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Dinamarca 2, Portugal 4. Jogo da terceira jornada do grupo quatro da Liga A da Liga das Nações. E o que é facto é que é o terceiro jogo. Jesus venceu mais uma vez. Três jogos, três vitórias. Podemos falar aqui na ressurreição de uma seleção nacional que, pelo menos, tem nos seus jogadores, pelo que fomos ouvindo, os jogadores que mais acreditam na ideia, mais do que acreditavam, provavelmente, com Roberto Martínez. Foi a palavra quase comum entre todos os jogadores que falaram no final do jogo. Acreditamos na ideia e é uma ideia que é de algum risco, como diz Jorge Jesus. Portugal volta a sofrer dois golos, mas o que é facto é que, como fomos falando aqui ao longo do jogo, o futebol da seleção nacional está a qualquer coisa de encantar.
Sem dúvida. Do meio-campo pra frente. Eu acho que foi uma bela exibição de Portugal em termos ofensivos, com muita dinâmica, com muita criação de oportunidades. Volto a dizer, defensivamente, não estou encantado com a equipe portuguesa. Agora, ofensivamente, sim, acho que foi uma exibição muito boa, marcar quatro gols na Dinamarca não é mesmo para qualquer equipe. Várias individualidades, e já podemos destacar algumas delas, o Bruno, o Gonçalo Ramos, provavelmente o melhor em campo.
E que foi aplaudido por Jesus, foi considerado o homem do jogo, mas também foi muito aplaudido por Jesus, sobretudo nos momentos em que vinha buscar o jogo, tentar associar-se com os colegas.
Sem dúvida. E trabalhou muito pra equipe, mesmo dentro da grande área, quando era preciso alguma velocidade na execução. Foi extremamente importante a servir os companheiros nos momentos de finalização e foi uma belíssima exibição. Acho que os dois médios também funcionaram muito bem, o Vitinho e o Rúben Neves. Os centrais com algumas dificuldades, mas eu não consigo castigar apenas os centrais, porque eu acho que estiveram muito expostos hoje, também fruto do risco em que Portugal jogou em alguns momentos. Portanto, é até um bocadinho ingrato estarmos a falar deles desta forma. A verdade é que Portugal faz uma bela exibição, os laterais, principalmente o Nuno Mendes, muito bem. E é como dizias.
O lado direito da defesa passou algumas dificuldades, sobretudo na primeira parte. Foi de onde chegou, de resto, o gol da Dinamarca, que é um gol vindo de uma belíssima jogada, de gol também de grande efeito. Aquilo que vai sendo reproduzido pelo treinador e também pelos jogadores era que Portugal fez parecer este jogo uma vitória fácil, chegar e marcar quatro gols na Dinamarca, algo que não será tão assim.
É isso, o ponto é esse. Portugal jogou em alguns momentos no limiar do risco. E é verdade, temos que ser claros. Portugal colocou-se em vantagem, mas também houve ali momentos em que esteve perto o empate, depois esteve perto outra vez o empate. Umas vezes aconteceu, outras não. Mas também acho que a ideia de Jorge Jesus é esta, o treinador quer que a equipe jogue em cima do adversário, quer que a equipe assuma alguns riscos no jogo.
Seja pressionante, para não citar a questão do pressing.
Pressing. Mas que seja pressionante, mas a verdade é essa. E que force erros do adversário, que atraia mais o adversário a cometer erros. E isso foi uma constante, mesmo o momento do primeiro gol simboliza bem essa capacidade que a equipe teve para pressionar muito alto, para recuperar a bola imediatamente num primeiro lance em que a bola quase que entra com o Gonçalo Ramos, depois acaba mesmo por entrar com o João Cancelo. E a verdade é que ofensivamente foi uma excelente exibição da equipe portuguesa e se calhar a resposta que era preciso para todo o ruído que estava a ser feito e que se calhar nesta semana, por um motivo óbvio, por tudo o que aconteceu, falou-se muito pouco do jogo.
E mesmo no final, todos os jogadores foram questionados sobre isso, o Jorge Jesus também. O tema é dominante. Tivemos também uma celebração de um gol adversário recorrendo precisamente ao festejo do Cristiano Ronaldo. Independentemente e sobretudo nos próximos tempos, também será uma questão onipresente. Não parece que vai ser uma questão que se vá dirimir só neste jogo. Portugal aguentou hoje e terá de aguentar nos próximos tempos.
Sim, é isso. E a verdade é que há aqui muita coisa para melhorar. Já vi aqui muitos elogios, e eu acho que, obviamente, a seleção portuguesa tem que ser elogiada pelo que aconteceu. Há pouco até te ia dizer que eu, ao vir pra este jogo, é que me caiu aqui um bocadinho.
A importância do que isto vai marcar.
É um jogo superimportante e falou-se muito pouco do jogo em si. E a verdade é que ia se falar muito do jogo quando acabasse para os dois lados. Se Portugal ganhasse, era porque Portugal se calhar já não precisava do Ronaldo, se perdesse, era o Ronaldo falto. E a verdade é que vamos ter muitas narrativas e muitas histórias.
Às vezes há até a ideia de que independentemente do acontecimento, já há um template de uma narrativa qualquer pronta.
Eu já estava a pensar nisso, que de facto íamos estar aqui no final do jogo a falar e que agora, de uma forma ou de outra, íamos abrir as redes sociais, íamos abrir os canais televisivos, íamos ver enfim, cada um a puxar a brasa à sua sardinha, porque a verdade é que este caso e esta polêmica dividiu quase o país em dois.
Não se divide o país, também dividirão o balneário. É de facto fraturante, porque está no ar a pairar aquela ideia de muita gente também de sentir que poder fazer qualquer coisa a Cristiano Ronaldo ser um sinal de ingratidão face àquilo que foi dado. Então parece que essa, às vezes, é um bocadinho de dissonância cognitiva, apesar dos sinais.
E o que nós estamos aqui a fazer hoje é olhar pra o jogo que aconteceu hoje, e o jogo que aconteceu hoje não foi um jogo perfeito, volto a dizer, acho que não foi. Agora, acho que é um jogo vistoso e é um jogo que dá aqui, pelo menos Há algum ânimo, não só pela vitória que é, e Portugal vem de duas grandes vitórias. Eram os dois jogos teoricamente mais difíceis e Portugal passou com distinção. Tem a possibilidade de carimbar o apuramento já no próximo jogo e até para o próprio Jorge Jesus ir com outra tranquilidade para a última paragem de seleções do ano.
Para não ficar com a autoridade posta em causa, porque caso havendo uma rutura dessas com um jogador com esta importância de marca, com Cristiano Ronaldo, qualquer erro por parte do treinador vai ser, com toda a certeza, um pouco mais escrutinado, até diria, mais atacado. Aqui Jorge Jesus está numa posição um pouco delicada, porque conhecemos que a enorme legião de fãs de Ronaldo tem sempre poder para atacar.
Sem dúvida. E a lógica agora é essa, e Jorge Jesus próprio também já disse que tem muito para melhorar na equipe, há muitas questões aqui que merecem algum tipo de análise. E eu acho que sim, e mal era se as coisas estivessem bem. Já estivessem todas bem e estivesse tudo perfeito. Não está, Portugal ainda está algo permeável no momento ofensivo, há que dizer. A transição defensiva não foi fantástica, nem um pouco mais ou menos. Mas a verdade é que Portugal contratou um treinador com este perfil, e é este perfil que, para o bem ou para o mal, é o que grande parte dos portugueses queria. Era colocar a equipe a jogar melhor.
Pegando nas palavras do João Pinto, acho que nenhum português está sobremaneira importado com a realidade das clean sheets, como diz em inglês, até escusamos da folha em branco, não precisamos dela em branco. Queremos é algum entusiasmo no jogo e futebol atacante é o que nos dá esse entusiasmo.
É isso. E eu percebo que se calhar, depois de fases tão cinzentas com Roberto Martínez, faltava um bocadinho de emoção. E obviamente que o que mais fazia sentido a Portugal nesta fase era ter um treinador com este perfil. Acho que isso era lógico quando foi anunciado, que era o que faltava também para melhorar um pouquinho todo aquele marasmo em que os jogadores portugueses viviam, depois de um mundial completamente insípido e completamente abaixo daquilo que estávamos à espera.
De alguma forma, com estas tensões já inerentes, não acreditas, Mário?
Sim, obviamente. Portanto, acho que era importante, primeiro, um treinador que tivesse um perfil diferente, um perfil de jogo mais ofensivo, mais vistoso, e ao mesmo tempo uma figura que se imponha.
Com um ego, não tenhamos medo da palavra.
Um ego forte e, acima de tudo, um homem capaz de ser autoritário em alguns momentos. E garanto, senão eu dizia, não estou a falar desta questão do Ronaldo, estou a falar em termos gerais. Acho que era preciso um treinador respeitado, e eu acho que o Roberto Martínez, em alguns momentos, deu-me essa sensação de que não era um treinador respeitado por todos os jogadores.
Deu a sensação de que optou mais pela via diplomática do que pela via técnica.
Exato. Era um amigo de alguns jogadores que estava ali e que se calhar em alguns momentos difíceis não se impunha. Era, pelo menos, o que me passava a mim. Posso estar completamente enganado, assumo, mas para mim era o que me passava. E com Jorge Jesus não é bem assim. E a verdade é que há vários treinadores portugueses com este perfil, um perfil mais duro, um perfil de pai, quase, digamos assim. E vimos o Jorge Jesus louco com o Bruno Fernandes na primeira parte, mas na segunda já estava a gostar do Bruno.
É um bocado de que o reforço positivo e que o elogio sem crítica em Portugal funciona pouco e que é um perfil um pouquinho mais como o Jorge Jesus, que quando o jogador joga mal, corre talvez atrás do jogador a dizer que ele tinha o guião errado, como uma vez se referiu a Palhinha. Isso às vezes pode ser mal visto, mas talvez o reforço positivo para a nossa cultura funcione pouco. Temos que ter um treinador mais à medida da nossa cultura, Mário.
É isso. E a verdade é que basta ver o perfil dos treinadores portugueses, se calhar os grandes treinadores portugueses, têm todos um perfil, não digo semelhante, mas com alguns traços que nos fazem levar a esse ponto. E portanto, é ótimo para Portugal que as coisas tenham corrido bem. Três jogos, três vitórias, uma fase nova, uma fase diferente. Hoje gostei muito do momento ofensivo de Portugal e na forma como vimos vários jogadores.
E menção honrosa para Vitinha, que marcou o seu primeiro gol.
Leste meu pensamento. Vemos o Vitinha marcar, vemos o Bruno Fernandes com liberdade para definir no minuto três.
A marcar de cabeça, atenção. 46 jogos depois.
Impressionante. Até parece mentira.
E de cabeça não foi do intelecto, foi mesmo com a cabeça.
É verdade. E bem merecido para o Vitinha. E portanto, há que dizer, é uma vitória justa de Portugal. Dinamarca, efetivamente, sim, grande seleção, com algumas baixas para esse jogo também, é verdade, mas não é qualquer equipe que ganha 4 x 2 na Dinamarca e eu acho que Portugal esteve muito bem nesse aspecto.
E Mário, para fecharmos e resumirmos o pior desta noite entre Dinamarca e Portugal, vitória da Seleção Nacional por quatro bolas a duas, nesta que é, podemos chamar-lhe assim, o primeiro jogo da era depois de Cristiano.
Olha, o pior é mesmo a transição defensiva de Portugal e o momento defensivo de Portugal em alguns momentos acho que não foi famoso. Cometeram-se alguns erros. Eu sei que se calhar muita gente vai cair em cima dos centrais e eu acho que será injusto, porque foi um jogo ingrato para os dois centrais. O Rúben Dias não fica ali muito bem na fotografia no segundo gol, mas a verdade é que foi um jogo muito ingrato, porque Portugal subiu muitas linhas, os jogadores tiveram muitos postes. Quando Portugal perdia a bola, houve alguma lentidão de alguns elementos e houve espaço para a equipe dinamarquesa ferir um pouquinho a equipe portuguesa. Portanto, se te passasse se calhar a mensagem mais negativa em relação ao jogo de hoje de Portugal, porque eu não acho que tenha sido uma exibição perfeita, reforços, não acho que tenha sido. Acho que foi uma exibição muito boa em termos ofensivos.
Foi uma aposta de risco que correu bem, digamos assim.
É isso. E em alguns casos poderia ter corrido mal, efetivamente, o jogo, temos que ser claros. Mas se te pudesse passar essa mensagem, acho que o momento mais negativo é esse, defensivamente. Há aqui muito a melhorar ainda.
E a fechar, no sentido contrário, acredito que possa ser essa irreverência, pelo menos a nova irreverência do ataque da Seleção.
Sim, há muitos jogadores que eu poderia destacar. O Bruno Fernandes, que faz um excelente jogo, o Félix entra bem, o Vitinha muito bem. Aliás, o Vitinha, e eu acho que o Rúben Neves não esteve nada mal hoje, é muito atacado e acho que esteve bem e a dupla com o Vitinha funcionou bem. O Nuno Mendes, obviamente, sempre impecável no momento ofensivo.
Os brasileiros chamar-lhe-iam um trem-bala.
É. O Nuno Mendes em forma é o melhor lateral esquerdo do mundo. Eu divido-me muito entre o Nuno Mendes e o Cucurella, mas acho que em forma não há ninguém igual ao Nuno. Mas obviamente que o Gonçalo Ramos, por tudo o que fez, pelos gols.
O Cucurella nunca vai poder provar-se, provavelmente, a travar Yamal. Quer dizer, poderá, no Real Barcelona, mas jogam na mesma sala.
E vamos ver se pode acontecer em breve, é verdade. Mas objetivamente, pelo gol, pela assistência, pelo trabalho que teve não só a baixar, mas também dentro da grande área, a servir companheiros, a ser rápido, a ler as jogadas, sempre ao primeiro ou segundo toque, com muita qualidade. O Gonçalo Ramos faz um jogo muito bom, não há nada a dizer. E há que ser claro, Gonçalo Ramos é um dos melhores em campo, senão o melhor em campo da equipe portuguesa.
Mário Cajica, está feito e entregue o relatório do jogo deste Dinamarca 2, Portugal 4, terceira jornada da Liga A, do grupo quatro da Liga A da Liga das Nações. Portugal leva três jogos, três vitórias com Jorge Jesus no comando técnico da Seleção. Nota esta semana para a saída de Cristiano Ronaldo. Correu muita tinta, fez bater muitos caracteres. Estamos conversados. Está entregue o relatório do jogo do Mário Cajica. Um grande abraço, Mário, até breve.
Obrigado, um abraço.