Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Chegamos ao último dia da campanha e todas as sondagens que havia para sair, já saíram. E por isso, António Cipriano, bom dia, bem-vindo. Com o contributo agora da sondagem da Universidade Católica, como é que fica o sentido de voto?

Olá, Carla. Bom dia. É verdade, fomos brindados com mais uma sondagem, o que já seria de esperar. Todavia, não temos grandes alterações. Esta sondagem da Católica continua a nos a mostrar uma AD a liderar, ou seja, no caminho da frente rumo a uma suposta vitória eleitoral. E digo suposta, porque as sondagens são isso mesmo, uma previsão, não um sentido fixo e daquilo que forçosamente terá que acontecer na noite eleitoral. Por isso, como eu dizia, temos aqui a AD a continuar a liderar e apresenta, no momento, 34% das intenções de voto, separada a oito pontos percentuais do PS, que neste momento soma 26%. Atendendo que esta sondagem da Universidade Católica utilizou uma margem de erro de 2,2%, não há aqui qualquer situação de empate técnico. Temos, sim, uma clara vantagem da AD sobre o PS. O Chega mantém-se como a terceira força política, alcançando 19% das intenções de voto e, bem mais atrás, temos a Iniciativa Liberal, o Livre, a CDU, o Bloco de Esquerda e o PAN. A Iniciativa Liberal continua a ocupar com 7% a quarta posição. O Livre tem agora 5%, subiu face à última sondagem que a Universidade Católica nos tinha apresentado há bem pouco tempo. A CDU mantém-se com 3% e o Bloco com 2%. A novidade aqui é para o PAN. Ainda que na legislatura passada tenha conseguido eleger somente uma deputada, de acordo com esta sondagem, o PAN, depois de ter estado no 1,5%, cai agora para um, correndo o risco de não eleger. A sondagem da Católica alerta-nos ainda para a possibilidade da eleição de um deputado pelo círculo eleitoral da Madeira, para uma estreia ou uma suposta estreia no Parlamento Português, com o caso do JPP. Os indecisos, neste momento, somam 12% e face a estes dados, continuamos com aquela nuvem de incerteza sobre a estabilidade governativa. A AD e IL juntas não conseguem, neste momento, uma maioria absoluta e, na melhor das hipóteses, somando os lugares no seu ponto máximo que a AD e a Iniciativa Liberal podem alcançar, ficam aquém dos 116 lugares em São Bento, que são necessários para uma maioria confortável de um eixo do respeto partidário, que neste caso seria a direita.

Portanto, temos aqui a tal nuvem de incerteza que nos acompanhou neste radar. E o António já nos disse que as sondagens não são uma previsão, mas quase que apostaria que no domingo poderemos estar aqui a discutir se as sondagens nos enganaram ou não. Por que os resultados eleitorais diferem dos dados das sondagens?

Carla, em primeiro lugar, e para tentar dar a minha opinião sobre aquilo que me pergunta, acho que é preciso, uma vez mais, elucidarmos o que é uma sondagem. As sondagens são estudos à opinião pública e que procuram medir as intenções de voto da população num determinado momento. Elas são feitas por empresas especializadas ou institutos acadêmicos devidamente credenciados. É entrevistada uma amostra representativa do eleitorado e a partir dessas entrevistas, fazemos inferências. Mas como a Carla dizia, as sondagens não são previsões, são uma fotografia, são uma radiografia do momento. Por isso, podemos dizer que acontece, e muitas vezes, os dados dos resultados eleitorais, quando vamos contar os votos, diferem dos dados que as sondagens apresentam. E eu posso lhe indicar, por exemplo, alguns motivos, e olhe, poderíamos estar aqui mais uma série de programas do Radar a falar só sobre isso. De uma maneira muito simples, o que é que podemos alegar para justificar essa situação? Desde logo, o comportamento do eleitor pode mudar até o último minuto. Alguém que, numa sondagem, dizia votar num certo candidato ou num partido, pode mudar de ideia na véspera, ou mesmo quando está na fila para votar, ou mesmo quando está na cabine.

Já com a caneta na mão.

Com a caneta na mão para colocar a cruz. Depois, temos também o chamado voto envergonhado, quando o eleitor não quer dizer em quem vai votar, ou mente por vergonha ou por pressão social. Olhe aquilo que nós na academia ensinamos aos alunos do chamado efeito da espiral do silêncio. Tudo isto pode distorcer os números.

Portanto, as sondagens não mentem, é isso?

Olhe, pegando nas palavras de uma candidata que dizia que era arriscado fazer-lhe perguntas à meia-noite e meia, eu também posso dizer que é arriscado fazer uma pergunta dessas. Todavia, eu vou dar a minha opinião. Eu acho que as sondagens não mentem, mas podem errar. E aqui é uma diferença muito grande. Eu não estou a mentir, eu apenas me enganei. Há aqui alguma coisa que falha. Por isso, para mim, mais do que saber se as sondagens mentem, é perguntar a quem servem as sondagens. E as sondagens servem a muitas pessoas. Servem aos partidos e aos candidatos, servem aos eleitores e também nos servem a nós na comunicação social. Por isso, no fundo, as sondagens são esta ferramenta, este instrumento, este termômetro da opinião pública, que serve a todos, mas que também não serve a ninguém em específico. O que importa, além de compreendermos o estado do momento do eleitor, é perceber como é que as sondagens são usadas. Face a que interesses, há É que as sondagens podem servir. Será uma mais-valia, será um estado de estratégia para os partidos, será uma reação aos adversários. A nós, eleitores, vai nos ajudar a decidir, iremos utilizar um voto útil, um voto estratégico. Pode nos levar à abstenção, que é um tema que tem sido negligenciado a propósito das sondagens, porque nenhuma sondagem consegue prever a abstenção. E, por outro lado, serve a nós, nos meios de comunicação social, precisamos fazer conteúdo, precisamos vender e também precisamos esclarecer, mas esclarecer devidamente.

António Cipriano. Sim.

Só duas notas para terminar. Ler as sondagens, sim, mas também é preciso saber ler nas entrelinhas, ver o que as sondagens nos querem dizer. E mesmo para terminar, Carla, e uma vez que estamos a chegar ao final deste radar das sondagens, eu gostaria apenas de dizer que foi para mim uma experiência fantástica estar aqui convosco ao longo destas manhãs. Não só pela oportunidade de vir falar de temas com os quais vou trabalhando diariamente na universidade, mas também pela ajuda da Carla e ter contato consigo na condução dos muitos temas que aqui fomos falando. Por isso, um obrigado à Carla e também um obrigado ao Observador pelo programa e pelo convite que me foi feito.

Foi uma honra, um privilégio e António Cipriano tornou, de facto, as sondagens muito interessantes e muito mais claras. A honra foi nossa. Muito obrigada.

Muito obrigado.