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Ora bom dia, boa tarde ou boa noite, consoante a hora. Eis que regressamos para mais uma dose de sugestões, tudo para que os vossos dias sejam sempre melhores. Bruno Vieira Amaral, por falar em dias melhores, hoje começas tu. Tens aqui um livro e tens uma série.

Tenho um livro. É um conjunto de crónicas do Pedro Gomes e Sanches, que escreve no Expresso, publicado pela Guerra e Paz: Rendição ou a Ascensão dos Idiotas. O Pedro Gomes Sanches é um conservador liberal, no sentido português. Tem uma escrita muito límpida, sem grandes exageros retóricos. Mas uma escrita muito limpa. Em alguns momentos tem muita piada e é um daqueles conservadores, que há poucos no nosso país, verdadeiramente conservadores liberais, que prezam acima de tudo o valor da ideia de liberdade. E a verdade é que num país como o nosso, a liberdade é um bem escasso. E a liberdade é muito louvada, mas pouco praticada, até por uma série de limitações sociais e culturais de que padecemos. E neste livro, que fala também sobre esta ascensão da censura woke, mas também da corrente contrária, que vem da direita e que também não é muito amiga da liberdade, o Pedro Gomes Sanches procura posicionar-se aqui neste equilíbrio. Diríamos que ele é um moderado, aquilo que se chama um moderado, e a moderação, neste mundo cada vez mais polarizado, não tem boa fama. Mas é um livro divertido também. É fácil concordar com muitas das ideias do Pedro, também pela forma como ele consegue articular e expor estas ideias. Há aqui alguns dos tiques dos conservadores liberais, como por exemplo, aquela defesa do direito de fumar, que é já um clássico.

É uma graça.

É, desta área política, e que nós se calhar falávamos disto mais aqui há 10, 15, 20 anos, mas que estaríamos longe de imaginar que seria apenas um prelúdio para uma era de, não quero dizer censura, porque parece que estou a equiparar à verdadeira censura, mas de não olharmos com bons olhos certas expressões de liberdade. Recomendo este Rendição ou a Ascensão dos Idiotas. E trago uma série que ainda não acabei de ver, que está na Netflix. Eu estou aqui a recomendar, mas acho que já toda a gente viu, porque estava em primeiro.

Eu vi dois episódios, acho eu.

Black Rabbit.

Black Rabbit.

Com o grande-

Ainda não sei bem o que pensar.

Também ainda não sei bem o que pensar. Vi três episódios. Estou a gostar. Ainda não tenho uma opinião definitiva. Tem a grande vantagem de ter um Jude Law em grande forma.

Vai muito bem, não é?

Há poucos atores com aquela aura, de facto. Na semana passada chegamos a falar da questão dos atores a propósito do Robert Redford. Não sei se demos uma pincelada.

Deste um achega.

Um achega da beleza masculina, da beleza de um ator como o Robert Redford. E o Jude Law, além de ser um excelente ator, eu gosto muito dele.

Também é bem parecido.

É belíssimo.

Belíssimo.

E que consegue. Há umas quantas cenas, eu estava a reparar.

Com o Bateman há ali um entendimento muito genuíno.

E há momentos em que ele sorri.

E tu sorris também.

Aquilo está um bocado sombrio.

E ilumina-se.

Ilumina. Este gajo com este sorriso conquista toda a gente, conquista o espetador.

Não fui só eu que sei dizer isso.

É verdade. Claro que ele tem ali uma personagem, um bocadinho com coisas mais tortuosas.

Obscuras.

Obscuras, mas depois tem aqueles momentos em que ele sorri. E ele nesta série tem um restaurante.

Tem um restaurante, bar.

E tu imaginas.

É um empresário da noite.

Aquele tipo conseguia convencer qualquer pessoa a pôr dinheiro naquilo. Bastava sorrir como ele sorri. Ainda não tenho uma opinião definitiva, mas estou a gostar até ao momento. Black Rabbit é uma série Netflix.

E pelo menos vais vendo o Jude Law.

O Jude Law, claro.

Que já é uma boa.

Lembrei-me de um dos filmes que mais gostei de o ver. Também faz uma dupla com um ator que não é bonito da mesma forma, mas que é quase a quintessência da masculinidade, que é o Clive Owen, que é o Closer, do Mike Nichols, um dos últimos filmes do Mike Nichols, e que é um grande filme.

Parece haver uma má opção de colorização na série, no Black Rabbit, os filtros usados. Agora que falas nisso. É verdade, sim, senhor. E isso se calhar incomoda. Sabes que no White Lotus- É tudo meio castanho alaranjado. Aquilo é para ter uma marca distintiva. No último White Lotus, também havia um filtro excessivo e os executivos lá da HBO disseram: "Abaixa um bocadinho isto tudo", porque era muito amarelado. Ainda ficou um bocadinho. Mas isso tem algum resultado prático? A questão é que tu queres afirmar a identidade da tua série através de várias coisas: o elenco, as lentes das câmaras, os enquadramentos. E essa é mais uma coisa.

A cor do bordo ou campire. A cor tinha ali um papel importante.

Sim, até porque uma das acusações que se fazia à Netflix era precisamente das séries quase todas parecerem.

Crispy.

Têm o mesmo 8K.

Uma certa textura.

Muito abertas, muito nítidas.

Não sei os termos técnicos.

O que é terrível para os dentes dos atores.

É terrível para os dentes dos atores?

Porque parecem sempre menos-

Estás a dizer que tens os dentes ao carro de Paula se queres ser ator de uma série Netflix.

Já percebi. Este programa, de facto, é extraordinário. O Manel Ramos Silva.

Só o Roberto Firmino.

Agora és tu. E vamos entrar aqui numa rubrica que eu gosto muito, que é a rubrica: eu não sei o que tu escolheste.

Pronto. Para algo diferente, escolhi um documentário, "Filipe La Féria: o Teatro como Ato de Fé".

Ora bem.

Que vai estrear dia 4 de outubro na RTP1. Eu penso que também vai haver uma apresentação prévia no Politeama, mas podem ver na RTP. Olha, já não sei se na dois se não, agora estou aqui em dúvida.

Ora.

Vou pedir que tu me ajudes a confirmar entretanto.

Sim, senhora.

Eu apostava na dois.

Achas que é mais dois?

Não, estou a brincar porque agora a RTP tem isso.

É um documentário realizado pelo Miguel Cessaraiva, escrito pela Lígia Gonçalves.

É RTP 2.

É? Pronto, está confirmado. E viaja aqui pela história do nosso Bob Fóssil e das portas de Santo Antão. É um senhor que fez 80 anos este ano.

É, pá, sim, senhor.

Que revitalizou o chamado Teatro Ligeiro. Eu ainda me lembro de alguns clássicos que, na altura, só o nome, foram coisas absolutamente sonantes, como "Maldita Cocaína", ali nos anos 90.

Passa por mim no receio.

Sim.

What happened to Madeleine?

Exatamente, também. O próprio "Amália", em 2000, que esteve não sei quantos anos em cena e que teve 16 milhões de espetadores, é obra. Portanto, acho que vale a pena ver. Não é assim muito longo, de qualquer das formas promete trazer aqui algumas coisas interessantes. Tem participações da Simone de Oliveira, do João Baião, do Joaquim Monchique, do Ricardo Neves Neves, enfim, acho que vale a pena ver e depois também deve ficar disponível naquelas plataformas do Play desta vida. Depois, trago um livro também, Tiago.

Parece que me estás a-

Estou a falar para ti. Eu só vim aqui para falar para ti. Que se chama "Construtoras de Impérios: Vozes de Mulheres na Expansão Portuguesa".

E trouxeste o livro, ele está aí.

Eu trouxe mesmo o livro. Não, porque isto é sempre um tema sensível. Nós hoje quando falamos de proezas ultramarinas, é preciso ir aqui com algumas pinças. Mas este livro é uma ótima-

Mas como são de mulheres, não há problema.

Não, mas aí é que está. Porque nós, na verdade, andamos aqui, muitas vezes, numa espécie de contraciclo, quando nós ainda nem conhecemos a história toda, que é a parte mais interessante. Este livro responde, pelo menos a mim, àquela dúvida existencial: o que foram feitas as mulheres, o que foi feito as mulheres portuguesas.

E de onde vinham elas?

Quando os homens foram para o mar. Pois bem, elas tiveram diferentes papéis, reféns, obviamente, da sua condição social, do seu estatuto jurídico, mas sempre muito ativas. Este livro mostra isto. É um retrato documental daquelas que ficaram, mas também das que seguiram nos barcos, não foram assim tão poucas quanto isso, das que também ajudaram a colonizar e a povoar. Tem muita informação histórica, mas também vai ao detalhe de figuras absolutamente lendárias, mulheres que foram mães, prostitutas, soldados, foram determinantes na construção do império colonial português. É uma edição Temas e Debates, só para registar, encornada por uma professora da Universidade do Porto, a Amélia Polónia, e é um volume que inclui trabalhos de Manuel António Espanha, também investigador, já falecido, e ainda de Amândio Barros e Rosa Capom. Portanto, "Construtoras de Impérios", Temas e Debates, recomendo.

Pessoas sérias, com carreiras e com investimento.

E que nos dão a informação útil.

Ora bem, não é brincadeira como uns e outros, percebem? Por falar em brincadeira, queria só dar duas dicas. Peço desculpa, também engasguei.

Mas nunca sabemos as tuas sugestões.

Pois não.

Fica a nota.

A primeira é de um livro de um senhor que é muito amigo do Bruno Vieira Amaral, que é o Rui Castro.

Rui com Y.

Dirias que são amigos? Não.

Amigos não somos.

Mas já falaram algumas vezes.

Já o entrevistei três vezes, fui a pessoa que mais entrevistei na vida.

E tens muito boa impressão deste autor brasileiro.

Adoro.

O livro chama-se "Trincheira Tropical", é publicado pela Tinta da China e é, como dizer isto simplesmente, é uma história de como foi vivida a Segunda Guerra Mundial no Rio de Janeiro. Mais ou menos isto. Entre simulações de bombardeamentos e racionamentos alimentares, lutas ideológicas, muitos espiões. Sobretudo se gostarem da forma como o Rui Castro conta histórias, que é ótima, e se vos interessar este período da Segunda Guerra Mundial.

Mesmo que não nos interesse.

Mesmo que não nos interesse, mas especialmente se vos interessar, é um ótimo livro.

É um clichê, deixa-me só dizer isso, é um clichê dizer-se isto, mas basta começar a ler esse livro, ele consegue mesmo transportar-nos para aquela época. É um clichê, mas é verdade.

É como se os meus pés começam a sambar enquanto eu ponho as mãos por cima da cabeça por causa de uma bomba que está a cair. E depois, seis episódios, cada um com 20 minutos, na RTP Play, numa série que se chama "Situações Delicadas". Laura Dutra, Madalena Almeida e Catarina Rebelo. O autor é o Diogo Lopes e é a história de três moças que, de repente, têm que lidar com um corpo que é preciso esconder. Eu sei que o Bruno Vieira Amaral já está farto da história, mas olha que vale a pena.

Vale a pena.

O twist que dão à coisa é muito interessante. Vale bem espreitarem. E a seguir, por falar em mortos e assassinos, Pedro Boucher Mendes, não és tu o assassino, calma.

Isto é uma notícia que, como os jornalistas às vezes dizem, é uma notícia que eu gosto de dar. Como é que é?

É uma notícia que eu gosto de dar.

Eu costumo dizer que são as notícias que eu não queria dar.

Esta é a notícia que não queríamos dar.

Esta é a notícia que eu queria dar.

E com este tom.

Esta é a notícia que eu queria dar. Há uma nova série Dexter. Temos o original Dexter, que foi uma série muito popular aqui há uns anitos, quase 20. Há 19 anos chegou, acho que em 2006.

Foi há muito tempo.

Toda a gente, esta "toda a gente" está em itálico. Via? Vias? Nunca viste? Nunca viste Dexter? Incrível.

Não.

Mas sabes o que é?

Sei.

Vagamente. Houve duas iterações novas.

O Pedro agora até ficou a abanar.

Houve Dexter: New Blood. O Dexter no fim da série normal Dexter desaparece. Morre, desaparece. E aparece na série Dexter: New Blood, que felizmente já foi cancelada, em que ele aparece vivendo nas montanhas, na neve.

Estreou aqui há dois anos, alguma coisa assim.

Uma barba de lenhador, acho que foi uma porcaria. Pior ainda foi Dexter: Original Sin, que estreou há pouco tempo, que era o Dexter em jovem, só teve uma temporada. Mas eis que estreou há pouco tempo na Sky Showtime, Dexter: Resurrection. E é aquilo que se deve fazer numa sequela.

É uma série ou é um filme?

É uma série. Passada em Nova York. Dexter vive em Miami e agora vive em Nova York. O pai aparece outra vez, aquelas conversas sobre o Dark Passenger, o pai aparece, o mesmo ator. Temos outros atores que aparecem, nomeadamente o Matsuda. Aparecem pouco, mas aparecem, que é aquele tipo asiático que dizia umas piadas sem piada. Continuamos com o filho Dexter, mas ao longe, e temos o bônus de ter Uma Thurman e Peter Dinklage, que é a pessoa-

Da Guerra dos Tronos.

Com nanismo.

Com nanismo.

É nanismo também é bom.

Com nanismo. É nanismo que se diz, não é? De Guerra dos Tronos. E Dexter volta a ser o Dexter a que nos habituamos, nós que vimos, não é o caso do Bruno.

Ou seja, o assassino em série do lado do bem.

Sim, e cheio de esquemas e táticas e de não ser apanhado. Já vi três episódios e estou francamente contente que esta série exista, porque eu mereço.

Isto se calhar também não é um bom momento para dizer que também não vi o Dexter.

Precisamos de Dexter: Resurrection na Sky Showtime. Aconselho vivamente. Deixa-me só dizer uma coisa sobre o La Féria. É muito interessante como a chamada Bolha nunca tenha encontrado um sítio para o La Féria estacionar o seu carro. Vem gente de todo o país, excursões, ver as suas peças. Mas a Bolha ainda não arrepiou.

Ainda não arrebentou.

O que é muito curioso, já que ela anda nisto há uns anitos.

É verdade.

Vamos ver se este comentário ajuda isso. Seria com certeza justo, nós não temos muitos mais mensageiros de teatro, chamado teatro comercial. Bom, História do Mundo em 47 Fronteiras, de John Elledge, editada pela Saída de Emergência, é um livro de divulgação histórica, didático, se quiseres. Escrito num tom descontraído e até divertido, às vezes até ligeiro, mas que nos permite, em 47 pequenas histórias, que definiram fronteiras. Temos obviamente o Tratado das Tordesilhas entre Portugal e Espanha. Já almocei em Tordesilhas, não sei se ela foi alguma vez.

E que tal? O que comeste?

Não aprendi nada.

Tordesilhas tem muita comida. Tortilha.

Arroz de Tordesilhas.

Comi umas Tordesilhas mesmo boas. Fui a Tordesilhas de propósito para almoçar e pronto, só para dizer que lá fui.

Mas não me lembro do que comeste.

Comi o que havia.

E em Tordesilhas foste bem tratado.

Não. Mas também o que levou à criação da Suíça, o que está a dar origem ao conflito Israel-Palestina.

Por acaso, têm-me perguntado muito sobre isso. O que é que estará na origem da Suíça?

Aqui está.

Mas essas coisas a mim interessam.

Eu acho isso muito interessante.

E até as fronteiras do espaço, a quem pertence o espaço. O livro é espirituoso e é sobretudo uma bela ideia. Acho que está tendo imenso sucesso lá fora também, no original. E é um daqueles livros que nós damos por nós a folhear e depois damos por nós a ler até o fim. Eu gosto muito de mapas e do objeto mapas e da existência dos mapas. E pronto. História do Mundo em 47 Fronteiras, de John Elledge, da Saída de Emergência, saiu há muito pouco tempo.

Muito bem, Sugestões em Tracks estão sempre disponíveis em podcast. Sigam-nos para não perderem nenhum episódio. Voltamos na quinta-feira.