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Conosco em estúdio está a editora de Internacional do Observador, Cátia Bruno. Boa tarde, Cátia. Que organização é esta?
Olá, Luís. Esta é uma organização que tem feito muita pressão interna no Japão e também a nível internacional, usando os testemunhos dos chamados hibakusha, não sei se a minha pronúncia nipónica está muito boa, mas que basicamente é a expressão que representa os sobreviventes das bombas nucleares de Hiroshima e Nagasaki, e que tem feito um esforço de relações públicas, digamos, usando os testemunhos pessoais dessas pessoas para pedir aos governos internacionais que não recorram nunca mais ao armamento nuclear.
Cátia, por que agora esta distinção, esta associação e este tema das armas nucleares?
Parece-me que há um ponto relevante que tem a ver com o facto da média de idades dos sobreviventes de Hiroshima e Nagasaki neste momento ser de 84 anos. Portanto, creio que há aqui uma tentativa do comitê de fazer um reconhecimento em vida a estes sobreviventes, mas não há dúvidas de que também há aqui uma leitura política do momento em que vivemos.
E qual é essa leitura?
O próprio responsável do comitê, quando fez o anúncio, explicou que Hiroshima e Nagasaki serviram para criar um tabu nuclear, ou seja, a ideia de que nunca mais se deve recorrer a este tipo de armamento. E, dizia ele, esse tabu está ameaçado neste momento, no tempo em que vivemos. Claro que o comitê não nomeou diretamente países, mas é inevitável fazermos uma leitura de que temos tido ameaças de uso de armamento nuclear por parte de países como a Rússia e a Coreia do Norte. Portanto, há aqui uma espécie de aviso ou pedido, um apelo a estes governos para que não recorram a isso. Temos também, ao mesmo tempo, olhando para a situação no Oriente Médio, não podemos esquecer que Israel, embora não assuma publicamente, é uma potência nuclear e o Irã está a desenvolver um programa de armamento nuclear. Portanto, parece-me que tentando evitar dizê-lo diretamente, para não se envolver em possíveis polémicas, o Comitê de Oslo quis, ao mesmo tempo, reconhecer estes sobreviventes e o seu papel, mas também deixar um apelo político às organizações internacionais.
Cátia Bruno, obrigado pela tua análise. Cátia Bruno, editora de Internacional do Observador, ela que assina um artigo no nosso site, precisamente sobre este Prêmio Nobel da Paz, que foi atribuído a esta organização japonesa que representa sobreviventes dos ataques nucleares de Hiroshima e Nagasaki