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Por pratos nunca dantes navegados na Rádio Observador com o nosso Manuel Serrão em parceria com o TJornal. Manuel, hoje vamos seguir viagem para Vila Nova de Gaia, não é verdade? Mas já lá vamos. Para comemorarmos a nova ponte da Ferreirinha, vamos então até Vila Nova de Gaia, mas não por essa ponte, imagine.

Pois, eu estou convencido que ainda é um bocadinho cedo, porque ela ainda só foi agora que foi-lhe aprovado o nome, mas ainda tem muito para construir.

E também não vamos estar à espera, não é?

Não, não vale a pena.

Podemos ir à volta.

Exatamente. É que ainda é cedo, faltam uns aninhos. Como diz o povo: "Ainda há de passar muita água por debaixo das outras pontes."

Mas gostou deste nome, Ferreirinha?

Gostei, dona Antónia. Acho que sim. Também devo dizer uma coisa, dos nomes que depois foram à seleção final, este era claramente o nome vencedor. Eu não tinha dúvidas nenhumas que era este nome que ia ganhar. Claro, se tivessem posto lá como opção Ponte do Dragão, Ponte Azul e Branca, não sei o que é que ganharia. Mas eu acho que é uma ponte entre Porto e Gaia. A Ferreirinha também faz a ponte entre o vinho do Porto e a cidade de Gaia, as caves de Gaia. Acho que foi bem escolhido e atenção que a Ferreirinha é uma mulher que se fosse viva hoje já tinha para aí 20 corações. Não é uma janja qualquer.

Sim.

Adoro "não é uma janja qualquer."

Então vamos falar do Enoteca, não é?

Vamos, mas Diego, desculpa lá, é que o tempo é uma noção muito relativa. Falta muito tempo. Parece que ainda foi ontem que eu estava a comer uma feijoada na Ponte Vasco da Gama e agora já lá passei não sei quantas vezes de carro por cima.

Foi lá a feijoada?

Fui à feijoada de inauguração da Ponte Vasco da Gama.

Muito bom.

Tu lembras-te disso? Tu és desse tempo, Diogo?

Não sou desse tempo. Já tinha nascido quando a ponte foi inaugurada.

Já, mas não te lembras bem da feijoada.

Não, sei bem o que é que foi porque já ouvi falar disso imensas vezes. Já foi alvo de várias reportagens depois daquele dia.

Como dizia na altura: "Foi uma inauguração a todo o gás."

Pois! Meu Deus. Bem, então o Enoteca não nasceu ontem, mas parece que teve uma espécie de renascimento há pouco tempo, não é? Nós estamos a falar do Enoteca em Vila Nova de Gaia.

O Enoteca de Vila Nova de Gaia, aquilo tem uma localização fabulosa. Aliás, estamos em tempos ainda recentes de São João. Quem pôde ir para lá ver o fogo de artifício de São João ficou muito bem servido. Para além de ter ficado bem servido com o que comeu, de certeza, também ficou muito bem servido nas vistas. Mas quando a Enoteca nasceu, aquilo não era mau, mas era uma coisa um bocado confusa, porque era um espaço onde conviviam vários restaurantes de vários donos, que tinham ofertas gastronômicas muito diferentes. Tinha até uma queijaria, uma pastelaria lá no meio. Era uma coisa um bocado esquisita. Eu que fui lá uma ou duas vezes, e enfim, não desgostei, mas agora que fui lá depois do renascimento, agora é que aquilo está no rumo certo. Porque não correu de projeto, a pandemia também ajudou de homem por alto, que não para o rio, e agora renasceu pela mão do grupo Romando, que eu já conheço de há muitos carnavais. Por acaso, aqui acho que nunca falámos deles, porque tem um ponto de partida, o verdadeiro Romando, que é perto da Praia de Árvore, em Vila do Conde, e tem também já o irmão mais novo, mesmo mais fashion, também na marginal de Vila do Conde, em cima do rio Ave. Do rio e não do clube com o mesmo nome. Mas este Romando tomou conta da Enoteca e foi o melhor que aconteceu à Enoteca. Agora tem várias ofertas na mesma, mas é tudo coordenado, tudo do mesmo dono e faz outro sentido.

Mas com esse nome e no meio das caves de Gaia, a ideia é ir só para lá beber ou também vamos bem servidos se formos lá comer?

Eu diria o contrário, meu amigo, que é assim: quem for lá beber já é uma boa ideia, porque tem uma garrafeira de tirar o chapéu, como pelo nome se deve perceber. E sempre teve, já antes tinha também. Mas se for lá beber, às vezes acho que fica curto. É preciso ir lá comer também. Da última vez, por acaso, que lá fui, foi para celebrar a saúde de um bom amigo que tinha passado uma fase má e estava recuperado, e saímos de lá todos com saúde para dar e vender e uma magnífica boa disposição. E tudo começou por causa de três entradas triunfantes: gambas selvagens salteadas, mas que nós domesticamos num instante, tudo cá para dentro; um carpaccio de bacalhau notável e talvez os melhores ovos rotos que eu comi em 2023, para não exagerar.

A sério?

Exatamente.

Os melhores?

De 2023, posso garantir. Para trás, não vou entrar aqui em especulações. Ainda fazem uma comissão parlamentar de inquérito.

Depois vai meio a meio, não vale a pena.

Eu sou apanhado a mentir ou em contradições, não vale a pena.

Depois vai ter que ir ver os registros e os WhatsApp e essas coisas todas. Não vale a pena.

Então, Manel, para aqueles que gostam de dizer que os olhos também comem, o que recomenda nesta Enoteca?

O sabedoria de experiência feito diz-me que com um copo de pessegueiro branco na mão, e não tem nada a ver com outros pessegueiros que há aí, é mesmo vinho, pessegueiro branco na mão e os olhos no rio Douro e nas margens do Porto e Gaia, claro, é melhor não haver muito o que fazer ou trabalhar nas horas seguintes. É uma recomendação, um conselho que eu dou, mas também é um cuidado para que eu alerto.

Ir lá de folga.

Exatamente. Ou ao fim de semana.

Ou ao fim de semana.

E de Uber.

Todas as recomendações. Olha quem as deixa.

E dizem-nos que esta Enoteca são vários restaurantes num só. É mesmo assim? O que isto significa?

Pois, é o que eu estava a dizer. Aquilo de antes começou com essa filosofia e não começou bem, como depois logo se viu. Agora é só um restaurante, mas tem na mesma várias ofertas variadas de pratos de carne tradicionais portugueses ou Um filete de robalo, por exemplo, com arroz de gambas ou os lombinhos de robalo com arroz de bivalves, que é top também, até aos risottos e até uma barra asiática que tem sushi e sashimi. E ainda não esquecer um poderoso carpaccio de atum com foie gras e trufa negra.

Catarina, está feito este?

Com foie gras, nem pensar. Não, não me faças isso.

O foie gras posso pôr de lado e se for eu contigo como eu o foie gras, não há problema.

Pronto, eu adoro estas combinações. Eu sou boa companhia para comer por vocês.

Se for eu o foie gras, à tua saúde!

Eu sou aquela amiga que vale a pena levar. Como é aquela coisa do amigo secreto, tu és a amiga secreta o ano todo. Mas há cada vez mais restaurantes, precisamente, que encontraram essa filosofia de ter oferta, porque vamos um grupo grande ou até uma família onde, por exemplo, os miúdos não apreciam, lá em casa não é o caso, porque gostam muito de sushi, mas se calhar os miúdos não gostam de sushi. Assim os pais conseguem ter sushi e há outra variedade, há risoto, há o bife. Isto para dizer que cada vez há mais restaurantes com essa filosofia.

E este é um desses, sim, senhora.

Pelos vistos, Manuel, num certo momento, mesmo estando em Gaia a ver o Porto, é preciso escolher entre o Japão e a Austrália. Isto soa um pouco estranho, não é?

E ainda soa mais estranho contigo a dizer isso. Mas é por uma boa razão. É para quem estiver com fome de carne e tiver os cartões de crédito a funcionar, no Enoteca pode optar por um sensacional bife de wagyu, acho que é assim que se diz. Já ouvi dizer de várias maneiras. Wagyu, pronto, que pode vir do Japão ou da Austrália. Claro que este pode vir é uma liberdade de estilo, porque a carne já veio de lá há muito e vem agora da cozinha. Mas há que escolher o país que apetece mais, se é o wagyu do Japão, se é o wagyu da Austrália. Talvez dar uma vista de olhos ao preço por quilo ajude a tomar a decisão. A mim ajudou.

É muito caro?

Não, mas o Japão é mais bonito. A Austrália é muito longe.

Trabalhou em tempo dois.

É preciso muito tempo para chegar à Austrália.

Os custos de importação são muito altos.

Exatamente. Temos os direitos.

Alguma sobremesa que destaque ou bem regadinho e umas boas entradas e o prato já nem chegamos à sobremesa?

A sobremesa não é, digamos assim... Ir lá, claro que a gente não dispensa a sobremesa. Eu, no Enoteca, dispenso sobremesa com as entradas e com os pratos.

Depois a pessoa já fica bem.

E mais com o pessegueiro a olhar para o Rio Douro, já não há sobremesa que aguente.

Que aguente. Nem mais, maravilha. Então, sendo assim, passamos à conta, Manuel.

Conta. Desta vez tu não podes ir e mesmo eu e o Diogo. Temos que levar reforços. Levamos a nossa notinha verde, mas com uma notinha azul só para os dois.

Só para os dois?

Só para os dois. Se for a Catarina, temos que levar duas verdes.

Temos que levar duas verdes.

Duas verdes, pois é. Então com o pessegueiro.

Sim, estou a perceber.

Para meter pessegueiro e tudo, têm que ir duas verdes. Mas é assim, também não é todos os dias que se vê. Que se come daquela maneira, que se bebe com aquela vista.

Marcamos já para o São João do ano que vem.

Pronto, para o São João é boa altura para lá ir, exatamente.

Olha, eu nunca fui. Ando sempre a dizer: "Este ano." Ainda não fui.

Também não foi este ano, mas para o ano.

Não, não fui. Eu estou a dizer para o ano, Manuel.

Vamos marcar.

Pronto, feito. E o garfo?

Garfo dourado, claramente dourado. É que nem precisa de subcategoria nenhuma, mas na subcategoria dos tais novos restaurantes, tem oferta gastronómica variada e com vista para o Rio Douro.

Maravilha. Está dada então mais uma sugestão neste "Por Pratos Nunca Dantes Navegados". Hoje fomos até Vila Nova de Gaia, à Enoteca ou ao Enoteca. Manuel Serrão, temos encontro marcado de dois a oito.

Claro que sim, não falha. Vocês têm tempo de férias, eu estou sempre a trabalhar.

Sempre a dar.

Eu não, vocês também.

Nós todos, sempre aqui.

Isto é em equipa, sempre. "Por Pratos Nunca Dantes Navegados" na Rádio Observador, em parceria com o teu jornal. Para a semana há mais.

Até para a semana.

Viva a nossa troika.