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Sempre que se sentirem tristes, sozinhos e precisem de uma ajuda, lembrem-se que têm aqui três amigos. E isto começa assim porque Bruno Vieira Amar vai ser o primeiro e por falar em três amigos.

Os três amigos.

Viste o que eu fiz?

The three amigos.

Viste o que eu fiz? Uma das coisas sobre as quais vais falar é sobre Martin Short.

Martin Short, que é capaz de ser o tipo-

Já vi o documentário

...mais engraçado e mais irritante da história da comédia, rivalizando, curiosamente, com Chevy Chase.

Com quem outra será? Will Ferrell, vais dizer?

Steve Martin e Will Ferrell. Destes quatro-

Qual o mais?

Destes quatro, eu só me rendi ao Will Ferrell.

Eu adoro o Chevy Chase.

Gostas do Chevy Chase?

Vocês estão a ver dois tipos dos anos 80.

É horrível.

Quando estão aqui a pensar: "Mas tu não estás sozinho, Pedro, há muita gente".

"Irritável é arroz pouco sem picante, isso é que é horrível".

Concordo contigo.

É 40 horas.

Sem pão.

Isto leva-me a pensar-- é que estes tipos todos-

Vamos ao pãozinho. Desculpa

...estes tipos todos passaram pelo Saturday Night Live.

É verdade.

O que me faz pensar que há, de facto, uma corrente norte-americana de humor que não passa e que não tem a ver com o humor, tem a ver com as próprias figuras. Olha o Adam Sandler, que eu acho que foi muito maior, teve muito mais sucesso dentro dos Estados Unidos do que fora dos Estados Unidos. E isto é válido para a maior parte destes-

O Kevin Hart também

...comediantes, humoristas. Há o Bill Murray, que passa, mas depois de outra maneira, pelo filme independente.

Scarlett Johansson. Já tinha graça antes.

E tem o fetiche do tempo, claro.

Eu acho que graça o Bill Murray no Caça-Fantasmas.

Fetiche do tempo, o filme mais overrated da história. Não, eu acho-

Eu gosto bastante

...se eu sobrevalorizo é desde o primeiro visionamento, nos idos de 1993, 94. O Martin Short faz parte desse leque de comediantes que tem graça e não tem graça nenhuma. E este documentário é bom, está na Netflix.

Eu gostei de ver.

Fala da carreira dele, do início da carreira dele, depois da passagem pelo Saturday Night Live e da carreira dele no cinema, que é uma coisa verdadeiramente inacreditável, porque ele depois diz que os flops acabam por ser parte fundamental da experiência de qualquer ator.

A quantidade de filmes que ele fez.

E flops, e maus.

Eu já me lembrava que ele tinha entrado no "Martim Ataca".

Sim, ok, mas diz-me um.

Diga um. Exato.

Que ele tenha entrado. Este filme é do Martin Short.

E por isso é bom.

Muito bom. Agora, há também uma ligação, e isso é falado no documentário, há uma ligação da geração que agora tem 40 e tal anos, de homens, sobretudo, que tem uma afinidade com os Três Amigos.

Não entendo.

Eu lembro-me de ser miúdo.

Estás a ver que isto é um filme.

Os Três Amigos, com o Chevy Chase e o Steve Martin. E eu lembro-me de ser miúdo e o filme passar na RTP e eu ficar muito animado que o filme ia passar.

Claro, tinha o Chevy Chase.

Não era por ele, por acaso era mais pelo Martin Short. O Martin Short, que ficamos também a saber neste documentário, deve ser o ator mais mal sucedido, mas com a melhor rede de amigos.

Aqueles jantares em casa dele.

Os jantares de Natal dele, Steven Spielberg, Tom Hanks, por aí fora. Porque ele é um tipo caloroso. A cara dele é amigável.

Dito isso, também muita tragédia à volta da família dele. Dramático.

Sim, com os pais.

Um atraso no Natal, a mulher.

E depois a morte da mulher há cerca de 16 anos.

E a filha, que não é falado no documentário.

Não é, porque veio já depois da produção. Ainda que depois seja dedicado à Katherine Noar e à filha adotiva do Martin Short. Eu acho que é um bom documentário, a figura é curiosa, mas é de facto um daqueles casos que foram muitos os insucessos, os filmes, ou que foram arrasados pela crítica, ou que não sendo arrasados pela crítica, não foram grandes sucessos.

Uma espécie de Rick Moranis. O Rick Moranis também aparece lá.

Também aparece por lá e está um bocado por aí. Dito isto-

Tens mais duas sugestões e temos de avançar.

Está bem, rápido.

Tens um documentário sobre a seleção francesa no Mundial 2010.

São documentários que agora apareceram vários, também na Netflix, sobre desporto, de uma hora e pouco cada documentário. Um sobre a seleção francesa em 2010, no Mundial 2010. Numa daquelas crises em que a seleção francesa também tem muita experiência. Ali um conflito entre o treinador, o Raymond Domenech, que parece ser o tipo mais intragável da história do futebol, e os jogadores franceses, por causa da expulsão do Nicolas Anelka. E é um documentário, não são assim grande espingarda, porque há um outro também sobre a final da Liga dos Campeões de 2005, da perspectiva do Liverpool, que ganhou essa final em Istambul, o chamado Milagre de Istambul, que estava a perder por 3-0 ao intervalo e ainda foi conquistar o título.

O Pedro o que te faz olhar para ti como se tivesse a falar mal de mim? Parece mal de mim.Já estive no estádio do Liverpool.

Pronto.

E eu nunca estive.

Então enganaste-te.

Não, é uma história longa, agora não interessa. Mas não estava a acontecer nenhum jogo, atenção.

Não, mas deixa-me só dizer, porque entretanto, já depois de eu ter começado a preparar as minhas sugestões, e eu preparo com muito afinco e profissionalismo, deparei com um documentário de que ainda só vi a primeira parte, porque é um documentário em três partes, sobre a Kylie Minogue.

Pois é, ainda não vi.

E que é muito bom, pelo menos a primeira parte. Está muito bom. Estou a gostar muito do documentário. Kylie Minogue ou como dizem em França, Kylie Minogue.

Achas que ela vai voltar a ter a digressão agora?

Estou a ficar a pensar por isso.

Estava a pensar nisso.

Muito boa aquela parte da relação dela com o Jason Donovan, que tinham contracenado, que se conheceu no "Neighbours", que foi uma coisa gigante mesmo em Inglaterra e daí a popularidade dela nessa fase inicial. E a primeira parte termina com o fim da relação com o Jason Donovan e o início da relação com o Michael Hutchence. Tem que ver aquilo.

Esse é bonitão.

Não, porque é passares do neighbour, do tipo da porta ao lado, muito bem comportadinho. Ele entra no documentário.

Como é que ele está? Está destranhado.

Está um bocadinho mais destranhado do que ela.

É um ex-jogador de futebol.

O Jason Donovan, um bocadinho. E depois, de repente, vês aquele deus do sexo, o Michael Hutchence, e tu dizes: "Ok, eu estou a perceber agora."

Essa relação foi focada.

Para isso, para o ano é mesmo 40 anos de carreira e ela vai voltar a eles.

Pois é.

E vem a Kylie Minogue. Especially for you.

Então está tudo, podemos avançar.

Está tudo.

Muito bem. Maria Ramos Silva, tu tens pelo menos um livro e uma série. Vais começar.

Tenho, se começar pelo livro, mas estou aqui um bocadinho mais idada, ela já não deve conseguir fazer tours, o campeonato dela é outro. Vivian Gornick tem 90 anos, jornalista, ensaísta, uma feminista de estalo, mas uma mulher absolutamente extraordinária.

Eu tenho um livro dela que há uns tempos comprei no México.

Mas não era este. Ou é este? "A Minha Singularidade". Não, tu tens duas memórias.

Não, trouxe um que é um conjunto de artigos que ela escreveu. Provavelmente é uma edição que só existe no México, como aquilo é uma seleção de artigos.

Certo. Ela tem esse mais clássico, são os "Vínculos Ferosos", que é umas memórias focadas na relação com a mãe ali naquela turbulência toda.

"Porque é que Alguns Homens Odeiam as Mulheres?"

Exato, é exatamente. E este é "A Minha Singularidade", pela Dom Quixote. É uma espécie de autobiografia também, misto de memórias, mas não linear. É muito similar também com a própria vida, enfim, uma espécie de colagem de textos e ensaios que se vão atravessando pelo caminho. Ela fala muito da relação dela, por exemplo, com um amigo, Leonard, que é muito próximo, mas também com a própria cidade, Nova Iorque, em fundo. E é muito interessante, ela escreve francamente bem. Tem uma consideração que eu acho que é muito definidora esta coisa que nós na vida ou somos shakespearianos ou checovianos. E, de facto, nós estamos ali entre o melodrama, não sei onde é que o Bruno encaixaria.

O Pedro é que acha.

Ele já vai dizer as suas. O melodramático, se quiser, e depois aquele registo onde parece que nada acontece e afinal tudo está a acontecer, que é um pouco mais checoviano. Eu tendo a concordar e, portanto, se puserem, leiam, porque é super interessante.

Começar a provas que o Shakespeare tinha assistido.

Pronto.

Ora cá está. Muito bem. Já agora.

Dom Quixote. Depois, só para fechar, continua a haver uma espécie de novela, já estivemos na primeira temporada, é daquelas novelas que nós podemos sempre volver.

Também estou a ver.

Pronto, não fica mal.

É um psiu.

É, o "Rivals" na Disney Plus.

Ou "Os Rivais", é que se diz.

"Os Rivais", uma comédia cáustica que entrou agora na sua segunda temporada. Pronto, o que eu posso dizer sobre isto é que continua a ser uma história de rivalidade entre duas personalidades. É de 90, um produtor-

80.

80, exatamente. Um produtor de TV independente, um ministro do desporto e ex-jogador de pólo e uma série de outras personagens absolutamente extraordinárias, até pelos seus cabelos-

Muito sexy

...e maquiagem, destaque muito countryside, muito David Tennant, Stephanie Dyer.

Muito sexo.

Alex Hassell, muito sexo, e sexo mais ou menos a sério. Aquelas coisas que nós adoramos a ver durante uns tempos de sexo.

Cá está, é a sério, meu amigo. Já agora gostava de saber o que tu achas dessa série, porque é sexo a sério. É bem feito.

Pronto, exato. Não é assim envergonhado.

Eu vi a primeira temporada de "The Rivals", que é inspirado em livros de uma escritora inglesa cujo nome não me vem.

É a Julie Cooper, sim.

A quem cá nós chamaríamos light. É uma coisa que os ingleses têm, porque Portugal só tem literatura a sério, como sabemos. Acho um bocadinho over the top, ou seja, um bocadinho exagerada.

Se calhar é por isso que a gente às vezes gosta de ler.

Sim.

Tem um bocadinho de exagero. Têm um lado caricaturado.

Claro. É uma série de sete. Muito bem, eu tenho só duas sugestões para dar. Primeiro, é um livro que eu não li, que eu me fiz a canção. Exato, como diz a cantiga. Mas estou muito interessado nisto. Chama-se "Fast and Furious Franchising", de um senhor chamado Dan Hassler-Forest, e é, de acordo com o autor, a teoria de que o "Fast and Furious" e a série de filmes influenciou e mudou a forma de fazer blockbusters de Hollywood e a indústria do cinema, e ele faz todo um livro a explicar como e porquêE eu acho isto extremamente interessante.

Tem aí alguma razão.

Muito curioso. E depois trago uma canção e hoje até vou passar a canção, porque estou viciado nesta cantiga. É uma cantiga da Margarida Campelo, que se chama "Um Só Final".

Não é batota trazer só uma canção?

Não, porque foi editada em single. Foi editada há pouco tempo. Ela já tinha editado agora um novo single também em março, chamado "Musa de Improviso". Mas estou viciado nesta canção. Podia fazer parte da banda sonora do "Real Detective", ou ser a canção de abertura.

City pop? Existe.

É um bocadinho, depois tem um toquezinho de yacht rock de vez em quando. Eu até vou pôr. Vou, deixa-me só carregar no botão.

Não sabes.

Espera aí. Sei. Calma.

Isto é o Festival da Canção 1986.

Isto é extraordinário.

Tem a Gabriela Sabar.

É extraordinário. A subida para o refrão e depois as teclas no refrão. Atentem.

Isto é o Festival da Canção.

Estou viciado nisto.

Estou a vender pipocas nos quadros antigos.

Estou viciado nisto. É extraordinário.

Telenovela das 18h.

Olha, é uma extraordinária canção, é isso que eu estou a dizer, mas devíamos prestar mais atenção a este tipo de coisas. Pronto, e agora vou baixar o sonoro. Até caiu bem, viste? Espetacular. Pedro Bouchimem vai falar-nos de imensas coisas.

Até setembro, no Arquivo Municipal de Lisboa, e eu só descobri isto de recomendação e alguém de quem gosto muito, estão fotografias 1956-2005 de Gérard Castelo Lopes, que é provavelmente o meu fotógrafo favorito português. Aconselho vivamente, a entrada é livre, no Arquivo Municipal de Lisboa, na Rua da Palma. Castelo Lopes não fotografava assim tanto, ou não fotografou assim tanto, mas tem algumas das fotografias mais identificáveis pelos portugueses, creio eu. Sobretudo aquela pedra enorme com mar à volta, que se chama Portugal, essa fotografia, foi fotografada ali no Guincho. E aconselho vivamente, um grande domínio técnico, eu não sou crítico, mas um grande domínio técnico do preto e branco, do contraste. São fotografias que, como a questão dos cromos na passada semana, eu dizia que quando nós nos fixamos, aquilo começa a mexer. Aconselho vivamente fotografias de Gérard Castelo Lopes no Arquivo Municipal de Lisboa. Ou como nós dizemos em Lisboa, Lisboa.

Lisboa.

Exatamente. Uma série na Apple TV, agora já não se chama Apple Plus, acho eu.

Olha, por acaso ainda bem que falas nisto, eu quero saber o que tu achas, que eu ainda não comecei a ver isto e preciso de um conselho profissional.

"Widow's Bay".

"Widow's Bay".

Com o ator, que eu agora não me lembro do nome. Reese?

Matthew Reese.

Matthew Reese, exatamente, do "The Americans". Para quem conhece a referência, quem é mais percebe a referência, faz-me lembrar um pouco de "Northern Exposure". Não sei que é no Alasca, não é? Aquela série.

Sim, não me lembro agora do nome.

"Perdidos no Alasca".

"Perdidos no Alasca".

Que é aquela do médico que vai para o Alasca. Temos um mayor que está numa cidadezinha tipo Tubarão, portanto aquelas cidades costeiras americanas naquela zona, que quer revitalizar a triola. A triola chama-se Widow's Bay. E a triola está meio amaldiçoada. A série parece uma daqueles filmes e aquelas séries meio lineares que víamos nos anos 80 e 90, aqueles filmes de terror, um bocado Scooby-Doo, depois no fim vai-se perceber que era não sei quem que queria ficar com as terras. Só que a cada episódio, a trajetória vai mudando, sobretudo o episódio quatro, que é dos melhores episódios de uma série que alguma vez vi, que aparentemente não tem nada a ver com a trama principal do Matthew Rhys, que é o tal mayor, que quer revitalizar a triola, e vai lá um jornalista do New York Times para puxar o brilho àquilo, para que os turistas acorram, etc. Tem um bocadinho o ambiente "Jaws", tem um bocadinho aquele ambiente local das pessoas que são contra o progresso e contra a inovação. Tem ótimos cenários, talvez até um bocadinho bons demais. Alguns dos sítios parecem, para quem já foi, aqueles hotéis na Disney Paris, que quer imitar o colonial, aquele excesso de decoração. Mas tem ótimos atores, sobretudo além do Matthew Rhys, que é um ótimo ator, mas os secundários são muito bons.

O Matthew Rhys não faz nada malfeito.

E tem aquele clichê de ele é o presidente da câmara, depois tem uma secretária que é velhinha, meia surda, aqueles clichês, que acabam por sustentar a história heterodoxa que nos vai sendo contada. Aconselho vivamente e não estão todos os episódios, mas eu já vi os cinco.

Portanto achas que sim, vale a pena.

Acho que sim.

Vocês ainda se lembram quando o "Last of Us" era uma das melhores séries da história da televisão?

Não, nunca achei, achei sempre péssimo.

Só porque falaste dos melhores episódios de sempre, lembrei-me de algumas reações.

É para aí zombies ou vampiros.

Não, é péssimo.

É aquele dos fungos, não é?

É.

É o dos gays, não é? É isso que estás a dizer.

É desse episódio.

Esse episódio que estás a falar.

Estavas a falar de um episódio um bocado diferente, que também estava ali um bocadinho.

Mas atenção, eu acho que isso era da primeira temporada. Eu vi a primeira temporadaEu acho que facilmente esse foi o melhor episódio daquilo. Sim, mas a série, não brinquem comigo.

O Pedro Pascal, falando em overrated.

Parabéns, muito bem. Aqui entra no Homeland. Porque eu falei aqui na semana passada.

Falaste na Morena Baccarin.

E não foi pouco. Mas podemos voltar a falar da Morena Baccarin.

Embora!

O que ela anda a fazer agora?

Embora, a Relógio de Água lançou.

O Mark Wahlberg tem uma canção chamada Morena.

Dedica a dela.

O volume V, como eu diria quando era miúdo, o volume quinto. O V é o romano, o cinco romano, dos contos de Chekhov, Anton Chekhov, dramaturgo e sobretudo escritor de short stories, de pequenas histórias. É de facto muito estranho mergulhar na vida destes autores. Ele morreu em 1904, é do século XIX, viveu poucos anos do século XX. Não sei se o Bruno me acompanha aqui, mas é estranho como é que estas pessoas viviam a escrever. Escreviam umas historietas, estou a chamar historietas no sentido carinhoso, mas para os jornais, escreviam uma historieta, pagavam as contas.

Historietas operárias.

Sim, pagavam as contas escrevendo pequenas histórias, pequenos contos. E de facto, o Chekhov escreveu dezenas de contos. E aqui aconselho vivamente que ofereçam este livro aos vossos filhos e sobrinhos, afilhados e o que for. E uma das formas de criar relação com o Chekhov é explicando que a expressão arma de Chekhov, Chekhov's Gun, é deste Chekhov e que estipula, no fundo, é um princípio da narrativa, das histórias, que estipula que qualquer coisa que é mostrado, ou que é escrito, ou que é revelado, tem que ser usado. O exemplo mais óbvio, e esta referência eu roubei à Wikipédia, é o do James Bond. Ele tem uma caneta que liberta veneno e nós já sabemos que daí a uma hora ele vai usar. Chekhov's Gun seria a espingarda que está pendurada na casa, no cenário, que depois vai ser usada, alguém a vai disparar. Chekhov's Gun, que também pode ser, atenção, um red herring, um arenque carnado, vermelho, portanto uma pista falsa.

Mas atenção, aqui no caso, o Chekhov era médico.

Foi médico depois.

Mas lá se safou.

Não, pelos vistos a história é trágica. Ontem eu estava a preparar o programa. Vou contar a história de quando preparei o programa. Estava a ler, queria só ler meia dúzia de coisas do Chekhov, depois fingir que percebia imenso do Chekhov. E fiquei a ler por aí uma hora sobre o Chekhov. Parece que o pai dele foi à falência, fugiu, então ele teve que ficar para pagar as dívidas. Pagava as dívidas escrevendo umas historietas.

Depois não queria mais dívidas.

Depois não queria casar. E depois casou com uma mulher, mas só na condição de se verem muito pouco, o que eu acho, não no teu caso, mas acho uma coisa muito inteligente.

Não, no meu caso.

A tua mulher estava a cá com osmiolhos.

Provavelmente profissionalmente deu imenso jeito.

Não, viam-se muito pouco. Essa parte é muito interessante.

Senhoras em casa, mas não os chapéus.

Os escritores russos do século XIX geralmente tinham histórias de vida muito russas. Neste sentido de muitas coisas, muitas peripécias.

Muitas amantes, muita neve, muita tuberculose.

Muita bebida, talvez.

Muita tuberculose, sim.

Depois, um abraço ao Chekhov. Lá está, Relógio de Água, Contos do Chekhov, volume quinto, altamente recomendável. A escrita deste autor não é tão redondinha e fechada como aquele estilo de há 120 ou 130 anos. Não é propriamente os Três Mosqueteiros.

Ou o da Três Amigos.

Ou O Conde de Monte Cristo, ou não sei o quê, mas entra-se depressa nas histórias. Aconselho, sobretudo como presente para miudagem.

E ainda tens mais um livro, Pedro, do que eu tenho aqui.

Tenho, qual é?

Rodrigo Guedes de Carvalho.

Sim, mas não o trouxe, mas vou falar na próxima semana, que é o regresso ao romance do Rodrigo Guedes de Carvalho, meu colega da SIC, a quem envio um abraço. Vou falar na próxima semana.

Adoramos mandar abraços.

Fazias isso na televisão portuguesa.

Pois é.

E na rádio também. Um abraço radiofónico.

Na rádio é um abraço a quem nos ouve.

A quem nos ouve. Um abraço ao estimado auditório.

O que significa quem não ouve, não leva abraços.

Portanto, oiçamos. Estas sugestões e todas as outras que alguma vez na história destas sugestões aqui demos, estão disponíveis em podcast. Podem seguir-nos e assim não perdem nem uma. Nós voltamos na quinta-feira. Até lá.