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À semelhança dos últimos dados eleitorais, a TVI e a CNN Portugal já têm a tracking poll para verificar a tendência de voto dos portugueses. Bom dia, António. Ajude-nos a perceber o que é esta ferramenta e o que ela difere das sondagens clássicas.

Olá, Carla, bom dia.

Bom dia.

É verdade. Ao aproximarmos das eleições, novas ideias, novas palavras que vão surgindo na opinião pública. Então, comecemos. Por exemplo, vamos imaginar os dados que temos vindo a falar no nosso radar das sondagens, nomeadamente os dados publicados pelas empresas tradicionais e pelos institutos acadêmicos. Esses dados que temos vindo a falar até ao nosso último programa, tratam-se de dados daquilo que nós chamamos provenientes de sondagens clássicas, ou seja, aquela forma mais tradicional de estudo da opinião pública em matéria da intenção de voto. É a tal radiografia, a fotografia do momento, ou seja, dá-nos uma imagem estática da opinião pública, mostra-nos qual é a intenção de voto dos eleitores num determinado momento. Já estas sondagens diárias, estas sondagens contínuas que damos o nome de tracking poll, ou seja, em vez de tirarmos uma fotografia, esta auscultação da opinião pública acaba por funcionar como uma espécie de filme que é gravado dia a dia. O que pretendemos aqui é acompanhar dia após dia as mudanças em termos do sentido de voto na opinião pública, permitindo-nos perceber, por exemplo, novas tendências, oscilações ou mesmo até reações à campanha eleitoral que se iniciou oficialmente no dia de ontem. No caso desta sondagem contínua que a Pitagórica está a realizar para a TVI, CNN e JN, temos o quê? Começa com uma sondagem tradicional, com cerca de 800 entrevistas a uma amostra representativa do nosso eleitorado, mas a partir daí, todos os dias entram 200 novas entrevistas e saem as 200 entrevistas mais antigas. A amostra acaba por se renovar diariamente. Ao fim de quatro dias, todas as entrevistas já foram substituídas e temos assim um novo panorama, um novo filme atualizado e contínuo da intenção de voto dos eleitores portugueses. Ou seja, estas tracking polls são, essencialmente, aquilo que poderíamos dizer, para os nossos ouvintes perceberem de uma maneira mais perceptível, é uma espécie de filme, são uma narrativa em movimento.

Ora bem, saímos da fotografia para a imagem em movimento. Isso é uma boa imagem para percebermos as várias oscilações que pode haver. E, nesse sentido, como é que está o sentido de voto, quem é que sobe e quem é que, olhando até para esses resultados, quem é que pode ficar fora do Parlamento, porque pode haver, isso pode também acontecer.

Sim. Olha, por exemplo, os primeiros dados que foram divulgados desta sondagem diária são dia 2 de maio, com uma recolha das tais entrevistas que se foram renovando diariamente entre os dias 28, 29 e 30 de abril e o 1º de maio. O que este primeiro cenário nos apontava? Desde logo, a coligação AD a partir na frente com 34% das intenções de voto, ou seja, a AD quase sete pontos acima do PS, que surgia apenas com 27,5%. Todavia, não era só neste número que a AD levava vantagem. Já que esta sondagem diária, e torno a frisar, com os dados dia 2 de maio, dizia-nos que Luís Montenegro levava vantagem nesta auscultação. Por quê? Porque 69% dos inquiridos dizem acreditar que será Montenegro o vencedor das eleições. Quanto à restante distribuição das intenções de voto, a ordem pela qual os partidos aparecem é bastante idêntica aos dados que temos já vindo aqui a falar no nosso radar das sondagens. Temos o Chega em terceiro lugar, com aproximadamente 16,6% das intenções de voto, seguido da Iniciativa Liberal com 7.8, e dizemos que o Livre e a CDU aparecem muito próximos, ou seja, o Livre com 3.4 e a CDU logo com 3.3. O Bloco de Esquerda merece aqui alguma atenção, porque comparativamente às eleições de 2024, nesta recolha diária de dados, o Bloco de Esquerda aparece-nos como um partido em queda, registando apenas 1,5% das intenções de voto. Já o PAN, com apenas 0,6, arrisca mesmo não eleger qualquer deputado à Assembleia da República. Todavia, considerando estes dados isolados, não temos aqui nenhuma maioria de nenhum partido. Só conseguiríamos uma maioria se fizéssemos aqui uma coligação entre a AD e a Iniciativa Liberal.

E os dados mais recentes, o que nos dizem, António?

Olha, os dados mais recentes, Carla, são de ontem, dia 4 de maio, e conseguimos perceber que a AD, de um dia para o outro, subiu um ponto percentual, alcançando 35,6% das intenções de voto. Já o PS tem vindo a mostrar alguns sinais de fragilidade. Se a AD sobe um ponto, o PS perde praticamente um outro ponto, caindo para 26,9%. Ou seja, temos aqui uma situação de afastamento de qualquer cenário de empate técnico. Isto por quê? Porque mesmo considerando a margem de erro, que nestas sondagens diárias é de cerca de 3,5, a liderança da AD parece confortável e o PS, no seu máximo possível, a 30%, apresenta-se mais distante da meta. Todavia, continuamos a ter uma possibilidade apenas de uma maioria parlamentar de direita, através de um acordo entre a AD e a Iniciativa Liberal, uma vez que Luís Montenegro tem vindo permanentemente a afirmar que não há qualquer hipótese de coligação com o Chega. Entre os outros partidos, o cenário mantém-se pela mesma ordem de preferências. Quanto aos indecisos, também não há alterações significativas. No dia 2, tínhamos 17,3% dos indecisos. Até no dia 4, este número rondava os 17,5. Todavia, aqui uma nota que nos parece importante é que 23% dos eleitores mais novos aparecem como indecisos, o que potencia aqui uma eventual situação de volatilidade eleitoral neste grupo etário e que pode ser decisivo nas próximas semanas.

Nas próximas e são pouco menos de duas semanas, a campanha eleitoral acaba de arrancar para a estrada hoje com o último debate nas rádios, pode ser até que tenha aqui alguma influência. António Cipriano, muito obrigada, até breve. Uma boa semana.

Até breve. Obrigado, igualmente.