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Por pratos nunca dantes navegados na Rádio Observador, em parceria com o TJornal. Bom dia, Manel.

Muito bom dia. Temos que dar as boas-vindas aos ouvintes à nova loja do mestre André.

O nosso André Maia.

Que é um restaurante. Por certo, é uma loja que é um restaurante.

Ainda não, mas lá chegaremos.

Lá chegaremos, exato.

Para a semana, Manel, vamos estar todos juntinhos aqui em estúdio. Hoje ainda à distância, mas para a semana vai conhecer aqui o André, que é incrível.

Mas é muito mais bonito à distância.

Nada disso. Manel, hoje estamos de volta ao Minho Profundo. Não será ainda muito calor para isso?

Nem pensar, Catarina. Este ano já tivemos ondas de calor que chegue, por amor de Deus. E as férias também já estão acabadas. Em setembro é obrigatório voltar ao trabalho duro. E por isso escolhi o Dona Elvira, que é um restaurante de gente que trabalha muito e bem, logo desde a gente da casa, a começar pela Elvira, que dá o nome ao restaurante, mais os seus irmãos, até há mais os seus clientes. Eu próprio, modestia à parte, todas as vezes que lá fui, ao Dona Elvira, foi para almoços de trabalho, como por exemplo da última vez, em que lá estive com o meu amigo Rodrigues, da Fiorima, um dos grandes e emblemáticos clientes deste Dona Elvira.

Manel, normalmente nós chamamos dona Elvira a um carro que é mais velho, mas que ainda está bom para as curvas. Isto não é um bocadinho irónico, tendo em conta que o restaurante não vai a lado nenhum, ao contrário da dona Elvira, que habitualmente estamos habituados a chamar, não é? Ao contrário de um carro. Este Dona Elvira já andou aí por outras paragens.

Eu vou aproveitar a sua metáfora, acho que é assim que se diz, para explicar que o Dona Elvira nunca saiu do seu caminho de qualidade e de bom serviço.

Nunca se meteu à estrada.

Exato. Mas apesar de se ter feito à estrada nestas vidas, já em 1994, só há cinco anos é que está nas instalações atuais, em Edão, lá se mexeu. Estamos a falar dos Arcos de Braga, junto às margens do rio Cávado, com uma vista de cortar a respiração, mas não corta a fome, e ainda bem.

Sim. Isso é importante.

Isso ajuda.

E é engraçado, porque quando entramos neste restaurante, é importante, vai-se por um caminho e vamos subindo até ao parque, e depois quando entramos no restaurante ainda, ninguém imagina a vista que vai ter.

Bem, que suspense, já estou curiosa, Manel.

Água na boca.

Deixa-me ver se a dona Elvira depois tem alguma coisa para mim, mas já lá vamos. Mas pelos vistos, este Dona Elvira não tem nada a ver com carros, mas também aqui o melhor mesmo, Manel, é deixar que nos conduzam. É isso, não é? Já percebi.

Mais uma boa metáfora com carros.

Exatamente. Continuamos nesta linha automobilística. Mas a verdade é que a primeira coisa que devemos pedir, confirmo, é que nos conduzam a uma das mesas com melhor vista. É verdade que os olhos também comem. Mas este é um caso típico de uma refeição que sabe ainda melhor com o acompanhamento especial das vistas do Cávado e suas margens. Tem umas vistas fabulosas. De facto, os restaurantes também não são só o que se come, também são o que se vê. De qualquer maneira, para além desta condução inicial, também é obrigatório, Diogo, eu faço a sugestão de que também quem lá for, o melhor é pedir que nos conduzam na escolha da melhor sugestão do dia. Especialmente, se for a primeira ida à Virinha, como carinhosamente se trata o Dona Elvira em terras de Braga.

É a Virinha, sim senhor. Ainda olhando para essa condução, vamos aqui que ninguém nos ouve. Podemos ter algum medo de ter algum acidente de percurso nessa viagem no Dona Elvira ou vai ser tudo tranquilo, uma viagem muito tranquila?

Eu diria que é uma viagem não só muito agradável, com boas vistas, como já vimos, e muito tranquila. Todas as vezes que lá fui, nunca tive o mais pequeno acidente de percurso e também aquilo que eu tenho ouvido e que me contam, parece-me que lá nunca há acidentes. Embora a gente saiba que mais vale prevenir que remediar.

Não é preciso levar colete.

Não é preciso levar colete, exato. De qualquer maneira, eu para começar, da última vez que lá estive, provei uma broa deliciosa, uma coisa mesmo caseira, uns folhados de camarão e uns rissóis, que até normalmente os rissóis é a coisa mais vulgar que há, mas vale a pena mesmo provar os rissóis. Depois, o arroz de tamboril também é uma das especialidades. Eu provei um arroz de robalo com gambas que estava fabuloso. Embora, para quem não vai lá muitas vezes, eu acho que é obrigatório o bacalhau à Braga. Aqui mesmo, bacalhau à Braga, sério, sem invenção nenhuma.

Bacalhau à Braga é...

É fabuloso, e eles fazem-no muito bem. Claro que também, apesar de ser em Braga, no interior, não é um restaurante da beira da praia, mas o peixe grelhado, eles insistirem muito no peixe, têm lá muito bom peixe, o robalo grelhado, a pescada com arroz de grelos, embora, claro, também tenha o tradicional bife da vazia. Mas eu, indo sempre para as sugestões da casa, numa primeira ida ao Dona Elvira, ficaria entre o bacalhau à Braga ou o peixe que eles recomendam.

Eu vou para o peixinho.

Eu ia para o bacalhau. É peixe também.

Também é peixe, é verdade.

Não tens nada contra o bacalhau. Também acho que não.

Não, não tenho.

As restrições já estão largadas.

Não, não tenho nada.

Não assustes o André.

Não.

Acho que já fizeram o trabalho. O Diogo e o Miguel já passaram um briefing acerca das minhas manias.

Os ouvi dizer que come um peixinho de vez em quando.

Exato, se ele não estranha.

Exatamente. Parece que tem a fama de ser um restaurante muito frequentado para almoços de trabalho. Na esplanada, com a bela vista que tem, não será um motivo de distração para os negócios à mesa ou nem por isso, Manel?

Eu acho que essa é uma boa pergunta para introduzir aqui um tema que nunca discutimos, que é essa questão de acharmos que um almoço de trabalho tem que ser um ambiente sisudo, frio, sem nenhuma animação. Eu acho que isso é um engano. É o contrário. Eu acho que um almoço de trabalho com uma boa vista, uma excelente comida e um bom vinho a regar, tudo isso só contribui para melhorar muito o ambiente de trabalho. Temos que afastar essa concepção de que o trabalho tem que ser uma coisa chata, cinzenta. É preciso ter alegria no trabalho e todos devemos tentar ter esta alegria no trabalho, seja no local de trabalho propriamente dito, seja também num almoço de trabalho. Portanto, eu acho que o D. Elvira, a vista e a boa qualidade do restaurante, não só não impedem a conclusão de bons negócios, como provavelmente até ajudam.

Era isso que eu ia dizer.

Sim. E principalmente a parte do vinho, se calhar, ajuda.

E as sobremesas, nós vamos agora falar das sobremesas.

Eu posso já dizer que esta é a minha área de negócio.

Olha, não se nota.

Não se nota nada.

Tu enganas muito bem.

Eu continuo a tentar, mas é a minha especialidade. Manuel, é aquilo que eu quero saber mais. Sobremesas, como é que é? Temos aqui sobremesas minhotas.

Temos sobremesas regionais. Lá tem vários cheesecakes, há o leite creme, bolo de chocolate, tudo tradicional. Mas eu, mais uma vez, pediria ajuda na escolha ao pessoal da casa e escolheria sempre um doce regional da época, que são feitos em casa, como por exemplo, o pudim abate de periscos ou as natas de Chila. Depende da época do ano e eu acho que aqui, sobretudo, mais uma vez repito, para quem for lá a primeira vez, deve pôr-se nas mãos da gente da casa para saber o que é que naquele dia, naquela época, eles recomendam em termos de sobremesa caseira, mas um doce caseiro feito lá. Caseiro mesmo. A gente às vezes diz doce caseiro e depois é feito numa casa, mas não naquela. Tem doce caseiro. Não estou a mentir. O doce que tem é feito em casa, só que não é naquela casa, é noutra casa qualquer. Mas ali não, estamos a falar de doces caseiros feitos mesmo lá no D. Elvira, e vale a pena não perder essa oportunidade.

Muito bem, então como esta é a estreia do nosso André, hoje peço eu a conta, fica assim. Vamos lá então à conta, Manuel.

A conta, a nossa habitual nota verde, um bocadinho esticada, chega. Quer dizer, ou a nota estica ou nós não nos podemos esticar.

Exato.

Mas fica ali résvés. Digo eu que a nota verde fica résvés.

Ok.

Repito, ou a nota estica um bocadinho ou nós temos que não nos esticar nos pedidos.

Eu como pouco, como já viram. O Manuel ainda não viu, mas vai ver para a semana.

Mas isto com um vinhozinho a combinar, não é, Manuel?

Tem que ser. Comer pouco, mas sobretudo também beber em conta.

Exatamente.

Às vezes, mais do que a questão da comida, é a questão da bebida que faz a necessidade de esticar a nota.

A nota, claro que sim. Vamos então ao garfo, Manuel.

Eu acho que isto é um garfo dourado, claramente. Na qualidade, agora já temos essa nova nuance. O restaurante regional com vista.

Muito bem. Então hoje ficamos a conhecer o restaurante D. Elvira, em Braga, mais concretamente da UFE. Manuel, por hoje estamos conversados. Para a semana há mais "Por Pratos Nunca Dantes Navegados" na Rádio Observador, em parceria com o "TJornal". Manuel, até para a semana.

Hasta la vista.

Até para a semana.