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Este é um podcast da Rádio Observador. Pode ouvir a rádio também em 98.7, na Grande Lisboa, e 98.4, no Grande Porto. Como disse há pouco, já está conosco o médico veterinário Nuno Paixão. É dia de Pet Radio. Nuno, olá, bem-vindo.
Olá, boa noite a todos.
Olá, Nuno. Viva.
Nuno, hoje vamos falar de caixas de areia.
Exatamente. É um assunto que pra muita gente é muito preocupante.
Então, suscita aqui muitas dúvidas.
Há muitas dúvidas. Primeiro, nós temos que perceber que a urina de um predador territorialista, como é o nosso gato, é uma urina pra marcar território. E isso faz com que ela seja extremamente cheirosa.
Exatamente. Eu ia dizer aromática, mas não é nada .
Não, eu também pensei nessa palavra.
Pronto.
Não deixa de ser um aroma .
Sim, exato.
Não é dos melhores.
Não é nesse sentido.
E daí ser importante. E é muito fácil qualquer casa ficar com esse cheiro bastante marcado. Mesmo com as pessoas tendo alguma higiene, é fácil. Depois, por outro lado, também temos que pensar que um gato ir fazer as suas necessidades é um ponto de vulnerabilidade pra ele. Ele tá vulnerável naquele momento. E como um bom predador, ele não se sente bem quando está em risco de ser predado por outro qualquer. E então, primeiro, onde é que devemos colocar o caixote?
Isso é muito importante, porque há pessoas que colocam, por exemplo, junto ao sítio onde eles comem.
Exatamente. Não é nada bom.
Isso não faz sentido.
Não faz sentido sequer pra eles, não faz sentido pra nós. Nós não comemos na casa de banho. E eles próprios também não gostam e não é fácil pra eles. Portanto, não devem estar no mesmo local, pelo menos devem estar afastados, com uma distância higiênica, vamos chamar assim. Por outro lado, há as pessoas que às vezes colocam naquela despensazinha onde está a máquina de lavar a roupa. E depois ficam muito espantadas, muito surpreendidas por eles não gostarem de ir ao caixote ou deixarem de ir ao caixote. Imaginem o que é eu estar no caixote, a fazer as necessidades, que já se sente vulnerável.
Tranquilamente.
Tranquilamente. E de repente a máquina de lavar começa a torcer a roupa. Portanto, é natural que ele fuja de lá e diga: "Eu nunca mais cá volto, estão a brincar comigo". Portanto, também convém que seja um local calmo, em que ele não vai apanhar sustos, em que o cão não tá a chateá-lo.
E se for na casa de banho dos humanos?
Pode ser. Há gatos que até aprendem a ir à sanita fazer. Aprendem a fazer nos ralos.
Já vi vídeos no YouTube .
É relativamente fácil de eles fazerem isso. Agora, temos é que garantir que eles têm a própria privacidade deles. Nós temos tendência a fechar a porta da casa de banho. Portanto, eles não vão conseguir abrir a porta pra irem ao caixote deles. Isso pode ser um inconveniente. Nós automaticamente, instintivamente, fechamos a porta da casa de banho e eles depois não podem ir à casa de banho deles quando eles querem.
Portanto, mas a caixa deve ser fechada, porque há quem não coloque.
Depende. Há gatos que não gostam de estar fechados. Há as caixas abertas, mas há gatos que: "Eu não vou entrar porque o cheiro é horrível". E aquilo, se tiver fechado, o cheiro é muito mais intenso, então ele pode não querer ir lá.
Se não quiser ir lá, vai ter de fazer noutro sítio, não é?
E ele vai fazer noutro sítio, aquilo não vai lá ficar guardado dentro. E depois nós ficamos desagradados porque ele tá a fazer. Porque nós temos que ver também que outro problema é a quantidade de caixotes pra quantidade de gatos. Nós parecemos do princípio que temos um caixote e os gatos todos fazem filinha pra ir. Não é bem assim.
Por exemplo, um caixote para cada gato é um bom método? Independentemente de eles depois decidirem fazer todos no mesmo.
Exatamente. Mas é um bom método. Normalmente, até nós temos uma formulazinha que é o número de gatos mais um. Portanto, se temos dois, deveriam ser três. Se bem que se são dois, não é grande problema, mas se tem cinco ou seis gatos, se calhar já devemos ter sete ou oito caixotes. Mas nesse sentido também é importante percebermos que há gatos que ganham ou preferência a uma superfície ou aversão a algo. Ou seja, eles podem não gostar daquele areão, não gostarem pelo odor do areão, pode ser muito bem cheirosinho pra nós, mas pra eles ser horrível. Podem não gostar da textura daquele areão nas patitas. Não sei se vocês já viram aquelas imagens dos gatinhos pendurados no bordo do caixote a fazer lá pra dentro. É por quê? Porque eles não gostam do contato com o areão. Eles vão lá fazê-lo, mas não gostam desse contato. Isso implica nós procurarmos um areão que o gato goste.
Até porque às vezes há aquele areão que fica preso nas patas e encontramos grãos na casa inteira.
Exatamente. E eles não vão gostar. Depois, por acaso, eles podem fazer as necessidades noutro local qualquer, num tapete, e até gostaram. Gostaram do contato com o tapete, gostaram do ambiente, gostaram que aquele local é mais resguardado, é mais sossegado, e nunca mais se vão esquecer e vão querer utilizar exatamente esse local. Portanto, a maior parte das vezes, quando os gatos deixam de ir ao caixote, das duas, uma: ou estão com problema médico, uma infecção urinária, algum problema que leva a que eles tenham dor, por exemplo, ao urinar, e até podem mais tarde vir a associar o caixote à dor, então não querem ir ao caixote. Por outro lado, se é um problema comportamental, é por que eu, o gato, não gosto de estar aqui ou eu prefiro ir ao outro lado e tentarmos adaptar aí.
E, portanto, ter atenção a todos esses comportamentos. A limpeza também é muito importante, com muita regularidade, porque eles são muito higiênicos.
Muito higiênicos. E aí também há outra coisa que é importante: os gatos podem viver na mesma casa, mas terem um território definido, cada um deles, principalmente se forem dois machos E um gato que viva no primeiro andar e outro que viva no segundo andar, o do primeiro não vai querer vir cá baixo ao caixote que está no território do outro. E isso também é importante de percebermos. Eles gostam também de ter as suas casas de banho privativas, entre aspas.
Nuno, tenho aqui uma dúvida também, o Nuno falava da questão da vulnerabilidade dos gatos quando estão a fazer as necessidades.
Como todos nós.
É por isso que alguns gatos saem dentro do caixote, depois de fazer as necessidades, como se fossem para uma corrida de 100 metros, ou seja, saem em alta velocidade?
Sim, pode acontecer, porque, na realidade, eu durante este momento, se alguém está a planear fazer-me uma emboscada, eu vou sair daqui rapidamente que é pra não estar sujeito a essa emboscada. E sim, é verdade, porque fazer as necessidades é dos momentos, para todos, mais vulneráveis. Reparem, nós às vezes usamos coisas, o exemplo de quando espirramos, os olhos fecham. Não é? Não conseguimos espirrar com os olhos abertos. E para todos os mamíferos, isso é verdade. Quando estamos a fazer as nossas necessidades, temos tendência a nos resguardar, porque é um momento em que se eu quiser fugir naquele momento, eu não vou conseguir. E então facilmente posso ser caçado, facilmente posso ser abordado. Até se a gente passar isso para os humanos, o comportamento dos humanos, numa casa de banho é um comportamento diferente. Temos reações muito mais próximas quando se está na casa de banho, mesmo com um desconhecido, numa casa de banho pública, do que quando estamos na rua. E isso os animais é exatamente a mesma coisa. Portanto, os caixotes são fundamentais, a areia é fundamental. Sim, devemos ter areias que permitam uma limpeza, que permitam alguma economia, porque também não é deitar areia só fora.
E devemos ir variando também, ou não? Quando eles gostam de um tipo de areia.
Se eles gostarem, mantemos. Para não estarmos a prejudicar noutro sentido. Porque se eles gostam, hoje em dia há caixotes maravilhosos, há caixotes eletrónicos, há caixotes com autolimpeza, há várias coisas. Agora, cuidado, porque se é daqueles caixotes de autolimpeza, que nunca se corra o risco de ele limpar quando o gato está lá dentro, porque ele não vai querer lá voltar.
Claro.
Ok? Eles não se esquecem dessas coisas.
Portanto, é preciso ter muita atenção também nestes que parecem detalhes, mas não são. Hoje o Nuno Paixão, aliás, é sempre assim à sexta-feira, juntou-se a nós, é médico veterinário, é dia de Pet Radio. Esta edição vai ficar disponível também já a seguir em observador.pt. Nuno, obrigada, até para a semana.
Até para a semana. Deus vos bendiga.
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