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Está no ar o "Quente e Frio", edição para esta quinta-feira, 01/10. Já tenho comigo a Filomena Martins. Olá, Filomena, muito boa tarde.

Olá.

Parece que amanhã ainda vamos ter uma sexta-feira quentinha, a entrada para um fim de semana onde parece que é a partir de sábado que nos despedimos do verão.

Sim, se alguém estava a contar com este fim de semana prolongado por causa do feriado de segunda-feira, dia 05, não conte. Esta sexta-feira vai parecer verão, mas depois o cenário no sábado muda completamente. Os modelos estão já a mostrar a formação de uma depressão isolada em altitude, que é aquilo que habitualmente chamamos gota fria ou Dana. Ela está a oeste da Península Ibérica entre domingo e segunda-feira, depois vai aproximar-se e esta bolsa de ar mais frio separa-se da circulação atmosférica principal a vários quilômetros de altitude e, cá por baixo, está ar bastante mais quente de origem altamente subtropical e esta combinação é normalmente muito instável.

Vai gerar alguma instabilidade. Primeiro, ainda temos calor e com temperaturas altas ainda amanhã.

Amanhã sim. As temperaturas esta sexta-feira voltam a subir e teremos um dia de verão, sobretudo no interior, com os 30 °C a poderem voltar em vários locais, sobretudo no centro e no sul, mas é só um dia curtinho, porque no sábado começa verdadeiramente a mudança, as temperaturas começam a descer, aparecem os tais primeiros sinais de instabilidade e depois no domingo e segunda-feira forma-se então a gota fria. Nos mapas, a cerca de cinco ou seis quilômetros de altitude, a evolução desta formação vê-se bem. Esta gota fria vai fazer toda a diferença, porque uma deslocação de algumas centenas de quilômetros para um lado ou para o outro pode alterar bastante onde chove, quanto chove e onde se vão formar as trovoadas mais fortes.

Olhando aqui para o mapa do IPMA, já para o fim de semana, vemos algumas regiões com trovoadas, não é?

Sim, já no fim de semana e depois durante a semana. Na segunda-feira, os modelos já mostram aguaceiros e precipitação sobre grande parte do território, mas é na terça que as projeções aparecem o sinal mais forte dessa instabilidade, com aguaceiros, núcleos de trovoada bastante desenvolvidos sobre a península, incluindo Portugal, com maior expressão no centro, no sul e no interior. Ainda é cedo para fazer uma previsão local. Amanhã falaremos disso e explicaremos também o que é que é esta gota fria, se ela se confirmar, mas a posição e intensidade destes núcleos pode mudar bastante até terça-feira e começar já este sábado e domingo com essas descargas de energia, muito ali na zona centro e sul. Pode mudar muita coisa ainda sobre esta gota fria. Elas são sempre muito irregulares, mas podemos ter esta combinação meio estranha de calor, chuva e trovoada. Não é uma contradição, porque à superfície o ar está relativamente quente, porque há uma massa de ar de origem subtropical, depois muitos quilômetros acima temos o ar mais frio associado à tal gota fria e quando o ar quente depois tende a subir, se houver umidade suficiente lá em cima e condições favoráveis, é óbvio que estamos a falar de condições para haver estas nuvens convectivas e trovoadas. Portanto, isto não é nada de estranho, é uma coisa absolutamente normal que vamos seguir nos próximos dias.

Olhamos para os Açores, onde está aqui uma situação no arquipélago que merece uma nota à parte.

Sim, temos uma tempestade, a Ana. Ela já perdeu as características de tempestade tropical que tinha, passou a pós-tropical remanescente. Não significa nada que tenha desaparecido, porque a umidade e a circulação que estão associadas ao sistema continuam a afetar o arquipélago com chuva, por vezes fortes, possibilidade também de trovoada e de ventos acima dos 50 km/h.

E é por isso que estão ainda hoje com aviso amarelo no arquipélago.

E esta sexta também, em algumas ilhas ainda até sábado, mas já vamos falar das tempestades.

Sim, falamos de tempestades no fenômeno de hoje. Como é que nasce um ciclone tropical quando passa a furacão e como é que um furacão morre?

Sim, há muita confusão sobre isso, como é que são esses nomes todos. Vou tentar explicar isto de forma simples, porque podemos imaginar a vida de um ciclone tropical como uma espécie de uma escada. Primeiro, nasce como perturbação tropical, normalmente ali ao largo de Cabo Verde, entre Cabo Verde e o Senegal, mas também pode nascer no Golfo do México. É uma zona de instabilidade sobre águas quentes, com aguaceiros e trovoadas que começam a organizar-se estas nuvens de trovoada, mas nem sequer ainda é uma depressão tropical.

Mas torna-se nisso depois, não é?

Sim, se os ventos em altitude estiverem organizados e não desorganizados, e o El Niño desorganiza-os. Depois, então, desta perturbação tropical, nasce ou pode nascer uma depressão tropical, é o que vem a seguir. Quando essa circulação fechada se organiza, os ventos se organizam. Para ser uma depressão tropical, os ventos máximos sustentados ainda estão abaixo dos 103 km/h. Quando passam acima dos 103 km/h, já é uma tempestade tropical, já não é uma depressão, passa a tempestade tropical e ganha nome. Foi assim que nasceu a Fay, que esteve ao largo dos Açores e ainda por aí anda, e a Ana, que está agora no Atlântico, ao largo dos Açores também, a fazer esta chuva toda. Passa a furacão aos 119 km/h. E aqui começa uma outra escala, que é a escala que mede A dimensão dos furacões pelos ventos e chama-se escala Saffir-Simpson.

Isto é as categorias, não é?

É. Categoria um, dos tais 119 km/h, que é quando nasce o furacão, aos 153 km/h. A dois, dos 154 km/h aos 177 km/h. A três, dos 178 km/h aos 208 km/h. A quatro, dos 209 km/h aos 251 km/h. E a cinco, quando é acima dos 252 km/h de ventos. Sendo que três, quatro e cinco já são chamados grandes furacões.

Claro, mas nem sempre esta escala, para nosso bem, é percorrida até ao fim, não é?

Não. Os grandes furacões normalmente são poucos, mas ainda há bastantes. E aconteceu agora, por exemplo, com o Polo, ao largo do México. Já falo dele. Primeiro, Fay, que subiu alguns degraus desta escada e depois voltou a descê-los e chegou a tempestade tropical, ficou a 10 km/h de ventos, digamos assim, de ser um furacão. Depois encontrou condições hostis, aqueles ventos desfizeram-se e as trovadas do centro deixaram de estar organizadas e voltou a ser uma depressão tropical e agora é uma baixa remanescente pós-tropical. Agora a Ana conta-nos outra história parecida, também foi uma tempestade tropical, não chegou a furacão e agora está a perder as características tropicais sem os efeitos desaparecerem, por isso é que estamos a falar dela ao largo dos Açores. O Polo, no Pacífico, subiu a escala completa e de uma forma que vai ser histórica, bateu vários recordes, encontrou condições extremamente favoráveis de intensificação rápida. Em 24 horas passou de escala um a categoria cinco, teve mais de 252 km/h de vento, chegou aos 300 km/h e depois está a fazer o caminho inverso, mas com muitos estragos. A enorme quantidade de umidade tropical está a causar chuva intensa e cheias no México e no sul do oeste dos Estados Unidos.

E quando é que ele morre? Como é que morre um furacão?

É ao contrário, vai perdendo a fonte de energia, enfraquece e desorganiza-se. Passa de furacão pra tempestade tropical, depressão tropical e baixa remanescente, como estávamos a falar. Anda pra trás. Mas há aqui uma coisa: ele pode transformar-se. Se ele não morrer assim, pode transformar-se e pode transformar-se numa depressão extratropical. Isto é quando ele sobe para latitudes muito altas e pode começar a interagir com frentes ou com grandes contrastes entre massas de ar. E aí não desaparece, apenas muda de motor, porque se um ciclone tropical é alimentado pela energia do oceano quente e pela libertação de calor, quando o vapor d'água condensa, esta depressão extratropical alimenta-se sobretudo dos contrastes da temperatura entre diferenças de massas de ar. Portanto, pode continuar a provocar chuva intensa, vento forte e ondulação perigosa. São uns malandros estes furacões.

Vamos à curiosidade que hoje trazes. Bokangui, o tubarão que entrou num canal e se tornou numa estrela. Quem é Bokangui?

Eu acho que é Bokangui.

Bokangui, se calhar.

Terminamos de longe as tempestades na Coreia do Sul. Este Bokangui é um tubarão-cobre que tem 3,5 m. Simpático. Ele entrou neste canal estreito do porto norte de Busan, na Coreia do Sul, e, pelos vistos, ou não quer ou não consegue encontrar a saída. E está a transformar-se numa atração da cidade, porque em duas semanas teve cerca de 600 mil visitantes, quando no local não costuma passar mais que 20 mil pessoas por semana, e é muito.

Está-se a tornar um embaixador honorário.

Sim, é só pões o nome dele e vais ver, porque ele ganhou mesmo o embaixador honorário, simbolicamente, claro, da cidade, por ser relações públicas desta dimensão.

E por que ele não sai de lá? Está confortável, se calhar?

Se calhar está. As autoridades já tentaram usar barcos e jatos de água pra o encaminhar pra saída, mas o Bokangui conseguiu escapar a esta operação. Está prevista uma nova tentativa com uma grande rede pra o tentar conduzir de volta ao mar esta quinta ou esta sexta. E não se percebe se há aqui uma evidência de que foi o mar mais quente que levou o animal ali pro canal, ou se é uma hipótese muito mais simples, que foi, entrou a perseguir comida. Provavelmente ele só foi atrás da comida, depois perdeu a saída e acabou.

Então pom apanhão-lhe comida na saída e ele encaminha-se para lá.

Pronto.

Pode ter sido por amor, pode estar lá um outro tubarão e ninguém saber ainda.

Pronto, não sei. Eu só sei que ele nestes dias é o habitante mais famoso de Busan.

Muito bem, Bokangui, o tubarão.

É só procurar pelo nome dele na internet que aparece logo.

Está a atrair muitos visitantes esta zona da Coreia do Sul. Está feito o "Quente e Frio" de hoje com as previsões da meteorologia, sempre com a Filomena Martins. Amanhã voltamos a tê-la conosco para mais um "Quente e Frio". Até amanhã.

Até amanhã.