Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Eu vou começar precisamente por si, Daniela Melo. Boa noite, bem-vinda à Rádio Observador, obrigado por estar conosco. Esta é uma eleição importante para os Estados Unidos da América, mas ao que tudo indica, é uma eleição muito importante para o Partido Democrata por ter esta oportunidade de viragem. É assim que nos Estados Unidos da América se está a encarar esta eleição e é assim que o Partido Democrata estará a encarar esta eleição, o possível regresso a uma luta por um cargo presidencial daqui a dois anos e por um poder no Congresso, um poder no Senado e na Câmara dos Representantes.

Olá, boa noite a todos e a quem nos está a ouvir. Esta é, sem dúvida, uma luta renhida para o Partido Democrata, e importantíssima, porque o Partido Democrata, estando na minoria em ambas as câmaras do Congresso durante os últimos dois anos, não conseguiu efetivamente fazer oposição ao Partido Republicano. Toda a oposição que foi feita, foi feita praticamente fora das instituições, e foi feita também muito na rua, por movimentos de pessoas, por exemplo, que se aliaram para as marchas No Kings, para contestar, para protestar a agenda, sobretudo doméstica, da administração Trump. Portanto, se o Partido Democrata conseguir pelo menos uma das câmaras, e uma parece estatisticamente muito provável.

Dos representantes, parece muito provável, é isso que está a dizer?

Muito provável. O Senado, como sabemos aqui, chamamos-lhe um toss up, uma viragem da moeda. Temos sete corridas, mais ou menos, que estão mais ou menos dentro da margem de erro. Portanto, não vale a pena sequer fazer muitas previsões sobre o Senado, porque só quando os votos estiverem todos contados é que saberemos realmente se os democratas conseguem essa vantagem. Mas vale a pena dizer que as sondagens das últimas semanas mostram um crescimento nas intenções de voto para os democratas em todas essas corridas. Portanto, os ventos são favoráveis ao Partido Democrata, mas eu diria que é uma eleição importante para ambos os partidos.

Mas por que existe esse crescimento do Partido Democrata? É um crescimento percentual ou é um crescimento em número? Isto acontece porque quem votou no Partido Republicano não quer ir votar desta vez, mudou de voto. Quem não votou no Partido Democrata há dois anos, agora, de repente, quer votar. Consegue perceber que tendência está a existir para, de repente, percentualmente, termos este crescimento do Partido Democrata?

São várias tendências. Uma delas é uma tendência institucional do funcionamento do processo eleitoral americano, em que as midterms tendem a ser pouco favoráveis ao partido que está no poder. E, portanto, eu acho que desde a Segunda Guerra Mundial, só houve duas midterms, duas intercalares, em que o partido que estava no poder conseguiu manter o controle das câmaras. Portanto, é raríssimo que isso aconteça, é um padrão, é um verdadeiro padrão na política americana, até porque as intercalares funcionam sempre e são sempre vistas e lidas como um referendo ao partido que está no governo. E ao presidente também. E neste caso, definitivamente, um referendo ao presidente Trump. Como sabemos, as taxas de favorabilidade ao presidente têm estado em queda livre, sobretudo depois do início da intervenção no Irão, que é extremamente impopular nos Estados Unidos, mais popular junto dos republicanos que dos democratas, mas não nos podemos esquecer também dos independentes, que na verdade são o maior bloco eleitoral nos Estados Unidos. A guerra é altamente impopular, e isso também adicionado à subida do custo de vida, à desatenção do próprio presidente para as questões econômicas e para a inflação. Tudo isso se alia num movimento quase anti-Trump, de votar, basicamente, para protestar a política doméstica do presidente. Por outro lado, temos que pensar na afluência às urnas. A afluência às urnas é sempre claro aquilo que decide as eleições. Nos Estados Unidos, quem fica em casa e quem aparece nos dias das midterms, sobretudo vai decidi-lo. Por quê? Porque nas intercalares costumamos ter muito menos afluência do que nas presidenciais. Quem é que aparece nas intercalares? Aqueles eleitores mais envolvidos, que seguem mais as notícias, que estão mais engajados no dia a dia com a política americana e, portanto, as bases duras do partido costumam aparecer nas midterms. E por isso é que Donald Trump também apostou tanto em tentar apelar à sua base para, por favor, votar cedo, para, por favor, ir às urnas, para, por favor, fazerem de conta que é ele que está no boletim e não os candidatos do Partido Republicano. Não sei se será o suficiente num momento onde há tanta frustração que se sente no dia a dia entre os americanos, sobretudo no que diz respeito a esta pressão inflacionária, a subida de custo de vida, a subida do diesel. E eu adicionaria aqui só mais um ponto, que é: Donald Trump parece ter perdido muitos dos eleitores que conseguiu persuadir na última eleição.

É isso. Não são só os republicanos, há também esse bloco do meio que varia, não é?

Exatamente. O bloco do meio, os jovens homens, por exemplo, que votaram em força em Donald Trump e agora tudo aponta que ou vão ficar em casa ou vão votar no Partido Democrata. Os latinos, que serão absolutamente importantes, por exemplo, no sul do Texas, no sul da Flórida, viraram-se contra o Trump, não só pela política de imigração, também pela política econômica, pela política tarifária. Portanto, os eleitores das zonas mais rurais, que são os mais afetados pela subida do custo do diesel, porque as indústrias da agricultura, as indústrias da pesca no Alasca, no Maine, todas essas indústrias sofreram imenso, tanto com a política tarifária do presidente, no que diz respeito ao Canadá.

É a questão das tarifas e a questão do diesel.

Exatamente, e a questão da subida do diesel. Portanto, há muito descontentamento. Há mesmo muito descontentamento e isso pode refletir-se realmente numa adesão às urnas, não só pelos democratas, mas contra Donald Trump, e pior para Donald Trump é se os conservadores ou aquelas pessoas que votaram nele e que não costumam votar, decidirem ficar em casa.