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Está no ar mais uma edição de "Por Pratos Nunca Dantes Navegados". Ficamos a conhecer os melhores restaurantes do país e, quem sabe, do mundo, com Manuel Serrão. Olá, Manuel. Bom dia, bem-vindo.
Olá, bom dia. Do país e do mundo, muito bem, até porque alguns dos melhores restaurantes do mundo são em Portugal. Uma coisa casa com outra.
Por acaso nunca sugeriste aqui restaurantes internacionais.
Por acaso já fizemos um em Paris, mas um português. Mas em Paris, o Saudade.
Já fomos a Paris.
Ok.
Já fomos a Paris e havemos de ir a outros lados. Ainda estamos a começar.
Hoje onde é que vamos? Ainda ficamos em Portugal e, pelo que eu percebi, no norte.
Vamos ficar ainda perto do mar e perto da praia, mas no norte. Até porque neste mês de agosto, tendo em conta as grandes confusões que andam, sempre no bom sentido, claro, com o Papa em Lisboa, etc, no norte estamos mais calmos. De qualquer maneira, vamos ficar também perto da praia e do mar. Não quer dizer, como já vimos noutras edições, que precisamos de estar com os pés em cima da areia ou mesmo dentro do mar. Por acaso, até há um restaurante chamado Pé no Mar, que também vai ser por aqui chamado, mas não hoje. E por acaso também fica em Leça da Palmeira, como o nosso eleito de hoje, mas essa é mesmo a única semelhança.
Já sei que no norte, mesmo no verão, há muita gente que nem ao almoço banca.
Brinca.
Já não sou capaz de ler. Nem almoço brinca.
Brinca em serviço.
Brinca em serviço. Estamos a falar de um restaurante desses?
Claro que a banca também é boa, mas nesse caso depende do que se entender por não brincar em serviço à hora do almoço. A minha sugestão hoje é para quem gosta de um almoço não light, mas não muito pesado. Há quem pratique essa religião durante o ano todo. Mas com o calor de verão, são mais os adeptos desta religião do almoço menos pesado, no qual ou na qual eu próprio me incluo também. Esse restaurante Lessa, com dois S, fica em Leça da Palmeira, mas este Lessa é com C cedilhado e fica a cinco minutos da praia com o mesmo nome.
Muito bem. Lessa, com dois S, em Leça da Palmeira. Mas neste restaurante não há sugestões do dia? Eu gosto muito de restaurantes que têm sugestão do dia, tipo prato do dia ou a sugestão do chefe. Isto acontece no Lessa?
Já vamos ver que não é bem assim. Aliás, a minha primeira sugestão, que eu que faço, que não sou o chefe nem do Lessa, é que se ligue para lá antes de lá ir, para saber se há lugar, porque a verdade é que neste Lessa, mesmo quando não tem ninguém, enche-se com muitos lugares. Eu diria até que depois daquela coisa dos concertos mais pequenos do mundo, que passa na concorrência, temos hoje aqui no Observador, nestes pratos, o restaurante mais pequeno do mundo, ou pelo menos um dos mais pequenos. Mas também os restaurantes não se medem aos palmos, medem-se mais às palmas. E este Lessa bem merece uma salva de palmas. O mesmo, aliás, posso dizer das sugestões do André, o chefe da casa, que tem sempre tudo e todos debaixo de olho, mas isso já vão logo perceber porquê.
O André Pinto Batista, não é? Segundo ouvi dizer.
Muito bem. E diz muito bem.
Eu estou muito informado. Eu já me estou a informar de tudo sobre este restaurante.
O Nelson está aqui a tirar notas, que é para ir lá quando estiver pelo norte. Mas já ouvimos dizer que o lema deste Lessa é o small is beautiful. Não me digas que só se come lá robalinhos, carapauzinhas, lulinhas, vitelinha.
A única coisa, para já, que termina em "inha" lá é a cozinha. Mas tem esta curiosidade que faz parte da sala e tem três operacionais lá dentro, perfeitamente adaptados ao espaço e cuja sincronização na preparação dos pratos e cozinhados dá gosto de ver. E toda a gente vê, porque a cozinha está à vista da sala. A sala tem, para perceberem melhor, seis ou sete lugares ao balcão, que são dois, mais uns oito a 10 em duas ou três mesas, dependendo dos grupos que vierem, e depois existe uma mini esplanada, esta sim, esplanadazinha, onde cabem mais três ou quatro pessoas. Mas atenção que o conforto é total. Não podemos é ser muitos ao mesmo tempo. É como em alguns carros que parecem pequenos por fora, como os Smarts, por exemplo, mas depois quando percebemos que são só para duas pessoas, para essa dupla não falta espaço. De qualquer maneira, as sugestões do Lessa são uma ementa que vai mudando com alguma frequência. Tem seis entradas, dois arrozos, dois tipos de sandes e duas sobremesas. Da última vez que lá fui, tinha para escolha prato de presunto, croquetes de barrada, pescaria frita em farinha de milho, tártaro do chefe, magnífico, ceviche do mercado, não é a minha praia, mas também quem foi comigo e era especialista disse que era muito bem, ovos rotos com presunto e pica-pau do mar, isso tudo como entradas. Os arrozos eram o carilino do mar e caldo de cataplana, excelente, e o carilino negro e lulas grelhadas. Eu provei os dois e entre os dois, venha, não digo o Papa e escolha, que já acabei, mas venha o Diogo. Na sandes, preguinho de lombo natural, normal, e sandes de presunto e ovo também para quem quiser uma coisa ainda mais light dentro do light. Nas sobremesas há o morango e iogurte e o bolo de café toffee e baunilha. Eu optaria por este segundo.
Que bela ementa, estou a ficar cheio de fome, Manuel.
Sim, ainda estamos longe da hora de almoço.
Mas eu já estou aqui a ficar cheio de fome. Há pouco estavas a descrever o espaço que a cozinha ficava no meio da sala e o Lessa tem a cozinha mais transparente do Porto e arredores.
Exatamente. Mais ainda porque nem vidro tem. Aquilo é completamente à vista, sobretudo para quem está ao balcão, é tudo feito à nossa frente. Nós podemos ver como é que é feito tudo aquilo que vamos comer. E mesmo quem está nas mesas, se quiser levantar, também pode ver, porque não há sequer um vidro. E o espaço não é grande, mas a maneira como eles se entendem entre eles, de facto, foi uma coisa que eu fiquei muito impressionado. De qualquer maneira, o André, o nosso chefe, ainda aumenta a transparência, porque explica nos antes o que podemos esperar de cada escolha. E honestamente, pergunta-nos também o estado da nossa fome, para depois nos ajudar a escolher O que é que havemos de comer? Da última vez éramos dois e ele disse logo: "Com duas entradas e um arroz ficam bem". E ficamos, apesar de alguma apreensão inicial.
Esta coisa das cozinhas que podemos ver é uma coisa mais dos tempos modernos, não é? Antigamente não era tanto assim ou era?
Não era muito assim.
Tem a ver com a tal transparência que se procura, não é?
Tem, mas também se calhar o problema é que dantes não era assim pelas piores razões, que é porque não se deveria ver o que se faz lá. E hoje em dia, o caso do Leça é emblemático, pode ver tudo o que eles fazem, tudo onde é que vão buscar as comidas, como é que as preparam, que condimentos é que usam, como é que as tratam, como é que as manuseiam, a higiene, tudo. Já tenho estado em muitos restaurantes com cozinhas à vista, mas tão transparente como esta do Leça, nunca tinha visto.
Quanto é que isto nos fica?
A nossa nota verde, também estamos a falar de um almoço mais light. Dá perfeitamente para irmos os três e ainda podemos levar a Catarina e o namorado.
Olha, então já somos cinco. Mas a Catarina come pouco.
Eu já estou a contar a Catarina como meia.
Mas nós ficamos com a parte dela, que ela não deixar. "Não gosto muito". E a gente aproveita. E merece um garfo? Qual é o garfo que lançamos para o Leça?
Eu acho que é o garfo prateado, tendo em conta as várias categorias e características deste restaurante, mas acho que merece um garfo prateado. E a curiosidade de restaurante mais pequeno do mundo.
E mais transparente, do Porto e arredores. Duas qualidades.
Mais transparente, exatamente, essa é que é a questão.
Muito bem. Manuel Serrão, não podíamos deixar de falar aqui hoje no "Por Pratos Nunca Dantes Navegados", que é a última edição do Diogo Teixeira Pereira a fazer este programa, e eu sei que tu descobriste coisas sobre os restaurantes favoritos do Diogo Teixeira Pereira.
Pois, essa é que é a questão. Eu gostava de saber como é que ele, que está a preparar para se ir embora, consegue deixar-nos aqui sem nos contar os segredos. Eu ouvi falar de um arroz de polvo, de um restaurante Abstract de Tavira, mas em concreto, ó Diogo, o que é que é este arroz de polvo e o que é que ele tem de especial?
E por que ainda não nos levou lá?
E por que ainda não nos levou lá? E mais, está a preparar para se ir embora sem sequer nos dizer que nos vai lá levar.
Vocês não conhecem o Abstract? Têm que conhecer.
O que é que se come lá?
É o arroz de polvo, e que é maravilhoso. Eu nem vou perguntar onde é que o Manuel andou a descobrir este meu gosto pelo restaurante Abstract.
É o teu restaurante favorito?
Não sei se é, mas gosto muito. É em Tavira. Tavira é muito bonito. Aquilo, vocês passam a ponte antiga. Estão a ver a ponte que eu estou a falar, não estão?
A principal.
Exato.
Eu só estou a ver o arroz de polvo que eu vou querer ver.
Ó Manuel, temos que combinar ir lá. Aquele também é daqueles sítios onde podemos levar a Catarina e o marido da Catarina e o Nelson, e vamos os dois e levamos mais gente, que um tacho de arroz de polvo dá para todos.
Eu acho que ir para lá e também para a Quinta da Magarinha em Viseu, se calhar levávamos também o Miguel Cordeiro, que ele também é apreciador dessas coisas e dá sempre boas informações.
Mas qual é que é esse em Viseu?
Também há uma posta na Quinta da Magarinha que faz embeijar muita gente.
Mas o Manuel também conhece a Quinta da Magarinha, ou não?
Conheço, mas a posta, não.
A posta é maravilhosa. É o teu segundo restaurante favorito? Eu não sei onde é que o Manuel foi buscar estas informações, mas de facto são restaurantes que gosto.
Ele informou-se sobre os teus restaurantes, Diogo.
Mas perante as escolhas que os nossos ouvintes também têm que fazer. Entre o arroz de polvo do Abstract e a posta da Magarinha, onde é que a gente vai primeiro?
Vamos à posta da Magarinha, fica-me mais em mão.
Ok.
Mas bom, também estamos no verão, se calhar podíamos ir a Tavira, que ficávamos bem servidos também.
Vamos um agora no verão e deixamos um para o inverno.
O Manuel vai muitas vezes a Viseu também, não é? Portanto, podemos combinar numa das idas a Viseu, ir à Magarinha.
Muito bem.
Isso primeiro. Depois o segundo. Como eu tenho cá um espírito de Santo Orelha que diz que uma menina vai voltar a trabalhar na Rádio Observador, vamos também para festejar o seu regresso à Rádio Observador.
Fica combinado. Estou sem saber o que dizer.
Era a surpresa que tínhamos aqui para o Diogo Teixeira Pereira, preparada pelo Manuel Serrão.
É ao Miguel Cordeiro que eu tenho que ir pedir satisfações, não é?
Isso não sei.
Manuel, nós cá continuamos. Na próxima semana teremos por cá a nova edição de "Por Pratos Nunca Dantes Navegados". Um abraço e bom fim de semana, Manuel.
Ok, muito obrigado.
Até breve. Obrigado, Manuel.
Diogo, até sempre e até breve.
Obrigado, até breve.