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Já estamos a três dias das eleições antecipadas e depois de uma tendência de descolagem da AD nas intenções de voto, eis que, António Cipriano, bom dia, vem vindo. Está de regresso o empate técnico entre a AD e o PS.

Olá, Carla, bom dia. Parece que sim. Vejamos primeiramente os números. De acordo com a tracking poll divulgada ontem pela Pitagórica, e depois distribuídos os indecisos, o que esta sondagem diária nos mostra? Que até o dia de ontem, a AD tem 31,5% das intenções de voto e o PS aparece-nos com 26,3%. Isto à primeira vista, até nos parece uma vantagem confortável para a AD, porque há praticamente cinco pontos percentuais de diferença. Mas temos que olhar para uma coisa chamada margem de erro, que eu acho que já tivemos a oportunidade aqui de explicar. Ou seja, esta medida estatística que nos diz o quão próximos ou quão afastados os resultados da sondagem podem estar da realidade. Fazendo as contas aos intervalos, e tendo em conta que a margem de erro desta sondagem diária da Pitagórica é de aproximadamente 3,51%, a AD, com 31,5%, pode estar, na verdade, entre 28% e 35% das intenções de voto. Já o PS, que nos aparece com 26,3%, pode estar situado entre os 22,8% e os 29,8%. O que isso significa? Que temos aqui uma ligeira sobreposição entre os intervalos dos dois partidos. Por quê? Porque o pior cenário da AD, que seria de 28%, acaba por ser inferior ao melhor cenário do PS, que poderá ser 29,8%. Por isso, não podemos garantir estatisticamente que a AD está mesmo à frente. Todavia, quando olhamos para o nosso radar das sondagens, este instrumento que nos filtra todo o ruído e nos permite olhar para uma tendência evolutiva das sondagens, mostra-nos ainda a AD ligeiramente à frente do PS. Não por muito, ou seja, quase que se tocam. Há ali uma diferença, mas o ligeiramente diz tudo.

Vamos sublinhar o ligeiramente então. E relativamente aos outros partidos, como é que estão as intenções de voto? Temos uma terceira força política muito consolidada, não é?

É verdade, não é só entre a AD e o PS que há aqui movimento, alterações, subidas e descidas. O Chega continua a crescer, de acordo com os últimos dados da Pitagórica, e já está nos 18,3%. Ou seja, reforça claramente a sua posição como terceira força política. É importante mencionar que desde o dia 10 deste mês, o Chega já cresceu três pontos percentuais. A iniciativa liberal consegue chegar aos 7%, recuperando algum terreno e conseguindo alcançar algum voto das camadas mais jovens. Já o Livre, depois do PS, é a força política que lidera a esquerda, todavia, viu cair para 4,4% as suas intenções de voto, bem como o Bloco de Esquerda, que também desce para 2,4%. A novidade é que a CDU subiu ligeiramente, está neste momento com 3,7% das intenções de voto, e o PAN na casa do 1%, ou seja, correndo o risco de não conseguir eleger.

Ora bem. E no meio de toda esta indefinição, claramente que ainda temos, que papel é que podem ter os indecisos neste cenário?

Olha, Carla, sobre os indecisos, os últimos dados dão-nos conta que temos 19% de indecisos, um valor que volta a ganhar importância. Olhando para a variável gênero, neste momento, temos mais mulheres indecisas do que homens. Nas faixas etárias, os indivíduos entre os 35 e os 54 anos é onde se regista o maior número de indecisos. Olhando para o posicionamento nas classes sociais, é essencialmente das classes sociais mais desfavorecidas, onde nós temos mais indecisos. Todavia, eu gostaria de deixar aqui uma nota sobre este segmento eleitoral. Nós temos uma tendência para olhar para os indecisos como sendo eleitores apáticos ou mesmo desinteressados. Todavia, não podemos olhar somente desta forma, porque muitas vezes estes eleitores indecisos e que neste momento podem fazer toda a diferença no jogo eleitoral, são muitas vezes os eleitores mais atentos, os mais exigentes ou mesmo os mais críticos. Isto por quê? E pegando numa imagem que certamente a Carla se deve lembrar, se calhar 103 milésimos de segundo não são suficientes para um eleitor indeciso decidir o seu sentido de voto. Mas uma coisa é certa, num piscar de olhos, o sentido de voto dos indecisos pode alterar todas as tendências, e quem está à frente pode não estar, e quem está em segundo lugar pode passar para primeiro. E por isso, há toda uma panóplia de fatores que nós não devemos descurar quando olhamos para este número de indecisos, principalmente quando as duas forças políticas que estão na frente da corrida eleitoral estão separadas por tão pouco, ou seja, por milésimos.

Por milésimos também aqui, António Cipriano, muito útil ouvi-lo. Até amanhã. Obrigada.

Obrigado, Carla. Até amanhã.