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Sabes que por aqui tens ela.
Vozes afinadas, martelo na mão e sardinhas na brasa. Está tudo a postos para a noite mais longa do ano na cidade do Porto.
Na noite de São João, na noite de São João.
Se o São João é motivo suficiente para cantar, hoje houve motivos redobrados para esvaziar os pulmões.
Também sobre o mar. Das nações, nadar.
Também nas ruas, o metro quadrado passou a ser, mais do que caro, raro. Entre tripeiros e forasteiros, há sempre espaço e comida para todos.
Já tivemos a oportunidade, eu e o senhor Presidente da Câmara, de comer uma bela sardinha, muito bem assada, e beber um vinho tinto verde. Prová-lo.
Se o Presidente da República, no papel de convidado, não se queixou, o anfitrião olhou com orgulho para a cidade vestida de gala.
Sinto um orgulho diferente, eu diria, para ser muito honesto e genuíno, porque poder sentir que estou a liderar uma cidade como esta é, de facto, um privilégio enorme.
A chuva não estragou os planos e a seleção nacional acrescentou o último ingrediente para a receita de sucesso dos festejos perfeitos.
É a mistura perfeita, cheira a sardinha, Portugal ganhou cinco zero, o Cristiano marcou dois gols e está toda a gente a dançar na rua, está toda a gente bem disposta, tudo a martelar na cabeça uns dos outros. Está um espetáculo.
Mas o espetáculo só ficou completo nos céus. Primeiro, e para quem sabe, com os balões.
É preciso deixar bem aquecer, encher de ar quente e só depois soltar.
Depois, o fogo de artifício.
Foi curtinho. Eu acho que já houve anos melhores. Acho que é giro dispersarem o fogo pelo Rio Douro até à Ponte Arrábida e dispersar um bocadinho mais o fogo.
O brilho do fogo deixou as ruas em êxtase, mas mesmo com o cansaço nas pernas, o São João não terminou. Entre bailaricos e concertos, a noite mais longa do ano tornou-se em manhã e agora, assim que as energias estiverem recuperadas, é tempo de começar a preparar a festa do próximo ano.