Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
"Quente e Frio" na Rádio Observador, com a Filomena Martins. Filomena, boa tarde.
Olá.
Vamos começar com a nossa previsão. A primeira pergunta para a quarta-feira, não é onde vai estar mais calor, e sim onde é que estarão as nuvens à hora do eclipse, que também é amanhã.
Vamos começar por aí.
Vamos lá.
A previsão é muito favorável para grande parte do país, mas há uma faixa onde convém preparar um plano B, que é o litoral norte e centro, sobretudo a partir de Coimbra e até ao Porto, ou até mais acima do Porto, e com menor intensidade até algumas zonas da Grande Lisboa, porque os modelos apontam para nuvens baixas, que são as piores para visibilidade, e até nevoeiro no final da tarde, precisamente quando o eclipse estiver a decorrer.
Nada a favor.
Não. Já no interior, no sul e no Algarve, o céu deverá estar muito pouco nublado ou limpo. E, portanto, o risco maior é mesmo junto ao mar e pode aumentar à medida que o eclipse avança. Cabo da Roca, que é um dos sítios mais procurados, Cabo Raso e zonas costeiras no norte e no centro não são, neste momento, as escolhas meteorologicamente mais seguras. Quem encontrar nebulosidade deve procurar uma alternativa mais para o interior e lembrar-se que não é preciso apenas ter o céu limpo. Não é preciso apenas olhar pra cima, é preciso ter o horizonte a oeste desimpedido, porque o sol estará já muito baixo quando for o eclipse e é preciso um local onde se veja o pôr do sol. Se virem o pôr do sol, está tudo certo.
É bom sinal.
Mas esta é uma daquelas previsões que vamos ter de atualizar praticamente até à última hora, porque o nevoeiro e nuvens baixas são muito difíceis de localizar com precisão. O modelo pode acertar na região, mas falhar por algumas dezenas de quilômetros o limite desta nebulosidade. Portanto, não significa que o Porto, a Figueira da Foz ou Cabo da Roca vão necessariamente ficar tapados. Significa que é aí que o risco é maior neste momento em que estamos a falar.
Ok. E Filomena, fora o eclipse, como é que é esta quarta-feira?
Fora o eclipse, esta quarta-feira será um dos dias mais quentes desta semana de calor, e vamos ter uma semana de calor. Há novos distritos já sob aviso amarelo por temperaturas altas: Bragança, Vila Real, Viseu, Guarda, Castelo Branco, Portalegre, Évora, Beja e Faro. No interior, os termômetros vão estar nos 39, 40, com os vales do Nordeste a atingir até valores mais altos. Mais uma vez, no entanto, Portugal fica fora da onda de calor, da cúpula de calor que está em Espanha e em França, e está com dois verões no mesmo dia, porque enquanto alguns vales do interior estão nestes 40 graus, a influência atlântica e o vento norte vai fazer com que o litoral fique bastante mais fresco. O Porto e as outras cidades costeiras do norte e do centro estarão nos 20 e tal graus, Lisboa nos 30, e o resto, já sabemos, está muito quente. O contraste também se prolonga durante a noite, mas de outra maneira. No interior, sobretudo em altitude, vamos passar tardes muito quentes para mínimas depois de 14 e 16.
Uma grande diferença.
É uma grande diferença térmica. E no Algarve e em algumas zonas costeiras do sul, as noites continuam tropicais, sem descer dos 20 graus. E a água do mar também tem este contraste, cerca de 18 a 20 graus na zona da costa ocidental, com nortada, e valores que andaram nos 22, 23 no sul, no Algarve. E cuidado, o perigo de incêndio está muito elevado ao máximo em muitos conselhos. Portanto, também cuidado pra quem vai pra esses sítios ver o eclipse.
Muito bem, vamos passar ao nosso fenômeno, Filomena. Um eclipse consegue mudar o tempo?
Consegue.
Olha!
Esta não estava esperando. Há muita gente que não sabe isso.
Então como é que funciona?
As nuvens podem esconder o eclipse, já sabemos, mas há uma ironia meteorológica. O próprio eclipse também pode mexer com as nuvens. E não só, pode baixar a temperatura e até alterar o vento. Tudo começa quando a lua passa diante do sol e durante alguns minutos reduz muito rapidamente a quantidade de radiação do sol que chega ao solo. É quase como se alguém baixasse subitamente a potência do aquecimento, o radiador. E o sol começa a arrefecer e o ar imediatamente acima também desce. A temperatura pode cair alguns graus durante o eclipse, e embora a dimensão da descida dependa da hora, da nebulosidade, do vento, da umidade, das características do próprio local e até do tempo do eclipse. E esta quarta, como já sabemos, é o pôr do sol, portanto os efeitos serão menores. É nesse momento que o fenômeno deixa de ser apenas astronômico e passa a ser também meteorológico, porque o aquecimento do sol durante o dia cria movimentos de ar e pequenas turbulências na camada mais baixa da atmosfera. Quando essa fonte de calor diminui abruptamente, a atmosfera junto à superfície se estabiliza. O vento pode então enfraquecer temporariamente e até mudar de direção, porque muda a forma como o ar se misturando junto ao solo. Não significa que o eclipse faça desaparecer uma nortada ou mude a circulação atmosférica, mas será um efeito local e temporário, que termina depois à medida que o sol reaparece, que nesta quarta-feira já não vai reforçar.
Isto era bom era que o eclipse acabasse com as nuvens, não era, Filomena? Mas não faz isso.
Ele mexe com as nuvens, só que não com essas que a gente quer. Algumas nuvens baixas de bom tempo, dependendo do aquecimento do sol. O sol aquece a superfície, o ar sobe, arrefece em altitude, o vapor d'água condensa e se retirarmos temporariamente parte dessa energia, essas correntes ascendentes enfraquecem e algumas dessas nuvens podem diminuir ou até dissipar-se durante o eclipse. Mas isto não significa que o eclipse de quarta-feira vá milagrosamente limpar o nevoeiro e as nuvens baixas previstas para essas partes do litoral norte e centro. Essas nuvens têm outra origem e a previsão continua a apontar para um risco grande junto à costa. Durante cerca de duas horas estaremos a assistir também a uma pequena experiência atmosférica à escala nacional, com menos luz, uma descida temporária das temperaturas, alterações na turbulência e no vento e, em determinadas condições, mudanças nas próprias nuvens.
Vamos passar à nossa curiosidade, Filomena. Então, afinal, as aves cantam todas com apenas oito sons?
É isso mesmo. Sabemos que há aves que assobiam, outras que trinam, outras parecem conversar. Só que um novo estudo conclui que toda essa enorme diversidade resulta da combinação de apenas oito tipos de sons básicos.
Olha que engraçado, só oito.
Investigadores analisaram mais de 116 mil gravações de 3160 espécies de aves paseriformes. Eu não sei o que é isto, mas é o maior grupo de aves do planeta.
Justamente ia dizer o que é, mas não faço ideia o que é.
É o maior grupo de aves do planeta. A conclusão foi publicada na revista "Science" e mostra que os cantos são construídos como se fossem peças de Lego. Há três tipos de trinados, três tipos de assobios, notas harmônicas e sequências mais caóticas, e combinam-se de inúmeras formas para criar milhares de melodias diferentes. E há outro resultado curioso: as aves não cantam da mesma forma em todo lado. O ambiente também influencia a voz.
É quase como os sotaques e as línguas de país para país.
Florestas densas, zonas abertas, montanhas ou cidades alteram a forma como o som se propaga e acabam por moldar a evolução dos cantos das aves, dos passarinhos. Até o clima e o tamanho das próprias aves ajudam a explicar por que uma espécie canta de maneira diferente da outra. E os cientistas acreditam que esta descoberta poderá ajudar a compreender melhor a evolução da comunicação animal e até a perceber como as alterações do clima e da paisagem estão a mudar a forma como as aves comunicam entre si.
Muito bem, com esta curiosidade sobre estes passarinhos e os seus oito tons de conversa, terminamos este "Quente e Frio" com a Filomena Martins. Amanhã temos mais uma edição.