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Há mais uma sondagem sobre as intenções de voto para as legislativas de 18 de maio, é da Católica para a RDP em tandem com o E-Público. António, muito bom dia. E o que nos diz esta sondagem?

Olá, bom dia. É verdade, uma nova sondagem que nos vem iluminar estas horas de escuridão de pós-apagão. Novos dados para podermos trabalhar. É verdade. Ou seja, há menos de três semanas das eleições, os portugueses continuam a dar a vitória à coligação de direita PSD/CDS-PP, que nesta última sondagem da Católica nos mostra uma intenção de voto nos 32%. O PS aparece em segundo lugar, a seis pontos percentuais da força mais votada, com 26% das intenções de voto. O CHEGA mantém o terceiro lugar, a Iniciativa Liberal mantém também o quarto lugar, somando 6% dos votos. No panorama mais à esquerda do nosso espectro partidário, a sondagem da Universidade Católica apresenta-nos o Livre como o partido mais votado à esquerda, somando 5% das intenções de voto, logo seguida a CDU com 4%, do Bloco de Esquerda com 3% e do PAN, que obtém 1% das intenções de voto dos portugueses.

E isso são muitas diferenças em relação às últimas sondagens que temos conhecido?

Olha, é uma excelente questão, Carla. Dois aspectos que gostaria de destacar. Por exemplo, se compararmos os dados desta última sondagem efetuada pela Universidade Católica e os dados que foram apresentados pela Pitagórica na sondagem que ela realizou entre os dias 14 e 21 de abril, estas duas sondagens apresentam a AD e o PS separados por seis pontos percentuais, ou seja, mostram aqui uma ligeira subida da AD e uma pequena descida do PS face às intenções de voto. Um outro aspecto importante e que merece alguma atenção, é que quer a sondagem da Consulmark2, também realizada durante o mesmo período em que foi efetuada a sondagem da Pitagórica, ambas as sondagens mostravam que numa eventual coligação pós-eleitoral entre a AD e a Iniciativa Liberal, estas forças políticas apresentavam um cenário que nos indicava uma tendência de maioria de direita no Parlamento. Pois é, esta última sondagem da Universidade Católica vem colocar em aberto esta questão. Por quê? Porque de acordo com as intenções de voto, a AD e a Iniciativa Liberal juntas obtêm apenas 38% das intenções de voto, face a toda a esquerda reunida, que consegue chegar aos 39%. Por isso temos aqui uma situação de dúvida de uma eventual maioria clara de direita no Parlamento.

E isso é uma alteração significativa. Já quanto ao empate técnico entre a AD e PS, como é que ficamos?

Olha, em primeiro lugar temos que perceber que continuamos, de acordo com os dados desta última sondagem da Universidade Católica, com 15% de indecisos e que somente 56% dos eleitores dizem que não vão alterar o seu sentido de voto até ao dia das eleições, o que significa que 44% ainda pode alterar.

E, portanto, pode mudar tudo.

Acreditando nestes números. Quanto ao empate técnico, esta sondagem mostra-nos que este cenário quase desfaz ou praticamente desfaz. Pois é, utilizamos esta expressão de quase ou praticamente. E por quê? Ainda que a AD e o PS estejam separados por um número superior à margem de erro, a verdade é que esta diferença é muito residual, é de facto mesmo muito pequena. Ou seja, num cenário desfavorável e atendendo à margem de erro utilizada nesta sondagem, a AD pode ter uma intenção mínima de votos a rondar os 29,2%. E já num cenário ótimo para o PS, este pode atingir os 28,8%. O que isto quer dizer? Que ambas as forças políticas estão aqui a rondar a casa dos 29%. Daí utilizarmos esta expressão de empate técnico quase ou praticamente desfeito. Caminhamos para isso. Pelo menos é aquilo que nos indica esta última sondagem. Mas eu apelo sempre a alguma cautela e daí utilizarmos o quase ou praticamente. Vejamos se o debate de hoje entre o Luís Montenegro e o Pedro Nuno Santos, os eventuais efeitos políticos do apagão e se o período oficial da campanha eleitoral, que está prestes a começar e que irá decorrer entre 4 a 16 de maio, se irá trazer mais alterações e novas ideias aqui ao nosso radar das sondagens.

Vamos estar atentos a essas luzes que ainda faltam até o dia 18 de maio. António Sicferno, bom dia, obrigada. Até breve.

Muito obrigado, bom dia.