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Bem-vindos ao PopUp, o programa de cultura pop da Rádio Observador, pela primeira vez em direto e poucas horas depois de terem sido entregues os Oscars. É para isso que aqui estamos, para falarmos dos Oscars. O painel de sábios cinéfilos é o habitual. Maria Ramos Silva, olá.
Olá, bom dia.
Bruno Veira Amaral.
Olá, bom dia.
E Pedro Boucher Mendes.
Viva.
Bem-vindos. Estão mais nervosos, porque isto é tudo em direto?
Sim, nunca fiz nada em direto na vida.
Eu vi logo.
Estou bastante nervoso.
Vamos ao assunto que importa. "Parasitas", o filme de Bong Joon-ho. Eu sou péssimo
Estás te habituando a pronunciar coreano.
Foi o grande vencedor, ganhou quatro Oscars, melhor filme, melhor realização, melhor argumento original e melhor filme internacional. Se colocarmos os atores de parte, estes são os prêmios mais importantes. 1917 ganhou três prêmios, um deles de melhor fotografia para Roger Deakins, que é um mestre da disciplina, e "O Irlandês" não ganhou nada. Bruno, a ver se a gente se entende. "O Irlandês" não ganhou nada.
Essa é uma longa tradição de Hollywood, que é a humilhação anual de Martin Scorsese.
Mas ficaste surpreendido?
Não, não me surpreendeu. Não estava à espera que ganhasse pelo menos nenhum dos prêmios mais importantes.
Mas estavas à espera que o Joe Pesci pelo menos ganhasse?
Não, eu gostava, não estava à espera. Gostava que o Oscar de melhor ator secundário tivesse ido para o Joe Pesci. Acho que é o melhor desempenho dos cinco nomeados e talvez, sem qualquer dúvida, diria que é o melhor desempenho da carreira do Joe Pesci, mesmo tendo em conta a fasquia muito elevada, por exemplo, no "GoodFellas". Mas não era nenhuma surpresa a vitória do Brad Pitt. E por um lado, acho que é justo. Foi a terceira nomeação do Brad Pitt para melhor ator, neste caso, para melhor ator secundário. E há uma certa dívida de Hollywood para o Brad Pitt, que é uma das últimas grandes estrelas.
Mas faz sentido que os Oscars sejam entregues como um reconhecimento de carreira?
Funciona.
Acontece.
Funciona assim. Eu lembro, por exemplo, do Jack Palance, que em 1992, se não estou em erro, ganhou o melhor ator secundário com aquele filme, "A Vida, o Amor e as Vacas". E foi um prêmio de reconhecimento, prêmio de carreira, e isso acontece muitas vezes. O Brad Pitt ainda não é tão velho como o Jack Palance era na altura, mas tem uma carreira que é importante não só como ator, mas também como produtor. E, aliás, já tinha recebido o Oscar para melhor filme com o "12 Anos Escravo". E é natural que seja recompensado pelo seu trabalho ao longo dos anos, ainda que, repito, acho que o grande desempenho dos cinco nomeados era o do Joe Pesci.
Maria, a vitória de "Parasitas" foi uma resposta da academia a quem acusa a instituição de ser uma coisa velha.
E previsível.
E previsível, e em que quem vota são os antigos. Mas, por outro lado, se calhar, não faz sentido fazer este raciocínio.
Se calhar, centraram-se naquilo que realmente interessa no cinema. Se calhar, foi simplesmente isso, porque de facto, se compararmos com outros pseudocandidatos, a partir de filmes como o "Joker", depois se calhar se fores analisar de um ponto de vista mais rigoroso, e deixando a palavra a críticos, como por exemplo o nosso, o Alexandre Borges, que faz um texto que deixa isso muito claro. Hoje, a diferença, de facto, entre alguma expectativa muito de fã, de quem gostaria de ver um filme, por exemplo, como o "Joker" premiado. Mas tivemos o fato de cinema a sério, o "Parasita" com um ou dois detalhes bate por completo a concorrência. Estou me a lembrar, por exemplo, desde aquele pormenor do cheiro, e não entrando aqui em grandes spoilers, até à própria forma como a gestão do espaço é feita, também muito associada àquela estratificação social. É brilhante. Isso é cinema e é um senhor com nome difícil de pronunciar, mas que nós vamos ter que nos habituar a pronunciar muito rapidamente, a mostrar como é que se faz as coisas. Aliás, ele no discurso disse isso de uma forma muito concreta, que é, de facto, a fórmula que ele aprendeu é quanto mais pessoal fores, mais criativo, mais imaginativo. Explica mais ou menos a coisa. Até por matar ali a questão.
Ele falou disso e de muita vontade de beber copos.
Também faz parte.
Até de manhã.
E é justíssimo.
Até de manhã. Pedro, 1917 merecia ter ganho algo mais? Especificamente, o Sam Mendes merecia ter sido escolhido como melhor realizador?
Eu acredito que se o "Irishman" tivesse estreado em salas, digamos assim, ou tivesse estreado só em salas.
Achas que fazia diferença?
Que não fosse só um filme Netflix, teria tido uma patine ligeiramente diferente e talvez o Joe Pesci pudesse ter beneficiado com isso. No fundo, se o Oscar fosse para Joe Pesci, ou quanto mais Oscars a academia der às plataformas em quantidade, mais lhes vai dar a paridade que elas podem ter com os chamados estúdios. E parece haver ainda alguma reticência de o fazer Pelo menos é a minha interpretação, embora eu ache que o Brad Pitt faça um bom papel, mas de facto o Joe Pesci faz um papel muito melhor. Acho que nem são comparáveis a qualidade de um e a qualidade do outro, embora eu pessoalmente goste imenso do Brad Pitt como actor. Acho que ele tem uma dimensão de canastrão sensível. Ele não tem culpa de ser um homem muito atraente. E nós vemo-lo a receber o Oscar, ele tem quase 60 anos e parece que tem aquela idade indefinida, pode ter 42.
Mas é canastrão profissional.
Sim, não tem culpa de ter nascido com aquele corpinho.
E o Joe Pesci não foi. Tens que perceber, tinha que ir alguém lá.
Joe Pesci, foi o aniversário dele, acho eu. O "Parasita" vamos falar mais à frente, não é?
Podemos falar já, é como tu quiseres.
O "Parasita" tem um sobrinho, uma questão interessante que eu não vi em sítio nenhum, mas não quero estar a dizer que é um pensamento original, porque pode não ser, que é: aquilo não é bem cinematografia sul-coreana. Ou seja, se nós trocássemos os atores por atores espanhóis, ou por atores portugueses, ou belgas, ou franceses, aquela trama pode se passar em qualquer sítio onde existem ricos e pobres, que é praticamente o mundo inteiro. Exceto paraísos como Cuba, onde toda a gente é feliz. Mas fora isso, nos outros sítios onde nem toda a gente é feliz, há ricos e pobres. E eu acho que o filme ganhou e tem ganho muitos prêmios muito por causa disso, porque no fundo a história é universal. O setting é universal, a direção de produção é universal. Aquilo passa-se numa casa de ricos, digamos assim, e aquilo é completamente ocidentalizado. O frigorífico podia estar em qualquer uma das nossas casas, tivéssemos o dinheiro daquela família.
Mas a verdade é que foram dois sul-coreanos que escreveram o filme.
Sim, não estou a tirar mérito nenhum. Se calhar se fosse em Portugal, fariam um filme escuro, a preto e branco e com xales. E os sul-coreanos fizeram um filme cheio de emojis, pauzinhos e chazinhos, usando aqui uns preconceitos legais comuns. Sobre o "1917". No fim do filme, percebe-se depressa que o filme podia ter sido qualquer coisa que não conseguiu ser. Nomeadamente, o filme não tem alma, não tem uma dimensão. Nós não mergulhamos naquele tempo, nós não viajamos até 1917.
E chegas ao fim e não ficas satisfeito. Falta qualquer coisa.
E nós não viajamos até àquela altura, 1917, que foi uma altura terrível. Chamada a Grande Guerra, se calhar um dia podemos falar sobre isso melhor, mas foi tão marcante na história da humanidade, não só na história recente, mas na história da humanidade de uma forma geral. Mas aquilo parece um pouco, como vi alguns, um jogo de computador. Aqueles Super Mario, que ele tem que passar por vários ecrãs, não sei como é que se diz, níveis.
Sim. Que antigo.
Sim. Aquilo, no fundo, é uma missão. Como nos jogos de computador. Nos jogos antigos, não sei se agora ainda é assim, deve ser. Em que ele começa no princípio, tem um objetivo e no fim consegue ou não, depois vejam o filme, mas passa por várias peripécias e quase que é isto, quase que é aquilo, mas consegue sempre ir para a peripécia seguinte. E acho bem que tenha ganho o "Parasita", era o meu favorito.
Bruno, tu já fizeste as pazes com o Joaquin Phoenix, o nosso amigo Joaquim?
Antes de falar do Joaquim, deixa-me dizer que esta vitória-
Nada, não há aqui um fio condutor.
Não, desculpa, mas não mandas aqui. Esta vitória do "Parasita" é muito interessante. Se compararmos, por exemplo, e deixa-me voltar aqui ao Martin Scorsese. O Martin Scorsese ganhou o único Oscar de melhor realizador dele, com um filme que era um remake de um filme de Hong Kong, era o "Infiltrados", e que pra mim não é em nada inferior ao filme do Scorsese, com a vantagem de ser o original. Se fosse há uns anos, provavelmente o Parasitas passaria completamente ao lado da academia. Os americanos pegavam naquilo, faziam um remake ou uma adaptação.
E se calhar ainda vão fazer, atenção.
E provavelmente seria.
Calma, vamos ver.
Não, depois disto, dificilmente. E essa é uma curiosidade.
E ainda há pouco o Bong Joon-ho assumiu que o Scorsese é uma das maiores influências dele.
Claro.
Mas isso até pra ti, não é?
Sempre que o Scorsese é nomeado.
E era sem o Tarantino. Por Tarantino mencionar muitas vezes o nome dele nas suas listas.
Nas listas, ele referiu isso. Mas essa é outra das tradições de Hollywood, sempre que o Martin Scorsese é nomeado, que quem ganha se sente um bocadinho constrangido e confessa a enorme dívida que tem para com o Martin Scorsese. Depois o Martin Scorsese é aplaudido, mas a verdade é que o Ron Howard, por exemplo, tem mais Oscars que o Scorsese, o que diz muito também do funcionamento da academia. Toda a gente presta homenagem ao Martin Scorsese nestas ocasiões, mas a verdade é que, em comparação com outros realizadores, ele foi poucas vezes premiado. E neste caso, fazendo esta comparação com o "Parasita", foi nomeado por um filme que agora provavelmente até poderia ter sido premiado. E quanto ao Joaquin Phoenix, eu não-
Não sei se reparaste, mas o Scorsese estava bastante aborrecido durante a cerimônia. E há várias imagens dele durante a atuação do Eminem.
Bem, são maravilhosas.
Se ele não está a dormir Eu acho que ele teve uma postura digna, ao contrário de outras pessoas brancas e ricas que se abanaram muito e morderam os lábios, como alguns diziam, ao som do Eminem.
Havia uma piada que diziam que até os rappers eram brancos nos Oscars.
É verdade. Mas eu perguntava: tens feito as pazes com o Joaquin Phoenix?
Não, aliás, o discurso dele acho que ainda piorou as coisas.
Cá está.
Não estava muito preocupado em saber as opiniões políticas e as opções de vida do Joaquin Phoenix. Ele aproveitou para fazer um discurso muito comovente sobre os seus pecados passados e agradecer às pessoas que o aturaram.
Tu nunca vais gostar de um discurso do Joaquin Phoenix. Não vale a pena.
Se ele continuar com o mesmo nível, não, mas também pode mudar. Se ele mudou e agora é uma pessoa com quem se consegue trabalhar muito bem, pode ser que também mude os discursos.
Ele admitiu que é uma pessoa com quem é difícil trabalhar.
Sim, ele disse isso.
Está a mudar.
E diz que mudou e pediu desculpas e agora é vegetariano, creio, ou vegan, não sei.
Sim.
E falou também das questões de desigualdade, tudo coisas importantes. Também não é por isso que deixa de ter o seu valor como ator.
Vais gostar menos do senhor. Maria, a Renée Zellweger, como se esperava, ganhou o Oscar para melhor atriz pela sua interpretação de Judy Garland. É o renascimento da Renée Zellweger, que tem estado de fora, meio ausente.
Sim, um pouco. Chamavam-lhe até o Renée-ssance, de Renée. Faziam esse trocadilho.
Esse é estético.
É um pouco.
É que essas coisas de renascimento às vezes vão lá de exagero.
Sim, um pouco.
Qual é a ideia?
Mas a verdade é que a Renée Zellweger durante alguns anos, não é um intervalo assim muito alargado, mas ainda assim é substancial, sobretudo quando trabalhas nesta área, não há créditos dela no IMDb, portanto ela esteve completamente afastada dos filmes, do cinema. Pois há todas aquelas questões meio marginais. Aquele episódio da plástica em que ela aparece completamente transfigurada, se era ela, se não era ela, se tinha mexido na cara, se não tinha. Para trás ficavam aqueles anos Bridget Jones, que ao mesmo tempo também punham uma espécie de patamar que não imaginavas.
Mas é um lugar do qual ela nunca foi dissociada desde que fez, sobretudo, o primeiro filme.
Sim, a questão é essa. Depois surge com o grande papel, e apesar de ela ter ganho um Oscar com Cold Mountain. Mas com esta dimensão, com este peso e com esta certeza de que poderia vingar e de facto chegar ao Oscar, só com este papel e só neste momento. Portanto, sim, eu acho que era mais ou menos esperado. Também não é uma daquelas intervenções memoráveis. A própria forma como a Renée se apresenta. Aliás, nós falámos sobre isso quando analisámos a passadeira vermelha e os looks. Parece que estava ali em casa, de repente, lembrou-se: "Ah, é verdade, hoje tenho Oscars, deixa-me pôr ali qualquer coisa que tenho no armário."
Faltou um pouco de glamour.
Faltou ali alguma, mas ao mesmo tempo também, e podemos passar um pouco por aí, parece que os próprios Oscars e a forma como a cerimônia está a ser vivida também mudou um pouco. Se calhar a prioridade passou a ser outra ou redefiniu-se ali também um bocadinho a noção de glamour e a forma como te posicionas e depois as festas antes e depois. E se calhar pensar até que ponto a temporada também já não está um pouco estafada e as pessoas quando chegam aos Oscars também já estão fartas dos Oscars.
Já não querem receber prêmios.
Já não querem receber prêmios ou pelo menos saber quem é que recebe os prêmios.
Se calhar já não são tão novidade.
Não são, se calhar perdeu-se um pouco aquela cavalgada que tu tinhas até finalmente chegarmos aos Oscars. Era uma espécie de grande momento decisivo. Parece que de alguma forma se esvaziou e hoje quando chegas lá não tens grande novidade, tens esse efeito mais ou menos previsível. Daí que o "Parasita" se tenha tornado, de facto, aqui completamente disruptivo, porque acabámos por não estar à espera disso.
Muito bem. Nós vamos falar mais sobre esse aspecto do glamour, passadeira vermelha e como isso pode ser um reflexo ou até uma antecipação daquilo que depois acontece dentro da cerimônia. Vamos fazer agora um curto intervalo. Voltamos já a seguir. Segunda parte do PopUp, edição especial na ressaca dos Oscars. Maria, vamos pegar onde ficámos no final da primeira parte. Até que ponto aquilo que acontece na passadeira vermelha não é só, e sem menorizar a passadeira vermelha, mas não é só aquilo que está ali, ou seja, não tem uma relação direta com o que acontece a seguir. A postura das estrelas, dos convidados, dos nomeados, não começa ali e não continua. Porque mesmo antes de começarmos o programa, falámos que se calhar falta o glamour que já vimos há alguns anos.
Mas olha só, quando eu digo que falta o glamour, provavelmente isto não é necessariamente com uma nota de crítica. Eu acredito que a própria passadeira, neste caso a dos Oscars em particular, possa estar de alguma forma a ajustar
A este tempo, seja isso bom ou mau. Eu digo isto porque, imagina, por exemplo, no caso dos BAFTA, a própria organização, e muito em parceria com a escola de design e com o comitê do design inglês, criou uma espécie de guia para os atores reutilizarem as suas peças, para usarem, por exemplo, vestidos que já tivessem sido usados. Isto em consonância com uma série de desígnios contemporâneos, digamos assim, preocupações ambientais. E no caso dos Oscars, por exemplo, tu tiveste um live disso com a Margot Robbie, que usou um vestido Chanel de 1994, portanto, uma peça vintage, antiga, que acaba por ser reciclada. O próprio Timothée Chalamet aparece com look, ele é uma figura particularmente alternativa, isso seria mais ou menos esperado, mas não vem com o clássico smoking. Sem querer, há ali uma série de novidades que, por um lado, podem estar mais ligadas a um certo desleixo ou "I don't care", mas ao mesmo tempo podem ser pensadas e podem ser absolutamente intencionais. E lá está, quase forma de statement, daquelas pessoas que sabem que os Oscars começam muito antes de sentarem no Dolby Theatre e que há todo um ritual que começa a ser trabalhado e pensado muito antes de subirem ao palco, por exemplo. Eu não sei até que ponto poderá ser ou não uma coisa estruturada e pensada, ou se é simplesmente o "não tinha nada mais importante pra fazer e, portanto, vim aqui, mas na verdade preferia estar em outro sítio e olha, vou vestir a primeira coisa que me aparecer." E calhou.
E calhou. Pedro, uma curiosidade: até que ponto aquilo que acontece na passadeira vermelha é um melhor produto televisivo do que a cerimônia em si? Ou não é?
Não é, claramente. Duas coisas. Em primeiro lugar, sobre a Renée Zellweger, não é fácil para uma mulher atraente e loira ter bons papéis, como é evidente. Nós vimos isso no caso Weinstein, em que o tipo era um predador. E com certeza tentaria seduzir mais depressa as mulheres bonitas do que as mulheres menos bonitas, vamos dizer assim, ou menos atraentes. Atrizes como a Margot Robbie, como tu disseste, ou como a Renée Zellweger, ou como a Nicole Kidman, acho eu, que têm que provar um bocadinho mais para que as pessoas passem essa montanha.
Tal como o Brad Pitt teve que provar ou por ser um homem não teve que provar tanto.
Também, eventualmente. Tanto que eu lhe chamei canastrão. E a Renée Zellweger vai fazer 51 em abril. Eu acho que ela escolheu aquele vestido para provar que o seu braço estava entorneado, e está, ela deve estar no ginásio muito tempo. O braço, como sabemos, das mulheres, é uma zona adiposa, onde se concentra gordura. Ela deve ter uma vida de sofrimento, acho eu, treinando no ginásio horas por dia para ter aquela figura aos 51. E nós podemos pensar: "Tomara eu ter o dinheiro dela e passar a vida..." O meu ponto é que isso também exige disciplina, se calhar uma disciplina que não é nossa ou que nós não somos obrigados a ter, mas que os atores têm que ter. E isso leva-nos à passadeira vermelha. Tem que ser tudo muito criterioso, porque a malta de Hollywood, atores, enfim, têm sobretudo que não cometer erros. Não podem dizer coisas fora do baralho, não podem dizer coisas politicamente incorretas, não podem usar uma roupa que depois se descobre que é feita numa sweatshop, numa fábrica qualquer, num país qualquer.
Portanto, têm que tentar ter o maior low profile possível.
Não é tentar, é têm que ter a certeza que na sua roupa, no seu discurso, nas joias que usam.
Não metam a pata na poça.
Controlar o risco.
Exatamente. Não é controlar. Eles não podem correr o risco, digamos assim, de um episodiozinho, de cara, ca, ca, ca, lhes dá cabo da carreira. Essa é a primeira coisa. Depois têm que ter um discurso alinhado com aquilo que eles são e aquilo que é esperado deles. Se eu sou mais ou menos irreverente, terei que dizer umas coisas mais ou menos irreverentes. Se eu não for mais ou menos irreverente, tenho que dizer umas coisas mais boring. E não é fácil estar na passadeira vermelha.
Portanto, são uma série de ditaduras, mais ou menos.
E depois tenho contrato com marcas, não posso usar outras. Se a Dior me empresta um vestido aqui, significa que o meu agente negociou, que eu isto, isto e aquilo. Há muito mais do que meets the eye, digamos assim. Eu acho que esta cerimônia tem vindo a tornar-se menos interessante porque há muito mais pressão por causa das redes sociais, aliás, que é um tema comum a outras cerimônias. É tudo muito mais neutro.
Como assim? Explica.
Não podes ser muito anti-Trump, porque depois és criticado. Não podes ser muito pró-Trump, porque isso é impossível. Não podes ser demasiado ambientalista, nem pouco ambientalista.
Os atores já vão muito condicionados.
Portanto, nunca podes ser nada.
E torna tudo muito mais aborrecido.
Exatamente. Aborrecido ou pelo menos mais ali num caminho estreito. Os atores e as atrizes e o mundo Hollywood é um mundo muito intenso e altamente competitivo, e já em Portugal, nós não temos sequer star system, mas daquilo que eu sei, e é bastante, os atores e as atrizes são sujeitos a uma pressão enorme para ter os melhores papéis, para poderem ser consideradas para protagonistas, se devem aceitar ou não ser a boazinha da fita ou a mazinha da fita, ou a atriz ou atores que não querem ser o pai da, ou o avô, ou o filho, ou o marido. E nós vemos isso, por exemplo, isto que eu vou dizer, espero que me corra bem.
Vai correr bem, de certeza.
Se Laura Dern fosse uma mulher mais atraente, digamos assim, visualmente, aos olhos, será que seria tão gostada por toda a gente? Porque, por exemplo, toda a gente parece gostar imenso a Laura Dern. Eu gosto imenso, acho que ela é uma ótima atriz. Aliás, fez uma série de televisão que passou um bocadinho ao ar e que é uma ótima série, uma comédia. Mas se ela fosse mais atraente, será que tinha o eco que tem agora? Porque, por exemplo
Eu não vejo o mesmo amor com a Nicole Kidman, por exemplo, que são mais ou menos da mesma idade, acho eu.
Bruno, queres responder? Se a Laura Dern não fosse mais atraente, era menos gostada?
Não sei se a reação quase universal a este papel.
Não queremos gostar tanto de pessoas que são atraentes, mas por quê? Porque já têm coisas boas que chegue.
Há uma certa futilidade associada. Quando eu dava aulas de televisão, fazia sempre este exercício: nós, na vida real, imaginemos que levamos o nosso filho a uma emergência de hospital, e há duas médicas. Há uma médica morena, bem vestida, com ar duro, e há uma médica loira, com o peito grande, com ar alegre e muito maquiada. Que médica é que escolheríamos para o nosso filho? Só tínhamos que decidir ali, sem elas abrirem a boca. Muito provavelmente escolheríamos a morena. Por isso é que as protagonistas, normalmente em séries, em filmes, são morenas de ar até quase masculino. Depois revelam-se mais femininas. Onde eu quero chegar é que existe um preconceito, eu diria, natural, ou pelo menos automático, não natural, mas automático, em que as pessoas que são mais atraentes, nós achamos que a vida lhes deu uma vantagem, então não vamos gostar tanto delas como das pessoas que não são tão atraentes. E eu acho que isso reflete muito neste tipo de prêmios.
E tu também achas, Bruno?
Não me parece.
Ainda bem, era mesmo isso que eu queria ouvir.
Quer dizer, se nós formos comparar a maioria dos atores com os comuns mortais, todos eles estão em muito melhor forma e são muito mais bonitos do que a maioria das pessoas.
Porque também é isso que nós queremos ver.
Claro, eles vendem-nos um sonho, vendem-nos uma imagem. Esse é o produto que Hollywood vende para o mundo. No caso da Laura Dern, acho que entrou aqui na equação outra coisa que é um pouco esta ideia do regresso, do comeback. A maior parte dos cinéfilos, a memória mais forte que terá da Laura Dern é no Coração Selvagem, do David Lynch. Creio que há uma ligação afetiva com essa memória e que ao vê-la agora de regresso ao palco, creio que o impacto está relacionado com isso, acima de tudo, com essa memória da Laura Dern e de, no fundo, acharmos que não lhe foi dado o reconhecimento devido ao longo dos anos, não ter tido a mesma valorização que outras atrizes, até que algumas das mencionadas pelo Pedro. E vê-la neste grande papel, que é um grande papel no Marriage Story, é uma forma também de nos redimirmos, nós cinéfilos e espectadores em geral, de nos redimirmos, talvez por esta, não diria ignorância em relação à Laura Dern, mas por não lhe ter sido dado o devido reconhecimento ao longo dos anos. Creio que isso terá mais que ver com isso, porque, por exemplo, a Margot Robbie, que é uma mulher lindíssima, na verdade deslumbrante, tem tido todo o reconhecimento nos últimos anos, tem feito enormíssimos papéis, não lhe têm faltado oportunidades e tem sido reconhecida enquanto atriz pelas suas qualidades, não só pela sua beleza, mas pela qualidade dos desempenhos.
E a forma como tu tratas a beleza, que é essencial na indústria, faz parte. É muito curioso, por exemplo, no caso de outra mulher neste campeonato, a Charlize Theron, quando fez o Monster, na altura, o nosso grande espanto era como é que conseguiram transformar uma mulher tão bonita naquela figura.
E isso terá levado muita gente a ver o filme, apenas isso, não é?
Também, mas não deixa de ser paradoxal. Ao mesmo tempo, como é que tu geres este superávit de beleza e depois o transformas e vais buscar uma mulher muitíssimo bonita para criares aquela personagem. Quer dizer, é muito interessante também.
E aí vai um pouco ao encontro daquilo que o Pedro dizia. Sim, por vezes é preciso, para se ter algum reconhecimento artístico.
Desmontar quase essa capa.
Ainda que não seja sempre assim, mas no caso da Charlize Theron, eu acho que funcionou um pouco assim. Foi preciso ela fazer um papel completamente fora daquilo que se esperava dela, parecer como uma mulher feia.
Quase prova, prova dos nove.
Dizer: "Não, eu sou uma atriz a sério, consigo fazer papel em que não sou apenas uma cara bonita". Mas depois há atrizes que se destacaram ao mostrar aquilo que também têm, não de melhor, mas aquilo que se calhar lhes permitiu chegar ao lugar que ocupam, que é a beleza física. E isso também é válido para os atores.
Pedro, aquilo que estávamos a falar há pouco e que tu referiste, aquela espécie de politicamente correto, de regras que é preciso. Isso não rouba entusiasmo aos próprios nomeados? E mesmo quando recebem o prêmio, lembro-me sempre do Roberto Benigni quando vai receber o prêmio, por causa da Vida é Bela e aconteceu todo aquele circo. Provavelmente, só aconteceu porque ele é italiano, não é americano, não tinha, se calhar, todas essas exigências.
Eu tenho ideia que as pessoas agora não querem virar memes, ou memes. Tenho ideia que não querem.
E têm, de fato, essa consciência quando os eventos estão a acontecer?
Acho que sim. Eu diria que sim, ou pelo menos os seus agentes e publicistas têm. Ninguém gosta de ser gozado.
Mas, em última instância, a culpa é de todos nós, não é?
Sim, claro. Desde logo, não há apresentador nos Oscars.
Essa é outra questão.
Porque o limite ninguém se quer atravessar ou eles não querem convidar ninguém que tenha tido um tweet ofensivo. O Chris Rock falou disso no início da cerimônia. O problema é o Twitter, podes sempre encontrar uma coisa que alguém escreveu há 20 anos. Há 20, não, mas há 10.
Pois são bastante monótonas estas cerimônias, porque como são espetáculos televisivos, têm que ter muitos intervalos. Nos Estados Unidos há muito mais intervalos do que em Portugal e o ritmo também é esse.
Acho que a culpa é de todos nós. Acho que vivemos num mundo muito mais pequeno e muito mais vigiado. Todos nós nos vigiamos muito mais uns aos outros, em que as coisas ganham proporções que as pessoas cá não contavam. O Bruno falou do Jack Palance. Ele fez umas flexões quando ganhou esse Oscar. E o Benigni também fez um discurso de aceitação. Eu vi numa publicação que eu até reputo como boa na internet, como piores momentos dos Oscars, ou momentos mais ridículos. Não sei, se um velhote faz uma flexão e é considerado como ridículo, se calhar mais ninguém quer fazer.
Mas se houvesse um apresentador, a questão não se colocava assim tanto. Havia ali, se calhar, um-
Buffer
Exato. Era possível bater uma bola com uma pessoa do outro lado, digo eu, não sei, não faço ideia.
Sim, acho que sim. Mas quem é que quer correr o risco de ser apresentador? Mas isso também é válido em Portugal. Quem é que quer correr o risco de, na televisão em direto, dizer aquilo que realmente pensa? Ninguém, porque depois é logo trucidado nas redes sociais. Enfim, não é bom, nem é mau, é o que é. Eu acho que estas cerimônias, quando não há um assunto que se impõe, por exemplo, a primeira cerimônia a seguir à eleição do Trump, a agenda era: "Eu tenho que ter a certeza que falo mal do Trump para as pessoas acharem que eu sou boa pessoa." Hollywood é muito liberal, como se costuma dizer, no sentido de esquerda em Portugal, e portanto, toda a gente fez questão de se manifestar contra Trump e fizeram isso. Mas este ano eu estava à espera que houvesse mais ambiente.
Nada.
Houve muito pouco. Acho que o Phoenix falou vagamente do ambiente e a Laura Dern também, vagamente do ambiente.
Vaga e despropositadamente.
Pronto, exato.
No caso da Laura Dern.
Sim, não ligava com nada. Mas basicamente não houve um assunto, uma espécie de corda onde as pessoas se pudessem agarrar. Enfim, resumo, esta cerimônia não vai ficar nas 10 melhores cerimônias de sempre, de certeza.
Isto mostra muito como um apresentador faz falta. Eu acho que os Oscars vão ter que se preocupar com isso muito rapidamente. Aliás, só aquele descambar de passa de bola até chegar a uma entrada do Eminem, em 2020.
E às tantas parece que há momentos mortos, parece que há quase silêncio.
E há apresentadores que se têm que apresentar quase a eles próprios.
E outros que aparecem sem ninguém saber.
Exatamente, é surreal.
O Chris Rock, no princípio, fez uma piada com o Jeff Bezos da Amazon. Uma ou duas piadas. Eu acho que as pessoas devem perguntar se fosse o Jeff Bezos, se gostavam que fizessem piadas a respeito.
Bom, mas isso é humor, fazer piadas.
Não sei, mas gostavas que fizessem piadas a teu respeito para milhões e milhões de pessoas?
E gostavas de ser o Jeff Bezos? A questão é que se ele é o Jeff Bezos, ele sabe que pode ser alvo de piadas. É muito mais provável tu seres alvo de piadas se fores famoso, conhecido, rico.
Eu não estou a defender nada, só estou a dizer que talvez nós, pessoas anônimas, devêssemos pensar se gostaríamos que fizessem uma piada conosco para milhões e milhões de pessoas.
Se a contrapartida fosse sermos milionários, acho que não importaria.
Acho que muitas piadas são piadas. Por exemplo, eu vi numa revista qualquer no Instagram, uma coisa que achei profundamente lá estar, também mostra a nossa pouca resistência à piada ou pseudopiada. Era sobre as nomeadas para melhor atriz. Então eles tinham partilhado uma foto, salvo erro, da Saoirse Ronan e da Scarlett Johansson. Elas abraçavam-se, muito divertidas.
O Bruno diz muito bem esse nome.
Eu aprendi na escola.
Que aprendeu semana passada. E a legenda era qualquer coisa como: "Estas duas abraçando, sabendo que apesar de tudo, a Renée vai limpar isto tudo." Havia pessoas a comentarem: "Isso é uma piada que não se faz, é impossível, como é que estão fazendo?" Uma coisa absolutamente inofensiva. Não é nada de lesa-majestade que as pessoas já não fossem dormir. Portanto, também há aqui um grau de: que piada é que tu podes fazer?
Nenhuma.
Nenhuma.
A resposta é fácil, nenhuma.
Assim não vamos longe.
Nota, eu não estou a dizer que não se devam fazer piadas sobre o Jeff Bezos. Só estou a fazer notar que qualquer pessoa que é alvo de uma piada, essa piada vai ser ampliada e amplificada até à náusea, até ao infinito. É só isso.
Mas acho que faz parte do jogo.
Pois, do jogo atual, faz, claro. Mas o jogo antigo não fazia, porque não havia redes sociais.
Vamos acabar com as redes sociais. Bruno, e se os Oscars, em vez de serem a última cerimônia de prêmios, fossem a primeira da temporada? Não se resolvia uma série de problemas?
Sim, por um lado, as outras cerimônias, se pensarmos nos BAFTA, ameaçam tornar os Oscars um pouco redundantes, porque estão a premiar ou nomear os mesmos filmes.
Este ano, apesar das nomeações, ainda assim, o resultado final foi de prêmios redundantes.
Eu não sei se vai mudar grande coisa. Nós temos que perceber, o próprio realizador, o coreano, disse há uns meses uma coisa.
Não quiseste dizer o nome dele.
Que é óbvio, é o Bong Joon-ho. Como é que está o meu coreano? Ele disse uma coisa que os Oscars não são um festival internacional, são uma coisa muito local, muito paroquial, é Hollywood a premiar-se a si mesmo. Provavelmente, agora as pessoas dirão: "Não, aqui está a prova." Mas eu não sei se isso terá continuidade. Será que para o ano vamos ter filmes chineses a competir?
Contra filmes do Sudão? Eu acho que não.
Mas eles podem dizer isso, mas sabem perfeitamente que Hollywood é o cinema mundial, porque é o cinema mais consumido.
Hollywood nem sequer tem sido capaz de reconhecer aquilo que faz de melhor. Hollywood, nos Oscars, a Academia, que é cinema popular de qualidade. Por exemplo, voltando ao Scorsese, os melhores filmes do Scorsese não foram premiados. Os melhores filmes do Spielberg, para mim, o "E.T.", o "Tubarão", o "Indiana Jones", que é cinema popular de grande qualidade, não foram reconhecidos. Foi preciso o Spielberg fazer um filme sério, que é a "Lista de Schindler", para ser reconhecido, quando a verdadeira arte do Spielberg é o cinema popular de qualidade, de entretenimento, que a Academia não sabe reconhecer. E se pensarmos no caso da Judy Garland, que nunca recebeu um Oscar, por exemplo, e a Vanessa mencionou isso, não deixa de ser irónico. Hollywood nem sequer tem sabido premiar aquilo que faz de melhor. Não são os grandes pastelões que definem Hollywood, aqueles que normalmente são premiados. Hollywood não soube reconhecer o caráter inovador do "Pulp Fiction", premiando, e preferiu entregar o Oscar ao Forrest Gump. E o filme mais influente, provavelmente, dos últimos 25 anos, terá sido o "Pulp Fiction".
Curiosamente, que ganhou a Palma de Ouro em Cannes.
Ganhou a Palma de Ouro.
No ano anterior, tal como este filme agora, ganhou a Palma de Ouro.
Que o que não acontecia há 55 anos, podia ter acontecido, por exemplo, com o "Apocalypse Now", que ganhou a Palma de Ouro, mas não ganhou o Oscar. Portanto, a Academia premeia a si mesma, mas muitas vezes não consegue ou não tem essa capacidade de premiar aquilo que Hollywood faz de melhor. Não sei se isso vai mudar e também não estou à espera que a partir de agora os Oscars passem a premiar os melhores filmes internacionais. Acho que isso para o ano vai voltar à normalidade.
Achas que aconteceu porque, de facto, o "Parasita" era o melhor filme e ganhou?
Sim, foi aquilo que se costuma dizer, tocou num nervo, pela história. Acho que foi mais por isso, pelo filme em particular, não sei se vai criar um precedente.
Eu acho que foi porque era, de facto, o melhor filme ocidental. Ou seja, concordo com tudo o que o Bruno diz e acho que o "Parasita" é um filme popular, tem uma história que qualquer pessoa percebe. Eu levei o meu filho mais novo, que é um miúdo normal, de 16 anos, ele adorou o filme, viu aquele filme como se tivesse visto um filme americano qualquer ou o que for. Ele não viu um filme coreano, ele viu um filme. Agora, quem já foi jurado alguma coisa ou quem já teve que escolher, fez parte de um júri, de escolher os melhores livros ou o melhor não sei o quê, sabe que por melhores que sejam as intenções, o processo passa muito por exclusão. "Este não ganha, este não ganha, este não ganha, este não ganha, este também não pode ganhar, este também não pode ganhar." E depois, no fim, sobram cinco ou seis, e é um pouco distribuir o bem pelas aldeias e o processo de escolha não deve ser simples, porque o Scorsese não, porque não sei o quê, é do Netflix.
Netflix, aí, pronto.
Exato, sim. Um dos elementos.
As Mulherzinhas não, porque é um filme de época só com mulheres e não sei o quê. E depois, se calhar, chega o Parasita. Ou seja, não sei se o Parasita foi uma escolha ou foi o que sobrou, digamos assim, ou muitas vezes será o que sobra. Acredito que, neste caso, o Parasita tenha sido uma escolha, mas por ser um filme ocidental, apesar de ser feito por asiáticos. Acho que é essa a sua vantagem.
É curioso também que o Brad Pitt ganhou o Oscar, mas o Tarantino não ganhou nada.
Nada, pois não.
Nem enquanto realizador.
Se calhar, a maior surpresa no Parasita é talvez da realização, que era menos esperado, quer dizer, menos esperado que podia não ter ido para o Parasita.
Mas tem uma ótima realização, o filme está muito bem realizado.
Sim.
Se estivesse um bocadinho diferente, seria um episódio de uma série de televisão.
Esse foi o primeiro indício, o argumento original, o Oscar de argumento original foi o primeiro indício de que no final poderia haver uma grande surpresa. Muito bem. Final do Pop-Up na ressaca dos Oscars. Voltamos na próxima semana, já no horário habitual. Até lá.