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Pratos nunca dantes navegados na Rádio Observador, em parceria com o TJornal. Manuel, bom dia.

Bom dia.

Bom dia. Hoje estou aqui com um ar muito romântico, como já vão ver.

Então, o que aí vem?

Vem aí uma história.

Dia dos Namorados é só em fevereiro.

Eu sei. Mesmo assim, escolhi para hoje um restaurante que tenha a ver com este ambiente romântico, já vamos ao fundo.

Nós podemos celebrar o amor sempre.

O amor é todos os dias. O amor é como o Natal, é sempre que o homem quiser.

Claro. Então, nos pratos de hoje, volta a estar no menu uma história de amor. Como é que tudo começou?

Lá está. Eu conheço várias histórias de amor que começaram à mesa de um restaurante. Ou antes, ou depois. Mas acho que nunca tinha conhecido um restaurante que tivesse começado numa história de amor. É um bocadinho ao contrário. E a verdade é que foi assim que tudo começou no Cisma. O Miguel e a Carolina não tinham nenhuma relação com a restauração, nem entre eles. Só tinham uma boa relação de trabalho, que depois se transformou numa relação de amor entre os dois. Na altura, os dois passaram a ter uma má relação com o trabalho rotineiro. Isto parece uma novela. Cansados da profissão, ele engenheiro civil e ela coordenadora de segurança e ambiente no trabalho, foi aliás numa obra que se conheceram, decidiram abraçar-se, mas também abraçar o desafio de fazer em Matosinhos um restaurante que fosse exatamente aquilo que procuravam como clientes. Fizeram a penúltima obra juntos, por acaso o Mar Shopping do Algarve, e meteram mãos à obra no restaurante. A conclusão dos trabalhos ficou marcada para o dia em que resolveram casar, no interior do Cisma. Não vai haver cisma que os separe, Catarina.

Manuel, mas no meio dessa história de amor ficámos sem perceber, afinal de que é este restaurante. Eu dos episódios anteriores que ouvi, ainda não estava por cá, lembro-me que falámos que Matosinhos é marisqueira. É mais uma marisqueira ou vamos ter aqui uma surpresa de amor?

A primeira surpresa não foi boa, foi para eles, porque eles tinham acabado de abrir o restaurante e veio a maléfica pandemia. Portanto, tiveram que fechar, depois take away. É já uma grande vitória do amor e da resiliência, como bem disseste, ele ainda estar aberto e com muito sucesso.

O amor vence tudo.

Exatamente. De qualquer maneira, eu acho que a sua pergunta sobre as marisqueiras de Matosinhos também é boa para acabar com esse mito de que em Matosinhos só há marisqueiras. Claro que marisqueiras há muitas e boas, se calhar das melhores de Portugal, mas há lá muito mais. Aliás, também sabemos que em Matosinhos há o slogan "World's Best Fish", que também tem toda a razão de ser, é do melhor peixe de Portugal em Matosinhos. Mas quem não quiser peixe ou marisco, pode muito bem escolher Matosinhos para almoçar ou jantar e fica bem servido. E este caso do Cisma é claramente um bom exemplo disso.

Estamos a falar de chicha?

Estamos a falar do Cisma.

Não, de chicha.

De chicha também. Carninha, outros pratos variados, que não propriamente o marisco ou o próprio das marisqueiras, ou o peixe. Claro que Matosinhos é mais conhecido por isso. Mas Matosinhos tem uma oferta muito variada que não se esgota nessas duas realidades.

E no Cisma existe um ambiente ao almoço e outro ao jantar. E as ementas também são diferentes. É isso, não é, Manuel?

É, exatamente. O que é que acontece?

Almoço é mais trabalho, jantar é mais-

O almoço tem uma clientela mais virada para o pessoal que trabalha ali à volta. Eu próprio me incluo muitas vezes, porque também tenho o meu escritório na mesma rua, e vejo que o ambiente é. Ao jantar já tem um outro tipo de ambiente. E eles então não só não têm o menu do dia para o jantar, têm para o almoço. E eu acho que também Miguel e Carolina não nasceram neste meio da restauração, como já falámos. Mas sabem da toda. E têm um espírito estético muito forte. Então a decoração do restaurante, o restaurante é pequeno, mas tem uma restauração muito cuidada, muito engraçada, muito curiosa, que apesar de tudo, à noite, com a iluminação, ganha outro encanto. Portanto, quem vai ao Cisma almoçar gosta, tem uma sensação. Quem vai ao Cisma jantar tem outra sensação. Eu diria que é, como estava a dizer a Catarina, é mais uma refeição profissional, executiva ao almoço, apesar de também haver aquele menu do dia.

Mais rápido.

E ao jantar já é um restaurante mais romântico, e que já tem a ver com a própria história que esteve na origem do Cisma.

Claro. Então vamos falar dos menus. Daquilo que percebi, um dos pratos mais famosos é o hambúrguer de quinoa, que eu acho que é a cara da Catarina. Não sei, Manuel, achas que é um prato que a Catarina iria lá e devorava de uma vez?

Atenção, eu adoro hambúrguer de quinoa.

Para a Catarina, se calhar vai ser uma maravilha.

Eu vou falar a mesma coisa. O hambúrguer de quinoa tem um problema que é, eu já tentei provar, não vou dizer que não, mas não é a minha praia.

O problema do hambúrguer de quinoa é ter quinoa.

Eu não posso dizer uma coisa que é, se toda a gente gosta daquilo, é o preferido, garanto, e por isso é que se mantém na carta desde o início, porque é um dos preferidos de muitos clientes que lá estão, que ficam a cismar com ele durante toda a semana. Portanto, o hambúrguer de quinoa, eu direi que já se sabe que entre marido e mulher não se mete a colher. Mas neste cisma vale bem a pena meter colher em vários pratos, como o ovo mollet com cogumelos praianos trufados, a moqueca de pescada e camarão com arroz basmati. O meu preferido, de qualquer maneira, é o atum braseado com cogumelos e o molho especial que eles lá fazem. Quando eu vou aos restaurantes, normalmente tento variar. Mas tenho uma dificuldade muito grande, que é quando estou uns tempos sem lá ir e há um prato que eu elegi como meu preferido É muito difícil conseguir, dessa vez que lá volto depois de passado uns tempos sem lá ir, de escolher uma novidade, em vez de escolher aquilo. Sou mais pela confiança.

Eu também sou um bocado assim para casa.

Eu também. E no fim de semana tive exatamente essa conversa com meu marido, porque eu peço sempre o prato num restaurante. Se eu gosto, tem trufa, que eu sou doida por trufas, nem sequer dou hipótese para experimentar antes.

Olha que aqui tinhas também.

Pois, tinha, eu adoro. Tudo que tem trufa para mim está ganho. Temos este hambúrguer de quinoa, mas, André, temos que ir às sobremesas, não é? Chegou o momento, Manel, de destacar as sobremesas para deixarmos aqui o nosso André a salivar de desejo.

Exatamente. As sobremesas, eu até gostava de dizer que, por incrível que pareça, estamos num restaurante pequeno, mas que cresce, quase fica grande na hora da sobremesa.

Vamos lá.

A minha sobremesa preferida é o quindim. Vem adornado com molho de frutos vermelhos e é espetacular.

Adoro quindim.

Eles quando começaram não tinham esta nuance do molho de frutos vermelhos. Eu, por acaso, acho que liga bem. Eu gosto mais da parte do quindim, mas liga bem com este molho de frutos vermelhos, que é uma novidade. Mas também tem uma coisa que eu nunca tinha visto, que é um cheesecake cozido, que também é um "must" da casa. Entre um e outro...

Cheesecake cozido? Como?

Eu não sei o que lhe faço, não posso explicar. Só posso falar do resultado, que é magnífico e que nunca vi. Estou farto de comer cheesecakes em muito lado.

Também é a minha sobremesa de eleição.

Aliás, parece ser o oposto do cheesecake.

Há aqueles cheesecakes brancos, que têm pouca memorabilia, mas há aqueles cheesecakes mais à moda espanhola, que é a mesma tarte de queijo, e este ainda é uma terceira variante, que é um cheesecake cozido e que para mim é o melhor dos três. O melhor das três variantes é este cheesecake cozido.

Nunca provei.

Não sei como é que ele inventou aquilo, mas ele diz-me que é o que diz o nome, que é um cheesecake que é cozido. Não sei se é cozido ou não.

Manel, eu acho que como nós ainda vamos demorar um bocadinho a ir ao Cisma, eu proponho que o Miguel envie um cheesecake.

Eu também.

Aqui para o Observador.

Se calhar dois cheesecakes.

Dois cheesecakes, pronto. Eu ia partilhar contigo.

Mas é mais seguro.

Só que eu fiquei com a pulga atrás da orelha, porque cheesecake é a minha sobremesa de eleição. Cheesecake cozido, eu fico doida.

Eu acho que aquilo não se estraga.

Eu nem visualmente estou a imaginar como é que será.

Eu acho que vou fazer uma promessa, que é da próxima vez que cá voltar, peço um cheesecake, que eu acho que aquilo aguenta umas horas.

Sendo cozido, se calhar.

Aguenta umas horas e traz aqui, fazemos uma degustação em direto.

Está feito.

Está prometido.

Está registado, eu alinho.

Quando é que o Manuel volta?

Vamos ver isso.

Nós depois combinamos, mas já está prometido.

Antes de combinarmos isso, vamos às contas. Nota verde na mesa, chega?

Chega e sobra.

Maravilha. Isso é que eu gosto.

Este Cisma também tem essa vantagem, sobretudo se for para o menu do dia, eu julgo que o menu do dia são 12 € com direito a uma entrada ou uma sobremesa, um prato e uma bebida e café. Portanto, 12 €, de facto, é imbatível. Mas mesmo que for para a carta, a nota verde chega claramente para nós três e até quase que podemos levar um reforço para duplicar.

E se calhar ainda consegues o quindim.

Pois, exato, ainda consigo o quindim ajuntar.

Eu não arrisco a nota vermelha, uma nota vermelha para os três também é capaz de ser exagerado.

É muito.

Mas uma nota vermelha e uma pequenina a seguir é capaz de dar.

Então portanto, temos um bom preço, temos boas sobremesas.

Falta o garfo, mas eu espero que me venha um douradinho.

Eu acho que nesta versão restaurante romântico, que nasceu de uma história de amor.

Tem que ser um super dourado.

Tem que ser um super dourado.

Claro que sim.

É o chamado garfo dourado romântico.

Nem mais. Hoje, então o Cisma em Matosinhos é a proposta do nosso Manuel Serrão para pratos nunca dantes navegados na Rádio Observador, em parceria com o Jornal Manoel. Até para a semana.

E não esquecer da combinação.

Cheesecake.

Vou ficar a cismar no cheesecake.

Até para a semana.

Até para a semana.