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Está com a Rádio Observador e está muito bem por pratos nunca dantes navegados. Manhã de domingo, cá estamos em parceria com o TS Jornal e o nosso Manel Serrão.
Cá estamos. Já recuperado o feriado de 5 de Outubro.
É verdade. E preparados para comer, para voltar a comer.
E tu, Luís, já sonhas com a sobremesa?
Já.
Calma. Parece que hoje vamos fazer check-in em mais um restaurante de hotel, não é verdade? Já aconteceu neste Por Pratos Nunca Dantes Navegados, uma sugestão, pelo menos, que eu me lembro uma ou duas.
Pelo menos duas. Estou-me a lembrar do Umami, estou-me a lembrar do Porto Novo.
Exatamente. E mais uma vez, o lobby da indústria hoteleira a funcionar, Manel?
Eu nem sabia que havia um lobby da indústria hoteleira. As coisas que a Catarina inventa, inventa o que não se sabe.
Se cá faz parte.
Não, isto é magnífico, não sabia o que era. O que funciona muito bem é este lobby, que se chama Lobby, de facto. Restaurante do Hotel Four Points, em Matosinhos, mesmo ao lado da Praça Guilherme Pintos. Quem conhece, é uma praça magnífica. Mas aproveito para esclarecer que nestes pratos também, fica aqui dito já aos nossos ouvintes, ninguém cede a lobbies. Só se for o André, que é novo, por um docinho é que pode ser seduzido, ou a Catarina por um sugestivo. Mas eu que sou comandante, diz lá no podcast, sou comandante.
É verdade.
Não cedo a lobbies. Aqui contra os lobbies, gravar.
Então, Manuel.
Calma, mas posso sempre deixar aqui o meu telefone.
Sim, claro. Fora de lobbies, este restaurante chama-se Lobby Four Points, não é assim?
Chama-se Lobby e é no Four Points. E já vão perceber porque é que se chama Lobby, que é uma coisa que aposto que os nossos ouvintes até já estão a adivinhar, mas fica mais para a frente.
Então já vamos à frente. Four Points é por causa do nome do hotel, não é?
Exatamente.
Mas Four Points, quero então quatro pontos bons deste hotel. Deste hotel, não, deste restaurante.
Muito bem. Quatro boas razões é um bom desafio. Aqui vão as four reasons. Ambiente friendly e super internacional.
Quando temos estrangeiros.
E contam-se pelos dedos de uma mão, não é preciso as duas, as vezes que lá fui que estavam outros portugueses a jantar. Um excelente binómio qualidade-preço, que torna a nossa nota verde uma coisa esbanjadora. Um serviço jovem, descontraído, mas irrepreensível. É tudo muito jovem e até, curiosamente, praticamente todos portugueses, que também hoje em dia é uma coisa do tudo jovem cada vez começa a ser mais raro, mas também que falam todas as línguas, até porque já percebemos a clientela é sobretudo internacional. E uma decoração super original. Isto por quê? Por isso é que ele se chama Lobby. Este restaurante é no lobby do hotel. Dito assim até parece mal, mas quem for lá percebe a maneira como está muito bem encaixado, ao lado também durante o dia de uma cafeteria e na mesma zona da recepção, mas que tem um bar pelo meio. É preciso ir ver. Eu não consigo descrever isto. Na rádio não conseguimos descrever isto como fotografias para vos mostrar, mas é mesmo lá preciso ir para perceber como é que aquilo, que é uma coisa também relativamente pequena, fica tudo muito bem encaixado. Tem um ambiente impressionante. Eu gosto muito. Vou lá muitas vezes, devo dizer.
E tem uma carta que nunca muda. Isso é uma boa ideia, Manel.
É preciso perceber e explicar também o que é o target, porque há várias teorias. Há teorias que dizem: "Não, eu gosto de um restaurante em que a carta nunca muda, porque eu tenho a certeza que vou lá, gosto daquilo, quero aquilo."
E pedem sempre o mesmo.
Pronto, e pedem sempre o mesmo. Eu tenho também essa mania, não sei se já aqui contei isso ou não, mas eu muitas vezes, quando escolho o restaurante, é em função do que me apetece comer. Apetece-me comer este prato. Qual é o restaurante onde eu gosto disto? É este, vou lá. Muitas vezes, em vez de escolher o restaurante e depois ver o que é que como, escolho o que é que me apetece comer e em função disso é que escolho o restaurante.
É uma aposta segura.
Uma aposta segura. Hoje está me a apetecer bacalhau, vou ali comer bacalhau. Está me a apetecer atum, bife de atum, vou a este. Para quem funciona assim ou tem muitas dessas ideias como eu, gosta da ideia de que o restaurante não muda a carta ou muda muito pouco. Eu lembro perfeitamente uma vez. Aconteceu-me isso perfeitamente. Ia a um restaurante onde gostava muito de um prato. Cheguei lá e disseram: "Não, a carta mudou, mas mudou há três meses." Passado três meses diziam: "Não, mudamos a carta, temos que andar sempre a mudar a carta." O que é que eu acho? Eu acho que há dois tipos de restaurante. Tem a ver com o target da clientela. Quando a clientela é essencialmente a mesma e é dos locais residentes ali ao lado, se calhar o mudar, não digo mudar radicalmente, que acho isso um erro, mas ir mudando, atualizando, renovando, refrescando a ementa, acho que é uma boa solução. Até vai testando novos pratos, para ver se os clientes percebem se estão a gostar, se não gostam e se não gostarem, também os muda outra vez. Num restaurante como este, eu até graço que a ementa deles é um cartão grande, portanto, aquilo não muda porque não tem forma de mudar. Quando mudar, tem que deitar fora aquilo. E então põe para partilhar, para picar. E qual é a clientela dela? São turistas ou hóspedes, ou também turistas. Poucos portugueses ali da residência vão lá. Vou eu uma vez enquanto. A necessidade de mudar a carta, se aquilo funciona.
São pessoas que vão de passagem.
Eu diria, quando os clientes não mudam, se calhar convém mudar de vez em quando a carta. Quando os clientes estão sempre a mudar, mais vale não mudar a carta. Está esquecida.
Sendo residente ou não, para os nossos ouvintes que estão agora a ouvir este Por Pratos Nunca Dantes Navegados, se alguém ficou convencido, que sugestões é que dás a estas pessoas?
Nas entradas, tem logo várias saladas diferentes. Não é a minha linha, mas têm todas muito bom aspeto, aliás, vi comer ao lado. E são promissoras, claramente. Mas eu fico sempre entre o carpaccio novilho com queijo parmesão, que é muito bom, tem um azeite também magnífico, e as gambas salteadas, que também é uma entrada, mas que muitas vezes peço uma dose extra de arroz e é um prato E o ovo português, que é uma coisa que eu ando lá à espera que me ensinem como é que se faz. Vem um ovo, uma bola panada, que é a alheira à volta, e um ovo lá dentro, mas um ovo ainda líquido. Como é que eles fazem aquilo? Eu já tentei que eles me explicassem, mas eles são muito simpáticos e só dizem: "Pois não, isto é o chef".
É o segredo da casa.
O segredo da casa. Chamam-lhe o ovo português. É uma bola grande de alheira com um ovo lá dentro meio cozido, mas que ainda está meio líquido.
E vem acompanhar o quê, Manuel? É o que nós quisermos pedir?
Não, isto é uma entrada.
Para mim já era um prato. Para já não como, porque é alheira.
Sim, mas é bom. Eu não sou de hambúrgueres, mas tem lá um hambúrguer de carne maturada, que eu adoro, mas que peço para substituírem o brioche, o pão brioche e as batatas fritas por arroz branco.
O Manuel e o arroz.
Mas não dispenso nem a cebola caramelizada, nem o bacon, nem o queijo cheddar, que torna aquilo num prato maravilhoso e que deve ir mal passado. E aqueles hambúrgueres que são feitos lá.
Sim, não é fast food.
Não é fast food, é um hambúrguer feito lá mesmo, carne maturada, é muito bom.
Não há um vegetariano?
Não, mas há saladas, há muitas saladas. Se quer vegetariano, não há.
Estava a falar num pão brioche, na cebola caramelizada que eu também adoro.
Como eu peço sem pão, daqui a pouco já pede sem carne, sem hambúrguer.
Exato.
Olha, eu queria este hambúrguer, mas sem carne.
Um pouco mais de salada, mais cebola.
O que não pode passar, já sabe, é os docinhos. Vamos a isso. Há algum lobby, neste caso, faz algum lobby, Manuel, para custo sim?
Faço mesmo. E tenho feito, com toda a gente que lá tenho levado, tenho feito sempre este lobby pelo crème brûlée de café, que é uma espécie de leite creme com sabor a café, magnífico. Nunca provei em mais lado nenhum, nunca tinha visto. Eu tenho testado com muita gente, não houve ninguém que não adorasse. Falta a aprovação final do nosso guru André, mas eu aposto singelo, contra dobrado, que ele também vai aprovar quando provar. Isto já não dá para trazer, porque já é uma coisa que tem que ser comida na altura, mas vem assim numa tigela e eu nunca tinha visto. É uma mistura com café de alguma forma, que às vezes até parece que tem um sabor tipo café com leite. Leite creme com café, mas não tem nada a ver com o café com leite mesmo propriamente dito. E é muito bom e super original. Estar num restaurante que não se esperaria assim nada de especialmente original, tem este doce. Vocês no dia que mudem a carta, podem mudar se quiserem, mas não mudem o docinho daqui.
Ficaste convencido, André?
Fiquei. Eu nem sou grande fã de café, mas por acaso crème brûlée de café parece-me uma mistura magnífica.
Mesmo muito bom.
E já falaste, Manuel, no serviço original, mas trocando por miúdos, isso quer dizer o quê?
Eu troco por miúdos porque eles realmente são todos meio miúdos.
Miúdos prontos, já percebi.
Mas devo dizer que o serviço, como comecei por aí a dizer, foi uma coisa que me conquistou. É um conjunto de rapazes e raparigas jovens, fazem um serviço descontraído, quase informal, sem nenhuma etiqueta, mas estão sempre super atentos, simpáticos, com muita atenção aos detalhes, explicando tudo em várias línguas aos estrangeiros, que eu vejo também, a mim não é necessário, mas com os outros também. Muito bem preparados e é uma gente jovem. Já pensei, até antes de gravar este prato estava a pensar, não me lembro de nenhum outro restaurante que tenha assim, claro que há jovens, mas que sejam todos jovens. Eu diria que nenhum tem mais de 25, 26, 27 anos. Nenhum. E são de uma eficiência, de uma simpatia. Eu acho que é um dos trunfos deste lobby do Four Points, é o serviço, desde a chef até aos outros rapazes que lá estão. Eu não conheço a chef, mas penso que também andará no mesmo escalão etário e que de facto vale a pena ver. É uma experiência muito agradável, não só gastronómica, mas também em termos de ambiente. É uma coisa muito agradável ir a este lobby do Four Points.
E quanto é que nos sai esta experiência?
O binómio qualidade-preço é fabuloso.
O Manuel começou logo por dizer.
Que era uma das quatro razões que recomendavam. E de facto, a nossa nota verde, podemos levar cada um companhia, sem qualquer problema.
A sério?
Então até dava uma vermelha, não?
Sim. Dá uma vermelha para os três, quase. Claro que se formos comer uma entrada, um prato, uma sobremesa, aí a vermelha já não chega, mas a verde continua a chegar para os três e a sobrar.
À vontade. E o garfo?
Garfo prateado, na qualidade de restaurante de hotel num lobby. E se falássemos só do ambiente e do serviço, levava o garfo dourado.
Muito bem. Sugestão então para hoje em Matosinhos, lobby Four Points. Fica a sugestão neste "Por Pratos Nunca Dantes Navegados", na Rádio Observador, em parceria com o teu jornal, Manuel. Até para a semana.
Até para a semana. Sem lobbies.