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A três dias do arranque oficial da campanha eleitoral e terminados todos os frente a frente televisivos, fazemos um ponto de situação no radar das sondagens. António, bom dia. Os partidos partem para a estrada com a AD a liderar as intenções de voto. Isso é claro, agora?

Olá, bom dia. Sim, de certa maneira é verdade. Esta última sondagem, à qual temos acesso, que é da Universidade Católica, diz-nos que, de facto, temos a AD com uma vantagem. Comparando os resultados da sondagem que a Universidade Católica tinha feito no mês anterior, percebemos que o PS sobe as suas intenções de voto, contrariamente ao Partido Socialista, que desce um ponto percentual. De facto, podemos dizer que esta coligação lidera. Todavia, não com uma grande folga, ainda que estejam separados praticamente por seis pontos percentuais. Mas quando olhamos para a margem de erro, percebemos que temos, de facto, uma vantagem, mas não uma liderança esmagadora. Aliás, os especialistas que têm vindo a falar sobre a eventual futura composição do Parlamento, acreditam que a distribuição de deputados por forças políticas não oscilará assim tanto em relação a esta 16ª legislatura que está prestes a terminar. A certeza é que, pelo menos, as sondagens nos vão dando. E quando digo certeza, lembro que as sondagens são uma fotografia, não é futurologia, não é bola de cristal. Acabam por consolidar, de facto, o Chega como a terceira força política. Os outros partidos acabam por andar ali um pouco quase taco a taco, muito próximos uns dos outros, ou seja, tudo está em aberto.

Tudo está em aberto. António, e aquela-

Continuo a dizer.

Sim. Ia perguntar-te sobre aquela fatia dos indecisos, o que ela representa?

A fatia dos indecisos é sempre algo muito interessante. Temos o relatório da Universidade Católica para esta última sondagem, que nos aponta 15% dos eleitores como estando indecisos. Todavia, acredita que este número possa ser superior. Depois, sobre a fidelização do voto, é também muito interessante, porque o relatório diz-nos que 56% dos eleitores terem já o seu sentido de voto fechado, o que significa que 44% pode ainda mudar o seu sentido de voto. E quando olhamos para as variações sociodemográficas, percebemos que existem também aqui algumas alterações. Considerando, por exemplo, os eleitores entre os 18 e os 34, eleitores entre os 35 e os 64 e eleitores com idades iguais ou superiores a 65 anos, percebemos que são nos dois primeiros grupos etários que a percentagem de eleitores que não sabem como votar é ainda significativa.

E como é que isto, depois, se pode traduzir naqueles partidos que têm menores intenções de voto?

Olha, Carla, por exemplo, olhando dos eleitores que admitem votar no PAN, no Bloco de Esquerda, na Iniciativa Liberal e no Livre, grande parte deles dizem que podem ainda mudar o seu sentido de voto. O que isto significa? Ou seja, temos aqui partidos que acabam por estar mais expostos a alterações no resultado eleitoral. Ou seja, por um lado, devido a uma menor fidelização dos seus eleitores e, por outro lado, também relacionado com aquilo a que chamamos a volatilidade eleitoral. O que isto nos pode dar? Temos aqui um conjunto de eleitores que estão mais vulneráveis ao chamado voto estratégico, eleitores que ainda poderão decidir o seu sentido de voto e, como tal, acabam por estar mais expostos aos desafios, àquilo a que a campanha eleitoral que está prestes a começar poderá trazer em termos de decisão para esta fatia do eleitorado. E depois também nos mostra este número de indecisos, que temos eleitores que acabam por estar dependentes daquilo que nós, na ciência política, chamamos de fatores externos, como por exemplo, os debates políticos, os escândalos sobre os candidatos, a desinformação e a manipulação da informação. E, por exemplo, ainda não temos nenhuma sondagem que nos revele alguns dados, se é que isso irá ter impacto sobre os efeitos do apagão. Por isso, temos aqui ainda um cenário em aberto.

Muitas variáveis.

Todavia, dizemos: AD acaba por liderar, por estar à frente nas intenções de voto. É uma liderança, mas não é uma liderança esmagadora. Neste momento, nem temos nenhum cenário, ou seja, aquilo que tínhamos, por exemplo, na última sondagem efetuada, que nos apontava para uma eventual maioria de direita, neste momento, esta sondagem da Católica vem nos dizer o contrário. Ou seja, estamos aqui num impasse.

Muito impasse, muito interessante a forma como os partidos vão entrar para a estrada, para a campanha.

Tudo depende do jogo político. E depois é importante não esquecermos que as próprias regras do nosso sistema de governo permitem aqui uma série de variações. Ou seja, a verdadeira sondagem é quando contamos os votos.

Ora vai, dia 18 de maio. António, muito obrigada. Bom fim de semana. Vamos continuar a falar.

Obrigado. Bom fim de semana, Carla. Foi um gosto.