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Os últimos dias têm ficado marcados por várias sondagens, vários estudos de opinião. Onde é que elas nos levam? Vamos ver com a ajuda do António Cipriano. Bom dia, António. Com tudo isto, o que nos está a dizer o nosso radar?
Olá, bom dia, Carla. É verdade, fomos aqui brindados com uma série de sondagens do ICS, Intercampus, Aximage, Católica e, claro, a Tracking Poll da Pitagórica. Olhando para todos estes números que nos entram nesta última semana de campanha, vemos o quê? Vemos que a Aliança Democrática acaba por liderar em todas as sondagens, ou seja, com valores a oscilar entre os 27% e os 33%. Ou seja, temos aqui uma liderança clara, mas uma AD longe de uma maioria confortável. Já o Partido Socialista aparece-nos sempre em segundo lugar e mesmo em algumas sondagens, como a da Aximage, a diferença entre a AD e o PS é apenas de duas décimas, o que nos mostra aqui, nesta sondagem, a possibilidade de um cenário bastante competitivo entre estas duas forças políticas que nesta corrida a São Bento vão aqui na frente. Sem surpresas, o Chega continua a ocupar a terceira posição das intenções de voto, atingindo mesmo um patamar de 20%. Se bem que André Ventura tem-nos vindo a dizer nos últimos dias que este patamar dos 20%, para ele não é suficiente, quer uma hipótese de vitória. Todavia, lembro que durante quatro dias consecutivos, nas sondagens diárias da Pitagórica, da Tracking Poll, mostrava um Chega a perder votos, tendência que apenas foi quebrada ontem, domingo. Já a Iniciativa Liberal não tem estado mal. Até a sondagem da Aximage dá-lhe um resultado de intenção de voto de 7,3%, ultrapassando a casa dos 6,8%, 6,6%, onde se tem mantido há algum tempo, e o Livre também mostra alguns sinais de consolidação. Outros partidos, como o Bloco de Esquerda, a CDU e o PAN, a oscilar entre os valores habituais, com destaque para o Bloco de Esquerda, que na sondagem da Intercampus e da Aximage consegue passar a casa dos 3% da intenção de voto. Um outro dado importante são os indecisos. A porcentagem de indecisos nestas sondagens todas que vieram a público nos últimos dias mostram uma oscilação entre os 12% até aos 23%, o que nos indica que há ainda muito por decidir.
Pois, há aqui uma variação muito grande em relação aos indecisos e também em relação a todas as tendências e oscilações dos outros partidos. António, como é que ficamos em cenários de governabilidade? Há aí à vista alguma maioria parlamentar?
Olha, em termos da governabilidade, é um tema interessante. Nós quando olhamos para os chamados efeitos dos sistemas eleitorais, temos sempre aquela tendência de olhar para a proporcionalidade dos resultados, para a questão da representatividade ou mesmo para o sistema de partidos, e esquecemo-nos de uma coisa que é a estabilidade. O que é que os dados nos mostram? Tal como eu dizia há pouco, temos uma força política líder, a AD, mas muito longe da maioria absoluta. Temos um PS competitivo, mas também é uma força isolada, ou seja, não tem força neste momento, sozinho, para governar. Temos um terceiro partido, o Chega Forte, que começa a dar alguns sinais de possibilidade de coligação com uma AD, mas sem Montenegro. E finalmente, temos outros partidos médios, partidos pequenos, que têm vindo a oscilar nas suas intenções de voto. Isto mostra-nos aqui um Parlamento fragmentado e que pode ter sérias implicações para a estabilidade governativa. Temos também um presidente da República que diz que não podemos ter eleições a todo momento, nem podemos ter eleições tão perto. Por isso, olhando para estes todos valores, pensando numa hipotética coligação, se olharmos, por exemplo, para uma futura coligação entre a AD e a Iniciativa Liberal, digamos que estas forças políticas juntam somente 39,9% das intenções de voto, contra 31,1% do PS e de todo o arco da esquerda. O que isto significa? Que olhando para as eleições que deram a maioria absoluta ao doutor António Costa, nenhum destes dois eixos, quer à direita, quer à esquerda, tem condições neste momento para termos uma maioria no Parlamento. Ou seja, a própria mecânica do nosso sistema eleitoral garante este pluralismo partidário, mas também exige aquilo que nós consideramos de uma maturidade política. O que eu quero dizer com isto? Que uma futura estabilidade governativa no nosso país não vai depender somente dos votos, mas também da capacidade de fazer política antes e principalmente depois das eleições. Ou seja, capacidade de negociação e compromissos pós-eleitorais.
E o dia 19 vai ser muito importante. António, uma última questão e falando em Parlamento fragmentado, e o JPP na Madeira, será que pode eleger para o Parlamento Nacional?
É verdade, pela primeira vez temos esta possibilidade de um partido regionalista, com origem na Madeira, o Juntos pelo Povo, conseguir, ou melhor, haver esta possibilidade de eleger pela primeira vez um deputado à Assembleia da República. Lembro que o círculo eleitoral da Madeira elege seis deputados e que nas últimas eleições, estes seis mandatos ficaram distribuídos três para a coligação PSD/PS, dois para o PS e um para o Chega. Todavia, convém lembrar que atualmente o partido Juntos pelo Povo, o JPP, é o segundo partido com maior representação no Parlamento Regional da Madeira, com 11 deputados, ou seja, ultrapassou o próprio PS. Este partido tem apostado num discurso da autonomia regional. O próprio cabeça de lista da Madeira, o Filipe Sousa, às eleições legislativas do próximo domingo, diz que o seu partido poderá ser a voz da Madeira na Assembleia da República. Acredito que este partido, se tiver um resultado que possa oscilar entre os 12% a 15% das intenções de voto no arquipélago, atendendo, claro, à fragmentação dos votos entre os maiores partidos, neste caso, PSD, PS e Chega, acho que será interessante acompanhar a evolução deste partido, sim, e ver se consegue eleger pelo menos um deputado à Assembleia da República no próximo domingo. É um cenário que não está afastado.
Mais um motivo de atenção na noite do dia 18 de maio. António Cipriano, muito obrigada. Até breve.
Muito obrigado. Bom dia.
Bom dia.