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Sejam muito bem-vindos a mais um "PopUp", o programa de cultura pop da "Rádio Observador", que esta semana foi ao cinema. E por isso, é isto que vai acontecer. Fomos mesmo todos ao cinema. Fomos todos juntos ver 007: Sem Tempo Para Morrer, o novo filme da saga James Bond. Foi bem bonito de ver também, Maria Ramos Silva, Bruno Vieira Amaral e Pedro Boucher Mendes, todos juntos no escurinho do cinema, mas de máscara e a respeitar o distanciamento social, que esta gente é muito cuidadosa. Esta semana, portanto, o programa é especialmente dedicado à última vez de Daniel Craig. Assim sendo, vamos em frente. Sem Tempo Para Morrer, ou no original em inglês, No Time to Die, o filme número 25 do franchise oficial da personagem criada por Ian Fleming, o quinto e último filme com Daniel Craig no papel de James Bond, estreia-se hoje, esta quinta-feira, 30 de setembro, depois de ter sido adiado várias vezes graças à pandemia. Pedro Boucher Mendes, vamos ao que interessa. Valeu a pena esperar?

Valeu. Valeu.

Entusiasmo médio.

Não, vale sempre a pena. Uma marca como 007, desde há uns anos, qualquer filme que venha aí, daqui a três anos, quatro, cinco, 10, valerá sempre a pena, porque são filmes onde há muito dinheiro envolvido e muitos efeitos especiais e muita proeza técnica ao nível das perseguições de automóveis e essas coisas. Portanto, por esse lado, valerá sempre a pena e é um lado importante no entretenimento. Este filme terá sido filmado em 2018, acho eu. 2018, início de 2019, depois montado, editado. Portanto, no fundo, já vai a caminho dos quatro anos. As pessoas que vemos ali no ecrã. Foi o primeiro evento cultural, digamos assim, em que eu senti verdadeiramente que não havia Covid, porque o filme tem todos os disparates da nossa sociedade antes do Covid. Tem balneários, tem pessoas muito juntas sempre. Não pretende ter qualquer tipo de lição.

Sim, não há ali qualquer referência pandémica.

Certo, e o Bond bebe uns copos, mata umas pessoas e anda com umas mulheres bonitas ao lado. É como se fosse de um tempo que já não é o nosso. Eu creio que tenhamos tido Covid ou não, ou familiares que terão sido afetados por isso, creio que todos estamos diferentes ou somos pessoas diferentes. E este Bond surge assim um bocadinho esquisito. Não estava bem à espera de estar a ver um filme que nada tem a ver com o Covid, embora, obviamente, também não esperasse que o filme tivesse alguma coisa a ver com o Covid. Mas eu diria que se fosse um crítico de cinema, daria quatro estrelas de 16, de uma 20, uma coisa assim. Portanto, acho que sim, acho que valeu a pena, para responder à tua pergunta.

A Maria Ramos Silva está aqui ao meu lado a fazer um sinal de quem diz: "Sim, senhor, generoso, Pedro." Pessoa bondosa.

É verdade.

Bruno Vieira Amaral, talvez tenhas sido o mais descontente entre nós depois de saíres da sala de cinema, e portanto, eu gostaria de ir por aí. O que não te convenceu no filme?

Eu sou sempre o mais descontente do grupo em qualquer situação, mas isto também não deve servir de grande coisa para os verdadeiros fãs da saga James Bond. Entre os quais não me incluo.

Deixa-me só, uma coisa importante. Vamos sempre tentar este programa todo não fazer spoilers. O filme estreia hoje. Eu acho que as salas ainda não abriram, portanto devem abrir agora depois de almoço.

Eu vou avisar. Quando eu for revelar alguma coisa que não é assim muito importante, eu aviso. Portanto, os nossos ouvintes podem tirar o som, tapar os ouvidos, fazer qualquer coisa, mas não vou revelar nada que seja determinante para a compreensão do filme ou para retirar o prazer de ver o filme. Agora tentando explicar aqui um bocadinho este descontentamento. O que eu gosto nos filmes do Bond, não vi todos, mas daqueles que vi, é mesmo do lado absurdo, exagerado, inverosímil, tudo aquilo. E que, aliás, já motivou muitas paródias, porque aquilo é iminentemente parodiável. Não quer dizer que a única solução para estes filmes seja a autoparódia, que se transforme numa coisa pós-moderna ou num comentário sobre o próprio universo bondiano, mas esse humor, para mim, é essencial. Essa consciência de que, na essência, estamos a falar de puro cinema de entretenimento, com vilões ridículos e MacGuffins ridículos. Os MacGuffins são aqueles ardis, aquelas coisas que aparecem sempre nos filmes do Bond, e não só, da arma de destruição e do grande plano secreto, que é um pouco como nós fazíamos quando éramos miúdos. Que é: agora tu tinhas um plano para destruir o mundo e depois eu sacava de um laser megassônico que te paralisava da cintura para baixo.

Megassônico.

Pronto, assim uma cena qualquer, não interessa. Não interessa se aquilo tem algum fundamento científico ou político. E esse lado é o que me diverte mais. Agora, quando os vilões se comportam ou representam os atores como se estivessem à espera de serem nomeados para os Oscars, a coisa para mim estraga-se. Dos filmes com o Daniel Craig, que eu acho que é muito bom ator, e até neste papel, o meu preferido é o "Skyfall". Ou se calhar seja o "Quantum of Solace", já não sei bem, eu depois confundo um pouco os filmes. Mas que na altura me pareceu um bom filme de ação, pareceu-me até um pouquinho o James Bourne. E talvez um mau filme do Bond, neste sentido que eu estou a falar. Este aqui tem alguns momentos de dança, por assim dizer, como aquela cena que eu acho que é a melhor do filme com a Ana de Armas, mas depois adquire uma solenidade, uma gravidade, que é um bocadinho já menos Ian Fleming e será mais John le Carré. E por último, é as cicatrizes. Há aqui muita necessidade de mostrar o Bond como homem com cicatrizes físicas e, pior do que tudo, emocionais. Estão ali as marcas pra provar que aquilo lhe aconteceu. Meus amigos, se aquilo tivesse mesmo acontecido, o Bond já tinha morrido ao fim da primeira luta. Tirem as cicatrizes. O que é engraçado no Bond é que ele é uma espécie de Nenê, que é o jogador ponta de lança que não sujava os calções. É ele passar pelas coisas mais terríveis e mais inverosímeis e sair sempre impecável, com o fato impecável e sem cicatrizes. Tirem as cicatrizes do Bond, por favor.

Bruno, há até uma parte muito inverosível no filme, e penso que não será grande spoiler, dizer que quando lhe perguntam: "Achas que vais sobreviver?" E nós pensamos: "Mas acham que estão a falar com quem?"

Está tudo maluco.

Que mundo é este em que o Bond arrisca-se a não sobreviver, tem cicatrizes. Não, não compro.

Maria Ramos Silva, outra coisa que discutimos à saída da sala de cinema, se haveria aqui uma tentativa clara de tornar James Bond mais civilizado, menos machista, menos rude, mais de acordo com o politicamente correto. Mas depois, na verdade, ele farta-se de beber.

Segundo aquelas estatísticas, eu penso que ele é até o Bond que bebe mais. Aliás, até havia aquele dado que supostamente o Bond de 11 em 11 minutos está a beber.

Não, ele bebe como um finlandês, desculpa, ele bebe como um adolescente finlandês numa sexta-feira à noite.

Numa grande festa de Erasmus.

"Beans drinking", ele devia ter que ido pro lado.

Eu acho que essa tentativa de humanizar o Bond, por regra, quando nós tentamos endireitar a realidade através da ficção, não costuma correr muito bem. Eu acho que aqui houve uma certa, que já vem de alguns filmes anteriores, especialmente neste, depois se formos ao guião, podemos ir um pouquinho por aí também. Mas geralmente não corre bem, porque o Bond, como o Bruno dizia, os grandes heróis da ficção em geral, mas no caso do James Bond em particular, que é o que interessa, é alguém que tem que estar ali muito bem equilibrado, numa balança, em que por um lado, nós gostamos de aspirar a poder ser como o Bond. Nós gostávamos de poder ser o Bond, de vestir como o Bond, de ter aqueles skills todos do Bond. Mas precisamente por isso o Bond não pode ser excessivamente parecido conosco, ou seja, ele não pode ser de carne e osso como nós, porque senão é só mais um tipo banal e passa a ser um tipo absolutamente maçador e desinteressante. Portanto, essa dimensão aspiracional tem que estar lá, isso é condimento essencial no franchisado. E para além do mais, é até muito curioso, eu penso que o Bruno também falava disso, quando analisamos este filme, e eu julgo que a crítica do Independent passa também muito por aí, acabas por ter aquilo que é um bom filme de ação, mas não um filme pra Bond. Ou seja, é um filme bastante aceitável nessa perspectiva, mas não é aquilo que nós imaginamos no estereotipo do Bond. E, de facto, com que nos habituamos a viver e a crescer e que prezamos nessa figura do Bond. E eu acho que o que salva muito aqui este filme é, de facto, teres um Daniel Craig, que é um ótimo ator, que consegue que isso não resvale pra uma grande caricatura do próprio Bond, e que podia perfeitamente estar só, como aquela cena num carro, em silêncio durante duas horas, ou vai com tiros, e nós ficávamos contentes com aquela sua face granítica, ali intransponível. Depois, todo o outro lado das emoções. Alguém comentava com muita graça: "Pelo amor de Deus, ele afinal de tudo é britânico, tem que ter ali uma certa fleuma presente". Portanto, queremos alma, não sei se queremos assim tantas emoções. É que eu sinto que essa necessidade, mais do que essa tentação de endireitar a realidade através da ficção, o argumento acaba por nos tratar, nós espectadores, como um pouco palermas, porque eu não preciso que o Bond se torne, ou que os sentimentos do Bond, ou de qualquer outro herói, se tornem assim tão literais pra eu perceber, pra todos nós percebermos que obviamente, no peito daqueles, afinal, também batia um coração. E aquele tipo, no fundo, é o último dos românticos. Eu acho que tu contaste o número de vezes que ele disse: "I love you", não é?

Sim, se não me engano, são duas vezes.

Pronto. Isso rebenta totalmente a escala.

São duas a mais.

Já são duas a mais, exato.

Eu acho que nem em 1969, quando o James Bond foi George Lazenby, pela única vez, em "Ao Serviço Sua Majestade".

E ele usa uma frase do Lazenby.

Não, e usa uma canção.

Sim.

"All the Time in the World".

Exatamente, vai buscar tudo aí.

Ora bem, esse é o filme em que o James Bond casa, mas depois fica sem a mulher, tragicamente. Eu acho que nem aí ele diz: "I love you."

Posso dizer uma coisa?

Claro.

Desculpa. Eu ontem estava circunstancialmente, até falámos disso no cinema

A ver um vídeo de um piloto de Fórmula 1, da McLaren, que teve uma ótima corrida este domingo, mas as coisas não correram bem. Estava a ver uma entrevista com ele. Ele tem 21 anos e era uma televisão holandesa que lhe perguntava, aquelas entrevistas meias divertidas a que as estrelas têm que se sujeitar. E perguntava-lhe se ele preferia Beatles ou Stones. E então o piloto, um inglês de 21 anos, hesitava. E depois lá disse que preferia os Beatles, porque não se lembrava de nenhuma música dos Stones. E depois disse logo a seguir em voz mais baixa: "Bem, na verdade, também não me lembro de nenhuma música dos Beatles." Para dizer que talvez este Bond mais atualizado e com coração mais emocional, passe a expressão, talvez seja adequado aos novos públicos que não seremos nós. Ou seja, ter um franchise que dura há tanto tempo, e o Bond neste momento é um franchise, é uma marca, que dura há tanto tempo, significa muito provavelmente que tem que ser atualizado e pessoas, que como nós estamos aqui a referir, ou pelo menos a Maria está a insistir nisso, que não gostam deste Bond mais romântico ou mais romantizado, vão ter que procurar outros.

Eu não digo que não gostam, se calhar muita gente vai rever estas-

Vais ter que resolver esse problema.

Eu não faço questão que ele seja assim.

Não me espantaria que o próximo Bond, eu sei que vamos falar disso, fosse uma mulher ou tivesse a pele de outra cor, porque é esse o ar dos tempos. Tem partes boas, partes más, é como tudo.

Muito bem, já voltamos a James Bond. Estamos a chegar ao final da primeira parte, mas antes vamos às sugestões da semana com o Post-it. Pedro Balseiro Mendes, continuamos contigo, que tens estado a ver o regressado "Morning Show".

Sim, é uma série da Apple TV. A Apple TV tem dois anos, não é muito referida, mas tem francamente boas séries. Não tem muitas, mas tem francamente boas séries, desde logo a comédia "Ted Lasso", que talvez seja a série mais conhecida e mais afamada. Mas este "Morning Show", que eu pensava que era mais uma série meia cómica com a Reese Witherspoon e a Jennifer Aniston, revela-se na verdade uma série dramática bastante interessante sobre os bastidores da televisão. E quem conhece os bastidores da televisão conseguirá perceber algumas coisas que são, de facto, mesmo assim, e que é por isso altamente recomendável. Eu acho que a Aniston faz talvez os melhores papéis da sua carreira, muito longe do "Friends", felizmente. E vale bem a pena, quem apostou nela ainda, vale bem a pena já uma temporada e um bocado de uma segunda temporada, "Morning Show".

Maria Ramos Silva, também estás a acompanhar um outro regresso, mas mais inesperado.

Da televisão para o podcast, "A Noite da Má Língua", ou a noite dos maus fígados, como brincava o Herman, com a Júlia Pinheiro, o Manuel Serrão, a Rita Blanco e o Rui Zink. Eles vêm lá dos anos 90, não havia podcast nesta altura. Mas eu acho que mais do que nostalgia, trazem aqui um bocadinho de bolsa de oxigénio, numa altura em que já não é só aqueles impedimentos todos trazidos, aquelas limitações dos poderes económicos e políticos, mas também das redes sociais e dos cancelamentos todos, que eu espero que eles consigam sobreviver a essas coisas todas, e que continuem a servir-nos essa arte do desbocanço, que é uma expressão que eu gosto particularmente, em que se usa pouco filtro e se tenta usufruir ali de um espaço de liberdade e de diversão. Portanto, vão ao Spotify e ouçam e reencontrem. Se for caso disso, se nunca tiverem visto ou ouvido, enfim, será uma estreia.

E um pouco de literatura com o Bruno Vieira Amaral. "Memórias de um Craque" é o título do livro que trazes aqui, Bruno.

Sim, deixa-me só fazer aqui um pequeno comentário em relação a este regresso da "Noite da Má Língua", que enfrenta uma concorrência desleal nas redes sociais. Uma coisa era a "Noite da Má Língua" nos anos 90, no início das televisões privadas, sem redes sociais, e que era, para usar um clichê, essa lufada de ar fresco para desempoeirar um bocadinho o nosso panorama televisivo e mediático no geral. E hoje, a "Noite da Má Língua" é o que nós temos na televisão muitas vezes, nas redes sociais, no Twitter. Portanto, não sei se conseguirá vencer essa concorrência desleal. Agora, falando um bocadinho de literatura e futebol, eu, por motivos óbvios, hoje só me apetece falar de futebol.

Claro.

Mas não foi por isso que escolhi o livro do Fernando Assis Pacheco.

Tu e a Maria, que está aqui nervosa ao meu lado.

Já falei hoje no programa "E o Campeão É", mas hoje gostaria muito de falar aqui no "PopUp!" de futebol, mas de literatura acima de tudo, porque este pequeno livro de crônicas do Fernando Assis Pacheco foram publicadas em 1972. São 30 crônicas publicadas em 72 no jornal Record, são mais do que sobre futebol, são sobre as memórias e a parte formativa do futebol no crescimento, na formação de alguém e, acima de tudo, e mais importante, tem a voz do escritor. Cada uma destas crônicas, independentemente ou mais importante do que aquilo que está a contar, parece que estamos a ouvir a voz do Fernando Assis Pacheco a relembrar as façanhas da infância, daquele futebol de rua, literalmente o futebol jogado na rua com uma série de personagens que parecem, e este é o grande mérito que ele tem, parecem ficção. Não são, mas recuperadas desta forma parecem ficção. É a minha sugestão.

Bom, é a sugestão do Bruno. Pelo menos ele disse isso, e já não é mau. Chegamos assim ao final da primeira parte do "PopUp". Vamos tentar recuperar o Bruno, que ficou perdido algures na atmosfera, e voltamos depois de um curto intervalo. Até já. Estamos de volta para a segunda parte do "Pop Up". Depois de termos falado sobre James Bond na primeira parte, agora vamos falar, imaginem, de mais James Bond. Como se costuma dizer, ou como se dizia no tempo do papel: esta é uma edição para guardar. Pedro Boucher Mendes, vamos começar a falar de questões importantes. Daniel Craig, que se vai embora, é o melhor James Bond de sempre?

Acho que não.

Pronto.

O primeiro filme com ele é o "Casino Royale", que é um ótimo filme.

Extraordinário.

E ele surge extremamente convincente. Tem um físico mais largo, parece mais um jogador de rugby do que propriamente os outros Bonds. O Pierce Brosnan, o próprio Roger Moore, eram mais elegantes, não sei bem se esta é a palavra certa.

Podemos dizer que sim. O Roger Moore, que era um agente secreto que andava muitas vezes de gola alta.

E Craig foi um pouco surpreendente, mas foi com certeza uma aposta ganha. Não considero ter sido o melhor Bond de sempre. Sempre gostei muito dos filmes com Roger Moore, porque acho que era o que tinha o humor mais do meu agrado, se é assim que se pode dizer. Mas também pode ter a ver com o facto da idade com que eu comecei a ver os filmes de James Bond, porque naquela altura era uma verdade absoluta. Tão absoluta como a cozinha portuguesa ser excelente, era que Sean Connery era o verdadeiro Bond. Era como se o Moore fosse um usurpador de qualquer coisa. Mas eu gostei também, francamente, do Pierce Brosnan e até gosto bastante do Lassemby. Acho que é um ótimo filme.

Claro. Sim, concordo.

Acho que é um ótimo filme. Lá está, Sean Connery era o maior, Roger Moore era um usurpador e Lassemby era como se fosse um queque que nós metemos no forno, ficou queimado e deitamos fora.

Não estava assim tão mau. Eu acho que é aquela coisa de transição. Quando sais de um casamento longo e antes de entrares noutra relação duradoura, tens ali um affair que não conta para muito.

É o limpa palato.

Que é um queque que está no forno. Estão a perceber?

Sim. Isso é que é forte. Que grande piada forte. Eu gosto de Craig. Mas depois aquelas boquinhas que ele faz, não sei o quê, mas enfim.

Que boquinhas, Pedro?

Sim, eu vejo.

O que talvez eu diga, tendo lido alguns Ian Fleming de Bond no original, portanto as histórias originais, é que as feições de Bond não são tão rudes, digamos assim, ou não sei, como as de Craig. Enfim, na construção mental que eu fiz de Bond. Mas se calhar tem a ver com... Não sei. Se calhar tem que deixar a bebida. Mas não é Craig, de certeza, o meu favorito.

Bruno, eu sei que o meu alinhamento provisório não vem bem por aqui, mas já agora, acho que precisamos falar de Daniel Craig, para já perceber onde é que o classificarias nesta hierarquia de Bonds, e se está bem lançado o caminho para a sucessão. O que te parece depois deste filme?

Na hierarquia, olhando para os outros Bonds, para mim está abaixo de quase todos. Ainda que reconheça que foi capaz de contrariar um pouco aquilo de que o Pedro falava, que é essa desvantagem de à partida não corresponder ao Bond que construímos na nossa imaginação. Pelas feições, pela certa rudeza. Ontem estava aqui a trocar mensagens com a vos e dizia que ele tinha um ar um bocadinho de mineiro, era bom para fazer aqueles filmes sobre as greves mineiras nos anos 80.

No tempo de Thatcher.

De Thatcher. Ou então tem aquele ar de jogador da segunda divisão, de lateral direito ou trinco.

Mas tem que ser ou lateral direito ou trinco.

O lateral direito, para mim, tem que ser sempre. Mas o trinco dá mais pancada, portanto talvez fosse mais um trinco, para partir pernas. E ele teve que vencer essa desconfiança, convencer os fãs e não só. Mesmo quem não é grande fã da saga, mas tem essa imagem quase arquetípica do Bond e que eu creio que quer o Roger Moore, quer o Pierce Brosnan estão dentro dessa linha e que ele não está. Ele teve que vencer essa desvantagem inicial e eu acho que nisso funcionou. Mas continuo a preferir quer o Roger Moore, quer o Pierce Brosnan, que são os meus preferidos por razões muito pessoais. E o Sean Connery, claro, que há de ser sempre, eternamente, o melhor Bond para mim. O que querias perguntar?

Eu perguntava sobre a sucessão. Primeiro falou-se que o próximo Bond vai ser uma mulher, mas entretanto parece que isso foi tudo um boato ou foi uma confusão com uma outra personagem, e quem for ver este filme vai saber. Mas entretanto fala-se de Idris Elba, fala-se de Tom Hardy, fala-se de Benedict Cumberbatch.

Eu acho que é uma grande abertura para se experimentar novos modelos. Depois do Craig, no mi, ter provado que se consegue impor, que um bom ator e que esteja convencido da personagem, consegue impor esse novo modelo, as pessoas acabam por se habituar, mesmo que estranhem de início, acho que está aberta a porta a novas experiências também como o Pedro dizia. Por exemplo, por que não, além desses nomes que têm sido falados, experimentar um ator como o Seth Rogen, que tem um físico nada bondiano. Vamos arriscar e ver qual é que é a reação dos fãs e dos espectadores em geral a uma mudança que eu acho que seria ainda mais drástica do que ter, por exemplo, um James Bond negro. Acho que o Idris Elba, fisicamente, seria um Bond quase ideal. Ou outros que se tem falado, como o Tom Hardy. Acho que seria uma mudança muito mais drástica experimentar um ator com o físico do Seth Rogen. É a minha sugestão.

Além disso, seria americano.

Já pediria algumas concessões.

Pois, eu acho que isso é o pior, o mais polêmico.

O quê? O facto de eventualmente ser um ator americano?

Acho que o mais grave, sim, mais grave no sentido mais dissonante em tudo no franchisado, eu acho que seria a nacionalidade, de facto, mais do que raça, do que qualquer coisa.

Mas o Pierce Brosnan é irlandês.

Sim, mas é britânico.

É britânico.

Há ali uma afinidade especial, porque repare, basta lembrar como nos Jogos Olímpicos tu tiveste o Bond a aparecer ao lado da rainha, como cartão de visita máximo no país e como até hoje a saga Bond, o The Guardian esta semana tem um artigo giro sobre isso, em que explica como, de alguma forma, o James Bond ainda funciona muito como se os britânicos continuassem a imaginar que são uma superpotência. Então há ali uma espécie de domínio da narrativa, em que eles lideram as coisas à sua maneira, de tal forma que depois eles até ironizavam com decisões como, imagina, o Boris Johnson aqui há uns meses anunciou que ia criar uma situation room nos subterrâneos do Whitehall, uma coisa hiper milionária, e eles próprios diziam: "Bem, se calhar inspirou-se em coisas do Bond, como teres o Q na sua sala de comando ali debaixo do solo, mas nada daquilo vai funcionar." Quer dizer, que o que funciona no James Bond, se calhar não funciona tão bem cá para nós.

E há uma coisa curiosa que eu acho que aconteceu muito com os filmes do Daniel Craig, acontece muito neste último filme, que é: Londres tem muito protagonismo nos filmes, tem muito protagonismo neste filme. A Aston Martin, apesar de agora pertencer a um grupo qualquer industrial, que eu agora não sei qual é.

A relação com a América também.

É um enorme anúncio à Aston Martin no filme. Portanto, esse lado muito britânico e muito inglês.

Sim, de exaltação.

Não sei se me estão a ouvir.

Sim.

Desculpa, mas eu não percebo qual é o espanto. Eu bem sei que Londres não é tão espetacular como Lisboa, que é a cidade da luz, mas é uma metrópole incrível. E Bond não sendo tão incrível. Se fosse português, seria incrível.

Não, mas é demasiado eurocêntrico. Vamos variar.

Não concordo.

E não vamos visitar os sítios como se fossem só exóticos. Não, vamos mostrar a realidade, como nos romances do le Carré, estou-me a lembrar.

Mas olha, ele depois aparece na Jamaica e aparece o náufrago. Quer dizer, só falta aparecer o Tom Hanks.

Mas isso é bom, é estar nesse exotismo arcaico.

Sim, mas tu tens ali um misto de tudo. Tens ali a base. Eu acho que eles voltaram muito a explorar, de facto, como o Tiago dizia, o quartel-general. Tu regressas à casa de partida e vês o Bond, em particular, a entrar muito bem vestido com o seu Tom Ford na sede do MI6, já agora que fique essa nota. E depois pronto, lá segue por caminhos um bocadinho mais exóticos, ainda bem, porque também nós enquanto espetadores esperamos essa dimensão mais visual.

Isso chama-se mostrar o dinheiro nesta indústria, ou seja, os filmes do Bond têm que mostrar o dinheiro, e portanto tem que se viajar, há imensas perseguições. Neste também há.

Mas aí está. O novo Bond tem que ser mais modesto, tem que ser mais modesto, o novo Bond tem que ser mais preocupado com a ecologia.

Tem que gastar menos dinheiro.

Como se estivesse à espera de uma bazuca, tranquilamente assim.

Ou de ganhar as eleições em Lisboa.

Por exemplo. Eu sei que vocês não me perguntaram nada, mas eu vou responder na mesma. Eu aprecio muito o Daniel Craig, diria que ele está taco a taco com o Sean Connery.

Eu também estou nessa.

E por um lado tenho alguma pena, mas a vida é mesmo assim.

"A vida é mesmo assim" dava um bom título para o nosso filme.

007: A vida é mesmo assim.

A vida é mesmo assim.

Life is really like that.

Quem é que faria a canção? Essa é que é a grande pergunta.

O Zu H.

O Zu H. ou a Boa Calhão, está bonito isto.

O Vítor Espadinha.

Por exemplo. Maria, já agora vamos completar a ronda, onde é que colocarias aqui o Daniel Craig na hierarquia bondiana?

Faço minhas as tuas palavras. Acho que, de facto, o Sean Connery tem ali uma-

Ele estava a precisar aqui de alguma defesa.

Estava, caramba! A sua despedida, ainda por cima. Há, obviamente, essa associação natural ao Sean Connery. Durante muito tempo foi, de facto, muito difícil emancipar a personagem Bond do Sean Connery, mas eu acho que nesta transição, que não era fácil, realmente para o Daniel Craig, não só porque fisicamente traz algo diferente daquilo que nós nos habituamos a ver. Há ali uma rudeza que, de facto, acabou por se intrometer ali na história. Mas eu acho que ele, porque é, de facto, um grande ator, e eu acho que boa parte, volto a dizer, deste filme tem muito a ver com ele, acaba por conseguir o seu lugar e por sair de uma forma bastante simpática, aparentemente bastante farto. Ele disse que já não estava mais para isto, o que é uma pena. Mas enfim, também reconheço que o próprio Bond foi envelhecendo. Também não vou dizer muito mais pra não entrar aqui em spoilers.

Maria, mas se calhar é isso, o problema do Daniel Craig é que ele é demasiado bom ator Para ser Bond. Os Bonds precisam ser um bocadinho maus.

É pouco boneco. Tem que ser um bocadinho mais boneco.

Ele tinha que ser um bocadinho mais canastrão do que é.

Canastrão, exatamente. É isso que nós queremos do Bond. Não queremos um actor que aproveita fazer Shakespeare. Queremos um tipo para fazer o James Bond, um Roger Moore. Por isso é que eu gosto do Roger Moore, que como actor era um desastre, mas era um excelente Bond.

Sim, mas eu acho que ainda assim ele não é excessivamente...

Não achas que ele seja excessivamente boato?

Não, não é isso. Não ficamos com essa ideia de que está a fazer Shakespeare. Acho que consegue um equilíbrio interessante. Não é o canastrão, mas também é um belo líder num filme de ação. Ou seja, de repente não pensamos que estamos numa coisa do Bergman super existencial. Por mais que o queiram humanizar.

Sim, e tem uma gama de emoções um bocadinho mais alargada do que os outros. É nesse sentido. Também não acho que ele exagere nisso. Os vilões, por exemplo, e acho que podemos falar disso, acho que exageram um bocadinho mais.

Sim, os vilões, vocês diziam, estavam sempre à espera que o vilão deste "Sem Tempo para Morrer" começasse a cantar Queen.

Isso era uma pergunta. Pedro, o que achaste do vilão que foi interpretado...?

No original, ele era para ser um terrorista islâmico, e o Rami Malek recusou nessa condição, ou seja, não quis perpetuar o estereótipo de que os terroristas são islâmicos. Então criou-se assim um personagem meio sem pátria. Não percebi bem, pelo menos.

Sim, com um apelido eslavo.

Pois, eu acho que não se percebe a origem dele, acho que ficamos sem saber.

O Rami Malek tem uma cara tão notória, com aqueles olhos e aqueles dentes, que fará sempre o mesmo papel. É extremamente difícil não o ver naquela série que eu agora não me lembro o nome.

O "Mr. Robot".

Sim, toda a gente dizia que era o actor, mas que não se conseguia ver. E depois no "Queen", onde ele fez um papel fenomenal que lhe valeu o Oscar, mas aqui não está. Já surge tarde no filme, parece-me. Podia ter surgido mais cedo. Não me parece que o editing do filme esteja muito bem feito ou totalmente conseguido. Lembro que a história está em mão da mulher do Fleabag, da Phoebe Waller-Bridge, e portanto o plot não é mau, digamos assim, mas eu acho que não está muito bem editado. Enfim, não quero estar a rolar spoilers, mas a sequenciação, eu sei que a palavra não existe, dos vilões na história não me parece muito bem conseguida. E isso afeta o desempenho que nós percepcionamos, neste caso, do Rami Malek, que é o vilão principal do filme, é o terceiro nome no cartaz, a seguir ao do Bond e da protagonista feminina.

Eles devem ter uma cláusula porque são sempre desfigurados, os vilões.

Pois, tem acontecido muito, sim. E com sotaques estranhos.

E com sotaques estranhos.

Mas isso faz mais ou menos parte do exotismo. Antigamente as ameaças ao mundo eram, nós aqui na Europa estávamos segurinhos, éramos boas pessoas e bons cristãos e o mundo era, pronto, tudo o que fosse exótico era ameaça.

Era mau.

Acho que tem a ver com essa cultura.

Maria, ainda sobre esta questão, se terá havido algum atropelo no argumento, se o filme saiu a perder, porque depois houve pessoas que entraram para a equipa de argumentistas, há quatro pessoas a assinar o argumento, e depois durante o filme há participações muito curtas. A Ana de Armas tem uma participação para aí de 10 minutos.

Que é uma pena, porque ela vai muito bem.

O Christoph Waltz, que já vem de outros filmes, ele é o Blofeld, também aparece muito pouco.

Eu acho que eles quiseram ligar ali algumas pontas soltas do Spectre, daí também a aparição dele, mas de facto não se entende, acaba por, como o Pedro dizia, retardar ali depois o aparecimento em força do vilão principal deste filme. Acho que não acrescenta grande coisa. A Ana de Armas, de facto, merecia ter muito mais tempo de antena. O Craig, supostamente foi ele que pediu explicitamente que a Phoebe Waller-Bridge se juntasse a isto e de alguma forma pudesse dar um polimento, era essa a expressão, aos diálogos e à própria figura do James Bond. Mas depois, lá estavam imensos nomes metidos ao barulho, portanto acaba por ser assim um patchwork meio estranho. Eu acho que o argumento está longe de ser dos melhores. Repito, acho que é um bom filme de ação. Está longe de ser o melhor filme do Bond, ficaria aí nas três estrelas e vá, três mais.

3,2.

3,2, mas muito pouco mais do que isso. Tem diálogos que são francamente clichê e ainda que eu ache que subscreva essa ideia do Bruno, do estereótipo. Há algumas coisas que o Bond nos habituou e que nós gostamos de nos ver nessa caricatura. A verdade é que há diálogos que podem ser bastante mais bem conseguidos. Não é o caso. E ficamos sempre com a ideia que eles andaram a tentar juntar e explicar uma série de partes, e depois dá aquele resultado final e nós ficamos com uma sensação assim meio... Pronto, a despedida merecia talvez um pouco mais.

Muito bem. E para saberem mais, o nosso conselho é: vão ver o filme, porque ir ao cinema é seguro e vale sempre a pena. Antes do final do programa, vamos aproveitar para falar de uma outra espécie de agente mais ou menos secreto com o Isso é que Era Bom. É inaugurada amanhã, sexta-feira, 1 de outubro, a exposição RG, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, precisamente dedicada à vida e à obra do criador do Tintim. Não é só de Tintim que trata a exposição, mas é essencialmente e inevitavelmente sobre Tintim. Pedro Boucher Mendes, lembravas à saída da sala de cinema, depois de termos visto o novo James Bond, com a tua perspicácia habitual, aliás, devo referir, que Tintim é uma espécie de James Bond, mas bem comportado. Eu queria saber se manténs a teoria e se a queres explicar aqui a todos nós.

Em primeiro lugar...

Olha só para vos avisar que estou de volta, está bem? Que houve por aqui uma quebra.

Pronto. Ainda bem que voltaste.

Acho incrível não haver cinco programas dedicados apenas ao Tintim, mas pronto. De fim, a exposição na Gulbenkian é sobre Hergé, sobretudo. Há uma grande tentativa nos últimos anos de transformar Hergé num artista, como por exemplo o Magritte, um artista superior, e nesse sentido, os bonecos, os desenhos, são secundarizados face à suposta complexidade e riqueza de Hergé e da sua obra, nas múltiplas dimensões intelectuais e culturais. Prova disso é o Museu Hergé, que eu já visitei na Bélgica, que é um museu sobre Hergé, parece uma galeria de arte moderna e menos uma Tintinlândia, cheia de bonecos e peluches. Julgo até que nem sequer tem peluches. Mas de facto, Tintin, vendo bem as coisas, é uma espécie de Bond casto, que não bebe. Tintin não bebe, apesar de Milu, o cão, gostar de uísque. É um Bond casto, que não mata ninguém.

Não tem namoradas também.

Sim.

É um Bond abstêmio, assexuado.

Certo. Sim, mas ainda assim, Tintin ele próprio, obviamente, é profundamente interessante. É um personagem muito difícil de avaliar, porque ele não faz nada mal, faz tudo bem. Mas o que Hergé conseguiu criar, creio eu, acredito, é uma coisa que perdura e perdurará para sempre. E isso, sim, será interessante tentar entender porquê. Há qualquer coisa ali, julgo, na técnica de animação e nos desenhos. Hergé era um grande cinéfilo. Na forma como as histórias estão dispostas. Escrevi com gosto, aliás, para o "Expresso" sobre Tintin, vai sair este sábado, e estive a reler algumas das aventuras e mesmo com esta idade, nós damos por nós a ler os livros como se fossem, enfim, como se estivéssemos a ver uma série qualquer. É incrível a longevidade e a proeza de Hergé. Portanto, recomendo vivamente esta exposição na Gulbenkian, que eu acho que vai ser um dos grandes acontecimentos culturais em Portugal desta parte final do ano. Acho que toda a gente vai ver e toda a gente vai falar disso.

30 segundos só para cada um. Maria Ramos Silva, a tua relação com Tintin.

Era ótima, uma ótima relação com Tintin. Não, gostava bastante do Tintin, provavelmente. Sabes que eu durante muito tempo, quer dizer, eu, antes de ser jornalista, imaginava que o jornalismo era assim, viajava-se pelo mundo com um cãozinho atrás.

É quase.

Um cão que nós até hoje não sabemos se é cão ou cadela.

Sabemos que é um cão.

É um cão.

Pronto, Pedro, desculpa.

Perguntem-me e eu digo.

Pronto, é um cão.

Para já, qualquer dúvida belga, avisou o Pedro.

Mas achava aquilo, de facto, interessante, apesar dessa castidade toda do Tintin. Acho que foi provavelmente a coleção que eu ativamente comprei como minha, porque muitas delas foram herdadas, banda desenhada, e aquela eu, de facto, quis seguir desde que contactei com o primeiro "O Segredo do Licorne", uma edição muito velhinha, ainda lá por casa da família, e depois dei continuidade àquilo.

Não vamos ter muito tempo para justificar, eu já sei, mas quero só saber a opinião, quero que o povo saiba a opinião de Bruno Vieira Amaral sobre Tintin.

Detesto o Tintin. Também não preciso de explicar, é uma coisa epidérmica.

Está feito.

É o que é.

É um direito.

É o que é. Nunca gostei, talvez por essas características.

Por todas as razões que os outros gostam, é precisamente por essa.

Exatamente. É isso mesmo. E aliás, até a adaptação aquela do Spielberg, também acho péssimo, acho tudo péssimo.

Não, isso não. Isso já é too much.

Tudo péssimo, meus amigos. Menos este pop-up, que foi fantástico, como sempre. Chegamos ao fim de mais um programa, voltamos na próxima semana. Até lá.