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Por pratos nunca dantes navegados na Rádio Observador, uma parceria com o teu jornal e o nosso Manuel Serrão. Agora sim, em estúdio. Na semana passada foi à distância, isso não tem a mesma pinta.

Nada, juntos e ao vivo.

Tão bom.

Promessas sempre a cumprir.

Ainda por cima, uma cor tão bonita hoje, o Manuel, está de verde.

De verdinho.

O prometido não é de vidro.

Mas fazer refeições à distância, só na COVID é que se usava.

Nós gostamos é assim, juntinhos. Manuel, se a memória não me falha, hoje temos aqui uma estreia. Vamos estrear nos restaurantes do norte litoral de Viana do Castelo. É isso, não é?

Exatamente. Completamente. Acertou em cheio. E eu devo dizer que nem sei como é que se passou tanto tempo sem viajarmos até aos sabores de Viana e arredores. Eu já fui muito feliz em Viana e em parte, parte muito significativa, devo essa felicidade aos muitos e bons restaurantes que conheci por essas bandas. Quem fala de Viana, fala de Viana e arredores, e hoje também vamos estar num arredor de Viana. Hoje vamos até Afife, mas fica já prometida uma incursão a Ponte de Lima e a Viana propriamente dita. Não faltam templos que merecem estar aqui nos pratos nunca dantes navegados. Só que, como é evidente, nós só fazemos um por semana. Tem que estar na fila.

Se calhar, temos que começar a pôr isto todos os dias, que é para conseguirmos dar razão a estes restaurantes todos. Eu também acho que nós temos que almoçar e jantar todos os dias.

Exatamente.

Bom, mas já tinha ouvido falar de Afife e da bela praia de Afife. Também ela é um belo restaurante.

Pois é, e de que maneira. Aliás, estamos em tempo de praia e claro que nesses dias, desta altura, quando falamos de Afife, lembramos sempre dessa espetacular praia de Afife. Espetacular, claro, para pessoas que, como eu, não têm medo de água fria, porque a praia é muito bonita, mas quando chega ao mar-

Cubo de gelo.

Mesmo com as alterações climáticas, aquilo é para homens de barba rija e mulheres, não é de barba rija, mas é mulheres de grande consistência.

Não dá, pra mim não dá.

Porque aquilo é preciso aguentar bem as ondas e o frio das ondas.

E o fresquinho da água. Diz que faz bem aos ossos.

De qualquer maneira, a praia tem época. O magnífico restaurante Mariana, em Afife, não tem época, está lá o ano todo, tem essa vantagem. Ganha a praia de Afife, a meu ver, por causa disso. Eu conheço, aliás, muita gente que já foi e vai, e continua a ir ao restaurante Mariana e nunca pôs os pés na praia. Põe os pés é debaixo da mesinha, ali no Mariana, e fazem eles bem.

Parece-me ótimo.

De qualquer maneira, como é evidente, a Mariana vive feliz com isso. Vive feliz com aqueles que lá vão depois de irem à praia, que também chegam lá mais tostadinhos e com mais fome e mais sede, e com aqueles que durante o resto do ano nunca puseram os pés na praia, mas vão lá na mesma pôr os pezinhos debaixo da mesa, como eu dizia, e muito bem.

Manuel, eu acho que vou ser muito feliz na Mariana. Vamos ter aqui muito peixinho, ou não?

Pois claro, e de que maneira. E peixe especial. Na Mariana vai ser muito feliz e pode levar lá quem quiser, que é feliz também. Não é uma coisa exclusiva para si.

Eu gosto disso.

Pois claro, Mariana tem essa vantagem.

Eu gosto disso.

Mas já lá vamos ver que há lá um prato especial que esse é que é obrigatório, pelo menos a primeira vez que lá for à Mariana.

Mas para mim ou...

Não, para si, com certeza que é para si, para si e para todos, mas para si sem problema nenhum.

Então quer dizer que vamos ter aí um peixinho bom, de certeza. Não sei, digo eu. Que este a seguir, Diogo?

Ia falar aqui no Algarve, porque andam todos preocupados com a invasão das algas japonesas.

É verdade.

Mas será verdade que nem todas as algas são más?

Pois claro, aí é que está. No Algarve há um problema gravíssimo com umas algas invasoras, que só na zona do Carvoeiro já foi preciso abater 300 toneladas delas. Não é brincadeira nenhuma, é uma coisa séria. Aliás, eu costumava dizer em brincadeira que as algas entraram sorrateiramente pelos restaurantes de sushi. "Ai, que giro, as algas no sushi". De repente atacaram à força no Algarve e agora é aquilo que são combatidas quase à bomba. É uma coisa impressionante. De qualquer maneira, as algas que nos interessam hoje aqui são as algas do robalo com algas da Mariana, que é o prato mais emblemático do restaurante. Devem chegar os dedos de uma mão, de certeza, para contar as vezes que eu fui à Mariana e não comi robalo com algas. Então se eu estou uns tempos sem lá ir, claro que eu chego lá e eles nem precisam de me perguntar o que eu quero. É robalo com algas, não conhecem em mais lado nenhum e é uma coisa deliciosa.

O robalo é o meu pastel. É esse o prato que o Manuel está a dizer para mim?

Exatamente. Há lá peixe, muito peixe, e portanto não há dificuldade em ficar-se feliz. Mas eu, a primeira vez que lá for, tenho que comer este robalo com algas, que é uma coisa espetacular.

Eu adoro, é o meu prato preferido.

E vem com o feijão-verde a acompanhar, com azeite para pôr no feijão-verde cozido, com azeite, aquilo tudo misturado. Eu peço arroz também.

Tem que ser. Para quem não sabe, o Manuel tem sempre de pedir arroz.

Prato especialmente vem com batata cozida, feijão-verde, traz um ovo cozido também, o robalo e as algas. Que o robalo é nas algas, não é grelhado, é um robalo cozido nas algas. Meio a vapor, mas com as algas. O sabor daquilo, a textura como fica, a maneira como se tira a pele, a combinação com o sabor das algas, com o feijão-verde e um azeite que eles lá têm, aquilo é uma coisa divinal. Eu já estou com vontade de sair daqui a correr.

A correr. Eu ia dizer.

Também já estou convencido.

Eu admito que tenho que passar a tomar o pequeno-almoço, porque senão começamos assim a emissão, com pratos nunca dantes navegados. Eu ainda estou sem almoço, ainda falta um bocadinho. Mas Manuel, para quem não for propriamente fã de robalo ou quiser evitar as algas, pode escolher o quê? E já agora, começamos também já aqui a piscar o olho às sobremesas.

Pois.

A ter os peixes, temos que ter uma sobremesa.

Existe lá carne, mas eu acho que é um restaurante onde devia ser quase proibido escolher carne. Eles têm, porque há malucos para tudo. Eu admito que haja pessoas que vão à Mariana e chegam lá e: "Eu quero é um bife." O que eles vão dizer? Vão dizer: "Não servem?" Portanto, tem que ter um bife.

Não, isso também lhe dá aquela característica de poder ir com outra pessoa. Alguém que gosta muito de peixe e outra pessoa que não gosta de peixe.

Mas cara, ir ali à Mariana para comer carne. Eu gosto de carne, atenção. Hoje ao almoço comi ali um tiradito no vinho, num salsa e coentro, segundo categoria. Quando vou à Mariana até tenho vergonha. "Desculpe lá, tem aí um bife nas algas?"

Não pode ser. Está aí na calha uma revisão constitucional e eu acho que há partidos que estão a pensar nisso.

A pensar nisso e acho muito bem. Além dos outros peixes todos, para além do robalo, peixe do dia que eles têm fresquíssimo, daqueles que os pescadores lá levam, também há polvo. Polvo também é muito bom.

Gosto.

Mas depois na sobremesa tem leite creme. Isso é obrigatório. Pode-se comer robalo com algas em grande, muito robalo e muitas algas que há sempre espaço para o leite creme. Portanto, Catarina, leite creme lá é obrigatório.

Leite creme, ok. E mais alguma alternativa?

Peixes e polvo, eu não sou capaz de sugerir mais nada. Também há a eca-

Não, e para além do leite creme? Eu estava na sobremesa já. Para mim, eu já comprei o robalo.

Não, leite creme ou leite creme.

Leite creme ou leite creme, pronto.

Está decidido. Vamos lá olhar para o prato.

Pronto, vou arranjar outra sugestão. Toucinho de céu também lá é bom, estou me a lembrar. Lembrei-me agora que o toucinho de céu também é bom.

Muito bem.

Cai diretamente do céu e entra lá pela porta.

Também quem chegou a esta altura e ainda está preocupado com o corpo de praia, já não é agora que vai fazer diferença.

É o perdido por 100, perdido por 1000.

A esta altura já estamos no fim de julho, já não há nada a fazer. Bom, mas parece ou existem duas salas que em nada são iguais, mas é preciso escolher?

Pois, é que a Mariana tem duas salas, como o meu amigo disse muito bem, que em nada são iguais, como aqueles dois amores do Marco Paulo, que também em nada eram iguais. Embora a gente não goste de nenhum conhecido, mas acredita. Neste caso, a verdade é que eu conheço as duas salas da Mariana e são muito diferentes. Provavelmente, eu isso já não investiguei, foram feitas em tempos diferentes. Eu admito que a Mariana, quando nasceu, se calhar eu já era nascido, mas não ia lá, não tinha esse prazer, tinha só a primeira sala e agora tem uma segunda. A primeira sala é a sala que tem mesas corridas e bancos, que curiosamente, mesmo para duas pessoas, é onde eu gosto de ir e onde eu gosto de ficar. A outra sala é uma sala mais arejada, com as mesas tradicionais, as cadeiras tradicionais. O serviço é igualmente bom nas duas, como é evidente, mas na outra está mais perto da cozinha, o robalo e as algas chegam lá mais depressa.

Portanto é o original e a outra já é mais moderna.

Pois, é um bocado assim. Eu sou aqui, robalo com algas é nas mesas de banco corrido. Claro que quem tiver um ventre muito proeminente tem aquele problema, tem que afastar da mesa o banco todo. Portanto, tem que pedir aos colegas que estão no banco também.

Vai tudo para trás.

Quando é cadeira, a gente afasta só a nossa. O problema dos bancos corridos tem esse, é que: "Desculpe lá, temos que chegar o banco para trás" e os outros cinco ou seis comensais também têm que alinhar. E depois há um que fica em cima do prato e outro que fica um bocadinho distante. Tem que ser o robalo quase a nadar até à boca. Portanto, tem esse problema.

Faz parte da experiência também.

Mas sendo o primeiro a sentar-se, meu amigo, é comandar a distância do banco e está feito.

Faz parte da experiência também, mas isto significa que vamos estar sentados ao lado de pessoas que não conhecemos, o que pode ter a sua graça também.

Ou não, o ideal é levar um grupo ou então eles também no banco corrido não sentam as pessoas lado a lado. Nunca senti esse problema.

Eu por acaso acho piada a esse espírito, mas cada vez temos menos no nosso país.

Sim, é verdade.

Não é? Cada vez é mais o individual. Gosto muito. Bem, vamos agora à parte: vai doer?

Não, nada.

Não dói?

Nada.

Podes pedir à vontade.

Posso pedir à vontade. Nós os três, com a nossa dentinha verde, ainda saímos lá com alguma coisa.

A sério?

Sim, senhora.

Com um bom vininho?

Bom vinho, sim. Claro, bom vinho, não vamos para aquelas garrafinhas.

Sim, quando eu digo um bom vinho, calca.

Um bom vinho, não é aquele vinho-

Sim, o topo, mas estamos ali no médio.

Exato, não é o chamado vinho de pacote, que nunca falámos aqui, que eu acho que é uma coisa a ser proibida. Olha, na tal revisão constitucional, faz favor, manda proibir essa coisa de vender o vinho em pacote.

Vou fazer essa sugestão.

Não, o vinho em pacote põe-me doido.

Aquilo serve para quê? Há quem use aquilo para os cozinhados. Se aquilo é mau para beber, é mau para cozinhar.

Tudo é mau para tudo. E ainda o pacote também é contra o ambiente, contra tudo.

Pois é, não pode ser.

É para se acabar com o vinho em pacote rapidamente.

Concordo. E temos o quê? Aqui um garfo.

O garfo dourado na qualidade de único restaurante que cozinha com algas sem ser sushi, nem japonês, nem amigo das algas invasoras do Algarve, do carquejeiro.

Muito bem.

O garfo dourado obrigado. Obrigatório.

Então nota de 100, chega e sobra e temos um garfo dourado aqui para o restaurante Mariana, a Praia da Fife, em Viana do Castelo. Foi a sugestão de hoje.

Exatamente. E mesmo em frente ao restaurante tem uma linha de caminho de ferro, se não quiser ir de carro ou se entretanto tiver abusado muito no que acompanhou as algas e o robalo, pode regressar de comboio para qualquer lado.

Isso é ótimo.

Tem uma linha de comboio mesmo em frente.

Diogo, estás safo?

Estou safo.

Eu gostei do teu ar, até levantaste o dedinho e disse: "Anda aí, segura tu".

Exatamente, se não tiver em greve o comboio podemos sempre.

É o robalo com algas a todo vapor.

Exatamente.

Muito bem. Está dado então mais uma sugestão para pratos nunca dantes navegados com o nosso Manuel Serral. Manuel, por hoje está feito. Até para a semana, uma parceria da Rádio Observador com o teu jornal.

Até para a semana.

Até para a semana.