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Ora muito bem, livros, séries, filmes e o que mais houver. Aqui estamos para mais uma dose de sugestões com o carimbo de qualidade do Popup, que é uma frase que eu aprecio muito. Susana Romana, vamos começar por ti, que estás aqui entre nós e queres começar por uma série que está agora a terminar, não é?
Sim.
Mas da qual tu és fã.
Eu, ao contrário da maior parte das pessoas, gosto muito quando as séries das quais eu gosto anunciam: "Esta é a última temporada."
Gostas de saber que-
Tu acreditas, porque és aquelas que acredita.
É assim, normalmente é verdade. Passado 20 anos já não é verdade outra vez, porque volta. Mas normalmente quando é a última temporada, pelo menos no futuro próximo, é de fato a última temporada, porque nada me irrita mais quando uma série que eu gosto vai para lá. Aquilo chamado jump the shark, que é quando uma série de repente já não tem histórias para contar e fica palerma. Não é o caso, acho eu, do "Hacks", que está agora na sua quinta e última temporada, depois disso fecha a história. O "Hacks" está na HBO, é a história de duas comediantes, uma mais velha, a Deborah Vance, feita pela incrível Jean Smart. Uma comediante mais velha que acaba por ter a ajuda de uma guionista mais nova, que caiu em desgraça porque foi cancelada por causa de uma coisa que escreveu no Twitter. Isto ainda é a primeira temporada. E as duas formam uma parceria. A quinta temporada pega numa altura em que a personagem principal, a Deborah Vance, tem um processo em cima e não pode atuar. Então está a tentar perceber como é que consegue manter a sua carreira estando proibida de atuar. É a quinta e última temporada, espero que feche bem e espero que passado 20 anos não esteja a voltar com os filhos e os netos.
Queria só também dar aqui uma referência de que tu originalmente querias falar de uma série da qual o Pedro falou aqui na semana passada, mas podes dar o teu toque.
Que é o comeback, que lá está, voltou passado 20 e tal anos. É um daqueles casos em que fechou, mas depois voltou.
Já são duas pessoas a recomendar isto.
É uma maravilha essa série.
E eu acho esta temporada genuinamente boa, porque uma pessoa quando as séries param e depois aparecem passado não sei quanto tempo, fica na dúvida. Querem o cheque. A bomba da piscina avariou-se e precisam de um cheque. E neste caso, eu acho mesmo que esta temporada é muito boa e fala de uma maneira divertida, não é moralista, mas fala de uma maneira muito divertida de coisas como o que a inteligência artificial pode fazer à televisão e pode fazer ao guionismo, e acho que está uma terceira temporada incrível.
Muito bem, e agora tens dois livros para sugerir.
Tenho dois livros. Um deles, eu pedi-te autorização a dizer: "Trago um livro velho". O livro não é velho, o livro é 2024.
Exato.
Mas na vertigem da vida-
É só para ver como é que nós estamos
...2024, eu penso: "Peço perdão, Tiago".
Olha se não trouxesse o "Guerra e Paz".
Pois é, não podia. Só se for uma nova edição.
Exato.
É um livro que eu comprei por impulso num aeroporto. Chama-se "Monsters: What to Do with Good Art Made by Bad People".
Estou te a imaginar: "Deixa-me passar!"
Sim.
A correr.
Em Portugal está editado pela Quetzal, com um nome um bocadinho diferente. Em português chama-se "Monstros: O Dilema de uma Fã", que eu acho que é um nome menos bom.
Exato.
Agora fala-se muito da cultura do cancelamento, mas esta questão de nós enquanto fãs de arte, enquanto fãs de um pintor, de um músico, de um escritor, o que é que o fato de nós descobrirmos que essa pessoa ou cometeu crimes, ou teve uma conduta imoral. A panóplia é muito vasta.
É um tema muito atual agora, por exemplo, com o filme do Michael Jackson, que está no cinema.
Exatamente. O Michael Jackson, aliás, tem um longo capítulo neste livro. E falar sobre isto, sobre o que nos acontece a nós, enquanto consumidores, quando há ou não, depende como é que nós olhamos para isso, quando há uma espécie de uma nódoa em músicas que são importantíssimas para nós ou em filmes que são importantíssimos para nós. É uma conversa que me interessa, só que é uma conversa que é muito difícil ter, porque entra muito depressa numa berraria de ambos os lados da barricada.
Exato.
Não podes nunca mais voltar a bater o pezinho ao ouvir o "Thriller" e entre o: "É claro que sim, que deves consumir tudo e que para o fim o que é que interessa a vida do homem. E aquelas crianças estavam lá porque queriam."
Ou porque os pais delas as quiseram.
O livro é de uma ensaísta e crítica chamada Claire Dederer. Eu acho o livro genuinamente interessante, porque eu senti-me genuinamente a ter a conversa sobre este tema que eu sempre quis ter e que não consigo, porque entramos numa berraria. Porque o livro é sobre o Jonas Cinzento, o livro é sobre o depende.
Claro.
E fala de vários casos, do Polanski, do David Bowie, do Woody Allen, do Gauguin, do Wagner, que era antissemita. E foi um livro do qual eu gostei muito, porque é um tema que me interessa e finalmente acho que o vi bem abordado. E por último, queria-
Tens bonecos.
Tenho bonecos. Eu sou uma grande fã de novelas gráficas e felizmente há cada vez mais a ser editadas em Portugal.
O Pedro Bexigmense também está sempre aqui a recomendar bonecos.
Sim. É um livro que se chama "A Fuga", escrito pelo Paulo Caetano, ilustrado pelo Jorge Mateus. É a história real de uma fuga da prisão de Caxias, levada a cabo por um grupo, mas encabeçado por um militante do PCP que pertencia à Kari chamado António 13 e é sobre a fuga da prisão de Caxias e como é que essa fuga foi orquestrada, uma fuga que foi feita num carro blindado que o Hitler tinha oferecido ao Salazar. E é uma história muito interessante. Eu gosto muito do trabalho do Jorge Mateus, gosto muito do aspeto que o livro tem. Acho que em termos de escrita de diálogos, gostava que o livro fosse um bocadinho menos óbvio do que aquilo que é, digamos assim, mas a história real é interessantíssima e está muitíssimo bem ilustrada. Enquanto obra é muito bonito.
Muito bem. Falando em muito bonito. Pedro Bexigmense, claro. Ai, ele é tão engraçado. Olha, tu não me disseste quais eram as tuas sugestões desta semana.
Não, olha.
É surpresa, não é?
Gente, mistério.
Os filmes agora estreiam à quinta, não é?
Agora sim.
Desde o "Dead or Alive" que não ia ao cinema.
Vai estrear "Iron Maiden: The Burning Ambition".
É verdade, sim senhor. Um documentário.
Que é um documentário sobre o grupo inglês de heavy metal.
Vais ao estádio?
Não, porque não consegui bons bilhetes. Portanto, se alguém tiver bons bilhetes, contacta.
Não é bilhetes, é bons bilhetes. Atenção.
Não, bilhetes para a bancada ou whatever, isso não quero.
Queres ir para o moche.
Quero os bilhetes melhores, não sei quais são se queres. Não sei se quero quais são.
Não, mas espera lá, quando estás a dizer que não queres bilhetes para a bancada, quer dizer que não faz questão de ficar sentado
Não, porque é muito longe.
Pois. Mas sabes que na Relva não há.
Se alguém tiver bons bilhetes, nomeadamente no palco, contacte aqui. Traz eles no palco. Quem quer vender. Backstage. The Burning Ambition é uma banda curiosa, porque é uma banda de heavy metal. Faz parte da New Wave of British Heavy Metal, assim se chamava aquele movimento do final dos anos 70, princípio dos anos 80. Incluía outros grupos, como os Saxon, por exemplo. Não sei se conheces.
Sim. Tu ouvias quando eras garoto? Foi uma coisa que fez parte?
Sim, fazia parte lá do agregado familiar, meu irmão ouvia e toda aquela iconografia do heavy metal, que era uma coisa um bocado estranha, porque eles tinham o cabelo comprido. Houve também o hair metal.
Sim. Isso era mais.
O West Coast, nos Estados Unidos. Mas ouviam-se várias coisas.
Tiveste algum colete de ganga?
Não.
Estou te a imaginar de colete.
Faz já tempo. Nem pulseira de bicos, nem calças.
Justinhas. Skinny jeans. Desculpa.
E os Iron Maiden tiveram várias fases. Também em 50 anos de carreira.
Aqui está, não é fácil. Vários scalistas.
E hoje são um grupo muito diferente. Hoje, desde há 20 anos, são um grupo muito diferente do que foram e, para mim, muito melhor. As músicas são muito mais longas, têm mais melodia. Eu estou muito interessado em ver este Burning Ambition. Espero que tenha muita música para eu estar ali sentadinho no cinema a dar ao pé.
Claro.
Sim, ao pé.
Podes fazer headbanging também.
Isso. Eu estou muito curioso para saber qual vai ser a recepção cá em Portugal, se vai ter muito público ou não. Falávamos do Michael Jackson, que teve imenso público no mundo inteiro. Não sei se em Portugal chegou a esgotar as salas. Tão ou mais interessante, o facto de já saírem agora, ou estarem a sair, dois livros de memórias, que é uma coisa que nós temos muito pouco em Portugal. Ou talvez tenhamos um pouco, mas com pouco detalhe. E estes livros têm detalhe. Um é da viúva do Paul Auster, Siri Hustvedt, uma americana de origem norueguesa. Eles casaram há imenso tempo, acho que nos anos 80, não sei, mas tiveram 40 e tal anos juntos. E este livro é um pouco sobre os últimos dias de Paul Auster, que morreu de cancro em 2024, e vai ao passado, vai ao presente e vai ao futuro de Paul Auster, à fase a seguir à morte dele. E tem também muito detalhe, os medicamentos que ele tomava e a que ela tomava, e qual era a marca das canetas que ele tinha em cima da secretária, que é uma coisa que eu aprecio muito e que eu acho que enriquece a escrita. Embora um crítico chame isto uma espécie de exibicionismo histérico. O Bret Easton Ellis também tinha muito isso no "Psicopata Americano" também. Ele divaga sobre a música que o psicopata ouve.
Sim.
Eu gosto imenso disso. Aconselho vivamente este "Fantasmas" de Siri Hustvedt, da Dom Quixote, ou como se diz em Lisboa.
Dom Quixote.
Quixote. E não tenho uma dúvida em recomendar este livro, "Trabalho de Casa", "Homework", de Geoff Dyer, traduzido pelo Bruno Vieira Amaral. Eu creio que com a Susana Almeida. Portanto, traduzido a quatro mãos. É um escritor inglês, aquele que escreveu sobre o Roger Federer, "Os Últimos Dias de Roger Federer", acho que é assim que se chama. E este livro é sobre a sua infância, "Homework", e começa mesmo quando o tipo é petit. E também tem muito detalhe e é muito, para quem se interessa por isso, como é o meu caso, sobre a história da Inglaterra daquele tempo. Ele tem 60 e tal anos, portanto será nos anos 60. Ele nasceu no final dos anos 50, portanto será nos anos 60, 70. Vai desde a infância, em que ele é muito pequeno. É muito interessante, porque ele era muito amado pelos pais e gostava muito dos pais. Portanto, não há aquela coisa melodramática ou dramática. E fala muito dos brinquedos que comprava, dos soldadinhos que tinha, qual era a posição dos soldadinhos.
É uma pessoa como tu.
Sim, talvez. Mas ele era filho único ou não era? O soldadinho, não sei se tiveste soldadinhos, mas o soldadinho que está ajoelhado a apontar a arma, o soldadinho que está de pé a lançar a granada.
Tive soldadinhos.
Tive, claro. E tive precisamente esses que ele descreve, o soldadinho a lançar a granada. Depois podemos falar sobre isso.
Era isso que começa a poder ficar interessante.
"The Quetzal: Trabalho de Casa", de Geoff Dyer e Siri Hustvedt, "Fantasmas", dois livros de memórias escritos de uma forma corrente, embora cada um deles com estilo muito próprio. Não aqueles livros que às vezes nós apanhamos e que rapidamente, pelo menos no meu caso, largamos, de coisas muito complicadas e em que as pessoas são muito importantes.
Muito bem. Eu tenho aqui algumas coisas para dizer. Primeiro, na Sky Showtimes está um clássico de Polanski de 74, que é o "Chinatown", com o Jack Nicholson e a Faye Dunaway. É uma ótima oportunidade para verem ou reverem este filme. Dois livros. O novo livro, já que falámos em bonecos, do Craig Thompson. É publicado este mês pela Asa. Chama-se "Ginseng Roots". Foi aquele senhor que escreveu, entre outras coisas, o "Blankets". São novelas gráficas daquelas bonitas e capa dura. Mas as histórias são ótimas e é mais uma vez uma história de memórias e ele volta ao tempo em que era garoto e é uma América diferente. Eu acho que vale muito a pena. Outra coisa, outro livro chama-se"Nothing Random", assim é que é, que é a história de Bennett Cerf, um dos fundadores e um dos criadores da Random House. A história dele foi agora publicada. O autor chama-se Gail Feldman. Não está publicada em português, mas parece-me uma belíssima história. Fica a recomendação. E agora uma coisa que eu vi, não tinha visto, venho sempre com atraso.
Com esses olhinhos que a terra vai comer.
Sim, eu vi "O Monte dos Vendavais".
Ainda não vi.
Que está na HBO.
Mas queria muito ver. Apesar de toda a gente odiar, nós as duas achámos que é giro.
É miserável.
Continua a querer ver.
É miserável. Não, mas eu vi tudo até ao fim. O que eu tenho para dizer? A Margot Robbie está ótima. Ela, de facto, não me parece que consiga falhar. O Jacob Elordi é um canastrão. Inacreditável. Ele tem a densidade dramática de uma pulga.
Poderá ser o próximo Bond.
Espero que não.
E foi nomeado para um Oscar este ano.
Não consigo entender. Sinceramente, não consigo entender. E depois o filme é uma adaptação, obviamente, não tem que seguir a história e o livro, e está tudo bem. Mas foi uma espécie de: "Eu vou só adaptar metade da história. E não quero fazer o resto."
Sabes que eu talvez goste, porque eu gosto muito do anterior filme da realizadora, que toda a gente odeia, que é o "Salt Burn", por isso eu talvez goste.
Mas eu gostei do "Salt Burn", está tudo bem. Já tinha o senhor Elordi.
Já tinha.
Mas ele fazia aquilo que faz bem, que é só existir.
Ser giro. E te vai bem.
Pronto. E ele aqui também é grande e aquelas costas, acho isso tudo fantástico. Mas fiquei muito desiludido com isto. Fica a minha nota, antes de passarmos para a Maria Ramos e Silva.
Ora bem, trago duas coisas. Primeiro, uma série na Netflix, "Os Não Eleitos". Isto é sobre uma jovem mãe de um culto religioso.
É para tu, então.
Eu adoro cultos. Aceitas cultos, vejo tudo.
Pronto, isto é para ti.
As seitas são o teu true crime.
São. Todos vejo. Bons, maus, mais ou menos, vejo. Então tu não percas mais tempo. É assim, eu comecei a ver, não vi tudo, obviamente. Não é que sem achar propriamente brilhante, que não é. Achei o tema pertinente. Aliás, acho que basta ouvir o nosso podcast recente sobre a seita do yoga para perceber que às vezes estamos assim numa fase de maior alienação, em busca de um rumo.
E tal como a Susana, há muita gente interessada neste tema.
É verdade. E depois metemo-nos assim nuns movimentos estranhos, seguindo uns gurus que prometem mudar a nossa vida.
Mas isto está bem feito?
Vê-se. Não é a melhor série do ano.
É uma série de ficção. Acho que sim.
É uma série de ficção, ainda que comece com o disclaimer que há não sei quantos cultos mais ou menos conhecidos em Inglaterra. E, portanto, este, na verdade, é ficção, mas acho que brinca, entre aspas, com isso mesmo, que não é assim tão ficção. Vocês, como sabem, eu também pertenço a um modesto clube, que é uma seita, à sua maneira. Também tem uns paramentos, umas coisas.
Tu tens o teu culto.
Eu tenho, mas volto para casa no final do dia.
Mas às vezes voltas bem chateada. O culto mexe contigo e tens que assumir isso.
É verdade, mas continuo a seguir mais ou menos a minha vida. E não acho que esteja entre os eleitos, porque os não eleitos somos nós. Eles são os eleitos.
Ok. Muito bem.
Mas acho que vale a pena ver, Susana, acho que vais gostar. E o Tiago vai-me dizer um detalhe importante.
Um dos realizadores é filho do Ken Loach, se não me engano. Jim Loach, será?
Exatamente.
Vou só confirmar aqui, de repente. Jim Loach, exatamente, o Ken Loach que está prestes a fazer 90 anos.
Está a chegar, como diria o Pedro.
O Jim Loach faz, em junho, 57. Já não é um garoto.
Também já não é.
Já não é um garoto.
Também não é.
Também não é. Exato.
Estás a assentir.
Não, não é isso. Os tempos correm.
Só estou a dizer que não é um garoto.
Não sei. Imagina o David Attenborough com 57.
Agora disse que é um garoto, claro, tinha-me tapado.
Pois.
Assim também eu.
Olha, só para fechar, também trago um livro de memórias para juntar aqui a esta fornada de sugestões do Pedro. "Pão de Anjos" são, neste caso, as memórias da Patti Smith, também pela Quetzal. Uma bela capa, uma bela edição. Ela já tinha falado da sua vida com o amigo e ex-amante Robert Mapplethorpe, no "Just Kids". Aqui é uma coisa mais familiar.
E o M Train também tem.
Sim, aqui mais regresso às origens de casa, origens dela própria, mas depois também da própria família que construiu mais tarde com o Fred "Sonic" Smith. O Pedro falava um pouco isso. E eu permito também é das coisas mais interessantes nas biografias, por um lado, essa questão do detalhe, do pormenor, da pequena característica, mas também de permitir fazer uma biografia de um tempo e do contexto social. E no caso destas pessoas que normalmente já viveram muito. A Patti Smith tem 81, salvo erro. Não, 79, já não sei bem.
Se ela casasse com o Attenborough, o Attenborough tinha sacado a vida.
Ela podia quase ser filha. Diz que quase ser filha do Attenborough. É verdade. Não, mas ela conta detalhes.
Patti Smith faz 80 anos em dezembro.
Exatamente. E é precisamente aí que eu ia bater na história, porque ela conta logo no início um detalhe absolutamente paradigmático, que é de facto interessante nós fazermos este trabalho de rebobinar e ver como é que se vivia. Ela conta como era suposto ter nascido mesmo na véspera da passagem de ano, mas antecipou-se e chegou um dia antes. E para a mãe aquilo foi complicado porque se perdeu, de alguma forma, a hipótese de receber, imagina, um protótipo de um congelador, que era uma coisa que iria fazer imensa falta à família em casa.
Mas era o quê? Se fosses um daqueles bebés do ano.
Exato. Sugere que é uma coisa desse género. É uma oferta promocional da Novo, e poderia ter essa hipótese. E assim teve que continuar a usar a velha caixa térmica, à espera do senhor que todos os dias lá ia levar o gelo a casa.
Isto era o exato pós-guerra, não é?
Pronto. Isto nós rimos, porque é uma coisa que parece quase do nível de um surrealismo Dali. Mas era aí que eu queria chegar. Isto só para mostrar, meus amigos, que a vida já foi muitíssimo pior. Não, mas é que as pessoas às vezes esquecem-se disso, Tiago Pereira. É que hoje explicares a um miúdo o que é mãe estar à espera de uma caixa para o gelo todos os dias, parece, de facto, outro mundo. Mas acho que é interessante pôr as coisas aqui em perspetiva, perceber como é que já se viveu, nem que seja só no mundo ocidental ou setentrional, porque de facto, hoje apesar de tudo, acho que a vida está um bocadinho mais divertida. Era só isso.
Muito bem, rapaziada. Sugestões entregues. Já sabem que estão sempre disponíveis em podcast. Sigam-nos, não percam nenhuma destas doses. Nós voltamos na quinta-feira. Até lá.