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A esta emissão especial o Padre João Basto, colunista do Observador. Muito bem-vindo, Padre João Basto. É um alívio ver fumo branco já neste segundo dia, eu vou atrever-me a dizer, neste primeiro dia a sério de votações no conclave?
Olá, boa tarde. Obrigado pelo convite. É acima de tudo uma surpresa. Uma surpresa também para mim, Ricardo, porque eu estava a escrever a coluna para o Observador para amanhã e o título que eu tinha escolhido era "Enquanto não há fumo branco". O que significa que eu vou ter que alterar completamente a coluna que eu estava a escrever, porque efetivamente já houve fumo branco. Ainda estava numa reunião hoje à tarde a dizer que seria até estranho e mau sinal que tivesse havido fumo branco ontem. Era sinal que as coisas já iam muito bem preparadas e não era isso que se pretende num conclave. Agora aqui acha que os cardeais tiveram a oportunidade de ontem fazer uma primeira votação, realmente puderam sair alguns nomes, puderam ir para casa, para a Casa Santa Marta, conversar entre si, certamente. Hoje voltaram de manhã, certamente houve dois, três nomes que voltaram a sair e possivelmente após o almoço, as coisas já puderam se enfileirar para aquilo que poderia ser um resultado final. E atenção, o Papa que acaba de ser eleito teve 89 votos.
Pelo menos.
O que significa que é um homem que conseguiu ser um homem consensual para sensibilidades e culturas tão diferentes como aquelas que estão presentes nestes 133 cardeais.
E isso é bom sinal, Padre João Basto?
Eu acho que é um bom sinal. Esta ideia de que a Igreja não elege um papa por maioria simples, mas por uma maioria claramente qualificada, é sinal que há alguém que traz unidade, que traz um rosto, que traz uma mensagem, que acaba por ter, no mundo globalizado, uma repercussão e um eco muito grande. Portanto, estamos aqui a falar de cardeais com sensibilidades muito diferentes, com culturas muito diferentes e certamente a pessoa que sairá é uma pessoa que consegue levar o Evangelho, Jesus Cristo, Deus, o cristianismo, a muitos lugares. Isso é extremamente importante.
E consegue agregar todas essas sensibilidades. Para isso, obviamente, nós estamos a especular, porque o conclave, como o próprio nome indica, é fechado, trancado à chave, há um dever de segredo entre os que participam no conclave. Mas poderá ter contribuído o facto de 108 destes 133 cardeais terem sido nomeados por Francisco? Poderá isso ter conduzido a uma decisão que podemos chamar rápida?
Eu acho que neste momento as coisas ainda nos estão um bocado ambíguas, nós estamos assim um bocado abanados.
Temos que esperar, não é?
Temos que esperar. Ou seja, se nós tivermos aqui uma pessoa que surpreende no sentido que está fora do lote dos papábilis, nós podemos se calhar dizer que o facto de serem 108 cardeais eleitos por Francisco acabaram por ajudar a eleger alguém que não estava propriamente previsto. Mas também podemos dizer que caso seja um front runner, portanto alguém que estava já equacionado como uma grande possibilidade, podemos dizer que se calhar o facto destes cardeais terem pouca experiência pode ter ajudado a eleger alguém com mais experiência, com mais conhecimento. Portanto, ainda teremos que ver de que lado é que a bola roda. Mas efetivamente, 108 cardeais escolhidos por Francisco tiveram aqui certamente muita influência, quer para um lado, quer para outro.