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E porque nós também somos Santos Populares, aqui estamos para mais uma dose de sugestões do Pop Up e vamos começar pela Maria Ramos Silva. São dois regressos, mais ou menos. Cada um assumido.
São dois remakes.
Cada um assumida.
Um é um remake, de certa forma, o outro é um follow-up.
É o Cabo do Medo.
É o Cabo do Medo.
Falávamos na semana passada. Podes recomendar.
Sim, claro.
Acho que devem ir ver, todos, para compararmos com o outro, e ler o livro.
Tenho lá o DVD da Barreira do Medo, se alguém precisar. Não me peçam.
Muito bem. Tens um livro e tens música, queres começar por onde?
Posso começar pela música.
Muito bem.
Porque, de facto, é um regresso para mim. Para teres noção, eu já nem me lembrava que eles existiam, que eles estiveram tanto tempo calados.
Ninguém se lembrava já.
Houve pessoas que se lembraram mais cedo. Por quê? Porque acho que desde abril, eles começaram a enviar algumas cassetes VHS através da sua editora.
VHS?
Sim, tu ouve bem.
Mas se eu recebesse agora uma cassete VHS.
Como é que tu ias ver?
Claro!
Eu também me fiz a mesma pergunta, mas não subi nada.
O Bruno Vera Amaral de certeza que tem lá um VHS em casa.
Infelizmente, não tenho. É que eu já me divorciei uma vez.
E perdeste o...
E ficaste sem o VHS.
As partilhas.
Assim perde a piada.
Mas podias ter arranjado outro.
Não, fiquei com uma torradeira, mas um leitor de VHS.
Olha lá, mas hoje em dia a torradeira é muito mais útil do que o VHS.
Não, já não existe.
O quê? A torradeira?
A torradeira.
Aquela?
Aquela.
Ok. Muito bem.
Ora bem.
Sim, senhor. Assim vale a pena.
Não era para explicar a piada.
Ninguém explicou.
Só volto a dizer que eletrodomésticos, de facto, às vezes duram mais.
Claro. Hoje está ela por ela.
Eles hoje é três anos. Bom, trago o Boards of Canada.
Nota que só agora, ao minuto dois, é que dissemos o nome da banda.
Boards of Canada, que são dois rapazes, dois manos escoceses, que na verdade têm uma relação com o Canadá porque eles passaram parte da infância no Canadá e foram buscar este nome a um instituto nacional lá do cinema.
Aparece muitas vezes no final de séries de animação e de filmes, the Board of Canada.
Exatamente. E foi aí que eles foram buscar.
É o ícone lá do sítio.
Precisamente. Existem desde 86, mas estavam calados há 13 anos. Eles fizeram-me imensa companhia ali no início dos anos 2000. Gostava muito para quem gosta desta eletrónica mais minimal.
Quando estavas deprimida?
Não, isto é festivo.
Quando queria ficar deprimido.
Ó Pedro.
Não.
Ó Pedro.
Não me faças falar.
Vamos embora.
É só porque é o que se costuma dizer quando se sai.
Com eletrónica, as pessoas quando estão deprimidas não ouvem eletrónica. Quer dizer, alguma sim, já estou a generalizar.
Estás a ser preconceituosa.
Não, isto traz-me boas recordações de festa, mas não é preciso estar numa mega party, é uma coisa bastante civilizada para ouvir nos tempos mais mortos em casa. E eles agora têm um álbum novo chamado Inferno. Não, é Inferno? Acho que é Inferno.
Sim.
É Inferno.
Sign Inferno.
Inferno, exatamente. Eu recomendo, vão ouvir, porque de facto vale muito a pena. É um belíssimo álbum. Ainda bem que voltaram, não sei por quê, mas acho que fizeram bem. E depois trago livros. Isto sim é uma espécie de remake, neste caso, uma reedição. E este é daqueles que eu acho que vale mesmo a pena. Aliás, a maior parte deles vale a pena no sentido em que lá estávamos recuperando algum tempo perdido, sobretudo para quem não conheceu o autor e a obra. A Tinta da China está a relançar aqui uma obra que estava esgotada há muito tempo, várias obras, aliás, do Luís Pacheco, que morreu em 2008. Luís Pacheco era aquilo a que nós costumamos chamar uma grande figura, na melhor acepção da palavra. Alguém que estava ali num profundo limbo de borderline, loucura, de libertinagem, de transgressão, de pisar o risco à convenção, na sua vida pessoal, mas depois também na sua obra. Eu acho que é daquele tipo de autores que nos fazem imensa falta. Há um em uma milhão, e não é só em Portugal. Mas depois também com uma marca de um tempo e de um modo, como muita coisa que foi escrita antes do 25 de abril, e que também é muito ilustrativa das dificuldades daquela época, da sua vida, e também aqui de uma marca, de uma loucura que obviamente se estendia também à família, com todas as dificuldades e limitações materiais que isso trazia. Textos como A Comunidade, por exemplo, escritos em 1960, são absolutamente tocantes desse ponto de vista. Da família que se vê forçada a partilhar a cama, das coisas que são sucessivamente colocadas no prego para se conseguir viver, inclusive a máquina de escrever, a trança, já não sei se era da mulher, se era das filhas. Quer dizer, há aqui histórias que depois se cruzam entre o que é verdade, o que é o mito e o que é o folclore à volta da própria figura, que eu acho que são absolutamente desconcertantes. E ele dá-nos uma escrita que é incrível e, portanto, para quem já conhece e não tem algumas das obras, é uma belíssima oportunidade. Para quem nunca leu, é favor apanharem isto assim que possível. Parece que já podem fazer a pré-encomenda no site da editora. Isto sai a 18 de junho. É uma edição do Rui Sousa e da Sofia Carvalho. Há aqui dois momentos. Por um lado, uma coisa chamada Ser Livre em Português, que é uma antologia de textos já publicados, como A Comunidade ou o Libertine Passeia por Braga. E depois aqui esta parte talvez mais interessante, sobretudo para quem conheceu melhor o Luís Pacheco, que são textos avulsos, inéditos e dispersos, portanto, são coisas que vão ao espólio da família, desde crônica, cadernos, muita produção também dele de diário, que também podem comprar. Portanto
São sugestões para esta semana.
Sim, senhor. Pedro Boucherie Mendes, avança.
No YouTube.
YouTube.
No YouTube.
No YouTube vais ver o mundial?
É curioso como algumas destas novas marcas do digital, algumas nós pronunciamos à inglesa e outras à portuguesa. Era essa a referência. Uma coisa chamada Lost Down Mexico Way, um documentário de cerca de 40 minutos. Lost Down Mexico Way é um grupo de fãs ingleses, de adeptos do Wolverhampton, que se meteu num avião e foi ver o mundial do México de 1976, o mundial do golo de Maradona com a mão, foram acompanhar a seleção inglesa. Nem sequer sabiam que língua se falava no México. Foram para Monterrey, onde nunca tinham visto ingleses. Estamos a ver essas pessoas a contar a história, essas pessoas agora com esta idade, cerca de 40 anos depois, a contar a história. As miúdas não os largavam. Depois foram até à América, depois voltaram, depois foram a Acapulco e deram golpe com traveler checks. Tem graça tudo isso. Qual é a parte mais espantosa desta história? Nunca mais voltaram para a Inglaterra. Foram ver o mundial ao México e depois foram viver para os Estados Unidos, onde fizeram carreira, casaram e onde ainda estão. O documentário Lost Down Mexico Way, no YouTube, tem esse facto extraordinário que eles nunca tenham voltado.
Exato.
Não é o melhor documentário do mundo, obviamente, até porque não tem imagens do futebol, tem apenas fotografias. Depois tem esta coisa espantosa de eles terem imensas fotografias daquele tempo. Como eu não tenho fotografias do meu aquele tempo, acho sempre: "Como é que as pessoas guardam essas fotografias?" Não sei se vocês têm fotografias do vosso tempo, mas eu não tenho. Um dos melhores livros que li nos últimos tempos, largos tempos, Carne, o vencedor do Booker Prize, da Relógio d'Água, de David Szalay. Parece que se lê .
Szalay. Em húngaro é Szalay.
Szalay.
Carne.
Diz Szalay outra vez.
De David.
Szalay. O meu amigo João Miguel Henriques. Agora estava aqui a dizer João Pedro, João Miguel Henriques.
Um grande abraço para o João Miguel Henriques.
O Jomi.
Era Jomi?
Não, ele não é meu amigo de infância, ele trabalha no Camões.
Bem inventado.
Ele trabalha no Camões, na Hungria, portanto fala húngaro, é tradutor do húngaro. Aliás, traduziu o último do Karátson Andor Kai. Acho que é mais difícil.
László.
E ele diz muito lá.
O Nobel.
Szalay. Ó João, se estiveres a ouvir isto e eu não estiver a pronunciar bem.
Um grande abraço para o João Miguel.
Duplo abraço.
Chama-se Carne, Flesh no original, vencedor do Booker Prize, da Relógio d'Água, de David Szalay.
Szalay.
Faz-me lembrar, eu vejo bastantes séries nórdicas e depois aparece, imagina, Daniel Peterson nas legendas e aquilo lê-se . Não há um match com o som.
É verdade.
É francamente irritante.
Agora os relatores dos jogos, os narradores do Arsenal dizem Ödegaard e não Ødegaard.
Como nós dizemos. E Ødegaard também deve ser de alguma coisa qualquer, que é húngaro.
É húngaro, precisamente, do avô dele.
Segue a vida de István, não sei como é que se pronuncia.
É um não feito.
É um não pronto. O livro começa com a adolescência de István e vai acabar a caminho da velhice ou velhice.
Exato.
E pelo meio acontecem coisas. O que é singular neste livro, e falava com o Bruno antes do programa, é: ou bem que o autor passou anos a burilar cada frase ou escreveu isto de supetão, de rajada. O livro é quase só diálogo. O nosso personagem, o István, que nós seguimos, diz muito pouca coisa, diz, sobretudo: "Ya." O tradutor usou ya, portanto, sim. "Queres um bolo?" "Ya." Mas, no entanto, nós sentimos que o conhecemos profundamente. Ou seja, a arte do David Szalay é essa. Com muito pouca descrição do estado de alma do personagem principal, nós acompanhamos o desenrolar da sua vida, que tem alguns acontecimentos extraordinários, como a vida de toda a gente, e ficamos rendidos ao talento, eu vi isso no júri do Booker também, do autor de conseguir, através de algumas ações, alguns actos do personagem, nós sentimos que o conhecemos perfeitamente, qual é o seu código de valores. Sentimos uma normalidade que às vezes nos aproxima, no sentido: "Epa, eu teria feito a mesma coisa perante este desafio." Há muito tempo que não lia um livro de que gostasse tanto e não podia recomendar mais do que estou a recomendar este Carne, de David Szalay.
Szalay.
Um outro livro para compreender o estado do mundo, História Concisa dos Estados Unidos da América, de Don Watson. História Concisa dos EUA, dos EUA, como eu dizia quando era miúdo.
Tuí.
Não, porque havia os USA também.
USA. USA e abusa. Se tu tens.
Da declaração de independência ao MAGA, ao Make America Great Again, este movimento que elegeu Trump. 250 anos de convulsões, vila, conquistas e recuos, que é um subtítulo porreiro. Era a Casa das Letras, não tem muitas páginas, tem menos de 300, mas é uma forma de compreendermos algumas coisas. Embora Portugal seja o país com mais especialistas em política americana por metro quadrado, como sabemos
Este livro talvez ajude a perceber algumas coisas. "História concisa dos Estados Unidos da América", sendo que a Constituição americana, qual foi a bebida com que se brindou? Vinho de Madeira.
Vinho de Madeira, exactamente.
Vinho de Madeira.
Meus amigos.
Madeira.
Madeira. É o Cape Fear.
Sabes que o Robert Mitchum não queria fazer o papel no Cape Fear, acho que levaram a casa não sei quantas garrafas de uísque e foi assim que ele aceitou.
Pensei que era de outra.
Uísque japonês?
Não sei. Na altura, não sei.
Eu gosto muito de uísque japonês.
Pensei que era um bourbon.
Não sei, alguma vez provei, mas eu não sou fã de uísque.
Se provei, não me lembro.
Diz uma coisa, quem não gosta de uísque escocês ou americano vai gostar do japonês?
Se já disseste isso aí, já estás a complicar.
Está bem.
Quais são os seus dois?
Eu fiz uma nota de sofisticação este episódio, não consegui.
Vocês perceberam o que eu quis dizer.
Nem sempre se percebe o que quiseste dizer.
Foi a escada de vodka.
Eu? Vodka laranja.
Não, dava um copo de vinho ou uma mini. Não inventes. Vodka. Bom, o que eu tenho para vos dizer? Dia 18. Ainda faltam uns dias.
É o dia de aniversário do meu filho mais novo.
Olha.
Que não é o Xavier.
Às 21h30, no Belés, em Lisboa, o Miguel Maroco apresenta o seu álbum "Desgraça". Eu acho que já falei aqui dele. É um grandessíssimo álbum. O Miguel Maroco é um grandessíssimo músico, tem uma banda, Ducatano, fiquem já a saber. É pop, funk, jazz, mas muito bem feito. Gosto muito. Não se riam, vão ver antes de fazerem essas caras. Há pouco tempo vi um filme, acho que de 2024, talvez, chama-se "Arman", ou se fosse em francês era "Arman".
"Arman"?
Só que é um filme norueguês.
Pensei que era sobre o Armand Asante.
Está na Filmine. Eu acho que na altura foi candidato aos Oscars de melhor filme internacional. Achei muita piada. É com aquela moça cujo apelido eu não consigo dizer, que é Renate.
Renate Reins. Não tenho nenhum amigo norueguês.
Norueguês. E é a história numa escola, há um garoto de uma turma que talvez tenha feito uma coisa a outro garoto que não devia ter feito, mas não têm a certeza e isso gera todo um caos entre os pais de ambos os garotos e as pessoas no meio, etc. E aquilo está muito bem feito.
Ficaste preso ao ecrã?
Sim, é um pouco perturbador.
De perturbador?
Não, de projetarmos eventualmente uma história daquelas na vida real ou na vida de cada um.
Começaste a olhar para os azulejos da cozinha.
De outra maneira. Vocês são uns sacanas. E um livro que acho que já tem uns anos, não sei qual é a idade do livro, chama-se "The Age of Choice", de uma senhora chamada Sophia Rosenfeld, e que é sobre como a possibilidade de escolhermos tudo e mais alguma coisa hoje em dia, em todas as situações da nossa vida ou quase todas, e a forma como podemos fazê-lo, tem influenciado a nossa vida em sociedade, a nossa vida privada e é muito interessante. Vale muito a pena, se quiserem saber mais sobre a natureza humana ou algo parecido. Bruno Vieira Amaral.
Bom.
Eu estou muito curioso.
Calma. Vamos aqui a um remake.
Ah, é?
É, porque pelas minhas contas é a terceira vez que falamos deste livro.
É?
Aqui no Popup. "Escrever", de Stephen King.
Eu pensava que era a segunda.
Não é. Vou te explicar por quê. Em 2019, eu adquiri um exemplar de "On Writing". Onde é que eu adquiri esse exemplar? Em Pequim, numa livraria, e falei do livro aqui num dos primeiros Popup, que começamos em 2019.
Exatamente.
Se não estou em erro. Meses depois, saiu em Portugal, pela primeira vez, uma edição portuguesa do livro, de que o Pedro Bouchery Mendes falou aqui. Já não se lembrava que eu tinha falado, e o Pedro falou.
Pois, eu lembro do Pedro falar.
E agora, pela terceira vez, no Popup.
Parabéns.
Eu tenho que procurar algo.
Parabéns.
Maria, já estás a ficar muito para trás. Stephen King, "Escrever: Memórias - Como a Escrita Moldou a Minha Vida". A dele, do Stephen King. Moldou de várias maneiras.
Podia ter moldado a tua também se fosses enorme fã de Stephen King.
Sou um fã de Stephen King e sou um fã deste livro.
Quantos livros de Stephen King é que já leste? Ele também já tem 75.
Ele tem muitos. Eu li para aí uns cinco, mas os que eu li gostei muito.
Claro.
Isso é que interessa.
Os contos são ótimos, os outros são uns grandes calhamaços, às vezes.
Às vezes. Os meus preferidos são o "Dead Zone" e o "Misery". Um vi antes de ver o filme e o outro vi depois de ver o filme. E gosto muito, o "Misery" acho que é o meu preferido.
Dito isso.
Dito isto, "Escrever". Isto não é sobretudo um manual de escrita, são memórias, ele vai contando histórias de como se fez escritor, de experiências que ele teve no jornalismo, professores que lhe deram umas dicas, pessoas que foram passando pela vida dele, e depois também conta um pouco da experiência dele enquanto escritor, como é que ele foiApurando o seu ofício. Depois também tem partes em que ele vai dando umas dicas, mas num estilo muito despretensioso, muito Stephen Kingiano.
No fundo, é "keep it simple". É a grande dica.
Mesmo nas coisas quando ele dá, por exemplo, sugestões de como fazer descrições, como é que se deve fazer. Ele é muito objetivo nos conselhos que dá. É exatamente esse o estilo com que ele escreve. Ele, em relação às descrições de uma personagem, à descrição física de uma personagem, diz: "Por que eu vou estar a descrever minuciosamente? Se eu estiver a descrever um falhado, aqueles tipos, os 'losers' da escola, o leitor já tem na cabeça essa imagem do que é para ele um 'loser'. Eu não preciso estar a exagerar nos pormenores que dou ao leitor, porque isso vai bloquear a própria imagem que o leitor tem na cabeça do que é um 'loser', um falhado da escola". E é esse tipo de conselhos que ele dá, recorrendo a muitos exemplos práticos, não só de coisas que ele escreveu, mas por vezes até fazendo pequenos exercícios que estão aqui no livro e que não são da obra dele. Mas eu gosto muito desta combinação entre o relato das memórias e depois estes conselhos, mas num estilo muito despretensioso deste livro. É daqueles livros muito diferentes de outros escritores que escreveram sobre o ofício e que são um bocadinho mais teóricos. Alguns até fizeram conferências para um público universitário. E aqui estamos a falar de uma coisa diferente, mas que eu acho que é muito complementar. Eu acho que vale muito a pena ler estas visões diferentes dos escritores sobre o seu ofício. Trago um outro livro e este trago por razões também pessoais, porque tem aqui um pequeno texto. Mas isso não é o mais importante. Eu tenho que dizer que tem aqui um pequeno texto, mas não é por isso que eu trago o livro. O livro chama-se "Vale da Amoreira: Histórias da Cidade nas Margens". É um livro coordenado por Elsa Peralta, que é antropóloga e é investigadora do Centro de Estudos Comparatistas da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.
Isso é muito longo.
É muito longo.
Mas tens que dizer.
É investigadora e a partir do momento em que digo Centro de Estudos, tenho que dizer o resto.
Já foste.
Já fui. Também tem um ensaio fotográfico do fotojornalista Bruno Simões Castanheira e é, no fundo, a história social do Vale da Amoreira, que é o meu bairro, que é um bairro que não existia antes de 1975. Nasceu em 1975.
Quer dizer, não existe antes de mim.
Não, somos praticamente contemporâneos. Nascemos praticamente ao mesmo tempo. A verdade é que o livro acaba por fazer essa história, mas também como tem esta abordagem antropológica, junta relatos de pessoas que ainda vivem lá. Estamos a falar de uma população que no início até ainda era mais heterogênea. Agora nos últimos anos já não tanto, mas na altura juntava ali pessoas de muitas e variadas origens, até sociais, o que é pouco comum num bairro social. E então aqui está a história do bairro, claro que é o meu bairro, o bairro sobre o qual escrevi, desde logo no meu primeiro romance. E havia uma coisa sempre que as pessoas me perguntavam.
Tens de dizer onde é.
É na margem sul, no concelho da Moita, fica entre a Moita e o Barreiro. Acabou por ficar no concelho da Moita, mas aquilo podia ser no concelho do Barreiro, mas é concelho da Moita. As pessoas, quando eu publiquei as primeiras coisas, perguntavam se este bairro existia mesmo e se aquilo que estava lá no livro era verdade, era mesmo assim. E eu agora ao ler este livro, aqui aprende-se muito mais sobre o Vale da Amoreira. Quem quer informação sobre a origem, quem construiu o bairro, quem projetou aqueles prédios, quem foi o responsável pelo urbanismo, todas essas informações. Isto tem muito mais informação, obviamente, informação fídigna. Mas ao ler este livro, há uma coisa que me deixa contente, que eu acho que, de facto, justifica a necessidade de romances, seja sobre o que for, é que os romances, de facto, dizem coisas que livros ou jornalísticos, ou de investigação, ou históricos até, não podem dizer, porque a abordagem é totalmente distinta. Entras na realidade por outro lado. E então recomendo muito para quem se interessa até pela história contemporânea e suburbana de Portugal, que é uma história pouco contada e muitas vezes ignorada. Recomendo muito este livro, tem muita informação. É um pouco da nossa história depois do 25 de abril. E claro que junta também histórias que resultam do processo de descolonização. "Vale da Amoreira: Histórias da Cidade nas Margens". Por último, para acabar, uma sugestão que eu sei que te deixou muito entusiasmado, Tiago Pereira.
Sim, porque eu sou um geek.
Eu também. É um documentário sobre a Segunda Guerra Mundial, está no Canal História, estão a ser lançados dois episódios por semana. É narrado este documentário por Tom Hanks. Não é nada de extraordinário. Já vi coisas melhores sobre a Segunda Guerra Mundial. Só que a Segunda Guerra Mundial tem esta coisa.
Tem.
Mesmo o que é mau, é bom. Não é que este seja mau, este é bastante razoável, até diria acima de razoável. Mas eu já ouvi aquelas histórias contadas de 1001 maneiras, em 1001 formatos.
Começo logo a ponderar todos os meus 1001 planos.
Mas é sempre extraordinário voltar a mergulhar na história da Segunda Guerra Mundial, com esta vantagem de ter o Tom Hanks.
É verdade.
E há uma piada que eu vi que alguém fez, que disse: "Não me digas que ele aparece só na segunda parte para salvar o tipo." É o resgate do soldado Ryan.
Sim, senhor.
Tu sabias, um World War II buff. Ou é Primeira Guerra?
Todos nós.
Primeira Guerra também?
Não, também, mas esta é especial.
Eu também gosto muito da primeira, mas o remake foi melhor.
Mas depois o que se segue, Guerra Fria também, toda essa situação.
Foi um remake ou foi uma sequela?
Todos nós temos os nossos problemas.
Portanto, minis, vinho e Segunda Guerra.
Não.
É isso.
O meu universo não se esgota nessas três coisas, mas essas três não são más.
Mas, por exemplo, Rommel ou MacArthur?
Não, espera lá. Não, calma. Há pessoas que sabem os nomes dos tanques. Não é disso.
Normal nenhum saber.
Não é. Quero só dizer que eu não estou nesse nível.
Eu tenho um amigo.
Está excelente, Tiago.
Exato, eu gosto de coisas, documentários e tal.
Está num espaço seguro.
Eu tenho um amigo que é desse nível. Mas desde miúdo. De saber não só os generais, mas como aqueles gajos que morreram.
Coleções sobre guinés.
Completamente anônimo. Muito bem, meus amigos, sugestões entregues, estão todas disponíveis em podcast. Sigam-nos para não perder nenhuma destas doses. Na próxima quinta-feira não haverá novo episódio de "PopUp" derivado a circunstâncias de pausa para efeitos de descanso de algum pessoal.
De algum pessoal.
Mas na outra estaremos de regresso com todo o contentamento e, portanto, até lá.