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Por pratos nunca antes navegados na Rádio Observador, em parceria com o TJornal, cá estamos. O prometido é devido. Lá do nado.

Lá do nado?

Ia dizer lá do nado. Lado a lado, Manel.

Junto e ao vivo, exatamente.

O Manel a olhar para mim do gênero: "Já bebeu e ainda nem tivemos um pratinho?"

É um verdadeiro triângulo real, não é virtual.

É verdade. Muito bem. Hoje estamos de regresso também ao berço da nação, que agora também quer ser um dos berços da restauração sustentável. Não é verdade, Manel?

Exatamente. Aliás, Guimarães, puxando aqui a brasa à minha sardinha, já na parte do têxtil, do textilar, tem feito uma aposta muito grande na sustentabilidade dos seus produtos e nos restaurantes também. A começar por este Deal, que é uma coisa nova. E se a sustentabilidade anda na boca de toda a gente, em um programa que tem tudo a ver com boca, era o que mais faltava que alguma vez chegasse por aqui.

Que também não chegasse aqui.

Claro. Então, Deal, é assim que se chama este restaurante em Guimarães. Eu gosto tanto de Guimarães. Eu vivi em Guimarães uns tempos.

Eu também gosto. Viveste?

Vivi.

Eu não sabia.

Dois aninhos, e gosto tanto de Guimarães. Ora portanto, Deal, negócio, no fundo. O negócio é de gente nova, muito preocupada com essas tendências da responsabilidade social, com a sustentabilidade. Isto traduz-se em quê? Em comida, em restauração.

Em pratos.

Exato, em pratos, Manel. Eu gostava de começar por dizer que, a propósito deste novo restaurante de Guimarães, o Deal, que em português pode ser combinado ou acordo. E por isso este Deal quer ser, nas palavras deles, um acordo entre a tradição e a inovação, entre os produtores e os seus clientes. E por isso é que os produtos são, na sua maioria, de origem sustentável e tradicionais. Na sua maioria, os pratos desenvolvidos e elaborados no Deal usam os produtos sazonais, mas também de proximidade: carnes, legumes, frutas, etc. De qualquer maneira, eles também, na sua filosofia, digamos, dizem que alicerçaram a sua criação num propósito muito claro. Agora vamos ter aqui palavras que têm a ver com a sustentabilidade. Isto hoje é um programa quase verde, quase green. Espero que ninguém venha para aqui atirar tintas.

Atirar tintas? Não sei.

A porta está fechada. Dizem eles que o objetivo é sustentar os ecossistemas sociais ainda existentes e que necessitam muito de apoio, como por exemplo, o solar onde é criada e certificada a raça cachena, bovino, não é muito para ti, a preservação de ecossistemas naturais, valorizando os produtos como a caça, os cogumelos selvagens e a recuperação de pratos tradicionais portugueses, respeitando o mais possível a sua qualidade através de técnicas novas. Citando a Mariana Faria, que é a alma deste Deal, os valores também são importantes e ela gosta de dizer que o que dizemos, fazemos, não é só conversa. Isso que eu estive aqui a dizer, parecia só conversa, mas ela faz questão de dizer que não, o que dizemos, fazemos, faz parte dos valores do restaurante, este Deal. Respeitamos e valorizamos os nossos colaboradores. Redução máxima de resíduos, redução máxima de transportes, poupanças de energia e água. Portanto, ir lá, ir ao Deal, não é só comer, é estar a contribuir para a salvação do planeta, não é por atirar tintas.

Exatamente. E essas legítimas e modernas preocupações influenciam também o menu, Manel?

Ora bem, alguns pratos, sim, outros, se calhar, menos. Eles gostam de dizer que nem tudo são carnes que são produzidas ali ao lado, mas os produtos são todos da zona e eles têm a preocupação que os seus produtores tenham também preocupações ambientais. Mas alguns, como é o caso, que já aqui falámos, da costela à mendinha cachena e o pernil cachena também, são originários de ecossistemas sociais, como estávamos há bocado a dizer, neste caso, o Parque Nacional da Peneda-Gerês. Portanto, pelo menos aqui, digamos que a cara diz com a careta. Ok, então e percebidos os valores, as preocupações, em termos de menu, o que é que podemos comer quando vamos ao Deal? Ora, as novidades, e a começar das entradas, eu tinha duas sugestões ligadas à carne. Eles têm lá muita carne wagyu. Não sei se sabem o que é, mas é uma carne especial. E então tem um chouriço de wagyu e um carpaccio de picanha de wagyu que são muito bons.

Eu passo tudo.

Depois a costela, depois é dar um aqui para passar para já. A costela é à mendinha cachena, mas também há um pernil de vitela, mas há um polvo de quatro patas. Atenção, não é um polvo qualquer, deve ser um polvo sustentável, porque claro, com quatro patas sustenta-se bem. Se fosse só duas, era mais difícil. E há também tataki de wagyu, voltamos ao wagyu, e vitela barrosã em vinho tinto, tudo, a vitela e o vinho, sempre de sociais ecossistemas. Aqui não engana nada. Claro. Então e para nós os dois podermos chegar aqui a um bom acordo com o Deal, o que é que nos propões, se tivesse aqui dar sugestões? Para fazer um bom deal com a Catarina, para além deste polvo de quatro patas, que eu até gostava de ver, não provei ainda, porque gostava de ver o que são as quatro patas. É uma mesa, praticamente. Quatro patas, praticamente uma mesa, é um polvo que é uma mesa. Mas também há vieira gratinada, isso sim, já provei, é muito bom. Vem mesmo na conchinha da vieira.

Eu adoro vieiras.

Vem um gratinado, é muito bom. E também há uma coisa que eu não provei, mas vi e tinha bom aspeto, que é flor de alcachofra com ovo estrelado. Espero que o ovo não seja impeditivo.

Não é.

Eu fico com ele.

Não, eu como ovos.

É um ovo de galinha, não é de vaca. Eu não gosto de ovo de vaca, sabes? Mas para o André, estamos só aqui a falar da Catarina, e nós agora temos que isto aqui, esta mania agora.

Estamos só a falar da Catarina? Parece não.

Estamos a falar do André também. Para o André, eu devo dizer que há várias coisas, provei tudo o que aqui está. A tarte de queijo, que é magnífica. Volto a dizer que é aquela linha da tarte de queijo que é mesmo tarte de queijo, não é aqueles cheesecake. Não, é mesmo tarte de queijo. Um gelado de pistácio caseiro. Ui, adoro pistácio. Já que digo pistácio, eu gosto mais de pistáceo, mas acho que é pistácio que se diz.

É pistácio.

É pistácio.

Às vezes um bocadinho de pistáceo não faz mal.

Eu também, mas à candieiro que sim. E depois há um bolo Deal O que é um bolo O'Deal? É uma bomba calórica, mas é sustentável, porque é um bolo de chocolate negro que tem ainda mousse no interior também de chocolate. Que maravilha! Já te estou a ver a babar, mas é uma baba sustentável. É sustentável.

Isso é uma superbomba calórica, Manel.

E depois acho que também é preciso falar do restaurante, que é uma recuperação de uma casa antiga, em pedra. É muito engraçado. Tem também, quando estava um tempo, uma esplanada magnífica, tem um parque de estacionamento fantástico e para quem conhece Guimarães, fica na estrada que leva Guimarães à Pousada de Santa Maria da Costa. É muito fácil de encontrar, tem bom estacionamento, boa comida, boa onda sustentável, um bom espaço, portanto, há que conhecer em Guimarães.

Mas eu, por acaso, a última vez que estive em Guimarães não foi assim há tanto tempo. Senti mesmo que agora há uma nova onda, muitos empreendedores, muita malta nova.

Ajudou muito a capital europeia da cultura em 2012.

Sim, notei mesmo.

E acho que é uma cidade que está também cheia de gente nova, que também tem a ver com isso que eu estava a dizer. Com naturais e não naturais, mas muita gente nova. Isso depois também transforma a paisagem humana e social da cidade. Claro.

Vamos à conta e ao garfinho, Manel. Continha.

A continha, uma nota verde. Dá para os três se não nos esticarmos muito. Se esticarmos, se calhar é preciso um bocadinho mais uma ajuda de uma nota azul. Digamos assim.

E temos também vinho, não é? Nós contamos sempre com um vininho.

Com vinho, claro. Tem lá vinhos bons também da região. Ali mais vinho verde, mas há tudo, como é evidente. E o garfo. Eu darei um garfo dourado. Na subcategoria de restaurante sustentável, novo, moderno e sustentável, é um garfo dourado.

É uma nova categoria também, não é? Aqui no Pratos Nunca Dantes Navegados.

É uma nova categoria, exactamente o que eu estava a dizer. Aposto que vai aparecer mais vezes. A partir de agora, sim. Agora é moda da sustentabilidade.

Completamente.

E eu sei que os têxteis também quando começou, parecia que ninguém queria ligar nada àquilo e hoje em dia, Portugal pode-se dizer que está na vanguarda do têxtil sustentável e estamos com esse reconhecimento a nível europeu e quase mundial.

Ainda bem, ótimo. Muito bem, está dada então a sugestão do nosso Manel Serrão para Pratos Nunca Dantes Navegados. Hoje fomos até Guimarães conhecer o O'Deal. A sugestão está dada. Manel, até para a semana.

Até para a semana, combinado.

Por Pratos Nunca Dantes Navegados, em parceria com o "TJornal".