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Sem falta da Rádio Observador. Nona jornada do campeonato, primeira derrota dos Leões em sede de liga. Derrota frente ao Académico de Viseu por duas bolas a uma, num jogo, Pedro Henriques, arbitrado pelo árbitro Miguel Nogueira. Tivemos os lances desta partida. Vamos começar ao minuto oito, com um amarelo para Luís Silva, capitão do Académico.
Sim, cartão amarelo bem mostrado. É uma falta sobre Flávio Gonçalves. Flávio Gonçalves chegou primeiro à bola, o Luís Silva entrou fora de tempo, não parou o movimento e acabou por pisar de sola e com os pitons o pé direito, o pé direito também do jovem jogador do Sporting. Portanto, uma entrada negligente, um pisão, mais concretamente, cartão amarelo bem mostrado.
Ao minuto 11, mais um amarelo pro outro homem do Académico de Viseu. Desta vez foi o turco Karaman.
Sim, e também por um motivo igual. Na tentativa de chegar à bola, que lhe tinha escapado, acabou por pisar com o pé direito, o pé também direito do Doumbia. Uma infração, uma entrada negligente e, portanto, este pisão também bem sancionado com o respectivo cartão amarelo.
Ao minuto 16, houve uma mão de Maxi na área. Eu até te perguntei, Pedro, porque vi ali alguma reação dos jogadores do Académico de Viseu por causa de uma mão do Maxi, mas no fundo o jogador estava a usar a mão para apoiar o corpo. Portanto, vamos à análise.
Sim, é sem pênalti, porque realmente há mão. Eu relembro que as mãos não são todas penalizadas e também a lei fala que sempre que um jogador em queda, para apoiar exatamente essa queda ou quando vai em desequilíbrio e vai contatar com o chão, que tem direito a apoiar ou a mão direita, ou a mão esquerda, ou ambas as mãos, desde que seja num movimento vertical e que não haja uma volumetria excessiva e que seja exatamente para amparar a queda. E este é um exemplo típico. Aliás, a foto do momento do contato é muito irada porque o Maxi está todo paralelo ao chão, tem os pés fora do chão e tem a mão direita a tocar na bola exatamente quando vai apoiar a mão direita no chão. Portanto, é casual, não é deliberado e por tudo isso que já acabei de dizer, sem pênalti.
E a verdade é que se captarmos só a fotografia, parece um grande dançarino de breakdance, o Maxi. Minuto 21, temos um lance com Iracunda a cair na área do Académico de Viseu, a reclamar uma falta, mas acredito aqui que caso tenha havido toque, Pedro, sem intensidade suficiente.
Sim, Robin e Iracunda vão disputar a bola, o Iracunda a atacar, obviamente, o Robin em defesa, da forma como o Sporting estava a atacar pelo corredor esquerdo e a entrar na área lateralmente. O contacto corpo a corpo e braço a braço na luta pelo espaço e pela bola é ainda fora da área, mas depois é dentro do interior da área que o Iracunda cai. Há ali exatamente esse toque de braço, se calhar mais na parte final, mais evidente por parte do jogador Robin, mas é aquela situação em que os árbitros, nem os VARs, nem ninguém pode dar falta quando os jogadores utilizam muitas vezes esses contactos laterais e a utilização dos braços para ganhar exatamente espaço e conquistar ou chegar à bola ou ficar com a bola. Portanto, tudo certo, sem pênalti.
Temos, pois, Pedro, ao minuto 29, um golo anulado ao Académico de Viseu. Seria o 2 x 0, já vencia por 1 x 0. Um grande pontapé de Karaman à entrada da área, mas pouco ou nada importa a beleza do golo, porque a verdade é que o jogador do Académico de Viseu, que colocou a bola à entrada da área, fê-lo num lançamento e pôs um pezinho dentro de campo, não é, Pedro?
Pronto, aqui a questão que se coloca é a seguinte: em primeiro lugar, não foi o VAR que interveio, até porque o VAR não pode intervir em lançamentos de lateral incorretos, embora para já haja ali uma exceção, mas não vamos falar sobre isso, é o assistente. Aliás, nem houve tempo para o VAR intervir, é o assistente. Para nós percebemos, não é o assistente que está a acompanhar o ataque do Académico de Viseu, que está do lado contrário ao lançamento. É o assistente que está na linha, que está a fazer os bancos e que está na linha. E uma das funções dos assistentes é exatamente ajudarem o árbitro nesse auxílio que dão nos lançamentos laterais. A saber que os árbitros preocupam-se com a incorreção, eventualmente, nas mãos e os assistentes ficam com a parte dos pés. Isto em termos técnicos de arbitragem. E o assistente dá exatamente essa incorreção de lançamento e por aquilo que me parece, pela imagem que é muito má, as duas repetições péssimas em termos de transmissão. Sendo ali o foco e um momento importante, nada como esclarecer. Era fácil, não era nada difícil esclarecer com melhor imagem, mas de qualquer maneira, a questão é o pé esquerdo de quem faz o lançamento, que foi o Miguel Brau. E eu relembro o seguinte, às vezes quando dou os cursos de treinadores de futebol nível um, a maior parte dos treinadores também não sabe isso. A lei 15, que é o lançamento lateral, e a página 141 fala sobre isso, que um jogador quando a bola sai das mãos, tem que ter uma parte, quer do pé direito, quer do pé esquerdo, ou na parte exterior do terreno, portanto, a parte de fora, ou em contacto com a linha lateral. O que isso significa? Que um jogador até pode ter 98% dos pés dentro do terreno de jogo. Se o calcanhar esquerdo, por hipótese, e o calcanhar direito. Exatamente, basta um calcanhar esquerdo, um calcanhar direito, para nós percebermos que o jogador tinha os pés dentro do terreno de jogo. Neste caso, não era os dois, era só um. Mas estou a dar em termos genéricos. Se tiver os dois pés dentro do terreno de jogo, com o calcanhar esquerdo, calcanhar direito, no momento em que a bola sai da mão a pisar a linha, está legal, está certo. Porque fica aquela ideia que não pode pisar a linha, outras pessoas têm a ideia que não pode ter o pé todo dentro. Não, pode, desde que o calcanhar esteja a tocar na linha. E neste caso concreto, a dúvida está na posição.
É um pouquinho como um gol, não é, Pedro? Só é completamente fora quando a bola ou quando, neste caso, o pé transpõe a linha completamente.
Exatamente. E aqui fica a ideia, o pé direito tranquilo, percebe-se que está em contacto com a zona exterior. A dúvida está exatamente nesse pé esquerdo que apoia, porque como é um lançamento em força, o pé que vai à frente, neste caso foi o esquerdo, acaba por estar todo apoiado no solo. Se o calcanhar esquerdo, que é aquilo que parece estar completamente dentro do terreno de jogo, isto é, se o pé esquerdo está todo dentro do terreno de jogo e o calcanhar esquerdo não está a tocar a linha, que é isso que parece, então bem o assistente a intervir. Se porventura houver alguma imagem que venha a provar que o calcanhar esquerdo ainda está a tocar na linha lateral, então este gol não podia ser anulado. Eu vou dar aqui o benefício da dúvida, fico com a ideia, com as péssimas imagens que nos foram dadas, que sim, que o pé esquerdo está dentro do terreno de jogo e se está dentro do terreno de jogo, o assistente teve bem a levantar a bandeirola.
Temos depois, Pedro, ao minuto 36, mais uma reclamação de pênalti por mão desta feita na área do Académico, por Luís Silva e se da Maxi não foi, esta ainda menos.
Exatamente. E esta é muito parecida, embora com contornos diferentes, no sentido que o momento de queda não é igual. Neste caso, o jogador tem os pés apoiados no chão. Mas o Luís Silva também, quando é surpreendido, porque no fundo está ali de costas para a bola e quando vai em queda e também a apoiar a sua mão direita, curiosamente, acaba por tocar inadvertidamente, de forma casual, não deliberada, a bola. E, portanto, bem decidido. E é bom até ter acontecido estes dois lances no jogo, porque aqueles que muitas vezes veem com mais cor os lançamentos, as situações, aqui ficam a perceber que tivemos uma situação e outra situação na área muito idênticas, com os jogadores a apoiar as mãos, curiosamente as direitas, no solo e quando apoiam tocam na bola, isso não é punido com, neste caso, pontapé de pênalti.
Ainda na primeira parte, minuto 41, amarelo para Issah Doumbia, do Sporting. Bem mostrado.
Sim, mais uma imagem que era bom termos outras repetições. As duas repetições são do mesmo ângulo e a sola da bota do Doumbia fica sempre tapada pela coxa. O que a gente deduz? Que realmente Doumbia, ao levantar a sua perna direita, acaba por acertar de sola na coxa direita do Luís Silva. E portanto, assim sendo, é uma entrada dura, negligente, passível de cartão amarelo. Mas com tantas câmaras, não há nenhuma que dê um ângulo diferente?
Fica a questão para que respondam os responsáveis de realização. Pedro, por nós, vamos continuar na análise aos lances. A continuar ao minuto 45, porque o VAR reverte um pênalti que tinha sido assinalado a favor do Sporting, por uma alegada falta do guarda-redes Everton sobre Maxi Araújo. O árbitro marcou pênalti. Everton pediu VAR, podia ter visto amarelo, mas na verdade tinha toda a razão, porque o VAR acabou mesmo por chamar o Miguel Nogueira, que depois tirou.
Exato. As equipas são profissionais, mas só mais ou menos, porque não têm informação em termos de arbitragem como deviam ter. Hoje em dia já se treinam os guarda-redes todos os dias, os psicólogos já lá vão de vez em quando, os nutricionistas já praticamente atrás, mas nesta parte da arbitragem as pessoas ainda não perceberam que estes casos, estes lances deviam ser analisados e de oito em oito dias, 15 em 15 dias, deviam ser trabalhados também para que os jogadores percebam algumas coisas. E os guarda-redes e os jogadores não têm necessidade de fazer aquele gesto de VAR, porque sempre que há um lance de área, e neste caso concreto, até foi um lance em que o árbitro assinalou pênalti, o VAR vai ver. Portanto, perceberam isso. E depois, quando os jogadores fazem este sinal de VAR, é na perspetiva de o árbitro ir lá. Não
Como se fosse o árbitro que pedisse, não é?
Exatamente. Se o árbitro só lá vai, primeiro ponto, se foi assinalado um pênalti, e mesmo que não fosse, o VAR vê o lance, ponto. Depois pode é ter uma opinião diferente ou não. A partir do momento que vê o lance e não concorda com a decisão, é que chama o árbitro. Portanto, se o VAR visse o lance e tivesse a dar razão ao árbitro, o árbitro não ia lá. O árbitro não vai pedir VAR, o árbitro não vai ao VAR, ao monitor.
Sim, às vezes a ideia é que os jogadores, Pedro, acreditam que se pedirem o árbitro, o árbitro vai tomar a iniciativa.
Não, isso não existe. As pessoas têm que perceber isso, mas não é só os jogadores, é as pessoas de uma maneira geral, que não sabem, não leem o protocolo, não fazem a mínima ideia. Eu sou muito crítico em relação a isso, porque se não sabem, ao menos abstenham-se de falar e de mandar bitaites.
Ou então ouçam "Sem Falta", que é uma boa maneira de aprender.
Também é uma boa maneira. Vamos aos factos. O Everton chega primeiro à bola, toca na bola com a mão direita. Quando se para a imagem, o Maxi Araújo está afastado quase 1 m. E só depois de tocar a bola com a mão direita e chegar primeiro à bola, e o Maxi nunca tocou na bola, é que há o contato, porque se vai um jogador num sentido e o outro vai no sentido contrário, é normal que haja o contato do choque. E isto é um atenuante importantíssimo para não ser pontapé de pênalti, porque se um guarda-redes quando sai, e agora vamos generalizar, não acerta na bola, é o adversário que chega primeiro e toca na bola, e o guarda-redes a única coisa que faz é acertar muitas vezes com os punhos na cabeça ou com o joelho ou com o pé, que é o que normalmente vai à frente, no corpo do adversário, aí sim, temos infração. Aqui não. Everton chegou primeiro à bola, Maxi não chegou à bola, não tocou na bola, é o guarda-redes que chega, toca na bola com a mão direita e portanto só depois o contato, fruto do movimento de ambos no sentido contrário, por isso sem pênalti, bem o VAR e depois reverteu o pênalti e retirou o amarelo que tinha dado ao Everton.
E a verdade é que ao minuto 45 mais seis, a primeira parte acabou um pouco mais tarde e também teve este empenitamento por causa precisamente da decisão de VAR de anular esse pênalti ao Sporting. Houve amarelo para Mortimer Moreno.
Sim, o Mortimer Moreno fez falta sobre o Maxi Araújo e ainda pontapeou a bola para longe depois do árbitro ter interrompido o jogo. Não percebi, porque lá está, mais uma vez a transmissão horrível nesse aspeto, se foi porque não vi o árbitro puxar do cartão, se foi pela falta ou se foi por pontapear. Mas seja como for, no limite, pelo pontapear da bola para longe, por isso isso só isso já dá cartão amarelo e portanto dou como boa decisão.
Temos depois, Pedro, no seguimento dos lances do jogo, ao minuto 74, já na segunda parte, o segundo gol do Académico. Acredito que tudo legal.
Certo, tudo legal. E eu tenho a oportunidade, num outro espaço onde coloco imagens escolhidas por mim, de mostrar claramente que na construção de jogada do segundo gol do Académico de Viseu não há falta sobre o Maxi Araújo. É com o Sofiane Messâi Guen, acho que é assim que se diz. Há contacto efetivamente entre ambos os jogadores. Ficou-se com a ideia que o Maxi Araújo teria sido agarrado, mas há uma imagem que mostra, pelas costas, que é o Maxi Araújo que com a mão direita agarra por trás as costas do Messâi Guen e inclusivamente lhe puxa a camisola. Portanto, a infração até é do Maxi. Por isso, não há falta atacante. O Maxi cai porque tenta agarrar o adversário, inclusivamente faz falta, não porque tenha sofrido qualquer falta e, portanto, o gol dois do Académico de Viseu foi legal.
Temos, Pedro, também para analisar neste encontro entre Académico de Viseu e Sporting, vitória do Académico em Alvalade frente aos Leões. Temos ao minuto 88 o amarelo para Maxi Araújo.
Sim, é uma entrada de frente, bastante dura, negligente. O Maxi com ambas as mãos acerta ali no peito do Boldini e por isso cartão amarelo bem mostrado.
E para terminar a análise, antes de conhecermos que nota merece Miguel Nogueira Amarelo para Mestanza do Académico.
Sim, com a mão esquerda, agarra e puxa a cintura do Silas Anderson. É uma falta tática, o objetivo é parar a jogada. Ele estava numa zona central em relação à área, daí até resultou um pontapé livre, que depois foi batido pelo Max Araújo. Portanto, por esta falta tática, por este agarrão, livre direto e cartão amarelo.
Pedro Henriques, depois desta derrota do Sporting, a primeira na época que teve muitos lenços brancos para Rui Borges no Estádio de Alvalade, resta saber se merece um lenço de outra cor. Miguel Nogueira tem boa nota, vai ter um mau lenço.
Tem até boa nota.
Vai ter boa nota. Não merece lenço branco, merece um apito bem constituído.
Sim, eu vou dar nota sete. Estive aqui a hesitar se podia dar nota oito ou não. Poder, posso, mas não dou a nota oito por uma razão muito simples, porque na prática e na realidade, é sempre complicado, porque nós aqui estamos a analisar o árbitro. O árbitro é uma equipa e eu, quando tenho o VAR a tomar decisões importantes, valorizo isto, mas penalizo sempre um bocadinho o árbitro. E na prática e na realidade, nós temos aqui dois lances importantes, um golo anulado ao Clube Viseu, e eu vou dar como boa decisão, que é o assistente que dá. Não é da responsabilidade do árbitro, pelo árbitro o golo tinha sido validado e portanto o golo acaba por ser bem anulado. E temos o penalty, que era um erro grave por parte do árbitro, que era penalty e cartão amarelo, quando na realidade nem sequer houve infração. É por isso que eu, em termos globais, valorizo a equipa de arbitragem e dou nota sete. Não dou oito, porque não foi o Miguel Nogueira que em dois momentos decisivos do jogo tomou a decisão, foi ajudado. Certo, faz parte da equipa de arbitragem, mas nós não podemos esquecer que estamos a analisar o conjunto, mas estamos a analisar, e temos às vezes muitos jogos, em que se não fosse o VAR, que transformam os jogos em arbitragens superpositivas, eram arbitragens completamente desastrosas. E isso tem que ser também, na minha maneira de análise, é sempre tomado em conta. Por isso dou nota sete, que é uma nota extremamente positiva, com este destaque, o penalty revertido bem por parte do VAR e o golo anulado bem por parte, naturalmente, do assistente. Só uma última nota, para além da transmissão televisiva, que eu acho que há aqui uma problemática, nós temos sido muito críticos em relação a isso, não só em Portugal, mas no estrangeiro, que é quem está na regie, o realizador, tem que estar preparado para perceber de futebol, para poder perceber o que aquele momento interessa sob o ponto de vista de repetição. Ponto número um. Ponto número dois, um jogo que está marcado para as 20h30 e começa exatamente às 20h35. Assim será difícil vendermos os nossos jogos de futebol para o exterior, porque esta questão dos horários é extremamente importante e isto é incompreensível. E aqui é responsabilidade de todos. Lógico que os árbitros avisam isto na reunião técnica que têm uma hora antes do jogo, pedem para estar sete minutos antes, que é isto que se pede, sete minutos antes no túnel de entrada. Não é para lá chegar, sete minutos antes é para estarem a sair e portanto alguma coisa tem que ser feita. E é bom que haja penalizações financeiras, porque isto é um espetáculo, há que vender, é preciso vender e para isso é preciso cumprir horários.
Pedro Henriques, está feito o dado, o apito final de mais um "Sem Falta", análise aos casos do jogo e a Miguel Nogueira. Nota sete para o árbitro português. No Sporting 1, Académico de Viseu 2. Um grande abraço, Pedro.
Um abraço.
Temos novo encontro marcado. Na verdade, não vou estar cá eu, mas tu estás cá sempre. Amanhã o Benfica joga nos Açores, num jogo que vamos acompanhar com emissão especial de desporto aqui na Rádio Observador, sempre com "Sem Falta" do nosso audioárbitro, Pedro Henriques. Um abraço, Pedro.
Um abraço.