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Recebemos agora Gabriel Alves, comentador de desporto do Observador. Gabriel, muito bom dia.

Bom dia.

Começo por perguntar se te surpreende, essencialmente, esta diferença. Depois de tudo o que tivemos durante a campanha, de todas as declarações, de todas as ideias que foram colocadas em cima da mesa, se te surpreende esta diferença de 65 para 34.

É uma vitória concludente. Ponto, parágrafo. Concludente. Numa eleição histórica. Ponto, parágrafo. Se me surpreende? Eu, por aquilo que tive a oportunidade de seguir, Noronha nunca teve aquilo que se pode dizer uma comunicação objetiva, concreta, pragmática. Foi mais uma comunicação de discutir, não de objetivar, de dar um plano óbvio, concreto, sustentável para aquilo que se vai passar nestes quatro anos que se vão seguir. E é que não se vai passar aqui só, vai se passar no contexto global daquilo que é o mundo do desporto e, no caso particular, que é a mola real, é o principal fator rendimento da empresa, grande empresa Benfica, que é o futebol. E Noronha Lopes não conseguiu transmitir um discurso cabal para poder assumir uma liderança. E daí o seu resultado, que fica praticamente a pouco mais de metade daquilo que Rui Costa alcançou. Os adeptos escolheram, obviamente, há uma tendência para adeptos talvez mais velhos, com mais votos para essa tendência, porque acreditam que Rui Costa será capaz. Mas Rui Costa sozinho não vai ser capaz de tudo. Rui Costa é um líder benfiquista, formado, conhecido, amado pelos sócios, pelos adeptos, mas Rui Costa tem que ter uma estrutura, de facto, muito forte e tem que ter homens muito capazes naquilo que é a gestão de empresas e, no caso vertente, neste particular, gestão desportiva, sócia desportiva, financio-desportiva, porque o mundo está, neste momento, num andamento muito forte. Eu dou aqui um exemplo, o Real Madrid, neste momento, através do Florentino Pérez, e sendo o clube que é, com o peso que tem internacional, mundialmente ou ao nível global, ao nível planetário, disse há pouco tempo, deixou isto no ar, vai vender o Real Madrid. Vender entre aspas, vai abrir o Real Madrid ao investimento internacional. E os adeptos do Benfica, adeptos, sócios, o mundo Benfica, que é enorme, como se pôde observar nesta eleição histórica, vai ter que estar aberto a mudanças muito fortes para que o Benfica e o futebol português possa estar naquilo que é o contexto global e universal que se está a tratar, se está a programar e se está a acontecer diariamente a uma velocidade enorme. Rui Costa tem um peso muito grande, é uma eleição em que ele ganha de forma extraordinariamente confortável. Mas atenção para os adeptos e sócios, isto não é só pipocas. Neste momento, as coisas são muito sérias em termos empresariais e em termos daquilo que se quer para o Benfica e para o futebol português, naturalmente, porque o Benfica é líder em termos globais e sociais neste nosso país. E acabar com essa temática do ódio entre os clubes. Parem com isso. Defendam os seus interesses, penso sim, obviamente, que têm que defender, ponto. Mas naquilo que é o importante do global, da estratégia para o futuro, estejam atentos e o Benfica, pela sua grandeza e sua maioridade, tem naturalmente que ser a alavanca, a ferramenta principal. Eu dou aqui duas votações que me parecem interessantes, para além da votação do Rui Costa. E já estou a falar aqui de finanças. Presidente do Conselho Fiscal de uma e de outra. Bagão Félix, que é uma figura nacional, por todas as razões e mais alguma, não vamos estar aqui agora a desenvolver, teve mais 169 mil votos que o seu líder de campanha, que é Noronha da Costa. Isto quer dizer bem que os benfiquistas estão atentos e conhecem as pessoas e olham para as pessoas que estão naquilo que são julgados. O outro, na lista do Rui Costa, e que vai ser o presidente do Conselho Fiscal, é uma figura que eu conheço e prezo muito. Conheço há muitos anos, desde muito jovem, que é Raúl Martins, que é filho de um grande senhor, que foi um grande, enorme presidente do Benfica, o senhor Fernando Martins.

Que vai para a Comissão de Remunerações.

Exatamente. E Raúl Martins eu penso que poderá estar aqui, porque ele já foi um grande atleta do Benfica, guerreiro e um desportista, obviamente, não é só uma figura, e é uma figura em termos empresariais no país de grande vulto. Penso que Raúl Martins poderá começar aqui a fazer o caminho para poder vir, eventualmente, se assim os sócios o quiserem, e ele também, a vir a ser um futuro sucessor de Rui Costa na presidência do Benfica. Raúl Martins é uma figura muito precisa, muito organizada, muito concreta, muito objetiva. Eu acho que é uma figura muito importante neste elenco e que poderá dar muito apoio a Rui Costa. E a outra figura, por tudo aquilo que ele é, o grande emblema, que eu também prezo muito e de quem sou particular amigo e tenho por ele a maior consideração e respeito e com ele trabalhei nos comentários na RTP, é o senhor Humberto Coelho. Humberto Coelho é importante naquilo que é a cena internacional do Benfica, porque é uma figura de grande vulto, grande respeito e que é olhada com olhos muito sérios por gama internacional. Esteve na Federação Portuguesa de Futebol nos últimos anos, num dos cargos da vice-presidência do maior organismo português. Rui Costa, eleito por uma eleição histórica, tem neste momento sobre os ombros um grande desafio, um enorme desafio a si próprio e ao seu Benfica, porque isto não é só contra a pipocas. A partir deste momento, é desenvolver uma base para que o Benfica possa ser, no contexto internacional e no contexto mundial, capaz de se poder engrandecer, de poder crescer, de poder estar de ombro a ombro, olhos nos olhos, com as grandes referências do futebol europeu. E levar consigo, com o apoio, e obviamente, eu volto a dizer, Sporting e Porto a defender os seus interesses até à medula, mas têm que estar unidos e não através daquilo que é o diálogo do ódio, porque assim vão se matar todos. O futebol português tem, neste momento, quatro anos para muita coisa e quase dizia o sim ou nada.