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A minha pergunta é a que faço tantas vezes em que há um remake: para quê? Sejam muito bem-vindos a mais um "PopUp", o programa de cultura popular da Rádio Observador, que nunca se repete, mesmo que estes três regressem sempre, uma semana após a outra. Maria Ramos Silva, Bruno Vieira Amaral e Pedro Boucherie Mendes. Esta semana vamos precisamente falar de repetições, daquelas que nunca são iguais, não necessariamente melhores, e fazemos isto tudo por causa do "Cabo do Medo". Chega esta sexta-feira, dia 5 de junho, à Apple TV+, a série "Cabo do Medo". Eu estou a dizer "Cabo do Medo", nem estou certo que em Portugal tenha a tradução oficial "Cabo do Medo", mas foi este o nome que em Portugal teve o filme do Scorsese, certo? Se me podem ajudar.

O outro era "A Barreira do Medo".

Ok. Esse dos anos 60. A série no original chama-se "Cape Fear", que é como se diz em inglês, e é um remake de um filme dos anos 90, que já era um remake de um filme dos anos 60, que já era uma adaptação de um livro dos anos 50. Pedro Boucherie Mendes, tu que és o original, vamos começar por ti. Não sei se viste um episódio, o primeiro desta nova série.

Sim, vi. Depois da insistência.

Remédio. Menino Pedro, faça o trabalho de casa.

Tive que arranjar tempo para ver.

Exato.

Tive que arranjar.

Não foste o único, Pedro. Diz-me uma coisa, é para vermos até ao fim ou vamos ficar-nos pelo início? O que te parece?

São 10 episódios, não é?

São 10 episódios, é preciso ter isso em conta.

Eu pertenço àquele grupo de pessoas que vê sempre, eu diria que vejo 70% das séries que começo, vejo até ao fim, ou talvez mais do que 70%.

71. Mas é porque te custa deixar uma série a meio? Achas que vais ser surpreendido?

É uma mistura de culpabilidade com-

Exigência profissional.

Não.

Transtorno obsessivo compulsivo.

Sim, talvez. Eu chamo culpabilidade, mas é uma espécie de: "Pronto, tenho que fazer".

É o que é. Exatamente.

Também como as maçãs até ao fim.

Mas isso eu também.

Mas há pessoas que não apreciam mais. Isso ofende a minha psique.

Sim. Não, aí estou contigo. Vamos só recordar, esta história é a história de um homem que esteve preso vários anos e que depois é libertado e vai, como é que podemos dizer, amedrontar.

Se me tivesses deixado, sim.

Ia fazer a sinopse, muito bem. Então vai em frente.

Esta versão de "Cape Fear", que seria Cabo do Medo, não é bem Cabo do Medo, é Cabo Medo. Podia ser Cabo Espichel.

Exato.

E não Cabo da Roca.

Muito bem.

Ou Cabo Roca.

Exato. Somos apresentados a um casal afluente, rico, americano.

Rico e bem rico aquela casa.

Amy Adams e o ator que eu nunca me lembro do nome.

Patrick Wilson? Eu também não me lembrei.

É aquele ator grande que nunca ninguém se lembra do nome.

Do "Fargo", da primeira temporada.

É esse giro que nunca ninguém se lembra do nome, que parece ter passado ao lado de uma grande carreira. Amy Adams tem dois filhos, acho o casting péssimo dos filhos, a filha é invulgarmente mais feia do que a mãe, o que normalmente não é o caso. Nas séries, normalmente há um match. Há uma derivação. Ou pelo menos eu acho a Amy Adams uma morena bacana.

Mas atenção, nós no primeiro episódio não vemos, e não sei se no resto da série vamos ver, a cara do pai.

Espera. Percebemos que são advogados, depois vamos perceber que são advogados famosos, que dão entrevistas para a televisão. E depois, a dada altura, já bem dentro do episódio, já quase na parte final, percebemos que há um tipo que vai ser libertado da prisão, porque afinal era inocente. E quem é que o encarcerou foi o marido, o advogado que conhecemos no início do episódio, que entretanto se casou com a advogada de defesa deste tipo que sai da prisão, que é a Amy Adams. Portanto, advogada de defesa e prosecutor e procurador casaram, o tipo ficou a apodrecer na prisão, 20 e tal anos.

17 anos.

17 anos. E agora sai. E o tipo é o Javier Bardem.

É facinho, facinho.

E vemo-lo em grande estilo, sempre com aquela cara feia e um sotaque meio espanhol, que arrebata corações. Eu vi-o recentemente no documentário dos Iron Maiden.

Eu por momentos pensei-

Eu vi-o num jogo de ténis ou na casita do Bad Bunny. Ele é um fã dos Iron Maiden e participa neste documentário. Ainda não vi, tenho que ver isso.

Pronto, é isso. Os dados estão lançados.

Já era mais ou menos esta a história.

Mas não é bem, tem aqui uma-

Há derivações.

Tem aquela atmosfera Southern Gothic, que é a Amy Adams dos livros do John Grisham também, e de uma série que a Amy Adams também protagonizou, que agora não me lembro do nome, mas foi uma das primeiras que a HBO-

"Sharp Objects"?

Sim, acho que sim.

E muito bem, gostei muito dessa série.

Tem essa atmosfera, tem aquele dinheiro todo que os americanos têm para fazer séries, obviamente. E bem, e abençoados sejam. Eu acho que vai ser uma daquelas séries que nós nos almoços de amigos, agora no verão, vamos dizer que estamos a ver ou que começamos a ver ou que: "Poxa, tenho que ver isso." Vai ser uma dessas séries. Mas para dizer que este episódio do "PopUp" não é apenas sobre o-

Não.

E que pergunto-vos se não acham que a cena das séries, falando como um jovem, não está a passar um pouco de moda?

Já me perguntaram isso.

Não está a passar das marcas?

Até porque sabes essa tua pista de: "Vamos falar dessa série no almoço." Eu tenho dúvidas que as séries ainda sejam tema de conversa como já foram.

Agora é mais o Bad Bunny e a Casita. E vai.

Se bem que isso é efémero. Daqui a uma semana já-

Não, mas foi a Rosalía, é o Bad Bunny, se calhar vai ser o não sei o quê do Super Bowl.

Sim, esse tipo de eventos.

Mas aqui parece haver uma certa tentativa de fazer render uma coisa que inicialmente começa por ser um filme numa série.

Aliás, a própria série quando começa diz: o filme é inspirado no livro e nos filmes que vieram antes.

Precisamente.

Eles assumem tudo isso.

O livro é dos anos 50. Eu lembro-me perfeitamente, porque era um moçoilo de 21 anos, do remake com o Robert De Niro. Lembro-me que foi uma coisa grande.

Eu metia mais medo.

Mas lembro-me na altura quando estreou, porque o primeiro é com o Robert Mitchum. Não é aquele que tem o Robert Mitchum?

Não, isso é outro filme.

Isso é o Night of the Hunter, que tem nas mãos o hate e love. Ou seja, nós andávamos a levar com o Robert Mitchum, a RTP passava muitos filmes a preto e branco, e nós sabíamos quem era o Robert Mitchum.

Era o mau.

Sim, era sempre o mau e fazia westerns. E depois o Robert De Niro, também sabíamos quem ele era, do Palhacinho, essas coisas, naquela altura. E lembro-me que esse filme teve impacto. Falávamos disso, ia-se ao cinema ver, eu fui ver ao cinema esse Cape Fear. Lembro perfeitamente da cena final.

Eu fui ver no VHS. Maria Ramos Silva, obviamente a tua impressão sobre o início da série, mas também uma coisa que tu dizias ainda antes de ver alguma coisa.

Eu não vou reproduzir aquilo que disse.

Não, mas era algo como: não serão demasiados episódios para contar esta história? Mas de uma forma um pouco mais-- enfim.

São 10.

São 10 episódios. E pergunto também se o mercado das séries não está a levar isto longe demais quando adapta: vamos lá transformar este filme em 10 episódios.

Esta questão do Pedro eu acho que é pertinente, porque de facto aquilo que é tema de conversa não sei se manter-se-á. Mas esta história dos remakes, na verdade, não é exclusiva da ficção. É uma coisa que, por acaso, eu tenho sentido que se vai estendendo a outras áreas da nossa vida, do lifestyle em particular. Vou-te dar um caso muito concreto: a moda, por exemplo. Tu não calculas a quantidade de designers hoje que estão mergulhados no arquivo e, por um lado, na nostalgia/tributo. E todas as semanas nós temos estrelas a vestirem exatamente os mesmos vestidos que outras estrelas vestiram nos anos 50 e 60 e não vemos coisas novas. E, portanto, há aqui, se quiseres, alguma preguiça, alguma incapacidade de já forjar coisas novas. Eu reconheço, já há muita coisa para trás, dinâmicas novas e depois também esta nossa sangria, que foi muito alimentada pelas plataformas, de ter conteúdos novos todos os dias. Ora, não é possível, a não ser que tu tenhas mil IAs a fabricarem conteúdos em permanência. Enfim, virtualmente, qualquer dia podes ter. Mas se queres, de facto, uma coisa com cunho mais autoral, às tantas tens mesmo que ir a esse arquivo e buscar coisas que já foram feitas. Acho que tem sempre uma virtude também aí. Imagina, nós já aqui, sem querer, em muito pouco tempo, falámos de pelo menos três, agora já quatro versões, se contarmos com o livro. De geração em geração vais tendo referências diferentes. O miúdo hoje não faz ideia quem era o Robert Mitchum, não se lembra de nada disso.

Ou o Robert De Niro.

Lá está. É aí que eu queria chegar, é que o próprio Robert De Niro já é para, se calhar, os filhos do Pedro ou os netos do Pedro, o que um Robert Mitchum era para nós. E eu acho que, sobretudo quando as histórias são interessantes como esta é, porque a base, o ponto de partida, que é-

É interessante. É uma boa história.

Os Executioners, que é o título original. Acho que, na verdade, depois o Gregory Peck, que tem a produtora ali por trás do primeiro filme, é que decidiu que não gostava do nome e então decidiu escolher o nome de uma localidade na Carolina do Norte, Cape Fear, lá está, podia ter sido o Cabo da Roca. Ficou este Cabo do Medo, que resulta muito bem. Portanto, eu entendo que faça sentido para as novas gerações ires reciclando e dando nova vida às histórias antigas que correram bem e que continuam a fazer sentido. Sobre esta em particular, eu, de facto, olho para isto com alguma reserva, porque pensei: até admito que seja um formato mais longo, mas 10 episódios, será que precisamos mesmo contar esta história em 10 episódios? Tenho alguma curiosidade para ver o resto.

Ou nas tuas palavras: nem com o Brad Pitt.

Se bem que eu depois recuei e pensei: espera.

Calma, não te precipites.

Eu não me vou precipitar. Agora, isto por dizer o quê? E não falando de Brad Pitt, mas falando de Bardem, eu acho que não é ele que aguenta aquilo. Eu tive vontade de continuar a ver por causa da Amy Adams, que eu acho que é extraordinária, de facto. E mesmo quando tu entras naquele enredo sem saber nada sobre a história, tu tens vontade de conseguir acompanhar aquilo e ver o que é que ela vai fazer. Porque ela própria é uma figura muito enigmática, tem esse ar muito misterioso. Há ali qualquer coisa nela.

E também acho que tens vontade de ver: deixa-me lá ver a vida destes tipos.

E entrar em casa. Exato, o que vai acontecer. Eu acho que tu nem precisas de chegar-

O ódio aos ricos.

Não é ódio, é curiosidade.

Pronto, ele aqui neste caso esteve preso injustamente.

Imagina o ódio, eu adoro ricos. Venham.

Mas eu acho que é mesmo isso. Mesmo que não houvesse um tipo a sair da prisão, com todo este plot por trás, tu querias de facto continuar: deixa cá ver os animais mortos na piscina, o barbecue, o que é que vai acontecer ali a seguir. Eu acho que é uma telenovela que tu queres seguir.

Exato.

Dito isto, quando aparece o Bardem, meu rico Robert Mitchum.

Já vamos ao Bardem. Bruno Viana Amaral

Vamos lá então, arrasar com isto.

Vamos lá. Diz-me, o que tu achaste disto tudo? Tu viste dois episódios. Foste mais longe.

Vi dois episódios.

Dois episódios, que é aquilo que as pessoas normais vão poder ver, não nós. Peço desculpa. Vão poder ver a partir desta sexta-feira.

A partir desta semana. Eu quis estar na pele de uma pessoa normal, uma vez na vida.

E conseguiste.

E consegui, com grandes sacrifícios.

Na óptica do utilizador.

Na óptica do utilizador, precisamente. Bom, a minha pergunta é a pergunta que faço tantas vezes em que é anunciado um remake: para quê?

E achas que a pergunta se aplica, vistos os dois episódios?

Sim, claro. Eu adoro a Amy Adams, acho que é tremendamente injustiçada por ainda não ter recebido um Oscar pelo papel dela no "Arrival". É extraordinário. Não sei se perdeu para a Emma Stone nesse ano, que eu também adoro. Mas Hollywood já lhe está a dever uma boa estante cheia de Oscars. E aqui está maravilhosa. Ainda está melhor, porque ela agora tem 51 anos, eu fui confirmar. Está ali no auge da maturidade e é extraordinária. Também no desempenho, na atuação.

Isto realmente é uma tristeza.

Ela foi mãe do Super-Homem ou namorada do Super-Homem? Não me lembro. Acho que foi mãe do Super-Homem.

Não, namorada.

Num dos filmes do Super-Homem, ela foi qualquer coisa ao Super-Homem. Foi?

Sim.

Vi na net. Pois.

Vou já ver.

Desculpa. Bom, para quê? A minha pergunta é: para quê? Porque eu consigo perceber por que é que em 1990 foi feito o "Cape Fear". Tinham passado menos de 30 anos, e agora já passaram mais anos entre o remake do Scorsese e esta série do que tinham passado entre o filme do-

Judd Nelson.

Judd Nelson e o do Scorsese. Mas o abismo entre 1962 e 1990 é muito maior em termos técnicos, em termos daquilo que se podia mostrar na altura no cinema e aquilo que depois se podia mostrar em 1990 do que é agora. Eu acho que não há nada que tu possas mostrar agora que não pudesses mostrar em 1990. Aliás, o filme de 1990 tem cenas particularmente violentas e que na altura, mesmo assim, foram impactantes.

Curiosamente, o Scorsese volta a estar envolvido, é um dos produtores.

É.

Acho que é o primeiro filme de grande bilheteira. Ele faz um balúrdio de bilheteira.

Essa é uma das razões.

Isto é antes ou depois do "GoodFellas"?

É depois.

É depois.

Exatamente depois. Ele tinha feito o "GoodFellas" e logo de seguida vem esse, que parte de um desafio do Steven Spielberg, que esteve para ser o realizador deste, porque eu acho que os direitos do filme estavam com a Universal, e então era o Spielberg que ia fazer. Mas, de facto, o Spielberg nunca fez nada tão negro como aquele filme. Aliás, se ele fizesse, aquele filme provavelmente fazia aquilo menos negro.

Era uma criança, aparecia uma nave.

Pronto, alguém a chorar, que não cresce com a família, tem problemas com o pai.

Auschwitz, talvez.

Também há ali, no "Cape Fear" do Scorsese. Mas o Spielberg desafiou o Scorsese, eles já se conheciam há muitos anos, para fazer aquele filme. Disse: "Isto é a tua cara e eu prometo que se tu fizeres isto, vais ter o maior sucesso de bilheteira da tua carreira." E o Scorsese, que leu duas versões do argumento do guião enquanto estava a fazer o "GoodFellas", achou aquilo mau e disse que não queria fazer. Mas essas coisas acontecem com o Scorsese, que também não tinha vontade nenhuma de fazer o "Touro Enraivecido", que foi um desafio do Robert De Niro.

"Eu vou lá agora fazer isso."

"O que eu tenho a ver com o boxe e não sei o quê? Agora essa porcaria, agora um gajo do 'Cape Fear', aquele maluco." E acabou mesmo por ser o maior sucesso de bilheteira da carreira do Scorsese. Agora creio que já terá sido ultrapassado pelo "Departed" e pelo "O Lobo de Wall Street", pelo menos.

Qualquer coisa com o DiCaprio.

"Departed" também é um remake.

Que é um remake. Para quê? Quem acha que o Scorsese começou a filmar com o DiCaprio, acha que o "Departed" é uma coisa extraordinária, eu acho que é inferior ao original, de Hong Kong. Mas em relação a este remake de 1990, aproveita a banda sonora do Bernard Herrmann do primeiro filme, mas um pouco alterada pelo Elmer Bernstein, também outro dos grandes compositores de Hollywood, e é um dos pontos fortes do filme. E outro dos pontos fortes do filme é, claro, o Robert De Niro, que eu acho que vai ali quase ao ponto barroco da atuação. É o expoente máximo da loucura do Robert De Niro, que noutros filmes, como o "Touro Enraivecido" e o "Taxi Driver", a loucura dele está ali um bocadinho contida. É uma atuação barroca que está nos limites do grotesco, da caricatura, mas funciona muito bem e todo o filme é muito ameaçador, coisa que eu não senti nada nesta série. Mesmo aquela coisa de ser no sul dos Estados Unidos e aquela coisa opressiva. Tu, no filme do Scorsese, sentes isso. Sentes essa atmosfera quase sufocante, em que eles estão sempre cheios de calor. E depois há uma ambiguidade moral que eu não vi nestes dois primeiros episódios, que é: para já, o Nick Nolte, no filme, é uma personagem muito manhosa, não é muito simpática e é curioso que para esse papel pensaram primeiro no Harrison Ford. É um pouco o Patrick Wilson deste filme. O Harrison Ford não quis e acabaram por ir para o Nick Nolte, que é muito sleazy.

E causa mais reação.

É, tem uma coisa um poucoManhosa. É um tipo traiçoeiro, não confias totalmente nele. E depois há toda uma atmosfera sexual, mesmo da relação do Nick Nolte com a Jessica Lange, que é maravilhosa também nesse filme, que eu acho que não está presente, pelo menos nestes dois primeiros episódios da série. Acho que fica muito abaixo do filme.

E a Juliette Lewis.

E claro, a Juliette Lewis.

Eu até de um minuto? Não.

Não, guarda para o início da segunda parte. Deixa-me só dizer que, como dizia a Amy Adams, foi Lois Lane para o Super-Homem daquele grandalhão do Henry Cavill.

Do bonitão.

Exato.

Palavra que tu usas sempre.

Bonitão, grandalhão.

Preferes grandalhão.

Ele de facto é muito grande. Muito bem. Final da primeira parte do "PopUp". Voltamos depois de um curto intervalo. Até já. Estamos de regresso ao "PopUp" com Maria Ramos Silva, Bruno Vieira Amaral e Pedro Bucher Mendes. Esta semana começámos com a nova série "Cabo do Medo", na Apple TV+. Havemos de voltar aos remakes, mas entretanto, e também ainda a propósito desta série, Pedro Bucher Mendes, trazes conversa da primeira parte, naturalmente, podes terminá-la, mas eu pergunto já que é um dos temas mais importantes do programa de hoje, que é: e que tal Javier Bardem? Eu quero saber a tua opinião neste papel e no geral. Além da história dele ser um tipo porreiro que gosta de Iron Maiden, claro.

Eu tenho um filho chamado Xavier.

E bem?

Sim, que já tem 20 e tal anos.

É um bom nome.

Não é a mesma coisa.

Um abraço para o Xavier.

Por acaso ele faz anos agora em junho.

É? Não vou dar os parabéns.

E é um nome que irrita muito as outras pessoas, porque entretanto há muita gente a dar o nome Xavier aos miúdos, achando que é original. E eu: "Mas já tenho um filho". Fica aqui a nota.

Fica aqui o aviso para o país inteiro.

Um abraço para o meu filho, que eu gosto muito dele e também gosto de outro. A Apple tem vindo a ser elogiada pelo pipeline de séries. "A Apple está com uma série."

Sim, senhor.

E está. Esta série tem uma velatura parecida com a da "Euphoria". A "Euphoria" é HBO.

Terminou agora.

Esta temporada da "Euphoria" não falámos, é esquisitíssima, porque é desnecessariamente carregada de sexualidade, na minha opinião, apesar de ter a Sydney Sweeney todos os ângulos e mais alguns, e supostamente ela é muito atraente, essas coisas.

E venderá, em princípio.

Mas esta série também tem uma velatura. Mas o Bruno tem razão, há qualquer coisa na série que parece que é um trabalho de faculdade. Por exemplo, tem aqueles efeitos musicais que é uma coisa que se ouvia muito. Tem esse sublinhado sonoro de orquestra, de orquestração das cenas.

Para enfatizar o drama.

É tudo muito . Tem uma cena-

É o: "Segura o . Agarra o ".

Tem uma cena que também muito mal conseguida no início, de uma jovem que está desesperada e uma pistola.

Sim, logo no arranque.

O meu cérebro depois apagou, não vou spoilar, é assim que se diz?

É isso mesmo.

Quem começar a ver, o spoiler é logo. Nos 10 primeiros minutos.

Sim, claro. Essa cena não pareceu bem. Uma coisa que eu chamo a atenção das pessoas que às vezes estão comigo para lhes ocupar o cérebro é: estas séries que têm mais investimento e, portanto, têm um Spielberg e têm um Scorsese associados, portanto, têm muita massa, vão ao ponto de ter um código de cor, como se calhar a decoração da nossa casa tem ou deveria ter. Mas tem um código de color e isso é interessante ver o azul da piscina com a roupa dela.

Nada é por acaso.

Fica a dica para os espectadores. Agora, essas profissões de production design estão muito em alta e há muita falta de mão de obra. Ou seja, eu escrevo uma série, tenho uns atores, mas depois entra em campo todo um lado artístico que se destina a criar uma identidade e que consegue ou não consegue. O Javier Bardem, finalmente. O Javier Bardem é sempre excessivo, creio eu.

Certo.

Por mera coincidência, revi há pouco tempo aquele filme dos irmãos Coen.

"Este País Não É Para Velhos".

"Este País Não É Para Velhos", que é um filme ótimo. Não há nada a dizer de errado sobre o filme, mas o personagem já é um tipo excessivo. Muito excessivo, é um louco, é um psicopata. Ele aqui aparece no fim do primeiro episódio, que foi o único que eu vi, e em vez de fazer de gajo do tipo que é libertado da prisão, faz de Javier Bardem.

Sim.

Portanto, eu fiquei um pouco desapontado.

Verdade.

Fiquei um pouco desapontado.

E no fim dos Coen, ele também tem uma vantagem, ele quase não fala.

Mas isso está de acordo com a personagem, mesmo do livro.

Claro. Ou então, a primeira cena em que ele aparece, eles estão numa cerimônia, imagino, estão a atribuir uns prêmios ou não sei o quê. Portanto, tem muita gente, é uma sala grande, um auditório, e ele aparece ou a cena está mal dirigida.

Essa cena é péssima.

Mas é a primeira cena em que ele aparece.

E corta todo, aquilo que eu dizia na primeira parte, todo aquele lado de ameaça do Robert De Niro no filme, que é precisamente aquela ideia de ele está aí, não está, anda atrás de nós, não anda. Aqui isso praticamente não existe, corta logo toda a atenção.

Estou para ver como é que o ator principal, o tal Patrick Wilson, o tal bonitão, vai contracenar com ele, porque não me parece que vá funcionar bem, mas ainda não vi.

O Javier Bardem é daqueles actores que, creio eu, qualquer coisa que ele entre, nós queremos ir ver, espreitar. Só isso é um grande elogio.

Maria Ramos Silva.

Eu acho que o bonito ainda nos pode surpreender.

Achas?

Na volta acrescenta mais camadas.

Pois, tem de ter aqui outra coisa qualquer.

Ele vai muito bem naquele filme com a Kate Winslet. Como é que se chama? "Pecados Íntimos", será?

Sim, baseado no livro do Tom Perrotta.

Ele vai tão bem que nós nem nos lembramos o nome dele.

Mas isso é outra coisa. E é o filme com a Jennifer Connelly, que é amiga do Bruno. Mas, Maria...

O Bardem, quando aparece ali ao pé da piscina, é o jardineiro. Ele podia ser o jardineiro. Não assusta ninguém. Está ali.

Mas diz-me uma coisa: o Javier Bardem é melhor actor ou é melhor estrela? Porque enquanto estrela eu acho que ele funciona bem.

Sim, mas repare, eu acho que há aqui um ponto mais importante, antes de chegarmos a isso que o Pedro falava e eu também senti. Isso, e acho que acaba por ser o mais relevante aqui nesta nossa reação à série. O terror psicológico, em particular, cinema de uma maneira geral, mas o terror psicológico de uma maneira particular, eu acho que precisa um pouco de grão. Grão no sentido de que tu tens hoje todos os meios para fazer uma coisa muito mais clínica, com esse pantone predominante, dentro também dos padrões das séries. Mas na verdade, aquilo que eu sinto quando vi aquele arranque de série, que me faz continuar a ver, mas numa outra onda, e faz-me continuar a ver numa outra onda, porque há ali uma espécie de película gloss, como se tu tivesses tirado uma série de fotos e de repente escolhes o filtro pine. E aquilo fica tudo muito bonitinho. E eu sinto isso quando estou a ver a série. É por isso que quando aparece alguém como o Bardem, que para mim já tem ali uma série de handicaps, sobre os quais nós já aqui falámos, não convence. E mesmo a questão de não falar, eu acho que o papel, até agora, pelo menos enquanto vilão, é o de facto do "No Country for Old Men". Acho que não precisa de fazer mais. Da mesma forma que o Heath Ledger teve o seu Joker e não precisa de fazer mais, também coitado não poderia fazer. Mas de facto não precisa. Por exemplo, eu acho que já no James Bond, o vilão já resvala, aquilo já não é uma coisa que tenha debate, o Bardem.

Sim, eu acho que ele aí já vai um bocadinho à gravilha.

E não tem tanto a ver com o facto de tu falares muito ou pouco, porque o Mitchum de facto entrava em cena e ele é assustador calado todos os dias. Só o olhar dele. Acho de facto que não tem a ver só com isso.

Não, mas é porque, desculpa, o Robert De Niro no filme tem uma atuação mesmo um bocadinho over the top e é assustador.

Exatamente. E embronda-te e aquilo de facto incomoda. Aqui não, eu ainda não consegui sentir isso e acho que o Bardem vai ter muita dificuldade em continuar a fazer vilões, honestamente. Em termos de estrela, também sou-te sincera, não é dos que mais adoro.

Não te arrebata.

Não me arrebata. Dito isto, não me espantaria que de facto para a frente, das duas uma, ou haja aqui uma grande mudança que nós não estamos à espera, ou então que estas personagens aparentemente mais discretas, mais apagadas, até consigam surpreender com alguma relevância, nomeadamente aqui o nosso americano.

São muito mal os actores.

São, é verdade.

E a própria história. No filme, se bem me lembro, quando o Max Cady sai da prisão, ele vai atrás do seu antigo advogado, porque o advogado teria ocultado provas da sua inocência. Ou seja, seriam provas que o poderiam inocentar. E ele teria escondido porque acreditava que ele era culpado e era um crime tão grave que ele queria que ele fosse para a prisão. E isso criava ali uma tensão de tu teres feito alguma coisa de errado, aquela personagem ter feito alguma coisa de errado.

Em consciência.

E estares com medo: "Ok, ele agora vem atrás de mim." E aqui, não conheço o livro, não li o livro, portanto não sei exatamente o que é que está a ser mais fiel ao livro, mas aqui há logo uma associação de justiça em que trabalha a Amy Adams, que procura tirar pessoas inocentes da prisão e que acham que ele é inocente, que o Max Cady, a personagem, é inocente.

O Max Cady é o Javier Bardem.

O Javier Bardem, que tira logo aqui, uma vez mais, mais tensão.

Há outro detalhe que talvez vazie um pouco de tensão, é que se tu reparares bem, eu também não conheço o livro, mas o primeiro filme trabalha muito, e na altura isso foi também um certo fracasso e polémico, eram os anos 60, obviamente, a questão da violência sexual, que é uma coisa que pelo menos até agora não está presente. E eu acho que tu ali tens um tipo de crime, porque ele é acusado de violação, aquilo ali é uma agressão muito forte. A própria versão que o De Niro é também muito tensional desse ponto de vista, aqui nós ainda não vimos nada. Nós temos supostamente o caso de não ter sido ele a matar alguém, é simplesmente isto. Simplesmente, entre aspas. Mas acho que de alguma forma também esvazia este nosso incômodo mais visceral, pelo menos até agora do crime.

Não, e o Robert De Niro no filme tinha essa capacidade de te incomodar, além da questão da transformação física, de te assustar e de assustar no seu comportamento em cena. E aqui, a certa altura, o Javier Bardem, logo na cena inicial em que ele aparece, parece que está a fazer um número de, sei lá, vaudeville.

Esse Cape Fear era daqueles para ir ver com uma miúda que pudéssemos interessar, que ela agarrava-se a nós quando aparecesse o De Niro.

Para ela se sentir segura, não é?

Não é o meu caso.

Claro, imagino. Mas ó Bruno, diz-me lá, tu e o Bardem, como é que é essa relação?

Eu gosto do Bardem, não em todos os filmes, mas ele representa, e eu acho que está aí a razão do sucesso dele, até em Hollywood, mas antes disso, nos filmes em que ele se revelou em Espanha, creio que ele entra já nas idades do LuluBigas Luna e no "Ramón Ramón" e também no "Encarnação Viva" do Almodóvar. Eu acho que lhe fazia bem, se calhar, voltar a trabalhar com o Almodóvar. Fazer o que o Banderas fez no "Dor e Glória". Sim.

Foi extraordinário.

Eu acho que lhe fazia falta um back to basics, voltar um bocadinho às raízes, que é para se libertar um pouco desta coisa, porque ele acaba por encarnar a figura, um pouco como o Clive Owen no início dos anos 2000. Tu tens os bonitinhos do cinema e depois tens aqueles machos, de certa forma rudes, com aquelas barbas ásperas. Que não saem. De lixa. Nem com a maior das lâminas. São um bocadinho perigosos. E eu acho que ele está a cristalizar um pouco nesses papéis. O que, por paradoxal que pareça, acaba por retirar precisamente essa carga. Fica typecast. Mais rude. Estou aqui a saltar alguns filmes. Ele tem aquele sobre o Reinaldo Arenas, o "Julieta". Aliás, ele foi nomeado para o Oscar, creio que por esse filme e por outro, pelo "Mar Adentro", do Amenábar. Portanto, ele é um ator muito versátil, mas à medida que foi trabalhando cada vez mais dentro do sistema de Hollywood. É o "Antes Que Anoiteça". Estava aqui a tentar lembrar-me do nome. Acaba por também ser, atualmente, a série estar dentro desse sistema, está a ficar, contra mim, um pouco cristalizado, mas talvez os restantes oito episódios da série o redimam. Estás muito otimista. Pedro Boucher Mendes, vamos falar aqui de negócio. Esta coisa dos remakes. Um remake acontece só por dinheiro? Não é que seja uma má razão. Atenção, não é isso que eu estou a dizer, mas é possível encontrar uma razão criativa para voltar a contar uma história que já foi contada? "Intellectual property", não é assim? Sim, e não só. E o pitch, como se diz, é mais fácil, não é? Sim, se estivermos a falar de um caso de sucesso, talvez. Sim, percebo o que queres dizer. Tens que ver que muitas das coisas, mesmo em Los Angeles, em Hollywood, se resolvem em mesa de restaurante. "Thiago, e se fizéssemos um remake do 'Riscos'? É mais fácil do que- Acontece mesmo assim, acho. Acontece. Do cara contar: "Olha, agora tenho aqui uma ideia de um casal e não sei o quê." É mais difícil. Eu acho que tu gostaste da série, eu não gostei muito do "Presumível Inocente". Sim. Eu tive a mesma sensação. Para quê? Mas eu acho que é isso que estás a dizer, que é muito mais fácil, se calhar, convencer quem põe o dinheiro a produzir aquilo. Sim, resolve-se sim em almoços e jantares e agentes que vão almoçar. Às vezes vemos algumas séries onde isso ecoa. Sim. Por exemplo, a série "House of Cards", que é uma série que funda a Netflix, que é a primeira série que é disponibilizada toda de uma vez. Era um argumento que andava por Hollywood: "Eu hoje tenho uma reunião com a HBO, eu hoje tenho uma reunião com a CBS". E ninguém pegava naquilo. Pronto. E supostamente foi recusada pela HBO. Vê bem que essa decisão significou que depois a Netflix cresceu até esta dimensão. Foi um bocadinho como os Beatles quando foram recusados pela Deca. Pronto. Esse tipo de dinâmicas. Existe uma também, e aqui apelo à opinião do Bruno, que é: "Eu vou conseguir fazer melhor do que a versão original ou vou conseguir fazer melhor do que a outra versão. Eu vou melhorar aquilo, porque eu tenho o ator tal, eu tenho o Kevin Spacey." O "House of Cards" também é uma versão de uma coisa da BBC. Ou seja, se eu depois andar à procura de atores e telefonar ao Robert De Niro ou telefonar ao Javier Bardem: "Lê-me este filme com o Nick Nolte e a Jessica Lange, com o Robert De Niro." "Leio perfeitamente. Olha, queres fazer o papel do Robert De Niro?" Eu acho que é mais fácil convencer os atores e os agentes, sobretudo quando são, porque a princípio só fazes remakes de coisas muito fortes ou de coisas que são segredos bem guardados. Coisas obscuras. Não, porque vendo o original. Ou o original asiático, por exemplo. Se eu for o Kevin Spacey e for ver o original do "House of Cards" inglês, aquilo de fato é um desafio. Aquilo está bem feito, o texto é bom. Não quer dizer com isto que todos os remakes sejam bons. Nós tivemos recentemente dois, temos recentemente dois que passaram completamente ao lado, pelo menos aqui em Portugal, o "Scrubs" e o "Malcolm in the Middle", que de fato não há qualquer necessidade de haver um remake nem de um, nem do outro. Não há a menor necessidade, mas no entanto existem. Exato. Maria, lembras-te de bons remakes? Ficaste contente, ainda bem que fizeram isto outra vez. Parece que o "Scarface" é um remake.

É, sim. O "Law Dogs".

Mas é muito...

E também esse já por si baseado num livro.

Antes que me esqueça, há um episódio dos Simpsons, do "Cape Fear", supostamente é o melhor episódio de sempre. Pois é, com o- O palhaço. Sim. Não, é o empregado. É o Bob. Bob, o Sideshow Bob. Bob, o construtor. Sideshow Bob, exato, que ele vai perseguir. Só para os ouvintes não mandarem um e-mail a dizer que havia um episódio. O objetivo do Sideshow Bob é matar o Bart Simpson, porque foi por causa dele que ele foi despedido. Sideshow Bob tem o cabelo como o do David Luiz.

Sim, eu acho que o "Scarface" talvez, para citar um exemploPopular. Mas é um filme do início dos anos 80. "A Brincar o Encarnação" é um filme com 40 anos. Eu não tenho a certeza que os miúdos hoje façam ideia e não sei se não faria sentido, dentro desta lógica, teres um novo "Scarface". Não sei.

O remake do "Blade Runner" é um vómito.

Mas por exemplo, o "Oceans", eu acho que o "Oceans" não foi mal conseguido e também é um remake dos Rat Pack dos anos 60. Há momentos em que, de facto, consegues atualizar, indo buscar essas referências mais contemporâneas, dos bonitões, dos vilões.

E o "Dune", correu bem?

Não sei, porque eu não tenho referência da base de partida.

Mas eu também não gostei do primeiro.

Viste o filme todo, este com o Chalamet?

Eu gostei do primeiro, não gostei do segundo.

Mas conseguiste ver até ao fim?

Sim.

De alguém com uma pistola apontada à cabeça?

Não, mas o primeiro eu não acho mau, não gostei foi do segundo. Acho que é muito mal resolvido.

E há uma série, sabes? Podes ver mais.

Não, isso eu não quero. Já chega.

Quantos episódios?

Bruno Nery, para terminar: péssimos remakes.

Péssimos remakes.

Daqueles que nunca deviam ter existido.

Claro, eu vou falar de dois, que são dois dos meus ódios de estimação. Porque são estas coisas que tu não percebes porque é que as pessoas se metem nisto.

Também tens o "True Grit". Desculpa, lembra-me logo o "True Grit".

Exatamente.

É sempre bom.

É um remake com o John Wayne.

E há muitos nos westerns.

As cowboyadas.

Desde aquele, "Os Sete Magníficos", que é também um remake do filme japonês. Mas nos últimos anos, aquela ideia de fazerem os remakes do "Desafio Total" e do "RoboCop" devem ter sido as piores ideias de sempre. E alguém pensou: bem, as histórias são boas. Os filmes foram grandes sucessos. Então vamos pegar nestas histórias e em filmes que foram grande sucesso e vamos pôr-lhes efeitos especiais modernos, vamos conseguir ainda levar isto mais longe. Ora, esses dois filmes do Paul Verhoeven foram um sucesso porque eram filmes do Paul Verhoeven. Ele conseguiu fazer daquilo filmes pessoais. Apesar de serem feitos dentro da indústria e de terem orçamentos, sobretudo o "Desafio Total", esmagadores, tu vês os filmes e percebes que a graça que os filmes têm, o encanto dos filmes, tem a ver com o que o Paul Verhoeven conseguiu pôr lá da sua visão pessoal. E esses filmes não têm nada disso. E quando tu fazes um filme, aliás, os filmes são feitos por tarefeiros de Hollywood, nem é por artistas, por autores, não têm nada para acrescentar. Eu acredito que alguns partam para os filmes, para os remakes, a pensar: "Eu, de facto, tenho aqui alguma coisa a acrescentar", mas na verdade, não têm. Se calhar, só descobrem depois daquilo estar feito. Esses são dois exemplos que eu acho que têm uma virtude: mostram o quão bons eram os originais.

Muito bem, final de mais um "PopUp". Já sabe, escreva-nos para popup@observador.pt e siga-nos nas plataformas de podcast. Nós voltamos na segunda-feira com as sugestões da semana. Até lá.