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Augusto Inácio. Segunda jornada da Liga das Nações, grupo 4 da Liga A. Portugal venceu, depois de ter vencido o País de Gales na primeira jornada por 1 x 0 em casa, em casa da Noruega, que não perdia nos seus domínios há 14 jogos, venceu por duas bolas a uma, num jogo em que, Augusto Inácio, na primeira parte, Portugal até acabou por começar bem, depois daquele período inicial em que as equipes tiveram a estudar-se. Mas eu diria que depois do gol de Portugal, depois do gol de João Félix, houve muitas dificuldades da seleção nacional em travar o esquema ofensivo da equipe da Noruega, que quer do lado esquerdo, mas sobretudo do lado direito do ataque norueguês, foi sempre encontrando espaços para assustar Portugal, sobretudo com Haaland na área e com boas respostas na primeira parte de Diogo Costa.

Deixa-me dizer que o Jorge Jesus disse que Portugal queria criatividade, queria atacar e queria pressionar alto. Isso realmente foi conseguido. E depois disse que havia um equilíbrio também, porque defensivamente a equipe também esteve bem. Mas o que é certo é que Portugal deu muitos espaços para que a Noruega pudesse desenvolver o jogo que tão bem gosta. É verdade que nos tempos de jogo em que as coisas não estavam a correr bem, nem para um lado nem para o outro, foi Portugal aquele que conseguiu assentar mais depressa o seu jogo e foi num desses momentos que Portugal fez o gol através de João Félix, que parece-me estar a atravessar talvez o melhor momento da carreira e que está a passar por uma grande confiança ao ponto de praticamente ele não rematar à baliza. Ele fez um passe à baliza e fez o 1 x 0. Mas curiosamente, quando se esperava que Portugal, pelo menos, tivesse um outro tipo de atenção naquele meio-campo para a Noruega não poder desenvolver o jogo, até porque Portugal só tinha ali dois elementos, que eram o Palhinha e João Neves, curiosamente, Portugal arriscou partir o jogo. Partiu o jogo de uma forma em que está a ganhar e estava sujeito a tudo. Estava sujeito a marcar o segundo gol, estava sujeito a sofrer o gol do empate, mas foi um risco que foi assumido e que as coisas correram bem. Hoje estávamos a falar seguramente de outra coisa se Portugal não tivesse ganho o jogo, e estávamos a falar para que é que Portugal se expôs tanto depois de estar a ganhar por 1 x 0. Viu-se Portugal estava completamente aflito, principalmente pelas faixas laterais e principalmente pelo lado esquerdo, pelo lado de Nuno Mendes, em que realmente a Noruega atacou muito. Diria que o Cancelo praticamente nunca saiu do seu meio-campo.

E teve também pela frente um temível jogador, o jogador do Leipzig, o Nusa, que fez um excelente jogo.

O Nusa, que foi o melhor jogador, para mim, da Noruega. Excelente jogador, fiquei com uma excelente impressão dele, não o conhecia, sinceramente.

Joga no Leipzig.

Joga no Leipzig, na Alemanha. Mas fiquei a perceber que Portugal, depois, por muita vontade que tivesse, realmente acabou aquela primeira parte, isto é que é a verdade, com o cordão na garganta, como se costuma dizer, e não criou grandes lances de perigo para a baliza do adversário. Esperava-se que na segunda parte retificasse ali alguma coisa, mas o que é certo é que Portugal aproveitou.

Entrou na segunda parte com a mesma equipe e praticamente a perder, porque o gol do Haaland chega ao sexto minuto da segunda parte, ao minuto 51.

Sim, mas era isso que eu queria dizer, é que Portugal começa a segunda parte e foi a Noruega realmente a tomar conta do jogo, ganham aquele livre e depois é risco também, de certeza absoluta, que o Jorge Jesus vai dizer aos jogadores e vai mostrar no vídeo. Cada vez que há um livre daquela natureza, em que estão homens na barreira, estão dois também a fazer, não é ao lado da barreira, mas ali para não facilitarem o ângulo de remate do jogador que vai marcar o livre. Todos os outros, as indicações que normalmente têm e que os jogadores, às vezes, nem é preciso dizer nada, e eles também têm que ser inteligentes lá dentro e têm que perceber, cada vez que há um remate à baliza, não se sabe se o guarda-redes vai defender, se a bola vai ao poste, se a bola vai por cima, se a bola vai ao lado, não sabe. Mas há uma coisa que eles têm que saber: cada vez que partir o remate do marcador do livre, eles têm que correr imediatamente para o guarda-redes, na direção do guarda-redes, para o poder proteger no caso de ele defender a bola. Não é que o Diogo Costa defendeu a bola e depois só o Nuno Mendes é que foi, o Pedro Neto, pelo menos, foi aquele que foi mais visível, ficou na linha da área e depois é o gol do Haaland e faz 1 x 1. E as coisas iam poder se complicar. E complicaram-se, mas entretanto, estamos perto do Natal, ainda falta algum tempo, apareceu um bacalhau que o guarda-redes deu.

E foi mesmo espiritual, porque caiu do céu.

Caiu do céu mesmo, mas também aqui tem que se dar o mérito ao-

À finalização do Gonçalo Ramos e à interceção.

Sim, mas não é só a interceção. É que parece que é fácil. "Ah, o guarda-redes não está na baliza, é só picar a bola por cima do guarda-redes e a bola entra." Não é fácil a execução. Tecnicamente, tens que ser muito bom pra fazeres aquilo. E o que é certo é que foi bem aproveitado por Gonçalo Ramos e que depois deu uma alma tão grande a Portugal que logo em seguida tivemos o 3 x 1. Estava fora do jogo, mas fizemos o 3 x 1.

Mas também por causa de um erro do guarda-redes, que parecia à essa altura, como disse o Luís Pinto de Coelho, que estava predestinado.

Nasceu em Freamunde.

É, a fazer uma criação de capoeira.

Exatamente. Mas o que é certo é que o gol não contou, mas estava 2 x 1. E aí é que comecei a perceber, digo assim: "Pronto, agora Portugal está a jogar pro resultado." Porque se disser assim: "Mas Portugal antes não estava a jogar pro resultado?" Estava a jogar pra ganhar, mas estava de uma forma em que podia acontecer tudo. Sofrer o gol do empate, marcar o terceiro gol, embora, parecesse-me a mim, estava mais perto o gol do empate do que o terceiro gol. Mas depois o Jorge Jesus foi muito inteligente, resguardou aquele meio-campo, a entrada do Rúben Neves e do Bernardo Silva, tirando o Pedro Neto, colocou mais um homem no meio-campo. Eu diria que só através de bola parada, de cantos ou de livres laterais, é que a Noruega podia incomodar Portugal. E eu diria também que quando saiu o Nusa, eu diria que foi um alívio, porque ele ali podia partir qualquer coisa. E quando eu digo partir, não era partir pernas, era partir uma jogada boa, podia cavar faltas dentro da área, podia ser penáltis, não sei. Diria que quando saiu o Nusa, eu respirei de alívio e disse assim: "Bem, o outro que vai entrar, certeza que não é melhor que o Nusa".

Mas depois mais tarde, não diretamente pra entrada de Nusa, porque entrou Larsen pra entrada de Nusa, mas com a saída de Berg entrou Oscar Bob, também um malabarista desta equipe da Noruega.

Sim, mas não mexeu muito no jogo.

Não te assustou.

Não me assustou, porque pareceu-me a mim Que é um jogador que precisa de algum tempo que está no jogo para entrar no ritmo. Ele, praticamente, pegava na bola, tocava a bola para um colega. Não arriscou, não fez um contra um, não foi incisivo. Não me pareceu que tivesse mexido no jogo e acho que não foi uma substituição que eu tinha dito que fiquei surpreso, porque é que o João Muta estava a jogar e não estava a jogar o Bob, porque ele tinha feito um bom jogo com a Dinamarca. Mas a entrar, não é jogador de entrar, já percebi. É um jogador de jogar de início, ou então a entrar, acho que não marcas diferença nenhuma. Mas diria que sim, que é uma grande vitória, é preciso não esquecer isso. Muita coisa para melhorar. Jorge Jesus falou nas bolas paradas que não teve tempo, principalmente nos cantos a nosso favor, que não há ali uma jogada estudada, é a bola metida lá para cima e alguém há de saltar e alguém há de ganhar a bola. As coisas não são assim, têm que ser trabalhadas. Não houve esse tempo, mas fica o registo, uma grande vitória ao fim de 14 jogos que a Noruega não perdia em casa, perdeu agora e foi com Portugal. Mérito para Portugal, mas claramente que se me dissesses assim para mim: "Olha, tens mais 10 jogos, quantos jogos é que Portugal vai ganhar assim?" Se calhar muito poucos.

É muito poucos. E a verdade é que Jorge Jesus acaba por dizer, ainda há pouco, na zona de entrevistas rápidas, por confessar que, de alguma forma, parece estar a fazer experiências, a ter de experimentar em jogos que contam e que são a valer. Portanto, levar duas vitórias em treino em competição, como às vezes lhe chamam Gabriel Alves, a verdade é que Jorge Jesus, para já, consegue manter essa sua postura de homem difícil de vencer, um homem que traz consigo a vitória.

Não, é muito bom. É muito bom para o trajeto que está a ser trilhado por ele e pela seleção. É bom porque os jogadores acreditam cada vez mais nas ideias do treinador. Repara aquilo que o Pedro Neto disse, que trouxe algumas ideias e que os jogadores gostam daquele projeto. Eu diria que é muito bom porque estás a trabalhar sob vitórias, mesmo não jogando bem, mesmo tendo aqui ou acolá algumas fragilidades, é muito melhor, depois quando voltares outra vez a outro jogo ou quando voltares outra vez para a seleção noutra convocatória, já vens com um espírito completamente diferente, porque a vitória traz isso.

E há pouquinho falavas de João Félix, fez um belíssimo jogo, fez mais um golo, e há pouco Luís Pinto Coelho, no relatório de jogo dele, disse que Félix vai ser importante para esta ideia de Jesus. E de facto, o jogador está, dirias tu, mais confiante. Eu recordo palavras de Jorge Jesus em conferência de imprensa de antevisão ao jogo País de Gales, a dizer que Portugal precisa de criativos e que é preciso dar espaço a um criativo, como João Félix o é. Será que também João Félix vai, de alguma forma, ter em Jesus o treinador que o compreende, o treinador que compreende o futebol que ele precisa de praticar, esse futebol um pouquinho mais solto, talvez de algumas obrigações e mais capaz de rasgos?

Olha, aqui no Observador, não é por estar a puxar a brasa à minha sardinha.

Não, mas puxa.

Não é isso. Mas no Observador eu já tinha dito em vários jogos que a seleção jogava, que eu achava que o João Félix, o melhor lugar para ele era sempre jogar um avançado solto, atrás da ponta de lança, andar solto, não lhe dando grandes missões naquilo que é corredores, naquilo que é pressão, nada disso. E o João Félix, que foi aí que se mostrou no Benfica, embora diferenciado aqui da esquerda para dentro, mas metia-se muito perto da ponta de lança, fez muitos gols assim. Mas claramente que vê-se que é um jogador que tem pezinhos, como se costuma dizer, tem ideias, tem técnica, é um jogador que respira muita confiança. Isto ele deve muito ao Jorge Jesus, porque o Jorge Jesus no Al-Nassr deu-lhe essa confiança e ele chega à seleção nacional e o Jorge Jesus continua a apostar nele como titular. Ele sabe o que o Jorge Jesus quer e ele tenta fazer. A primeira vez que eu vi o jogo Portugal-País de Gales, o João Félix a trabalhar tanto para a equipa sem bola como fez naquele jogo, eu nunca tinha visto. E vi realmente um jogador mais completo. E hoje tornei a ver essa situação. Ou seja, o João Félix está a crescer com esta idade como jogador, está a ficar um jogador diferente, está a ficar um jogador mais competitivo e a seleção só fica a ganhar com ele e claramente que ele tem que olhar para o Jorge Jesus e agradecer a oportunidade que o Jorge Jesus tem lhe dado.

Não vamos poder deixar passar uma informação importante nesta equipa da seleção nacional. Ora Cristiano Ronaldo começou o jogo no banco, terminou o jogo no banco e Jorge Jesus disse até ter pensado lançar o jogador, mas que as exigências do jogo pediram outro tipo de substituições. Fica também aqui a prova, talvez, de que Jesus tem a situação Cristiano Ronaldo controlada de alguma forma, que o jogador está e conta, mas quando o treinador quiser e só quando o treinador quiser. De resto, ficou também essa promessa de que será, em princípio, titular frente à Dinamarca.

Olha, eu entendo aquilo que o Jorge Jesus diz, porque eu acho que estava na cara que o Cristiano Ronaldo iria entrar, não sabíamos a que minuto, mas que iria entrar. Mas realmente é verdade, o jogo às vezes pede outras coisas que não aquelas com que a gente tinha a ideia inicial. E eu diria que, aliás, o Cristiano Ronaldo, antes do jogo com o País de Gales, disse em conferência de imprensa, na véspera do jogo País de Gales, que estava pronto para a seleção, seja a jogar, seja a entrar, seja a sair, para aquilo que a seleção nacional, mostrou-se disponível para fazer tudo que fosse possível para ajudar a seleção nacional. E Jorge Jesus entendeu que este jogo, da maneira como estava, se estivesse assim, Portugal está a ganhar 3 x 1, eu acho que o Cristiano Ronaldo tinha entrado. Mas está 2 x 1, é um resultado para defender, é um resultado para realmente colocarmos na frente da classificação. E também pareceu a mim, aliás, eu disse aqui, não parecia a mim que fosse o momento ideal do Cristiano Ronaldo poder entrar da maneira como estava o jogo. Ou seja, praticamente, o Jorge Jesus concorda comigo ou eu concordo com ele, porque ele é que decide, eu é que tenho que concordar com ele. Mas de qualquer maneira, essa foi a ideia. Agora fiquei também com a perspectiva de que no próximo jogo com a Dinamarca vai ser João Félix e Cristiano Ronaldo os titulares.

Mais uma vez. E é uma parceria que, de resto, até se revelou interessante no jogo frente ao País de Gales. Ronaldo parece ter melhorado um pouquinho o seu jogo ofensivo com esse apoio de João Félix, que também, de alguma forma, compreende os movimentos do avançado português.

Sim, mas eu olhei para o Cristiano Ronaldo, que eu fui lá ver o jogo ao estádio, com o País de Gales. Pareceu-me a mim que o Cristiano Ronaldo, como não fez bem a pré-temporada, precisa De mais tempo de jogo, mais tempo de treino, porque pareceu-me que estava um pouquinho preso a destreza, o momento em que tem que atacar a bola.

Precisa de mais treino ou precisa de mais descanso? Também aí dá para pensar.

Não, descanso, não, porque ele realmente não teve pré-temporada. Tu sabes, este tipo de animais competitivos precisam de alguma coisa que os alimente. E se tu tiveres ali quatro, cinco, seis dias sem teres aquela coisa da reação, da finalização, da maneira como metes o pé, aquilo que nós falámos do Haaland que vai à procura do espaço e tentares marcar o gol, eu acho que faltou alguma reação em relação às oportunidades que teve. Eu acho que no próximo jogo ele vai estar muito melhor nesse sentido. Vamos ver se vai ser verdade ou não o que eu estou a dizer.

Augusto Inácio, para fecharmos este relatório de jogo, o que foi o pior esta noite em Oslo, nesta vitória portuguesa por duas bolas a uma em casa da Noruega, 14 jogos depois de a Noruega não provar o sabor da derrota no seu terreno?

O pior, pode parecer se calhar um paradoxo aquilo que eu vou dizer, mas foi a forma como Portugal estava a ganhar um a zero e deixou partir o jogo para cair para um lado ou para o outro. Acho que foi muito perigoso, mas felizmente as coisas correram bem para Portugal.

E para fechar este relatório, o que foi o melhor desta noite de Portugal em Oslo frente à Noruega? Foi um jogador em específico, foi uma atitude geral da equipa, o que é que vais destacar?

Gostei da forma corajosa como o Jorge Jesus disse que não tinha medo da Noruega, estava a se referir que iria discutir o jogo no campo da Noruega. E discutiu. Realmente, a nossa frente de ataque foi uma frente de ataque que tentou chegar lá. Não muitas vezes, é verdade, mas tentou chegar lá, mas que demonstrou que não teve medo de partir o jogo, inclusivamente, embora eu achasse perigoso, de que era assim que podia ganhar. A aposta dele foi ganha, está feita a nível individual. Para mim, Renato Sanches foi o melhor jogador em campo e a seguir foi o João Félix.

Está feito e entregue o relatório de jogo do Augusto Inácio da vitória portuguesa em casa da Noruega, segunda jornada do grupo quatro da Liga A da Liga das Nações, segundo compromisso de Jorge Jesus no comando técnico da seleção, segunda vitória também com o segundo gol de João Félix, que parece ser o nome da era Jorge Jesus. Está feito e entregue o relatório de jogo do Augusto Inácio. Um grande abraço, Augusto, e até breve, porque vamos sempre ouvindo o Augusto aqui com notas 0 a 20 aos protagonistas do dia no mundo do desporto em sede de "O Campeão". Um abraço.

Um abraço.