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Em estúdio está o jornalista de economia do Observador, Edgar Caetano. Edgar, bom dia. Schäuble foi de facto uma figura marcante no tempo da troika em Portugal.

Foi uma figura polarizadora. Era um bocadinho visto como o polícia mau daquele período, sendo que a polícia bom era a Angela Merkel. Muitas vezes era ele que tinha que dar aquela mensagem muito associada à Alemanha, que é da contenção das contas públicas e equilibrar as contas públicas e garantir que as despesas não subiam mais que as receitas, era a forma de sair daquela crise. Quem o criticava achava que era alguém que defendia que a recessão na Grécia, por exemplo, se aprofundasse cada vez mais. E foi o Wolfgang Schäuble que chegou a um ponto que chegou a defender que a própria Grécia saísse da zona euro durante alguns anos. Nunca saberemos se isso tinha sido melhor ou pior para a zona euro. Agora o que eu gostaria de dizer é que apesar dele ser visto como alguém que estava disponível para sacrificar o produto económico daqueles países naquele período, era alguém que tinha sempre na sua mente que aquilo era o melhor para a zona euro no longo prazo. Que evitar que os países pudessem ter o chamado moral hazard, achar que podem gastar e depois ser salvos de qualquer forma, ele queria lutar contra isso, porque achava que isso era o pior para a zona euro no longo prazo. Ele chegou, de facto, a admitir a possibilidade de a Grécia sair da zona euro.

Houve um grande confronto entre ele e Varoufakis, na altura ministro das Finanças grego.

Ele chegou a dizer que para a Grécia teria sido melhor, incluindo para a população, sair durante 10 anos, e isso também seria bom para a zona euro. Acabou por não ser assim, porque a Angela Merkel deu um passeio na praia com o Nicolas Sarkozy, na praia de Deauville, e a Angela Merkel, a tal polícia bom naquele período, concordaram que não deviam deixar a Grécia sair, e a Grécia ficou. E a partir daí, o BCE fez o seu trabalho de comprimir as taxas de juro e garantir que as coisas estavam um bocadinho mais calmas, e o resto é história.

O resto é história e isto na teoria econômica, enfim, nem tudo é assim muito claro, mas Schäuble tinha ou não razão? Conseguimos dizer agora.

Só com o chamado contrafactual, que nós nunca saberemos. Daqui a 50 anos, se calhar podemos responder a essa pergunta. O que ele não queria, sobretudo, era incorrer no chamado moral hazard. O chamado risco moral, como acontece, por exemplo, nos bancos, quando os bancos correm excessivos riscos, vão correr mais riscos se souberem que depois vão ser salvos. E os países aplica-se a mesma coisa. Agora, Schäuble, não devemos confundir-nos, ele era um europeísta. Ele achava que a Europa tinha que ser defendida e essa era a forma de defender a Europa. Se era a melhor forma ou não, nunca saberemos. No caso de Portugal, ele assumiu esse papel de polícia mau no início, mas no final acabou por tecer grandes elogios à forma como Portugal cumpriu o programa da troika, e que no fundo era o bom aluno do Wolfgang Schäuble.