Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Para Pratos Nunca Dantes Navegados, na Rádio Observador, em parceria com o TJornal, manhã de domingo. Manel, bom dia.
Bom dia, Manel.
Muito bom dia.
Hoje, mesmo sem volta a Portugal em bicicleta, temos prémio da montanha. Não é, Manuel? Ou não?
Temos, porque vamos também pela primeira vez, julgo eu, que nunca estivemos na Serra da Estrela, muito menos na Covilhã.
Não.
Portanto, é capaz de ser a estreia, em termos de pratos nunca dantes navegados, o restaurante mais alto que sempre passou nestes pratos. Vamos hoje atacar não o maior, não o mais longínquo, mas seguramente o mais alto.
Vamos ver se a comida também é alta.
Está à altura.
Está à altura.
O nosso Manel só traz sustos.
Exato. Alquimia. Apesar de alquimia ser um nome que até apela ao ouro, vamos ver se também merece um garfo dourado. Esta alquimia é um pouquinho diferente, porque isto não é com "quá quá" e um "U", isto é com "K" e com "Y". Um nome um pouco mais exótico. Olhando para a analogia que a Catarina fez com o ciclismo, havia alguma fuga em curso neste caso, com este "KY"?
Não, eu acho que não, mas acho que é uma forma de chamar a atenção. Lá está, já discutimos aqui a questão dos nomes dos restaurantes e muitas vezes os nomes dos restaurantes não têm que dizer nada, têm é que ser atrativos.
Ficar na memória.
Ficar na memória. Lá está, nós estamos agora a falar da alquimia, é com "Y". E o que quer dizer alquimia? Mas é com "Y". Não existe, essa palavra não existe. O que é que significa? Mas estamos a falar de alquimia. Se calhar, tão cedo não nos vamos esquecer que há um restaurante na Covilhã chamado Alquimia. Neste caso, ele tem uma história especial também, porque isto era uma antiga biblioteca.
Que giro!
E foi recuperada. O edifício é uma recuperação magna, foi uma recuperação feita pela Câmara Municipal da Covilhã, e ficou muito bem, é uma concessão. Mas mantém os livros.
Que giro.
Portanto, vale a pena ir ver, porque logo à entrada, a maneira como nós somos recebidos, a imagem que vemos é uma coisa atraente, ficamos logo diferentes, fora do normal, original e vale a pena. Logo por aí, fica em Santa Leire.
Sendo a Covilhã a capital dos lanifícios em Portugal, como é que apanhamos o fio à meada neste restaurante serrano, Manuel?
Eu devo começar por dizer que fui lá com mãos amigas, isso também é importante. Quando se vai a um restaurante, eu acho que isso também faz muita diferença. Quando nós vamos a um restaurante com alguém que já conhece ou que é lá conhecido.
Claro. Aconselha.
Não quer dizer que o tratamento seja diferente, mas aconselha.
Estamos mais seguros.
Quer a gente queira, quer não queira, há logo ali uma valia, outra forma de receber.
Eu não queria dizer outro trato.
Exato. E quando é, não devia ser. Mas não vale a pena inventarmos. Se nós chegamos a um restaurante pela primeira vez levados por alguém que já lá é conhecido, de certeza que é diferente. Mas eu, de qualquer maneira, gostava de dizer que neste restaurante, Alquimia, quem pontifica é a chef Sandra Duarte, que não brinca em serviço e aliás, trata por tu os ingredientes orgulhosamente sazonais e endógenos. Ela faz questão disso. Depois, como eu costumo dizer, faz pandem com o dono da casa, que nos recebe a perguntar porque não queremos ser tratados durante a refeição. E é assim que começa uma química especial de alfama. Então ele perguntou a mim e eu: "É Manuel." E então a partir dali, até o fim, sou o Manuel. Quem ia comigo era o José, é o José. Portanto, chega lá e dizia: "Ó Manuel, então o que é que vamos comer hoje?" "Ó José." Nunca me aconteceu isso em mais lado nenhum.
Uma proximidade.
Mas acho que é uma tática boa para criar logo uma proximidade. "Ó José, então vamos comer o que hoje?"
E o que é que tu respondes, neste caso?
Eu neste caso, estava aqui. Exatamente, estava aqui a dizer.
Já lá vamos então, porque eu sei que em termos de companhia, e estavas a dizer que este restaurante foi-te apresentado, não é?
Por mãos amigas.
Por mãos amigas. Aqui que ninguém nos ouve, tu deste-nos aqui uma pista, é o presidente da ANIL, dos laticínios.
Da Associação dos Lanifícios.
Lanifícios, exatamente. Que é o José Robalo. Este apelido vai casar bem com o menu depois?
Isto é só coincidência?
Temos aqui bom peixe.
Não, por acaso, foi muito bom eu ter lá ido com o José Robalo. De facto, era o que eu estava a dizer, foi logo uma maneira de eu conhecer o restaurante de uma forma que eu não conheceria, seguramente igual de outra forma. Mas, de facto, só o nome dele é uma coincidência, é uma brincadeira, porque lá os pratos que nós escolhemos não foram propriamente peixe.
Ai, Manuel.
Não quer dizer que não haja peixe, que os peixes não consigam ir até à Covilhã, mas eu não estava à espera que no interior profundo tivéssemos aquilo. Já tenho visto muita coisa. No outro dia falámos de um restaurante em Braga, que não é no interior profundo, é no litoral, e o que recomendámos foi até peixe. E o que se recomenda lá é peixe, no D. Elvira. Mas aqui na Covilhã, de facto, eu não estava à espera que tão longe e tão alto se chegasse a este peixe. Portanto, eu aquilo que lá comi, e uma das coisas que aconselho é a tarte de faisão, que é uma coisa magnífica e eu até costumo dizer é a tarte de faisão que casa com a reserva do patrão. A reserva do patrão é um vinho também da região, que é magnífico e que por acaso é um vinho produzido por um industrial têxtil da empresa Fitecon. Portanto, no TJornal, nós temos que fazer chegar aqui a brasa à nossa sardinha. E neste caso, os vinhos da Fitecon são magníficos, eles têm lá todos e este reserva do patrão é um tinto de grande categoria. Por acaso, a tarte de faisão com a reserva do patrão é uma combinação que casa bem. Para quem não gostar de faisão ou quiser escolher outra coisa, também tem as bochechas de porco, tem costelinha de javali, lebre ibérica com arroz malandrinho e carré de borrego em crosta de pistácio. Nada disto é peixe, não quer dizer que não exista também.
Mas para mim há alguma coisinha, Manel.
Há.
Para além de uma bela companhia, porque com você eu estou sempre muito bem.
Há cogumelos salteados, há gamas al'aglio também.
Já está, Manel. Já ganhou, porque eu adoro cogumelos salteados.
Tens braço de cogumelos, também é muito bom.
Braço de cogumelos? Nunca provei.
É muito bom. E também há lombo de bacalhau e há tentáculos de polvo.
Então pronto. Acabou todas essas histórias.
E risoto de camarão. Mas eu, indo ao Alquimia pela primeira vez, optava por um dos pratos de carne que eu disse antes. Tarte de faisão também, volto a dizer. Eu gosto de ir a estes restaurantes, pratos que não conheço em mais lado nenhum. Tarte de faisão. Haverá noutros restaurantes, não tenho dúvida nenhuma, sobretudo nessa região, mas eu só conheço este. Tarte de faisão, só comi no Alquimia, nunca comi em mais lado nenhum e, portanto, como é muito bom ainda por cima e é um prato emblemático e que é original, eu prefiro sempre recomendar pratos que sejam diferentes. Risoto de camarão há em muitos lados. Braço de cogumelos também há em vários sítios.
E certamente mais gente vai por aquilo que o Manel está a dizer.
Recomendação segura.
Eu é que sou esquisita.
Volto a repetir, tarte de faisão com reserva do patrão é uma receita garantida.
Muito bem. E já que estamos na Covilhã, podemos hoje discutir o tema restaurantes do litoral versus restaurantes do interior. Quem leva a melhor?
Ora bem, isso é outra discussão, que é: há pessoas que dizem que os bons restaurantes são dos do litoral, que é o peixe português. E outros dizem assim: "Não, no interior. No litoral é tudo restaurantes turísticos, só para os turistas. No interior é que há aqueles restaurantes caseirinhos, antigos". Eu acho que volta a ser uma discussão, não sei se é maniqueísta que se diz, que é: não é verdade. Há restaurantes no interior magníficos e outros que não prestam para nada. E no litoral também há, e já que falámos de vários, que são espetaculares e outros que mais vale não conhecer. Mas existe um bocadinho essa ideia de: "Não, vais ao restaurante do litoral? Isso é restaurante de praia, isso é para turistas. Não, no interior é que é, ali em Braga, Covilhã, no Alentejo." Mais uma vez, nós temos por aí a mania, os restaurantes são uma individualidade. Cada restaurante vale por si. Que é no grande litoral, no interior, pode ser bom, muito bom, mau ou muito mau.
E este programa é a prova disso. Já tivemos restaurantes junto à praia, já tivemos no interior.
No Algarve, no norte, no sul.
É verdade.
Mas neste caso, interior. Este restaurante do interior merece... Não, antes do garfo, a primeira notinha em cima da mesa.
Temos que ir à conta.
Nota verde, chega?
Chega, chega a nota verde.
Sobra?
Não, fica bem.
Fica ali resguardado.
Compra-se uma pastilha no fim.
Exatamente.
E um garfo.
Garfo dourado, na categoria de restaurante do interior, claro, mas sobretudo grande recuperação arquitetónica e sobretudo também pela qualidade do serviço.
Maravilha.
Está convencido.
Pronto, hoje fomos então até à Covilhã, e muito bem, porque eu também gosto muito, restaurante Alquimia, a sugestão do nosso Manel Serrão, por pratos nunca dantes navegados, na Rádio Observador, em parceria com o "TJornal". Manel, está feito.
Está feito e confirmou-se que o Alquimia está à altura dos pergaminhos e da altitude da Covilhã.
Muito bem. Até para a semana, Manel.
Até para a semana.