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Relatório de jogo na Rádio Observador com o Filipe Coelho. Vamos olhar para a vitória de Portugal na quarta jornada do grupo A4 da Liga das Nações. Jogo em que Portugal carimbou a passagem aos quartos de final desta competição, da qual é vencedor. Na defesa do título, Portugal consegue quatro vitórias em quatro jogos, com o comando do técnico Jorge Jesus, e também a segunda vitória consecutiva sem Ronaldo na concentração, pelo menos com a equipe da Seleção Nacional, num jogo em que Portugal apresentou o melhor futebol, pelo menos o melhor resultado frente a esta equipe da Noruega, não no marcador, mas no que à pressão diz respeito e também às oportunidades, do que aquilo que aconteceu na primeira volta. Com pouco tempo de trabalho, vai melhorando Jorge Jesus aqui, Filipe.
Sim, é um ciclo absolutamente perfeito. Quatro vitórias em quatro jogos, melhor arranque sempre na Liga das Nações, apuramento para os quartos de final já carimbado. Os dois jogos de novembro já não vão ter grande peso competitivo. Isso também vai permitir, possivelmente, a Jorge Jesus ver outros jogadores, jogadores mais fora deste grupo. É pelo menos uma janela de oportunidade para isso. Portanto, diria que, em termos futebolísticos, em termos de produção da equipa, creio que é uma pausa internacional muito boa para Portugal. Sendo que Jesus, em relação a Martinez, não foi na fórmula da convocatória, nem na forma como encara a Liga das Nações que marcou as diferenças, porque a convocatória foi decalcada daquilo que Martinez tinha feito no Mundial. Percebeu-se que Portugal ia apostar as fichas todas nesta Liga das Nações, fugindo, por exemplo, da perspectiva que a Alemanha tem, muito mais de teste. Portanto, aquilo que Jesus poderia, no fundo, trazer de diferente era o jogo propriamente dito. E creio que, de fato, é uma equipa muito mais coletiva, se quisermos. Desde logo, com o ajuste tático. Portugal hoje joga mais próximo de um quatro-quatro-dois, um quatro-um-três-dois, com uma proposta defensiva de enorme arrojo, pressão a todo campo, encaixes individuais, muita agressividade. Com Martinez era diferente, era muito mais uma equipa especulativa, que pensava muito estrategicamente e com Jesus isso não se via dessa forma. Depois, em termos ofensivos, um conjunto muito mais harmonioso e funcional a atacar. É verdade que Portugal hoje não faz uma exibição tão espetacular como aquela que fez frente à Dinamarca, em Copenhague, com uma fluidez ofensiva que já não se via há bastante tempo, mas há aqui sinais muito positivos, ainda para mais pensando que não é uma equipa que está a ter muitos treinos aquisitivos, mas sobretudo muita recuperação. Percebemos que Jesus conseguiu influenciar e mexer na equipa através de vídeo, de conversa, de palestra, e aí há uma evidente melhoria.
Jesus até disse nos primeiros dias, que ainda com pouco tempo de treino para treinar os jogadores, disse que deu algumas noções teóricas, introduziu algumas noções teóricas, que os jogadores, mesmo sem treino, começaram a tentar aplicar. É também fruto de alguém que conhece os jogadores, o futebol português, já tem uma longa relação com tudo isso. Às vezes também as dinâmicas só precisam ser solidificadas mais do que criadas aqui.
Sim, mas Jesus aí também percebe que beneficia do fato de ter um conjunto de jogadores muitíssimo inteligente. Isso torna mais fácil a sua missão. Do ponto de vista teórico, Jesus consegue fazer passar as suas ideias sem precisar de tanta repetição na prática. Isso não aconteceria se tivesse jogadores menos evoluídos cognitivamente. Essa é uma das vantagens, obviamente, de Portugal. Agora, para além disso, Jesus foi capaz também de encaixar os jogadores de forma diferente. Martinez nunca apostou em João Félix nesta posição, pelo menos de forma contínua, de forma reiterada, como uma verdadeira aposta. E Jesus está a fazê-lo com o retorno que se vê. Félix aparece e é essencial na ligação, na definição, na forma como acrescenta em termos de sentido de baliza. É um jogador muito mais solto para se expressar criativamente e está a conseguir encontrar pontos importantes com Gonçalo Ramos.
Parece que é um jogador que se sente compreendido pelo treinador, de alguma forma. Isso também é importante para o rendimento, não é, Filipe?
Absolutamente. Jesus já conhece Félix do Al-Nassr. Aliás, foi com Jesus que Félix deu um salto em termos de rendimento, mesmo na Arábia Saudita, mesmo sendo o contexto que é. Mas parece-me que é indiscutível que Jorge Jesus vai apostar em João Félix nesta posição de segundo avançado, nove e meio, de jogador que é capaz de ligar o meio-campo com o ataque, muito fino na ocupação das entrelinhas, muito criativo. E, de fato, Portugal beneficiou desse aspecto nestes jogos. Depois, há uma clareza tática e uma valorização do potencial da própria seleção que não se via com Roberto Martinez, que tinha muito mais a tendência para se ajustar ao adversário. Por tudo isto, creio que, de fato, Portugal deu aqui passos sólidos, passos importantes para o futuro. E agora com essa possibilidade, em novembro, retocar e pensar também a seleção numa perspectiva um pouco mais aberta, de experimentar jogadores.
Agora que já está apurado, também Jorge Jesus poderá, efetivamente, testar em competição.
Sim, por exemplo, o Fábio Silva, que acaba por ser convocado, mas não tem minutos de utilização, é um jogador que eu creio que os merece. Enfim, há outros jogadores, Matheus Nunes, Matheus Fernandes. São jogadores que podem aparecer neste contexto de seleção nacional e que eu creio que novembro é um bom contexto para esse tipo de lançamento em competição.
Muito rapidamente, para fechar o relatório de jogo deste Portugal 2, Noruega 1, quem foi o melhor? O que foi o melhor esta noite no Dragão, em geral? Alguém? Uma citação do jogo, tu saberás.
Há aqui várias exibições individuais de belíssimo nível. Já falamos do Vitinho, João Félix, Gonçalo Ramos, Nuno Mendes também cresceu na segunda parte, o Renato Veiga muito bem no contato com o Haaland. Mas eu diria que, em termos gerais, eu creio que este crescimento da seleção nacional nos últimos quatro jogos, de menos para mais, embora se saliente que a exibição mais espetacular foi em Copenhague com a Dinamarca, mas hoje foi uma equipa também que soube ser sólida, que ainda para mais teve o desafio de ficar a perder e conseguiu dar a reviravolta, portanto, deu também um exemplo de robustez emocional. Portanto, em suma, eu diria que é uma equipa, hoje em dia, mais reconhecível como equipa, mais harmoniosa e mais fluida a atacar. E portanto, essa é também a nota que sai não só desta partida, mas deste conjunto de quatro jogos.
E a fechar, o que foi mais negativo esta noite no Dragão?
Para não ser demasiado duro, vou ter de falar na expulsão de Francisco Conceição, porque poderia ter, de facto, consequências para a reta final da partida. Foi já perto do minuto 90.
E para citar os nossos ouvintes, foi precisamente quando estava a ser substituído. E isso acabou por fazer Portugal jogar com menos um. Se tivesse levado amarelo já do lado de fora do campo, essa não teria sido a situação. Poderia, de alguma forma, aqui ter refletido de outra forma, Chico Conceição.
Sim, é uma infantilidade total de Francisco Conceição. Ver dois cartões amarelos, não sei, cinco, sete segundos, por aí, não é mais do que isso. Prejudicou a equipa, deixou Portugal a jogar com 10 para os últimos momentos e portanto poderia ter sido algo bastante penalizador. Portanto, diria que é o que fica mais negativo desta partida do Dragão.
Está feito e entregue o relatório de jogo do Portugal 2, Noruega 1, jogo em que Portugal carimbou a passagem aos quartos de final da Liga das Nações 2026-2027. Um grande abraço, Filipe Coelho, até breve.
Um abraço, Vicente.