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Está dado o chute inicial para mais um Sem Falta da Rádio Observador, o espaço onde o Pedro Henriques, nosso áudio-árbitro, analisa as arbitragens dos jogos que aqui acompanhamos. Hoje foi noite europeia, terceira jornada da Liga dos Campeões para o Sporting, que depois de duas vitórias provou a primeira derrota esta época na Champions e também, na verdade, na época em jogos oficiais, por três bolas a duas, num jogo apitado pelo árbitro escocês Nick Walsh. Pedro Henriques, logo ao minuto três, pênalti para o Sporting e acredito que este lance vá dar já pano para mangas ou até para um casaco.
Não, a questão é que eu acho que não há motivo para pontapé de pênalti. É um lance difícil de análise, porque há contato e por isso talvez o VAR, perante a evidência de um contato pé com pé, tenha validado a decisão que o árbitro tomou em campo. O Hyracunda, no meu ponto de vista, acaba por ganhar esse pênalti, no tal contato pé esquerdo no pé esquerdo do Ljubicic, mas foi, para mim, muito forçado. Ou seja, digamos que o Hyracunda abre a sua perna esquerda e é como que fica ali com o pé à espera, quando faz a finta para dentro, desse mesmo contato. E acontece, para mim, um contato provocado sem causa e efeito para a forma como caiu. Depois a maneira como ele cai nada tem a ver com uma eventual rasteira ou pontapé que ele tivesse sofrido. Portanto, quando digo que cavou, no sentido positivo, não estou a dizer isso no sentido pejorativo, acho que forçou muito esse contato, tirou partido disso, sentindo, caiu. O árbitro em campo é fácil de assinalar o pênalti. O VAR não quis contrariar na perspectiva de que é evidente que há contato, mas para mim foi ele que forçou essa ação e foi ele que levou, no fundo, àquilo que é a queda, não por essa possível rasteira ou pontapé, mas exatamente pela maneira como ele força a respectiva ação. Portanto, para mim, pontapé de pênalti mal assinalado.
Temos ao minuto 33, amarelo para o homem autor do primeiro gol da equipe do Linz neste jogo, empate a uma bola e também primeiro gol do jogador na Liga dos Campeões. Ao minuto 33, Lang, belo jogador, viu o cartão amarelo.
Sim, e bem mostrado. Ele vai por trás do Geny Catame, que vai numa transição, e com o pé direito, ele, Lang, acaba por pontapear, rasteirar a perna mais próximo do pé também direito do avançado meio-campista do Sporting e, portanto, uma falta tática, porque para a jogada e ao mesmo tempo uma rasteira negligente e por isso bem mostrado o cartão amarelo.
Temos depois ao minuto 45, a fechar os lances desta primeira parte, amarelo para mais um homem do LASK, desta vez foi Horvath.
Sim, o Sascha Horvath na disputa de bola está na frente do jogador do Sporting e projeta claramente o seu braço esquerdo para acertar na cara do jogador leonino e, portanto, essas situações são sempre punidas com livre direto e depois amarelo ou vermelho conforme a gravidade da ação e, portanto, aqui bem mostrado o cartão amarelo.
Temos depois, já na segunda parte, ao minuto 48, a lesão do guarda-redes do LASK Linz, num lance a envolver Luiz Soares. Creio que o árbitro chegou a marcar falta ofensiva.
Marcou.
Foram alguns momentos de preocupação vividos no estádio com o estado do guarda-redes do LASK. O que é que quer explicar sobre este lance, Pedro?
De forma rápida, para dizer primeiro que o Luiz Soares isola-se e sai de posição legal. Se houvesse uma infração do guarda-redes, um pênalti ou fora da área, um livre direto, uma eventual expulsão, tudo o que aconteceu a seguir era sempre validado porque não havia fora de jogo, em termos técnicos. Depois, realmente é o guardião que chega primeiro à bola e toca na bola e, portanto, aqui não há falta sobre o Soares, porque o Soares também cai de uma maneira muito acrobática. E depois, o que se percebe, para tentar perceber se há falta sobre o guarda-redes, se essa falta poderia também ser punida com cartão amarelo ou vermelho, neste caso, falta atacante do Luiz Soares, e também bem decidido, porque o Luiz Soares, percebendo que o guarda-redes chegou primeiro, salta por cima do guarda-redes. O problema é que quando faz esse salto, ele com o joelho, com a zona da perna, até me pareceu com a zona do joelho, acaba por acertar na cabeça do guardião que saiu a varrer o lance. E, portanto, eu diria que toda a decisão da equipe de arbitragem foi correta. Não há fora de jogo, há falta atacante, mas é uma falta atacante só, sem cartão amarelo ou vermelho, porque é claramente imprudente apenas a maneira como o jogador aborda e a tentativa que o Soares tem em não tocar no guarda-redes quando salta por cima dele. Mas há mesmo esse contato na cabeça e daí a lesão e depois a substituição.
E temos depois, Pedro Henriques, no outro caso do jogo, o minuto 62, gol do LASK, acredito eu, e também tudo legal com o gol do campeão austríaco.
Era a questão da recuperação de bola no meio-campo. O Altimira é que perde a bola e a questão era se o Altimira, na discussão de bola com o Ljubicic, teria sofrido alguma infração. E percebemos que não. Ou seja, há ali uma possível disputa de bola de pé esquerdo do Ljubicic com o pé direito do jogador espanhol do Sporting e ficou a ideia que podia ter sido tocado, pontapeado, rasteirado. Mas não. O Altimira é que resvala quase com o calcanhar sobre a bola e isso é que o leva à perda e ao desequilíbrio. Não há qualquer rasteira e, portanto, na sequência, também não há fora de jogo no último passe e, portanto, tudo legal no que diz respeito a este gol ao minuto 62 por parte da equipe do LASK.
Temos depois ao minuto 65, amarelos para Doumbia e João Simões da equipe do Sporting.
Tem a ver com este gol, porque o gol esteve a ser analisado exatamente na sua fase de construção, nessa perda de bola do Altimira, e tanto um como outro foram advertidos por protestos. Primeiro o Doumbia e depois o João Simões logo a seguir, porque não concordaram com a decisão da equipe de arbitragem.
Temos também, ao minuto 62, amarelo para Kalodzic, da equipe do LASK Linz.
Sim, o Kalodzic acaba por fazer uma falta bastante durinha sobre o Fresneda, por trás. O Fresneda está ali na zona do meio-campo, faz uma rotação para fazer o drible e o Kalodzic, com o pé esquerdo, acerta no calcanhar também esquerdo do jogador do Sporting. Uma entrada dura, negligente, passível de cartão amarelo, tudo certo.
Temos depois, Pedro Henrique, ao minuto 89, o segundo golo do Sporting, também tudo legal com este lance ou aqui há alguma coisa que tenha escapado? Não é legal.
Para mim, também não é legal este segundo golo do Sporting. Também esteve a ser analisado esse golo do Sporting durante algum tempo, porque na construção da jogada e antes do cruzamento para a área, que depois há o cabeceamento e depois a recarga do Suárez para golo, há uma falta clarinha do Flávio Gonçalves sobre o Oleksandr Zhukov. Ou seja, o Flávio Gonçalves, com a bola fora de contexto, fora dali, a vários metros de distância, vai pelas costas do Oleksandr Zhukov, que era aquele que iria a correr para tentar impedir, disputar a bola com o jogador do Sporting que fez o cruzamento para a área, ele carrega-o de forma incorreta. Para mim, até utiliza o braço e empurra. Mas eu quero referenciar o seguinte: mesmo que a carga do Flávio Gonçalves fosse correta, e uma carga correta é ombro contra igual região do corpo, ombro ou omoplata, é preciso que a bola esteja a uma distância jogável. Na lei, já esteve, há uns tempos atrás, dizia que era dois a três metros, depois passou para três metros e agora não tem métrica. Mas o que se pretende é que a bola tem que estar ali para que um jogador carregue o outro de forma correta e seja também aceite essa decisão da carga correta. Por quê? Porque a bola está à distância jogável. Quando a bola está muito afastada, como é o caso, mesmo que a carga seja correta, é sempre falta. Isto de acordo com a lei, não sou eu que estou a dizer. E o que acontece é que mesmo que tentemos ver ali uma carga correta de ombro contra ombro, o fato de a bola estar vários metros à frente, afastada, tornava esta carga incorreta. E mais, esta carga faz com que, para mim, mais carga e empurrão, que o jogador do Lazio caia e fique impedido de ir disputar a bola. E é isso que os jogadores do Lazio protestaram. E daí, depois, o que vem a seguir.
Temos depois, a fechar os lances deste encontro ao minuto 90, amarelos para Schützauer e Danech, porque os dois viram, precisamente, tal qual Doumbia e Simões, mas agora a tentar protestar no próprio gol.
Um é o guarda-redes, que entretanto já tinha substituído o titular. Vou tentar dizer o nome que é o Schützauer, acho que é assim que se diz, que reclamou exatamente porque foi logo o primeiro a dizer que tinha havido falta e depois o Danech também, na mesma perspectiva, que é quando é confirmado, porque um é advertido ao minuto 89, o outro ao minuto 90+1, que é o tempo que o VAR está a ver o lance. Quando é confirmado esse golo, acaba também por protestar.
E que nota merece? Acredito que não vá ser muito positiva para o árbitro Nico Walsh, depois destes dois erros, que apesar de não terem influência no resultado, porque o Lazio que ganhou, acabaram por beneficiar aqui bastante o Sporting.
Sim, isto é a minha opinião, obviamente, é por isso que estou aqui e considero que os dois gols do Sporting, eu diria como título, faltou o VAR nos dois gols do Sporting, porque para mim o pênalti não devia ter sido assinalado e há falta na construção da jogada, como dissemos aqui, que depois originou-se no gol do Sporting. Eu vou dar nota quatro, nota negativa, como disseste, e bem, não tem impacto, porque, neste caso, 3x0, 3x2, estamos aqui a inventar, obviamente, era a mesma coisa, porque a equipa que, entre aspas, saía prejudicada, acabava sempre por ganhar. Mas são dois erros que, no meu ponto de vista, têm que ser divididos pelo árbitro, que não teve a capacidade de analisar o lance, mas sobretudo pela falta de VAR. Eu sei que o árbitro era escocês, o VAR é inglês, e isto diz muito também da maneira como eles fazem a leitura em relação às jogadas. No caso da primeira, até por senso, um contato que normalmente eles nem costumam marcar, o tal que deu origem ao pênalti, e no segundo, porque tudo que é cargas e contatos, normalmente, os britânicos deixam seguir. Só que há aqui um pormenor, é que mesmo que a carga fosse correta, era sempre feita fora do tempo, na perspectiva que a bola não estava lá e, portanto, a lei é muito clara em relação a isso. Portanto, nota quatro, faltou o VAR nos dois gols do Sporting.
Está feito mais um "Sem Falta". Segunda noite europeia, vamos fechar amanhã com a terceira. Vamos acompanhar aqui o Omonia-Benfica a contar para a Liga Europa, sempre com áudio arbitragem, seja para a Taça de Portugal, seja até na distrital, vamos contar sempre com a áudio arbitragem do Pedro Henriques. Pedro, um grande abraço. Vamos também sempre ouvir o Pedro em Sétimo Campeão, com notas de 0 a 20 aos protagonistas do dia no mundo do desporto aqui na Rádio Observador. Um grande abraço, Pedro.