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Relatório de jogo que fica também, como habitualmente, disponível através de podcast da Rádio Observador. Concluída a primeira mão deste playoff com um empate a zero entre Fenerbahçe e Benfica. Primeira nota, Marco, é o fato de houve aqui realmente algum cuidado, ou muito cuidado, no 11 inicial do Benfica, com o Bruno Lage a colocar realmente aqui de início o Tino.
Não foi cuidado, foi uma preparação, foi um sistema bem montado, bem criado por Bruno Lage, as indicações, os jogadores assimilaram na perfeição os primeiros 45 minutos. O Benfica conseguiu controlar por completo, até porque se olharmos para o sistema tático, Florentino não era bem um seis, era quase o número 10, por vezes na pressão na primeira parte, no meio de Akturkoglu e de Pavlídas, com Bahnené Cheia a segurar por trás também com Rios e com Horstens. E o Benfica sentiu-se muito confiante. O Benfica que com Dedic muito bem na fase ofensiva, com Dalcot alguma dificuldade, até porque tinha pela frente Nelson Semedo, que é mais rápido e também fisicamente muito forte, mas o Benfica criou aqui algo que pode ser importante, uma base para este segundo jogo em Lisboa, e de perceber também que tem capacidade para ter mais que uma solução. O Benfica acaba por ter aqui com Pavlídas e Akturkoglu, e depois também com Ivanovic na segunda parte, e nós ouvíamos as palavras de José Mourinho, eu acho que são também importantes. Eu acho que ele dá aqui a conhecer aquilo que talvez possa fazer em Lisboa, quando ele refere que já defendeu com 10 em Barcelona.
Tal e qual.
E eu acho que isso é uma mensagem subliminar.
Eu vou fazer aquilo que o Benfica fez aqui.
Eu vou fazer até talvez ainda mais carregado, porque ele fala em 10 defesas em Barcelona e isso pode ter importância. Ele falou também no reforço que pode ser importante para ele. Eu acho que é uma indicação a Bruno Lage, até porque o Fenerbahçe, como o Benfica, um-zero é suficiente, por isso é que ele refere em defender com 10 homens. E nós sabemos o que é Mourinho, conhecemos, não é os seus mind games, eu acho que é mesmo a questão tática e ele vai tentar de tudo. E dessa forma, ele disse que houve pouco a defender, até porque o Benfica se apresentou nesse sistema. Agora, o que é certo é que está em aberto. Eu acho que vamos ter um segundo jogo bem diferente, ainda mais tático, ainda mais pragmático.
De parte a parte.
De parte a parte, talvez menos agressivo, com menos faltas, porque o Fenerbahçe e o Benfica vão jogar pela certa, não vão querer arriscar, porque lá está esta mensagem de José Mourinho, o zero a zero está em aberto. Ele diz: "Nós estamos vivos" e isso é verdade, e nunca se pode ou não se deve subestimar. E o Benfica tem que manter essa postura para não subestimar, obviamente. Não vai subestimar, obviamente, porque Bruno Lage, a indicação que acabou por dar foi importante dessa mensagem. Agora, eu acho que seria importante para o futebol português também, nós estamos aqui e perceber que o Benfica consegue ultrapassar o Fenerbahçe de José Mourinho.
Em relação ao jogo, uma primeira parte, e dá-me a ideia que foi desde aí que deu para perceber muito bem o que é que o Benfica iria fazer. Falavas tu e falava também aqui o João Pinto, antes de arrancar, de facto, a partida. O grande medo, ou algum temor, era o facto de eventualmente esta equipa turca entrar com tudo, e o Benfica foi inteligente a roubar a bola.
Sim, o Benfica foi muito inteligente. O Benfica eu acho que estava preparado para uma carga superior nessa pressão da equipa de José Mourinho, mas depreendo pelas palavras de José Mourinho, que ele diz: "Eu só tenho estes jogadores, não tenho alternativas, são os jogadores que eu tenho." O que quer dizer que ele necessita, eu acho que foi uma mensagem também para o próprio clube a dizer: "Eu preciso de ter alternativas." Mas eu acho que isso também foi importante para o Benfica. O Benfica ganhou confiança, percebeu que essa pressão não era uma pressão tão ofegante ou tão agressiva. O Benfica conseguia sair facilmente com Bahnené Cheia, muito bem a controlar, com o próprio Florentino. Rios, que acaba por ser aqui alguém que tem essa capacidade física, mas taticamente eu ainda não consegui entender onde é que Rios se pode colocar num modelo que o Benfica está a implementar, porque com três homens no meio, ok, com dois, Rios acaba por ser muito disperso. O que ele tem, e o que o Benfica tem de bom, é a compensação de Horstens, que é realmente aqui o cérebro dessa capacidade de equilíbrio.
Segunda parte, sai o Enzo e o Benfica ali perde-se um bocadinho.
Sim, o Benfica perdeu-se. Eu acho que Lage quis salvaguardar Enzo, até pela questão do cartão, do amarelo. Aos 64, 65 minutos Mas acabou por perder Florentino. De certa forma, eu acho que para Bruno Lage, obviamente que ele não queria ninguém que estivesse dessa forma e não tem Florentino para o segundo jogo, mas talvez Barreiro Txeia possa dar mais equilíbrio que Florentino. Teve Barreiro que entrou bastante bem. Eu acho que é um jogador muito semelhante a Rios na sua forma de jogar. Obviamente que fisicamente não é a mesma coisa, tem menos 10 ou 15 centímetros, mas tem essa dinâmica. E agora, eu acho que aquilo que temos que olhar é para a segunda mão, para esse segundo jogo, perceber como é que Bruno Lage vai encarar a sua zona mais ofensiva, se com dois homens, se com Pavlídis e obviamente com Artur Coglu novamente.
O melhor do jogo para ti?
Eu acho que o melhor do jogo acaba por ser também Dedic, esteve bastante bem e eu acho que valorizo aquilo que ele tem feito, porque era alguém que apareceu no Benfica e o que é certo é que ele está a construir algo importante. Tivemos aqui outras exibições também interessantes. A questão de António Silva esteve bastante bem. A Hostens, obviamente, já não podemos criticar, porque é uma crítica sempre equilibrada, mas um equilíbrio muito alto, muito de Liga dos Campeões, mas eu sublinho claramente aqui Dedic esta noite.
E o pior?
O pior é mesmo a expulsão de Florentino. Ele que muito bem se enquadrou neste sistema, ele que é muito falado no mercado, e o mercado faltam poucos dias para fechar, que pode sair. Eu acho que é alguém importante, mas o pior porque também não soube controlar as suas emoções num lance que até, obviamente, questionamos uma falta tática, mas havia muito metro de terreno atrás do Florentino. Eu acho que não havia essa necessidade, porque ele tentou, na minha opinião, antecipar e quando já estás na frente, já não consegues recuperar e obviamente, a tentação é fazer este tipo de faltas.
Muito bem, entregue então este relatório de jogo com o Marco Caneira. Fica também disponível através de podcast da Rádio Observador.