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"Por Pratos Nunca Dantes Navegados" está na hora, na Rádio Observador, em parceria com o TJornal e o nosso Manuel Serrão. Manuel, bem-vindo. Depois de dois domingos a centro e a sul, voltamos hoje ao norte, mais concretamente ao Minho e a Famalicão. Qual é a novidade? Eu já estou aqui a ler o nome do restaurante, mas vou fingir que nem sei do que vamos falar.

A Catarina já está a torcer o nariz.

Por que não guardaram esta edição para outro fim de semana? Usou o Nelson, não deu certo.

Atenção que esse nome está em inglês, não sei se sabe o que quer dizer. Mas já lá chegaremos. Falando de Famalicão e de novidades, Famalicão é uma terra cheia de novidades, a começar pelo setor feminino, que ainda agora se acabou de sagrar campeão da Taça Nacional de Futebol Feminino. Famalicão. As mulheres em Famalicão têm pelo no avento e qualidade nas pernas e nos chutes.

Uma grande equipa.

Exatamente. Mas além do futebol feminino, Famalicão tem também muitos restaurantes a nascer e a renovar-se. É por isso que estes pratos têm que se manter atentos a esta cidade, coração do Minho, que também adotou a divisa "Famalicão, cidade têxtil". E por isso, eu e o TJornal também temos que andar sempre de olho nela e nas suas novidades. E hoje vamos falar do Meat, que fica numa das avenidas principais da movida famalicense.

Mas vamos lá saber, isto é um restaurante permitido para a Catarina ou não?

Eu diria que já não estamos em tempos de templos proibidos, nem para mulheres, nem para mulheres como a Catarina, nem para ninguém. Mas para a Catarina e friends, and friends, digo eu, sugeria que no Meat começassem pelos preliminares. Aliás, melhor dizendo, pelo preliminar, que é um dos muitos cocktails da lista, que leva gim Beefeater, Cointreau, yuzu e clara de ovo, porque este meat é da movida. Claro que não é um bar, mas tem muita fama pelos cocktails que serve. E talvez por quê? Porque este Meat tem um irmão, que esse sim, é bar, chamado Classe, também em Famalicão, tem um jardim lindíssimo. E há ali uma sinergia de bebidas, cocktails. Quem quiser começar os cocktails logo no restaurante antes de ir para o Classe, pode começar lá. Depois de um bom cocktail, como este, por exemplo, este preliminar, já a Catarina and friends entrarão mais animadas nuns tacos de camarão com chili fumado e abacate ou, isso acho que mais dificilmente, num tártaro de novilho picado à mão, com emulsão de mostarda de Dijon e tostas.

Eu já percebi qual é o truque. Nós apostamos bem no cocktail, e depois a pessoa já não sente nada, siga. Está tudo bem. Já percebi o truque.

Eu meto lá uma cunha, em vez de tártaro dizem que é tártaro de tofu.

Exato, só para enganar. Essa pessoa aí, a Catarina, por favor, enganem. Dêem um cocktail forte. Manuel, eu também ouvi dizer que tem uma mezzanine que é muito recomendada para quem quiser comer com mais recato, não é?

Claro, aquilo tem, é verdade. O andar de baixo é muito mais social. Tem a vantagem que não temos de subir escadas e é o ideal para quem quer ver e ser visto, como se costuma dizer. Eu, por acaso, gosto mais da mezzanine, apesar das escadas, que é ideal para grupos também, mas para quem quer uma refeição mais sossegada e recatada. Sendo certo que come bem e pode comer o mesmo nos dois espaços. Eu, por exemplo, tive lá recentemente um jantar de anos e claro que o sítio ideal é mesmo no cimo da mezzanine, que ficas isolado, mas com vista, tem uma varanda, para a sala de baixo. É um sítio ideal. Para um grupo de seis a oito pessoas, eu recomendo a mezzanine. Nessa sala do canto, tem uma coisa engraçada que eu nunca tinha visto, que é na mesa, como aquilo não tem espaço para os funcionários servirem todas as pessoas, tem uma espécie de uma tábua no meio, que se recolhe com as coisas e também leva. É uma coisa que eu nunca tinha visto, é espetacular. A empregada chega ao princípio da mesa, mas consegue servir todos através desse mecanismo. Muito inteligente. Não sei quem foi o arquiteto daquilo, mas teve tento na cabeça.

Dá muito jeito.

Faz lembrar aqueles restaurantes chineses que têm aqueles tapetes rolantes.

Estou a pensar nisso, dá a volta, vai rodar. Estava a pensar exatamente nisso.

Pode a inspiração ter vindo aí, sim.

Que vai com miúdos. Os chineses é um tormento.

Querem tirar tudo.

Eu quando era pequenina fazia muito isso. Mas pronto, siga.

Isto é um restaurante para ir bem acompanhado, mas que também brilha os acompanhamentos.

Pois. Ó Diogo, brilha e de que maneira. Esta moda dos acompanhamentos à parte agrada-me. Gosto de ser eu a escolher os acompanhantes, salvo seja, os acompanhamentos dos pratos, em vez daqueles casos em que temos de comer puré com isto ou batata esmagada com aquilo, ou batata frita com aqueloutro. E por isso aqui fica a minha tróica de sugestões dos acompanhamentos que há no Meat: arroz de fumeiros, que é top, muito bom.

É o favorito, não é, Manuel? E o arroz.

É o meu favorito, mas também há um brás de cogumelos e espargos que é excelente.

Isso não dá para fazer só um prato, desse acompanhamento?

Só acompanhamentos, se quiser só comer acompanhamentos. Mas as pessoas normais comem alguma coisa. Se é que se chamam acompanhamentos. Acompanham qualquer coisa. Não é um conjunto vazio.

Acompanha um prato vazio.

E ainda nem passaram assim, também há um puré de batata trufado, não sendo puré de batata a minha coisa favorita, mas este trufado um bocadinho, não exageremos. Eu não peço, mas quando alguém pede, eu vou lá provar um bocadinho. Puré de batata trufado também é muito bom.

Então é um puré de batata trufado com os espargos à brás para a Catarina.

Pronto, exato.

Estão todos a brincar, eu faço.

Sai um dois acompanhamentos. Esta senhora já é bem acompanhada, portanto, quer dois acompanhamentos, ao mais.

Dizer de um brás de cogumelos, isso para mim ficava perfeito, só um pratinho. És tu, não és, Diogo?

O quê?

Agora.

A fazer esta pergunta?

A fazer essa pergunta.

Posso fazer, já tinha feito a anterior, mas posso fazer esta.

Já tinhas?

Sim.

Pois já, peço desculpa. É que eu fiquei baralhada. Primeiro calha-me um restaurante que é o Meat.

Estás em Berlim, é normal.

Já percebi esta edição.

Está do contra. A Catarina hoje está do contra. É Meat.

Para quem nos lê, se não havia confusão, mas para quem nos ouve, Meat pode ser carne, mas também podia ser encontro de meeting point. Então em que ficamos, Manuel?

Claro, ainda por cima estás a falar de acompanhantes, mas nada disso. Este Meat só quer dizer carne, mas também é um ponto de encontro, o restaurante, com outras realidades menos carnívoras. Até devo dizer que das últimas vezes que lá fui, optei, e muito bem devo dizer, por um arroz cremoso do mar com camarão tigre. E na minha mesa também escolheram um risoto de cogumelos nota 20, que eu provei só, não comi, e o risoto de cogumelos também estava um fantasmo. Portanto, apesar do nome-

Eu tenho

...a Catarina tem lá várias opções. Este arroz cremoso, eles não lhe chamam risoto por alguma razão que nunca dantes navegada também, mas é um tipo risoto de camarão tigre com marisco.

Eu fiquei ali pelo brás, mas risoto também gosto.

De qualquer maneira, no Meat, como é evidente, a carne é a rainha da festa, claro, com muitos e variados cortes e carnes mais ou menos maturadas. Premium e super premium, seja lá o que isso for, mas se quisermos avançar para este lado, melhor é entrar em negociações com a chefe de serviço, que ela faz o diagnóstico da nossa ansiedade em relação à carne na hora da escolha e passa a melhor receita.

E que banana é esta que vale a pena descascar? Estou curioso com isto.

Calote. Calote essa.

Nunca falamos aqui de bananas, acho eu, não sei.

Não, nada.

Nem dos bananas da política, nem das bananas de segundo. Acho que nada.

Por isso tínhamos mais edições para fazer.

Pois, vai ser hoje. Peço desculpa, vai ser hoje. Por quê? Porque há lá uma banana frita com amendoim e caramelo que vale a pena para rematar o jantar em grande. Se a carne for muito pesada ou o arroz cremoso cair um bocadinho com mais força, ou o brás, a banana frita fecha em beleza.

Manuel, isto não há condições. As descrições do Manuel, nós a esta hora, já estamos a fazer planos para almoço e ainda estamos no início.

Eu a esta hora já almoçava.

Mas minhas 360.

Eu também, mas no Meat não, que é 360 km daqui.

Não, pois tínhamos era que arrancar já. Mesmo assim íamos chegar tarde, se calhar. Então vamos às contas, Zé? Peço eu a conta. Quanto é que isto nos fica?

Três pessoas, para os nossos-

Mesmo com a Catarina a comer dois acompanhamentos?

Comer dois acompanhamentos, a nota verdinha de 100 chega.

Muito bem.

E uma bebidinha?

Uma bebidinha, sim, um preliminar.

Pronto. Boa.

Não podem ser muitos preliminares, tem que ser só assim na conta certa.

Isso inclui o de um coquetel para começar.

Claro, sim, mas tem que ser na conta certa.

Sim, claro.

Senão os preliminares a coisa entorna.

Nós não queremos. Garfo.

Garfo Dourado, na qualidade. Nova restauração do Minho, porque mais uma vez, já que outro dia tivemos aqui também um restaurante que não sendo o típico do Minho, também não é, na verdade, a nova restauração do Minho, acho que o Meat está na linha da movida, do bar, que também é restaurante. É a nova restauração do Minho, Garfo Dourado para a nova categoria, nova restauração do Minho.

Maravilha. Está feita então a nossa visita ao Meat, em Famalicão, a sugestão do nosso Manuel Serrão para este "Por Pratos Nunca Dantes Navegados", em parceria com o "Teu Jornal". Manuel, estamos de regresso para a semana. Bom domingo.

Sempre.

Até para a semana.