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Na Rádio Observador. Começa agora o Jornal das Duas, edição do jornalista José Rafael Lopes. E José, a União de Associações do Comércio e Serviços quer respostas concretas para responder ao impasse entre a Câmara Municipal de Lisboa e os protestos pela habitação.
Um impasse provocado pela instalação do tradicional mercado natal no Rossio, que a autarquia argumenta ter preponderância sobre o protesto pela habitação. Na Rádio Observador, o vice-presidente da União de Associações do Comércio e Serviços, Jorge Nuno Sá, pede que sejam salvaguardados os direitos de quem trabalha e contribui para a economia e para a vida da cidade e pede, por isso, mais consideração à acampada de Lisboa.
É preciso haver um equilíbrio para que esta acampada, defendendo um direito, não prejudique o direito de muitos outros e traga miséria e dificuldades a muitos que podem cair em situações de desemprego e de absoluta insolvência econômica. Estamos a falar de pequenas, médias, microempresas de raiz familiar. Depois, isto repercute-se em milhares de trabalhadores nesta circunstância. Isto sim, devia preocupar também os manifestantes e terem este fator em consideração.
Jorge Nuno Sá, vice-presidente da União de Associações do Comércio e Serviços, que argumenta que os comerciantes da baixa de Lisboa estão a enfrentar dificuldades acrescidas. Sem apresentar números concretos, fala em quebras de faturação superiores a 30%. Deixa também um apelo à Câmara Municipal e às autoridades para que encontrem uma solução que permita ultrapassar este atual impasse, mas deixa a garantia, Jorge Nuno Sá, que a União de Associações do Comércio e Serviços está do lado da Câmara Municipal.
Nós apoiaremos a Câmara Municipal em todas as medidas que sejam necessárias para o normal desenvolvimento econômico da cidade. Ou seja, as condições que permitam os nossos associados, os nossos comerciantes trabalharem com normalidade nesta época, são para nós fundamentais. Tudo o que a Câmara Municipal precisar da nossa parte para que este fim se atinja, nós estamos disponíveis para fazer. É preciso trazer segurança às ruas, é preciso trazer estabilidade, é preciso trazer confiança. Neste momento, com esta manifestação e como se desenvolveu, não estão reunidas estas condições.
O vice-presidente da União de Associações do Comércio e Serviços, Jorge Nuno Sá, em declarações ao jornalista Miguel Pina-Andrade, critica ainda o fato de a acampada não aceitar as alternativas propostas pela autarquia, argumenta que teria visibilidade em qualquer sítio da cidade, ao contrário do mercado natal.
Isto numa altura em que Carlos Moedas insiste na instalação do mercado de Natal na Praça do Rossio e dá três alternativas à acampada de Lisboa.
Mas a defesa de Renata Câmara avançou com uma providência cautelar para suspender essa decisão do autarca lisboeta. O despacho assinado por Carlos Moedas dá essas três alternativas aos manifestantes: o Largo de São Domingos, a Praça do Martim Moniz ou os Restauradores. A decisão baseia-se num parecer da PSP, do Comando Metropolitano de Lisboa, que não vê forma de conciliar o mercado natal e os protestos pela habitação no Rossio. As autoridades indicam que o mercado tem preponderância face à manifestação. Renata Câmara quer esclarecimentos.
Disse que saiu o despacho a dizer que a acampada de Lisboa teria que sair para um sítio alternativo, que esse era o despacho da Câmara, estava lá também o parecer da PSP, e que a polícia, em algum momento, sem dizer quando, teria que intervir caso não nos retirássemos. A questão é que, como está explicado, a sentença do tribunal diz que, em primeiro lugar, a Câmara tem que tentar compatibilizar. E se não compatibiliza, se é manifestamente impossível, tem que mostrar por quê. E nós pedimos quais eram as soluções e por que elas não são viáveis. E a Câmara não deu essa resposta.
A decisão do Tribunal de Lisboa diz que, se for inviável a coexistência da acampada com o mercado natal, deverá ser disponibilizada uma localização alternativa a Renata Câmara. A juíza Ana de Campos, que assina o despacho, diz que as entidades administrativas competentes devem adotar as soluções de acomodação necessárias para a compatibilização.
E também no Porto, a acampada recusa sair da Praça Dom João I para dar lugar a eventos natalícios.
O pedido foi feito por e-mail, recusado de forma rápida pela acampada do Porto. Ontem, a autarquia portuense voltou a enviar um e-mail aos manifestantes sobre a conciliação do espaço para dizer que a 13 de novembro arrancam os trabalhos para montar uma pista de gelo, a habitual pista de gelo que se constrói na Praça Dom João I, no Porto, pela altura do Natal. Entretanto, na Invicta, os manifestantes montaram uma lona e quatro grandes tendas para fazer face à chuva que se avizinha nos próximos dias.
Seguimos com as notícias. Duarte Cordeiro rejeita a ideia de um bloco central com o PSD, mesmo que o CHEGA vença as eleições.
O antigo ministro do Ambiente admite que concorda com a viabilização do Orçamento do Estado por parte do Partido Socialista, embora não veja com bons olhos essa ideia de um bloco central. Em entrevista à Sic Notícias, Duarte Cordeiro defende também que, neste momento, o governo e o PS devem trabalhar para que a legislatura atual chegue ao fim.
Acho que não existe vontade, pelo que eu saiba, pelo menos do Partido Socialista, para que haja eleições antecipadas e deveria haver um esforço efetivo de criar condições para neste quadro, mesmo num quadro em que é mais complexo e difícil governar, se consiga completar um ciclo político. E eu acho que o Partido Socialista e o PSD têm que dar um sinal de maturidade mostrando que é fundamental cumprir a legislatura.
Sobre os cenários que se podem colocar nas próximas eleições legislativas, o ex-governante não vê como imperativo esse bloco central, mesmo numa eventual vitória do CHEGA.
Eu não defendo que o Partido Socialista viabilize governo nenhum do CHEGA e também não defendo que exista um bloco central com o PSD.
Então, isso fica paralisado?
Não, não fica paralisado. Os portugueses têm que tomar uma decisão. Eu não sou favorável ao PSD decidir viabilizar um governo do CHEGA, que eu sinceramente espero que não o faça, mas se fizer, é uma responsabilidade do PSD. Acho que para o Partido Socialista é impensável viabilizar um governo do CHEGA.
Duarte Cordeiro, em entrevista à SIC Notícias. O antigo ministro considera ainda que José Luís Carneiro é o rosto certo para o Partido Socialista.
O ex-coordenador do Centro Nacional de Cibersegurança e o diretor de comunicações e cibersegurança da INOV consideram que Portugal não está preparado para responder a novas ameaças.
Ameaças de ciberataques. São declarações que surgem depois de uma semana marcada precisamente por esse tipo de ataques. Nelson Scravagna, diretor de comunicações e cibersegurança do Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Inovação, é categórico. Admite que Portugal devia estar mais bem preparado.
Não vou dizer que estamos muito pior que o resto da Europa. Estamos todos mal. Estamos mal em questões de competências, porque temos poucas competências. Estamos mal, principalmente nas pequenas e médias empresas e na administração pública. Ou seja, a administração pública, também por condicionantes do seu próprio funcionamento, tem limites à contratação de especialistas, por isso tem muito poucos especialistas. E se olharmos, tem uma grande capilaridade do ponto de vista territorial. Temos municípios que estão extremamente mal.
Nelson Scravagna, diretor de comunicações e cibersegurança da INOV, no Explicador, esta manhã aqui na Rádio Observador, onde esteve também o ex-coordenador do Centro Nacional de Cibersegurança, Pedro Veiga, classifica a fraca cultura de segurança em Portugal como preocupante.
O nosso país, eu diria que está, como em muitos outros indicadores, com exceção do futebol, está abaixo da média europeia. Não investimos o suficiente, não há uma cultura de segurança e isso é bastante preocupante.
Pedro Veiga, ex-coordenador do Centro Nacional de Cibersegurança, diz ainda que é difícil identificar os autores dos ciberataques, mas garante que o objetivo é causar alarme social.
E no desporto, o Benfica venceu a Supertaça de Hóquei em Patins.
A equipe encarnada levou a melhor sobre o rival Sporting, uma vitória por 3 x 2 no Pavilhão Desportivo de Santo Tirso. O Sporting fechou o intervalo em vantagem graças a um gol de Nolito, mas o Benfica deu a volta ao marcador com gols de João Rodrigues e de Zé Miranda. Gonçalo Pinto ampliou a vantagem encarnada para 3 x 1 em Santo Tirso. Rafael Bessa fechou o resultado final em 3 x 2 a favor do Benfica. O campeão nacional junta assim a Supertaça ao palmarés relativo à temporada passada de hóquei em patins.
E assim que fechamos o jornal das 14h, edição do jornalista José Rafael Lopes. Está de regresso às 14h30. José, até já.
Até já.