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Está no ar mais uma edição de "Por Pratos Nunca Dantes Navegados", sempre aos domingos aqui com o Manuel Serrão. Manuel, um abraço. Como estás? Bem disposto?

Olá, Nelson. Bem disposto, sim, claro. Não posso esconder que tenho algumas saudades também do nosso Diogo, que nos deixou na semana passada.

Também eu.

Ele foi com certeza também pra um bom sítio. Quando é assim, não devemos chorar pelas pessoas que se foram.

É verdade. E na última edição de "Por Pratos Nunca Dantes Navegados", ficamos a conhecer pelo menos dois dos restaurantes favoritos do Diogo Teixeira Pereira. Podem ouvir em podcast e também no nosso site em observador.pt. Nesse programa, fomos a Leça. Leça com dois S é o nome do restaurante em Leça da Palmeira, onde fomos a semana passada. Mas hoje, Manuel, vamos ficar ali por uma zona próxima. Vamos à Afurada, em Vila Nova de Gaia?

Exato. Vamos voltar às margens do Douro. "Quem atravessa o rio e vê o velho casario, está na Afurada?", perguntaria eu. Não, não está. Essa música é muito conhecida, mas é com a viagem feita ao contrário, não é?

Exato.

O Rui Veloso, que é de Gaia, cantava isto porque ele vinha de Gaia pro Porto. Nós, pra irmos ao Armazém do Peixe, temos que fazer ao contrário. E para vermos a Afurada, temos que atravessar o rio do Porto para Gaia, como é evidente.

Mas olha, esta rubrica costuma ser sobre restaurantes. Por que trazes pra aqui um armazém do peixe? Com este nome, é uma coisa que a gente vai comprar pra comer em casa, não?

Essa é uma boa pergunta e muito pertinente. Aliás, eu próprio, quando lá fui a primeira vez, fiz exatamente essa pergunta. E eles responderam, que eles são de prestar informações, digamos, não são propriamente uma Rádio Observador, mas também prestam muitas informações. E então explicaram que tem esse nome de armazém do peixe, porque até 2017, é a data de abertura do restaurante, o que existia lá eram ruínas de um antigo armazém de redes de pesca. E esta recuperação, que é magnífica e que vale a pena ser vista, deve-se ao Rodrigo Crespo, antigo pescador e nativo da Afurada, que construiu e decorou o espaço que honra os seus antepassados e ele faz muita questão de dizer isso mesmo.

Ok, é então um restaurante de peixe. Com este nome, estava-se mesmo a ver. É peixe, certo?

Ora bem, é e não é. É um bocadinho como o armazém, que também é e não é. Portanto, eu diria que com este nome, este restaurante, as aparências iludem, como dizemos aqui no Porto.

Exato.

Há peixe para todos os gostos e bolsas, como é evidente, que são as vantagens de um restaurante grande como este Armazém do Peixe. Tem alguma vantagem, que sendo um restaurante muito grande, permite de facto ter muita variedade, ao contrário do que falamos aqui na semana passada. Portanto, no peixe há dourada, robalo, garoupa, rodovalho e até sei grasa, porque tem mais três que é que dizem que obrigam à consulta? O cantaril, o alfonsinho, que eu nunca tinha visto e continuei sem ver, e o imperador. Portanto, dá-me a ideia de que nos outros eles têm a garantia que há sempre peixe fresco. Demos douradas, robalos. Já estes, cantaril, alfonsinho e imperador, é preciso perguntar. De qualquer maneira, e até pela sua dimensão e por este leque de oferta, acho que o Armazém do Peixe é um restaurante bom pra ir em grupo. E depois também ajuda que o grupo se entenda sobre o peixe a pedir. É melhor o grupo deixar-se ficar nas mãos deles e bem, porque como também já aqui explicámos uma vez, como também muitos dos ouvintes já sabem, o peixe, normalmente, quanto maior for, melhor é e mais seguro é que veio do mesmo sítio sem ser nenhum aviário de peixe. De qualquer maneira, também há mariscos diversos, das ostras às amêijoas, arrozes, açordas, maçadas variadas, que eu gosto muito, polvo à galega, apesar de ser à moda da Afurada, e cabeças de lulas fritas com maionese de alho. E na carne também há, não há só peixe nem marisco, também há carne, cá alguma oferta, mas eu destacaria a posta armazém e o bombom de alcatra. Não só pelos nomes, que são engraçados, mas porque também são pra mim as melhores carnes.

Belos peixes. Ando a gostar muito do cantaril. Não conhecia até há algum tempo. É aquele mais avermelhado, não é? Mas é muito carnudo, é muito bom. Tenho gostado muito.

E muito branquinho. O que não há é em muitos lados.

É verdade. Olha, já vimos que comida não falta, pra além do peixe até podem experimentar alguma carne, mas com este nome armazém, continuo a ficar aqui com algumas dúvidas. Eu queria perguntar-te primeiro: a garrafeira, como é que é a garrafeira do armazém? E depois falaste aí há bocadinho da decoração do armazém. Foi toda feita também pra ir de encontro ao que ele realmente era, um armazém de redes de pesca?

Pois, eu acho que neste armazém é tudo em grande, a começar pela grande vista que temos à entrada, não propriamente lá de dentro, mas no caminho para o restaurante vemos a vista, pra mim é a melhor vista do Porto, que é a vista de Gaia, e portanto é o que se lá pode ver também, a foz do Douro, vista de Gaia. De qualquer maneira, atenção que esta quantidade é tudo em grande, mas também está aliada à qualidade. E a garrafeira é um bom exemplo disso. A garrafeira é poderosa. Há muito tempo que não via uma carta de vinhos tão bem feita, com os vários néctares bem divididos, bem explicados. Eu diria que quem consulta a carta de vinhos quase nem precisa de pedir sugestões ao empregado, porque está lá tudo muito bem explicado. Está dividido por natureza do produto, as suas características. Vê-se logo que foi feita por um profissional da área e não por um qualquer fiel de armazém, sem qualquer menosprezo pelos bons e úteis fiéis de armazém. Aliás, até me estou a lembrar de um amigo que começou a trabalhar como fiel de armazém numa grande empresa têxtil de Famalicão e agora é ele dono de uma outra excelente empresa têxtil na mesma zona. Portanto, fiel de armazém é sempre...

Manuel, parecia que me estavas a descrever a mim. Eu só não acabei como proprietário de uma empresa têxtil, mas já fui fiel de armazém de uma empresa têxtil durante muitos anos.

Pronto.

E entretanto acabei na Rádio Observador, como se vê.

Mas acabou também como fiel amigo, e é isso que interessa e espero que assim continue, meu amigo.

Olha, e a decoração é bonita, então?

A decoração é muito bonita. Eu diria que quase se pode falar lá do Rock in Rio Douro, porque aquilo é enorme e também além da parte interior e da parte exterior, ainda tem um bar onde há muitas vezes música ao vivo e portanto aquilo parece quase uma festa.

E o serviço aguenta isto tudo? Temos uma sala interior, a esplanada, bar com música ao vivo.

É isso que eu ia dizer. O serviço é excelente em quantidade e em qualidade. Há muita gente a servir e toda a gente, pelo menos com quem eu já interagi, sempre esteve a grande nível. O que hoje em dia, então nessas alturas do verão, é cada vez mais difícil, porque nós sabemos que temos um problema sério na hotelaria em geral, mas na restauração em particular, com o serviço. E eu fiquei impressionado, porque sendo um restaurante com as dimensões do Armazém do Peixe, tem que ter lá muitos empregados, não andei a contar, mas são mais de 15, seguramente, e todos aqueles com quem eu interagi foram espetaculares nas sugestões, na atenção, no serviço em geral. Saí de lá muito satisfeito, também tem uma nota muito positiva por causa do serviço.

E por falar em notas, quanto é que se paga no Armazém do Peixe?

Claro que aqui depende muito do que se coma. Eu diria que a nota verde chega bem para um casal. Se formos em troica, já temos que levar mais alguma coisa. Mas depende muito do que se come e do que se beba, porque também naquela lista de vinhos poderosa, tem vinhos todos eles bons, mas uns que são para umas carteiras e outros que são para outras. E portanto, no Armazém do Peixe está-se muito bem, mas não é propriamente um restaurante onde três pessoas com uma nota verde chegam lá e comem e bebem o que querem. É um bocadinho mais.

E o garfo, que garfo é que vamos atribuir?

Eu acho que é um garfo dourado. Garfo dourado não na qualidade de armazém, mas na categoria de restaurante já de grande dimensão junto ao rio.

Muito bem. Hoje fomos ao Armazém do Peixe, na Afurada, em Vila Nova de Gaia. Foi a sugestão do Manuel Serrão em mais uma edição de "Por Pratos Nunca Dantes Navegados". E olha, Manuel, eu juntei aqui mais esta à minha lista. Graças a ti já vai longa. E peixinho, vista para o Porto, parece-me tudo perfeito nesta tua sugestão desta semana.

E apesar de tudo, e apesar da dimensão, Nelson, volto, não falei disso, não é um caso tão grave como o "A Essa", mas também é melhor reservar, sobretudo agora se for com bom tempo, é melhor reservar, sobretudo se quiserem ficar na esplanada.

Muito bem. Armazém do Peixe, na Afurada, em Vila Nova de Gaia, a sugestão do Manuel Serrão em mais uma edição de "Por Pratos Nunca Dantes Navegados". E até para a semana, Manuel. Um abraço.

Até para a semana, Nelson. Muito obrigado.