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A assinatura de Luís Francisco fica também disponível, como habitualmente, via podcast aqui da Rádio Observador. Ora, Luís, vou começar com a estatística e pegando naquilo que tu dizias e tendo, de facto, a concordar muito contigo. É o segundo jogo com mais gols nesta edição do Mundial. O primeiro foi realmente o 10 a 0 do Bayern no Auckland City. Este é um grande resultado no papel, 4 a 4, mas não foi, de facto, um grande jogo de futebol.
Não. Até pode parecer estranho para quem não tenha visto. O jogo teve 42 remates distribuídos pelas duas equipas, com mais remates pro Al-Ahli, que fez 25, 17 para o Futebol Clube do Porto. Quarenta e dois remates é uma loucura.
É uma média.
Parece que a bola esteve sempre no jogo. E, no entanto, percebemos que é um jogo relativamente falhado, um jogo que é defensivamente marcado pelo facto de o Futebol Clube do Porto ter permitido, nomeadamente no segundo tempo, quando arriscou, quando foi obrigado a arriscar mais, talvez mais de uma dúzia de transições perigosíssimas ao adversário, que não marcou também por alguma inépcia. Perde o Futebol Clube do Porto a primeira parte por 2 a 1, acaba por ganhar a segunda para um empate final. E este é um empate que acho que não pode de nenhuma maneira ser uma boa notícia para o Futebol Clube do Porto. Num jogo que precisava de ganhar, as coisas até começaram a correr bem do outro lado, depois acabaram por não correr nada bem, porque o Inter Miami não conseguiu bater o Palmeiras, mas de qualquer maneira, o Futebol Clube do Porto, mesmo sendo eliminado, queria certamente despedir-se com uma vitória no último jogo, enfim, marcar aqui uma posição, fazer uma exibição mais personalizada. Eu diria que o Futebol Clube do Porto só na segunda parte é que organizou jogadas de ataque. Na primeira, não vi. Aconteceu um golo, e um belo golo, mas foram dois toques na bola. Vi uma equipa do Futebol Clube do Porto com grande incapacidade para controlar o ritmo dos acontecimentos, com algumas falhas defensivas óbvias, nomeadamente pelo seu flanco direito, que foi uma autoestrada, e com as dificuldades de adaptação ao relvado, talvez a matizar aqui um pouco, mas na verdade, com erros básicos, até naquilo que falámos, na recepção e passe, que é o ABC do futebol, e que houve ali algumas falhas. Parece-me que alguns jogadores não estiveram propriamente no relvado e outros foram estando apenas assim, assim. Não houve, de facto, no Futebol Clube do Porto, ninguém que desse nas vistas, a não ser o William Gomes.
Para o Porto, é realmente o fim, é o fim de linha a nível de Campeonato do Mundo. O Porto empata, apesar de tudo, mesmo ganhando, não iria conseguir, uma vez que no outro encontro aconteceu o empate entre o Inter Miami e também o Palmeiras e, portanto, o Porto e Al-Ahli ficarão de fora. Para o Porto, há que fazer aqui um grande reset, olhando realmente para esta exibição, para esta equipa, para os jogadores. E falávamos até lá fora, antes de entrar, falavas e tinhas a grande dúvida: é falta de jogadores, é falta de treinador ou é o treinador que não tem jogadores para implementar aquilo que ele quer para esta equipa? É a grande dúvida que aqui se coloca.
Eu costumo dizer, já o disse algumas vezes, ou o Futebol Clube do Porto tem o treinador errado, e aí tem um problema, ou tem o treinador certo, mas tem os jogadores errados, e aí também tem um problema. A única questão aqui é perceber onde é que tem que se mexer para se resolver o problema. O Espírito Coelho disse, e bem, se não houver a mínima dúvida na cabeça da estrutura do Futebol Clube do Porto, tem que manter o treinador, mas aí tem que arranjar outros jogadores.
E não perder aquele que tem.
Exato, não deixar que algumas peças saiam. Ou seja, o Futebol Clube do Porto vai ter que arriscar financeiramente alguma coisa. Se houver a mínima dúvida sobre o perfil do treinador, então aí se calhar é melhor começar por mudar o treinador, mas mudar o treinador não vai resolver o problema. Eu acho que há, de facto, falta de qualidade neste Futebol Clube do Porto. Cada jogador tem o seu valor, mas tudo somado, estamos habituados a ver plantéis do Futebol Clube do Porto com jogadores superlativos em quase todas as posições. E aqui temos que andar à procura para encontrar um ou outro que tenha estado a um nível realmente excecional e hoje nem isso. Portanto, acho que o Futebol Clube do Porto precisa de jogadores.
E precisa de identidade Porto.
Precisa disso. E esse é outro problema, é que quando constróis uma equipa com muita gente a chegar ao mesmo tempo, tens alguma dificuldade em passar os valores da equipa. Eu não sei, não tenho aqui contas feitas, mas quer dizer, saindo o Marcano, que é quem está ali há mais tempo e tem mais anos de futebol, e se não contar, por exemplo, com o Diogo Costa.
Vais ter que te agarrar, se calhar, aqui ao Rodrigo Mora.
Pois, só que o Rodrigo Mora-
Tem 18 anos. 17, 18
Tem, como é que eu digo, tem muito talento, tem um talento absolutamente inacreditável, mas é muito novo e não é ele que vai passar a jogadores, eventualmente até estrangeiros, que chegam aos 24, 25 anos, não é ele que lhes vai passar a mística Porto. Ele é um produto da mística Porto. Não pode ser o jogador que vai passar. Neste momento, o Futebol Clube do Porto, se renovar o seu plantel com a profundidade que eu acho que é necessária, vai ficar com dificuldades para passar a identidade lá para dentro e, portanto, vai ter sempre uma época complicada. Agora, o Luís Pinto Coelho estava a dizer uma coisa, eu percebo, também é a dor de quem sai. Se calhar, mais vale ir para casa do que continuar a fazer estas figuras, mais vale perder sete ou oito ou nove ou 10 milhões de euros e voltar para casa e trabalhar bem a próxima temporada. Eu vou extrapolar isso. E que tal não ter ido sequer ao Mundial de Clubes e trabalhar melhor isto, porque isto vai dar cabo das equipas. Benfica e Futebol Clube do Porto vão pagar caro o facto de terem terminado ou começado a época com esta presença no Mundial de Clubes. Ainda por cima, não está a correr bem para nenhum deles, portanto, podem pagar de duas maneiras.
Para fechar o teu relatório, o melhor do jogo.
O melhor do jogo foi mesmo a confirmação ou a revelação de que o William Gomes pode ser um elemento muito importante para este Futebol Clube do Porto. Digamos que em termos de mercado, não é um jogador que tenha chegado agora, mas está a chegar à equipa, está a ter protagonismo e está a mostrar que tem qualidade. O resto do mercado é o Gabri Veiga, que ainda deixa aqui alguns pontos de interrogação, mas que pela sua qualidade intrínseca, a não ser que haja aqui um fenômeno total de inadaptação, e ele escolheu o Futebol Clube do Porto para voltar a jogar, em vez de levar caminhões de dinheiro para casa todas as semanas. Portanto, acredito que tenha vontade de jogar. Eu diria que William Gomes, neste jogo específico, foi talvez a única boa notícia para o Futebol Clube do Porto.
E o pior?
O pior eu acho que teve a ver com um vazio tremendo no meio-campo. Nem o Alan Varela, nem o Stephen Eustáquio fizeram propriamente nada que se visse no jogo. Costumo chamar-lhe a casa das máquinas, mas desta vez foi nem a vapor, foi o motor completamente parado. Ainda por cima com dois centrais que não constroem na sua retaguarda, o Futebol Clube do Porto ficou com um buraco enorme no meio. Tentou pelas alas, mas foi uma equipa sem unidade, sem agregação, sem personalidade.
Relatório de jogo de Luís Francisco ficará sempre disponível através do podcast da Rádio Observador. Luís, até à próxima. Um grande abraço.
Até à próxima.