu dizes: "Desculpe, estava a dirigir-me a palavra."

E eu posso dizer só uma continênciazinha também. Olá.

Tu podes dizer assim: "Boa noite" e tiras o chapéu.

Faço assim, tipo circo, de repente. Mas a continência já me disseram que tem de ser assim para baixo. Quem não está a ver, não vale a pena, mas não pode ser assim.

Não é para cima?

Não, é para baixo.

Para cima pode ser perigoso, até. Não, porque é curtíssimo.

Pode. Não, mas há pessoas que fazem de uma forma um bocado caricatural.

E é para baixo que eles fazem?

Com força.

Eu não sei dizer há quantos anos é que não vejo um GNR fazer uma continência.

Então não pedes?

Não, tenho medo. Pronto, aí chegamos ao teu ponto. Dá-me medo, claro, eu não vou procurar.

Por que nós temos tanto medo da polícia?

E nós nem sequer temos assim tanto. Há mesmo pessoas na sociedade com muito mais medo da polícia, porque em último caso tu não achas que esse polícia te vai fazer algum mal. E há pessoas a quem logo um polícia estar com essa atitude é a seguir vai-me mesmo bater ou vai-me dar com...

Ok, eu percebo a parte da violência, mas enquanto mulher, eu tenho muitas amigas, por acaso aconteceu-me uma vez. Imensas amigas que para se irem embora, o polícia ficou com o número delas e começou a assediá-las.

O quê?

Sim, vocês conhecem. É só uma, mas está bem que eu tenho de dizer muitas. E eu também, uma vez, eu fui a uma ocorrência, uma pessoa que eu conhecia tinha batido, eu fui à ocorrência para ver como é que estava, ver a ocorrência. E eles, estava lá um polícia e disse: "Eu ouço a rádio", na altura eu estava na rádio, "estou a reconhecer a sua voz, não sei o quê." Depois foi pôr likes em todas as fotografias que eu tinha de biquíni para aí há três anos. Desculpem lá se isto não é assédio. Está bem, mas é um tema que dá pano para mangas.

É um tema frágil. De facto, há polícias que abusam de poder, claro. E às vezes não é abuso de poder, mas é aquele mostrar autoridade num tom que nem é preciso. É assim, ok, de facto eu sei que há o telemóvel e não posso ir.

Então, mas como é que eles mostram o medo outra maneira?

Porque sabes, bem, vou dar agora o exemplo mais estúpido da história, mas é o mesmo nível dos nossos ouvintes, é assim que eu estou, que é o mesmo nível das locutoras deste programa. Sabes aqueles professores na escola que não são os que estão a gritar contigo os que tu respeitas mais? Perfeitamente. São os que têm aquela coluna vertebral. Vertical. Exatamente, vertical, que tu nem sabes bem o que é e respeitam. E há polícias que chegam às vezes ao pé de ti nesse tom. Ele já tem uma farda, ele já está nesse lugar de poder, porque eu sei que em último caso é ele que vai decidir o que quiser ali. E portanto, o que ele tem de conseguir é que eu confie que ele de facto só vai cumprir a lei e não vai abusar. Não precisa de, para isso, pôr nenhum tom extra. Ainda por cima, se estás a falar com uma miúda que está a dizer: "Peço imensa desculpa, tem toda a razão." Porque é que me está a falar mal? Eu nem estou a provocá-lo do tipo: "Desculpa lá, mas eu tinha mesmo de mandar esta mensagem porque era urgente." E ele: "Desculpa lá, mas não pode. E o meu papel na sociedade também é impedi-la de o fazer." Portanto, se nem sequer estás nesse tom, não precisas mesmo de ser polícia, nós já falámos sobre isso. Mas eu também ia respeitar-te. Sim, eu só queria aproveitar aqui para dizer, por acaso, se realizadores e produtores estiverem a ouvir, eu e a Nena tivemos toda uma conversa, até fizemos cenas, porque eu acho que a Nena daria uma excelente polícia. Nunca disseste polícia. Não, numa série. Polícia ou advogada no tribunal, aquelas americanas que estão sempre a falar. Sim. Estás a ver? Portanto, fica aqui. Se alguém quiser. Vim recomendar para o ar. E uma história curtíssima, é mesmo curtíssima, com um polícia. Uma vez que fui parada numa operação stop daquelas gigantes, e eram perto das duas da manhã, eu não tinha bebido nada, tinha estado a trabalhar, e ele parou-me, mandou-me sair do carro para eu soprar no balão. E eu digo-lhe: "Mas se calhar é melhor eu trancar o carro, porque eu ia sair." E ele, era uma operação stop mesmo com 20 polícias. Ele olhou para mim e disse assim: "Mas acha que vão assaltá-la agora?" Vão assaltar à frente de 20 polícias. Eu assim: "Tem toda a razão, eu vou deixar o carro aberto." Vou abrir as portas todas. Se tu estivesses com os copos, isso era a tua chance. Ia denunciar. Ia denunciar, mas não está. Porque também é assim, pronto, e agora é assim, os polícias, muitos agem mal. Estou sempre a voltar aos polícias. Eu vou só dizer. Também há muitos que estão em situações mesmo delicadas e dão por eles em coisas também desprotegidos. As condições dos polícias às vezes também não são boas. É verdade. É isso, isso é que não é preciso. Um carro com uma mulher e 10 rappers não é preciso seres mau. A dar tiro para o ar, calma. A começar a dar tiro para o ar a dizer: "Como é que é?" E os rappers todos a sair, ele: "Eu não vou ter medo de vocês, eu sou um para 10, e mais esta mulher." Mas eu sou mulherão. Isso não está nada em causa, é interessante. Tu és um mulherão que os intimida, por isso é que eles falam assim contigo. O teu poder intimida-os. Eu sei. É a voz, às vezes. Desculpem, eu quero imenso falar sobre mim só. Posso contar uma história? Nós podemos ouvir. Uma vez estava a sair de uma discoteca no Algarve, também não tinha bebido, porque há quem beba. Tu não bebes? Eu bebo, mas beber não conduza. Mas podias não beber. Não, mas bebo. Mas nesse dia ia levar carro e sabia, e era semiadolescente, jovem adulta, era o que eu era. Senão era ilegal estar a conduzir, portanto, tinha outros problemas. Semiadolescente é muito. E portanto, não tinha bebido e a polícia parou-me. Na discoteca comecei a ter um ataque de tosse, mas sabem aqueles ataques que não param? Aquela coisa que vocês estão quase a deixar de conseguir respirar. Comi um rebuçado e não podia falar. Ia ter uma morte súbita se começasse a falar outra vez e começar a tossir. Então o polícia para e ele começa a falar comigo, documentos do carro. Seis da manhã e eu estou assim, a suar pelo assim, "Peço imensa desculpa, eu não posso falar, porque estou com um ataque de tosse." E ele: "Desculpa lá, mas veio de onde?" "De uma discoteca." E ele: "Ouça, vai ter de fazer o teste do balão." E eu: "Eu juro por tudo que não bebi, mas eu posso morrer." Sempre em SMART. Sempre a suar. "Eu posso morrer se eu começar." E depois mexias assim nos papéis. "Aqui é a minha carta." Mas conquistei-o assim. Tive de fazer na mesma o teste do balão e deu zero porque não tinha bebido, mas conquistei-o assim. Ele ia chamar outro polícia, que era o que tinha o balão. Para tu ouvir? Não. "Vem cá ver isto." Não, chega o outro polícia e está assim: "Então, boa noite." E ele diz assim: "Esta menina não pode falar, está com um ataque de tosse." Eu tipo: "Sim, eu lamento imenso, mas estou a continuar a falar assim." Mas parece imenso que estás a ser seguida, querias dizer: "Desculpa, eu estou a ser seguida." "Cuidado, eles não me podem ouvir." Tu vês que tu és amigas com os copos a dormir. "Eu vou ter de falar assim porque elas a dormir." É que pode ser várias coisas. "Eu agora tenho um podcast, vai reconhecer a minha voz a falar alto." Portanto, também dá para conquistar polícias com momentos de diversão. Ok, eu só vou adquirir para mim. Vou levar comigo esse conselho. Maria, a nossa rubrica final é- Clickbait consentido ...escolhemos contigo um título para este episódio. Queremos que seja clickbait para termos muitos ouvintes. No entanto, terás de concordar com o que aqui ficar descrito, portanto, é para estares confortável. No entanto, é assim, polícia, eu vou te dizer que tipo de comentários vai atrair, já sabes. É de polícias. De polícias. Ou de Chega. Portanto, mas se tiveres que pôr cabos. Se tiver police. Police. Mas não pode ser- Com A? Police. Não. Não, mas pode ser um título em inglês. Is the police here for you? Right. Always right. Is the police always right? Are the laws so important? Eu achava que fosse ser em inglês. Pode ser em inglês. Are the laws so important? Ia ser o nome de um podcast mesmo. Acho que não. Maria Seixas Correia: "Are the laws so important?" Parece que a convidada é inglesa. Mas chama-se Maria Correia, não há nome mais português. Mas podemos alterar o pronome, tipo Mariah. Mariah, sim. Olha, eu gostei tanto. Já acabou? E se aceitares este título? Aceito. Parece que é um pedido de casamento. Aceito. Aceito. Maria, muito obrigada. Obrigada. Obrigada por teres vindo. Divertimo-nos muito. Eu adorei. Tu és ótima, até parece que sabes o que é que estás a fazer com o microfone à frente. Sabes até dá a ideia de que tens experiência.

Mas sabem que eu gosto mais de falar com o microfone à frente do que sem?

Eu percebo.

Percebem mesmo?

Sim. Pelo menos o meu cérebro fica noutro sítio com o microfone.

Ok. Pronto, eu achava que ia ser estranho, não foi.

Um sítio mais perspicaz, até.

Muito mais.

Do que na vida.

100% mais. E mesmo a nível social.

Sim, percebo perfeitamente. Continuem a ouvir, por favor, todos os podcasts do Observador, que são inacreditáveis. É uma qualidade que não se imagina. A Maria já disse que só ouve praticamente Rádio Observador e outra que é concorrente direta.

É concorrente direta? Então eu não tenho que ter problemas em dizer.

Não, tu não, eu é que não vou agora repetir.

Tens toda a razão.

Pronto, a Maria ouve o Observador, é o que nós vamos reter. E os podcasts estão disponíveis no site, no YouTube, na aplicação, no Spotify, no Apple Podcasts, nos sítios do costume. Ouçam, partilhem, amem a Maria Correia.

Amo-vos.

Cumpram as leis, passem amor. Se um polícia vos está a tratar mal- Questionem as leis também. E também cumpram a lei para o lado do polícia, se ele vos está a tratar mal.

Denúncias à ACT.

Denunciem. O problema é que ele vai ganhar, mas temos de denunciar.

Eu também acho.

Os próprios polícias bons que contribuam para os polícias maus ficarem melhores. Exato, sejam também uns com os outros, entre vocês, comunidade de polícia, que tanto nos ouve.

Mas há muitos presidiários a ouvir podcasts.

Presidiários? E nós estamos a falar de polícias, Maria.

Mas agora estou a falar também para os presidiários. Lá está, temos que chegar a todos.

Os que não cumpriram a lei.

Mas que estão a tentar redimir-se.

Sim. Pronto, e esses polícias que estão aí com os presidiários, também não abusem. Agora para esses já deu a volta outra vez e nós sabemos como é que vocês são, muitos de vocês.

E mesmo os presidiários uns com os outros, também. Calma.

Exatamente.

Nós agora vamos ter a transferir rappers para presidiários.

Pronto, a questão é: há bons e há maus. Olha, policiem-se uns aos outros, senhores polícias, é isso que nós podemos dizer. A frase que faltava. Que é para os bons contaminarem os outros e toda a gente poder se sentir mais segura, até vocês.

Concordo.

E nós também. Muitos beijinhos. Até para a semana.

Adoro-te.