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Cá estamos para mais uma edição de "Por Pratos Nunca Dantes Navegados", na Rádio Observador, em parceria com o nosso "T-Jornal". Já é nosso, não é, Manuel? Isto já é nosso, com tantas edições.
Claro que sim. Como eu diria, completamente.
Manuel, bom dia.
Bom dia, Manuel.
Bom dia.
Bem-disposto.
Cá estamos. Tenho que estar sempre bem-disposto e vou falar de um restaurante que, ainda por cima, conheci recentemente e gosto muito, portanto, tinha que estar supersatisfeito.
Manuel, isto foi preciso acabarem as férias para voltarmos à baixa do Porto. A movida da baixa portuense fica mais xuxinha nas férias, ou nem por isso?
Nada disso. Isso era dantes. Dantes sim, agora a movida da baixa portuense não tem descanso nem nas férias. Aliás, até há alguns moradores que se queixam, mas isso é contra outro rosário.
Certo.
Em pleno mês de agosto, só para terem uma ideia, tive que ir à baixa do Porto durante o dia e vi-me aflito para estacionar no parque da Praça D. João I, que é um dos maiores parques da baixa. Atenção, que isto é quase a toda a movida da baixa durante o dia, em agosto, e não haver lá ninguém.
Pois, exato.
Mas, Manuel, mais turistas?
Claro, sobretudo mais turistas. Completamente mais turistas. Agora, também não é por isso, nem é por acaso, que cada vez há mais hotéis e restaurantes no coração do Porto. Aliás, já falámos aqui daquele hotel Axie Porto e do restaurante Umami ao lado. E o que vamos falar hoje é também um caso desses, é o Bếp Viet, que é na Rua da Picaria e que é mesmo atrás desta zona da baixa do Porto.
E voltamos à baixa, voltamos também à gastronomia asiática, oriental. E Manuel, de certa forma, podemos dizer que hoje vamos mesmo ter pratos por onde nunca navegámos. Eu nunca naveguei por estes pratos, posso garantir.
Ora bem, exatamente. O meu amigo nunca navegou e eu também, até lá ter ido, nunca tinha navegado. Pronto. De qualquer maneira, devo dizer outra coisa a mais ainda. Nunca nesta boquinha aqui tinha entrado qualquer tipo de comida vietnamita. Oriental sim, já.
Pois, no meu caso também não. É isso mesmo.
Mas vietnamita, que eu saiba, foi uma estreia total. E a verdade é que me estreiei no sítio certo, porque o nome não engana. Bếp Viet quer dizer exatamente a cozinha do Vietname, na língua deles, claro. Com a missão de apresentar ao Porto e a quem visita, uma cozinha vietnamita moderna, mas que também respeita as tradições, nem podemos dizer de outra maneira, e promove a cultura do Vietname, que é uma coisa que eles nas próprias ementas têm muito cuidado, gostam de explicar qual é a origem dos pratos, por que no Vietname se come aquilo, como é que se come. Aquilo é um banho de cultura, quase, como diz o Juca às vezes. Curiosamente, também um dos clientes habituais do Bếp Viet, com quem aliás me cruzei lá já duas vezes, é o professor Henrique Calisto. Não sei se conhecem.
Sim.
Vocês conhecem, mas então no Vietname é que conhecem mesmo, porque qualquer Cristiano Ronaldo, qualquer... O Henrique Calisto é o português mais conhecido no Vietname.
E aposto que tem muita comida de borla, não? Desta comida boa. Já vamos perceber se é boa.
Eu devo dizer que quando lá estive com ele, praticamente não precisava das explicações dos empregados, porque ele conhecia aquilo tudo. Ele viveu vários anos no Vietname e portanto a cozinha vietnamita para ele também não tem segredos.
Manuel, tem de contar como foi isso de descobrir um restaurante vietnamita que vim de abrir no coração do Porto. Correu bem, já percebemos, mas queremos mais detalhes.
Claro. Eu vou dizer que, como agora se diz, foi um networking.
Pois.
O investidor, o dono, é um antigo amigo meu, e aliás, o Júlio Magalhães, e até foram os dois que me convidaram a experimentar esta nova cozinha asiática no Porto. E devo dizer que embora o fizeram, como já perceberam, foi uma experiência magnífica, que desde já recomendo a todos. Estamos, antes de mais, está a falar de uma cozinha muito diferente da nossa, muito saudável, baixa em açúcares, gluten free, vejam lá, e com pouco uso de óleo, mas nem por isso menos saborosa. Entram como ingredientes muitos legumes e ervas, como já devem imaginar, que vêm mesmo do Vietname, ainda que algumas já sejam plantadas numa pequena horta cá, mas por uma vietnamita.
Pois.
É cozinha biológica, tradicional, mas dessas ervas que falo, temos a erva-príncipe, não sei se conhecem, a menta vietnamita, essa não conhecem com certeza, a canela, o gengibre, o coentro longo, cebolinho, pimentão, a folha de manjericão do Vietname, não é um qualquer, e também o tradicional arroz, que não pode faltar.
E que o Manuel tanto adora.
Que eu adoro. E que aqui aparece em várias formas. Aparece em forma de noodles, aparece em forma de massa de arroz ou folha de arroz.
Gosto de todos.
Em muitos pratos também há molho de soja, mas a maioria o que tem é molho de peixe. Este molho de peixe é que é o verdadeiro ingrediente internacional da cozinha vietnamita. Ou não estivéssemos a falar de um país com 3 mil km de costa, comparado conosco, estão a ver? São vários Algarves e várias costas ocidentais. Então para explicar como se faz este molho, eram precisos vários programas, por isso o melhor é irem lá. Ou irem ao Dr. Google para descobrirem, se é que lá dizem, ou ainda melhor, é visitarem o Bếp Viet, provarem e depois perguntarem ao chef a ver se ele vos diz.
Manuel, eu olhando aqui para o nome do restaurante, o Bếp Viet, isto tem aqui uns acentos um bocado estranhos, uns caracteres vietnamitas. Quem não está familiarizado com a cozinha, com a gastronomia vietnamita, como é que eu posso escolher? Como é que eu devo escolher? Porque eu já estou a imaginar olhar para um menu e não perceber nada do que está lá escrito.
Isso é o mais provável, amigo André, e a mim aconteceu comigo. Portanto, eu diria que a resposta a essa pergunta é: perguntamos sempre. Quem tem boca vai a Roma, diz o povo.
Nem mais.
Mas para ir ao Vietname sem sair do Porto, também pode usar a boca para perguntar.
Pois, certo.
Uma das coisas imperdíveis é o pho, com PH, como dantes se escrevia farmácia. Basicamente, é um dos meus pratos preferidos. Basicamente, é uma sopa, mas feita a partir de um caldo que é preparado durante várias horas. Como e com o quê é o segredo, nem eu sei. E depois leva noodles de arroz e este pho pode ser de frango, carne de vaca, peixe ou camarão. É uma boa solução para entrada. Ainda que existam outras Com nomes mais esquisitos, mas sabores mais familiares como o tôm xiêm box. Cuidado com este.
Olá!
Que é uma tempura de camarão. Ou o bánh mì nướng alboi. Cuidado!
Conheço.
Que é um pão de alho torrado para prato de resistência. Depois, a seguir, o ideal era sermos pelo menos dois, mas três ou quatro ainda melhor, porque se provarem pelo menos um dos arrozes e uma das massas, de que já aproveito e destaco o cơm Sài Gòn. Cuidado, que é um arroz com porco grelhado e ovo estrelado, à moda de Saigão. Ou então a mì xào tôm bò gà trúng, atenção, que é uma massa de ovo salteado com camarão, vaca e frango. Os nomes são muito complicados, e os molhos também, os ingredientes também, mas depois aquilo que a gente come já são sabores mais familiares.
Manel, eu estava aqui a pensar, parece-me tudo bem, eu alinho, ainda estou numa visita ao Porto. Eu, pelo menos falo por mim, já não vou há algum tempo e tenho sempre muitas saudades.
Passagem, só.
Foi só de passagem? Pronto. Estamos aqui a falar de um restaurante novo, mas no meio da baixa do Porto. Como é que funciona a reserva, mesa e estacionamento?
Bem pensado.
Estão a tocar nos pontos cruciais. De qualquer maneira, Catarina, já sabes que vindo ao Porto é como se viesse a dois países, ao Porto e ao Vietname. O Porto é uma nação, como sabemos, e o Vietname é outra. E no Bép Viet vais te sentar como se estivesse em casa do vietnamita. O restaurante nem é pequeno, nem é grande, é médio, terá uns 60, 70 lugares. De qualquer maneira, ao jantar de fim de semana, acho que a reserva de mesa é obrigatória e ao jantar, em princípio. Eles ao almoço ainda estão a começar, ainda têm pouca clientela, mas ao jantar já têm, então ao fim de semana é melhor mesmo reservar. O estacionamento. Há uns parcitos lá à beira, mas eu, sinceramente, o meu conselho é que se evitasse e se optasse por transportes públicos ou metro, ou táxi, ou Uber. Claro, os mais sortudos, que foi o que aconteceu comigo, é arranjar uma boleia. Eu fui de boleia, foi a melhor maneira de lá ir, como é evidente.
Antes de olharmos para as boleias, porque vocês estão a queimar etapas, eu acho que antes disso eu ainda não estou totalmente convencido.
Deixa-me adivinhar, vais à sobremesa.
Pois, falta a sobremesa, exatamente. Como é que estamos em sobremesas vietnamitas, Manel?
Meu amigo, achei que eu conhecia, que ia ser difícil, sei que é o novo guru das sobremesas dos Pratos.
Adoro! O novo guru.
O novo apresentador.
E ainda posso dizer mais, como dizia o Zelensky ao nosso presidente, Marcelo, na Ucrânia, aqui no Bép Viet também funciona tudo, incluindo as sobremesas.
Muito bem.
Por isso eu recomendo a especialidade da casa, que é o Sweet Vietnam, que junta três doces tradicionais, todos com leite de coco, mas um é à base de tofu e tapioca, um segundo à base de doce de arroz e pandan. Pandan tem que procurar para saber o que é, mas faz-se pandan com o doce de arroz. E finalmente, o meu preferido, que tem banana e também tapioca. Para mim, este terceiro é o melhor, mas para quem quer experimentar várias sobremesas, pede este Sweet Vietnam, vem amostras destes três e é um pijama à moda vietnamita.
Um pijaminha fica sempre bem. Por norma é muito raro eu conseguir chegar à sobremesa. Eu tinha essa fama aqui no "Por Pratos Nunca Dantes Navegados", agora passei o bastão, agora fica para ti. A verdade é que eu perguntava sempre ao Manel a sobremesa, mas o Manel sabe que raramente eu consigo chegar à sobremesa. Eu fico pelo prato.
Eu até me guardo para a sobremesa.
A sério?
Eu acho que a Catarina, a única tática que ela faz às vezes é começar pela sobremesa.
Manel, não é nada disso. As vezes que estivemos, eu cumpri tudo. Não saltei etapas, nada disso.
Mas olha, lá e ter sempre no final também, é obrigatório falar do egg coffee. O que é o egg coffee? É um café que também leva leite condensado e gema de ovo. É muito original, que é típico de um país que ainda por cima é o segundo maior produtor de café do mundo. Também tem graça ouvir a explicação, que eu não quero aqui reproduzi-la, de como é que nasceu esta moda do egg coffee no Vietname. Vale a pena ir lá só para ouvir essa história.
Muito bem.
Eu vou ao egg coffee.
Eu estou convencido.
Tu já estás, não é?
Estou convencido.
Muito bem, Manel, e esta história agora vamos lá então à conta e depois passamos ao garfo. Mas a conta, quantinha aqui para nós três.
A conta, a nossa nota verde habitual dá para ir ao Vietname e sair sem ter que pagar mais portagem.
E sem saltarmos as etapas, tudo a que temos direito.
Sem saltarmos tudo a que temos direito, como é evidente. Também na questão dos vinhos, já sabe que aqui não é o forte, mas tem vinhos portugueses também, sem exagerar, mas a nota verde dá para os três perfeitamente.
E eles aconselham a beber vinho a acompanhar, isto é curiosidade.
Eles têm vários conselhos. Quem quiser vinho, tem lá vinho para oferecer, mas também tem lá umas bebidas vietnamitas. Eu, por acaso, não sou muito de chás. Essa experiência não fiz ainda, confesso.
Portanto, foi para o vinho, Manel.
Fui para o vinho, sim. Vinho branco.
E calhou bem.
Acompanhei com o vinho branco e gostei. Não quer dizer que um dia vá lá com outro espírito, não prove também lá as bebidas, tem que ser só um bocadinho. Mas desta vez não provei ainda. Mas têm.
E isto merece um garfo o quê?
Garfo dourado na sua categoria restaurante oriental da baixa da movida portuguesa do Porto. Eu no Porto nem conheço mais nenhum restaurante vietnamita. É bom, mas não tem sequer termo de comparação. Para mim tem que ser um garfo dourado porque nem sequer tem nenhum termo de comparação.
Muito bem, está feito. Ainda agora começamos e já estou aqui a pensar numa visita, num almocinho, ainda temos muitas horas pela frente ou pelo menos algumas, nestas manhãs "360", mas vamos a isso. Manel, muito obrigada. Está dada então mais uma sugestão, o restaurante Bép Viet, no Porto. A sugestão do nosso Manel Serrão para Pratos Nunca Dantes Navegados, na Rádio Observador, em parceria com o "DJornal". Manel, até para a semana.
Até para a semana.
Até para a semana e obrigado.