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Em estúdio está a jornalista do Observador, Cátia Bruno. Muito boa tarde, Cátia. Estiveste a conversar com estes especialistas ao longo da tarde de hoje. Dos especialistas que ouviste, o que conseguiste perceber? Há, de facto, alguma lógica por trás das declarações de von der Leyen. O que conseguiste perceber dessas conversas que foste tendo com estes especialistas?

Parece-me que a lógica de von der Leyen com estas declarações é não tanto no sentido de alterar a lei, como já vimos, os especialistas explicaram que isso não é possível do ponto de vista da Comissão Europeia, é possível só ao nível nacional, dos vários Estados-membros. Parece-me que a lógica de von der Leyen com estas declarações é no sentido de tentar influenciar o debate e tentar trazer este tema para cima da mesa para que os vários Estados ponderem avançar com algum tipo de medida de obrigatoriedade na vacina, sobretudo nos países onde a taxa de vacinação está mais baixa. Ou seja, países como Portugal, Espanha, Itália, Bélgica têm taxas de vacinação muito altas, mas há regiões na União Europeia, sobretudo o centro e o leste da Europa, Bulgária e Roménia são os países com pior taxa de vacinação, onde a introdução deste tema pode fazer com que estes governos possam sugerir esta ideia ou pô-la em cima da mesa como um possível incentivo a que as pessoas vacinem. Se é de facto para avançar em termos concretos ou se é só uma medida de persuasão, isso ainda teremos de ver.

Sim. E entretanto sabemos, essa é uma notícia que está a marcar o dia de hoje, a Alemanha quer impor a vacinação obrigatória. A medida foi anunciada durante a manhã, vai ainda ter que passar pelo Parlamento, mas estamos aqui a falar de um caso único na Europa?

Não, a Áustria já tem a vacinação obrigatória, isso vai entrar em vigor a 1 de fevereiro. E depois já temos uma série de países europeus que têm vários tipos de obrigatoriedade de vacina, não para toda a população, mas para alguns segmentos.

No caso francês, para os profissionais de saúde, por exemplo.

Sim, que é acompanhado noutros países, como por exemplo, a Itália, também os profissionais de saúde são obrigados a vacinar-se. E a Itália, por exemplo, tem um mecanismo que embora não obrigue diretamente à vacinação, é tão restritivo que indiretamente acaba por influenciar as taxas de vacinação, com a obrigatoriedade das pessoas, para trabalharem, apresentarem todos os dias um certificado ou de vacinação ou de teste negativo. E, portanto, há aqui várias formas de influenciar a vacinação sem ser obrigar formalmente.

Ia dizer que até na Região da Madeira temos um apertar de medidas e apresentação de certificado de vacinação. Para ir ao cabeleireiro passa a ser obrigatório ter esse certificado de vacinação completa e, portanto, não é um caso único na Europa. Mas Cátia, certamente vai ser um tema que vai estar em discussão durante os próximos meses.

Sim, sem dúvida. Vamos acompanhá-lo.